terça-feira, dezembro 14, 2004

Tremor de terra

O país vai com tal agitação que até a barraca abana!
5,4 é um aviso... convém não deixar ir mais longe!



sábado, dezembro 11, 2004

Semana 50

1. A novela sampaísta continua
O senhor revelou-se um autêntico dramaturgo, dando espaço e tempo a algumas deixas dos seus parceiros de cena e tudo, embora notoriamente um pouco atrapalhado por algumas cenas que nunca se ensaiaram; vindo, novamente, a contradizer todos aqueles que viam na figura do Presidente da República uma instituição meramente decorativa.

A minha opinião continua no entanto por se definir. Porque vejamos a lógica das coisas: se era, como acho que ainda é (veja-se novamente o caso Bombardier), o XVI Governo o pior governo “desde o tempo de D. Maria”, opinião consensual em todo o país (diga o que a excepção quiser), então o pensamento lógico consequencial que se seguiria seria mude-se então o governo. O Dr. Sampaio não achou isso e resolveu iniciar e prosseguir o processo de dissolução do parlamento, um órgão com uma legislatura das mais estáveis se sempre, sem buffets de limianos ou incoerentes altercações de votos e com alguns processos legislativos que se ouve agora dizer essenciais como a questão do arrendamento, do código da estrada, do tabaco, entre outras talvez de maior importância. E o Governo, ilogicamente, continua, nem sequer em gestão, mas na plena posse de todos os seus poderes. Mais ainda fez-se aprovar um Orçamento para a actividade de um Governo assassinado à partida. O que a preconizar-se uma vitória socialista resultará num orçamento rectificativo já por si a carregar algumas condicionantes do precedente. Pois bem este é o pior Governo mude-se o Parlamento – ilógico. Poderia até fazer sentido mude-se o Parlamento e o Governo, mas não foi assim que o Dr. Sampaio decidiu.

Hoje fui ler melhor a comunicação feita ontem ao país. Diz o Dr. Sampaio 1) que “teve em conta a avaliação que fez do interesse nacional”; 2) que ao contrário do que se tinha garantido como condição para a sua tomada de posse não se “gerou um novo governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do País e de mobilizar os portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos”; 3) que não existiu durante a governação um sinal de “particular lucidez nas políticas e um rigor na gestão governativa”; 4) que existiram casos de falta de “transparência, equidade e imparcialidade no exercício do poder e à prevenção de abusos”; 5) que se assistiram a “uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o País vive”, “sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral”; 6) que “o País, que não pode perder mais tempo nem adiar reformas”; 7) que se “revelou um padrão de comportamento sem qualquer sinal de mudança ou possibilidade de regeneração, entendendo que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência”; 8) entendendo ainda que “se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos”.

Este último ponto é substancial para se dizer “mude-se o Parlamento” mas será realmente verdadeiro? Tenho grandes dúvidas. Num processo lógico não caberia ao Presidente da República demitir o Governo e pedir ao Parlamento a designação de um novo, ao que se avaliando da incapacidade da maioria parlamentar para tal, só então, se partiria para a dissolução desta e do resto dos parlamentares? Tudo bem que existe um factor de tempo e de premência das reformas. Mas e se a coligação ganhar com o Dr. Lopes à cabeça, miraculosamente a maioria ganhará a capacidade de gerar um novo governo, mesmo que igual ao anterior, mesmo que carregado de incapazes?

Uma coisa é certa, vêm aí o único dia em que vivemos em democracia, vamos em Fevereiro a eleições, indubitavelmente “para o bem de todos nós”.

2. Evasões
Fui esta semana ver a peça que está no teatro da Comuna: "A Cabra ou Quem é Sílvia?" de Edward Albee, vencedora do Tony 2002, com grandes interpretações do Carlos Paulo, João Têmpera e Cucha Carvalheiro. Trata dos limites da tolerância e do amor, mesmo daqueles que se proclamam mais liberais. A tolerância do amor para outra mulher, para o mesmo sexo, para uma cabra, para um pai, para um recém nascido... a tolerância e os seus limites no inconscientemente padronizado. A ver...

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Um artigo com dados interessantes...

O último estudo da OCDE sobre educação confirma como estamos mal - e como pouco fazemos para melhorar

O estudo da OCDE conhecido por PISA, que avalia e compara as competências de jovens de 15 anos nas áreas da leitura, da matemática e das ciências, que divulgámos terça-feira, não trouxe grandes surpresas. Na cauda das tabelas continuam a Turquia e o México, estando Portugal muito próximo e acompanhado quase sempre por países do Sul da Europa (Itália, Grécia e também Espanha). No outro extremo da tabela encontramos, de novo em primeiro lugar, a Finlândia, tendo regra geral lugar de destaque o Japão, a Coreia, a Holanda, o Canadá e a Austrália.
Se o mau lugar de Portugal, sobretudo a ciências, não surpreende, não deixa de ser estranho que o que este estudo revela seja o mesmo que atestavam os anteriores e pouco ou nada tenha sido feito para mudar a situação. Importa por isso olhar para os países com mais sucesso e tentar perceber o que fazem melhor do que nós. Talvez começando pela europeia Finlândia.
Associando o que diz a OCDE, uma intervenção do director do projecto, Andreas Schleicher, no conselho de Lisboa, um ONG sedeada em Bruxelas, e o muito útil e interessante estudo de Manuel Castells (o conhecido sociólogo catalão) sobre os porquês do sucesso finlandês, talvez possamos retirar alguns ensinamentos:
- o sucesso não é um factor directo do dinheiro que se gasta no sistema educativo, nem sequer do que se paga aos professores. Em Portugal, por exemplo, gasta-se mais do que em Espanha e quase o dobro do que despende na República Checa, e ambos os países estão acima de nós nos três "rankings". Por seu turno, os professores finlandeses estão muito longe de serem os mais bem pagos ou de o país ser o que mais investe no ensino secundário;
- o sucesso já tem muito mais a ver com a organização do sistema escolar, com a autonomia - tanto orçamental, como curricular - das escolas e com a sua relação com as comunidades locais, algo que tanto o estudo assinala, como Castells destaca. Um sistema centralizado como o nosso é quase sempre a receita para o desastre;
- o sucesso está também directamente relacionado com a importância social e cultural que se dá à formação e à educação. É por isso sem surpresa que notamos o lugar de destaque obtido pelos asiáticos, cuja cultura valoriza há milénios a educação como forma de progresso social, enquanto na Europa os países da frente são os que têm uma mais forte ética de responsabilização individual. Por outras palavras, os de herança protestante, uma ética que Castells também diz ser um dos segredos por detrás do milagre finlandês;
- o sucesso está por fim relacionado com a flexibilidade do sistema educativo, criando desde muito cedo um sentido de exigência e responsabilidade que desafia os professores, os alunos e as famílias a prepararem-se para formações abertas, que não estreitem o futuro dos jovens e tornem mais fácil que busquem novas oportunidades e novos caminhos, não ficando para trás.
Alguns países, como a Polónia, olharam para estes resultados e trataram, com sucesso, de sair dos últimos lugares. Em Portugal temos encolhido os ombros ou feito exactamente o contrário, designadamente ao centralizar ainda mais o sistema, obsessão que este ano se traduziu noutro desastre, o da colocação de professores. Quando será que despertamos e aprendemos com quem faz melhor do que nós?
José Manuel Fernandes

sexta-feira, novembro 26, 2004

Sobre uma Democracia mais participativa

Ontem tornei-me um dos mais de 35.000 portugueses que apresentará na Assembleia da República a primeira "Iniciativa Legislativa de Cidadãos" para uma maior justiça fiscal e abolição do segredo bancário. (www.contasclaras.net)

O Direito de Iniciativa Legislativa está previsto no art.º 167 da Constituição da República Portuguesa (desde 1997) e foi regulado apenas em 2003. Com esta lei veio finalmente criar-se as condições para que o cidadão comum possa ver discutidas e votadas no Parlamento projectos de lei da sua própria autoria sobre matérias que lhe digam respeito. Este direito é livre e gratuito e para ser exercido basta que os cidadãos eleitores se organizem num grupo de pelo menos 35.000 e que apresentem, por escrito, ao Presidente da Assembleia da República um projecto de lei. Abre-se, assim, a porta à possibilidade de grupos de cidadãos exercerem a competência legislativa tradicionalmente restrita a órgãos de soberania, chamando-se, deste modo, homens e mulheres a uma participação activa na vida política do país.

Para além desta relativa ao fim do sigilo bancário, o que sucede na maioria dos países menos na província, sei que existe uma outra iniciativa por parte da Ordem dos Arquitectos, que defende a assinatura de projectos de arquitectura apenas por arquitectos. (http://www.direito-arquitectura.com.pt/)

Sobre a "Democracia"

"Democracia" de Michael Frayn

Ontem fui ver "Democracia" no Teatro aberto, peça altamente recomendável: primeiro, porque tem uma encenação e uma cenografia muito bem conseguida do João Lourenço, algo que ouvi ser um lugar comum no Teatro Aberto; segundo pelas boas representações, que se acentuam pelo facto de a sala vermelha ser a mais intimista do teatro e os actores estarem particamente entre nós; terceiro porque Michael Frayn criou, à semelhança de "Copenhaga" (que não vi) um argumento histórico que nos impulsiona a correr para casa e investigar mais sobre aquela parte da história do SPD e das duas Alemanhas. Brilhante!

"Alemanha Ocidental, 1969. Willy Brandt inicia a sua carreira como chanceler da República Federal. Günter Guillaume é um dos seus assessores, mas também espião da Stasi, a polícia secreta da outra Alemanha, a República Democrática Alemã. A revelação da dupla identidade de Guillaume irá despoletar a demissão do chanceler em 1974. Em "Democracia", tanto Brandt como Guillaume surgem como homens divididos, abalados por profundas contradições, num restrato psicológico que reflecte as tensões que atravessavam o mundo antes da queda do muro de Berlim em 1989."

terça-feira, novembro 23, 2004

Sobre a minha necessidade de ir ao optometrista

Meus amigos, tenho de ir rapidamente actualizar as graduações das minhas lentes... noto que o problema já tem poucos anos mas parece que não consigo ver as coisas com distinção... é que acho impossível ver o PPD/PSD a ter a sua política completamente dominada por um acordo (quem me dera lê-lo) com o CDS/PP... a doença está a agravar-se e a nossa memória lusitana é tão curta que já nem me lembro quem é que teve mais votos nas eleições.

segunda-feira, novembro 22, 2004

Sobre o Sampaio

Há coisas que não se percebem, já quase no final do seu mandato o Dr. Sampaio insiste em destruir o pouco que fez neste e no anterior. Quase que chega a ser, na minha opinião, infantil... e se estamos já fartos de infantilidades na política, o presidente de todos nós não quer ficar indiferente a elas.
Tudo bem, nomeou o Dr. Lopes para 1.º Ministro, até concordo que muito mais não podia fazer, aliás só fez, na minha opinião, o que devia fazer. Mas se com o Dr. Lopes começou o "circo" o Dr. Sampaio quis fazer frente com a "palhaçada", nada desde então foi realmente construtivo.
Primeiro aplicou-se numa grande encenação de episódios para que ficássemos com a impressão que o governo deve-se a ele e não os eleitores que votaram na coligação.
Depois surge-nos com birras quando não havia necessidade de as ter e calado quando devia berrar. Veja-se o caso da lei das propinas, da lei do rendimento mínimo, do código do trabalho, até mesmo de alguns orçamentos - ouviu-se algum choro. Eu não ouvi!
Mas agora o governo ponha-se a pau, porque com ele não se faz farinha, nada de criação de organismos do governo, centrais de informação ou novos concelhos porque quem governa deve-o ele.

Sobre Jamie Cullum - Som da Semana


Jamie Cullum - Twentysomething
O puto até se desenrasca bem, parece que escreve as suas letras com o irmão e faz umas adaptações porreiras para jazz, bom na verdade um pop-jazz, que é o que está na moda e é o que vende discos, veja-se Norah Jones e Diana Krall. Já esteve em Portugal mas parece que ninguém deu por ele... resta-nos portanto ouvir no sossego do lar.

sábado, novembro 20, 2004

Sobre os Tempos, as Vontades, as Expectativas...



Ontem através de uma passagem de olhos pelas notícias li a tal: "Mário Soares afirma que se não fosse a União Europeia já teriam existido algumas aventuras militares".

O primeiro pensamento foi logo: já foi, é desta que o velho ficou sem juízo na cabeça (algo que sempre achei iminente depois do seu atentado à vida animal nas Seychelles). Como seria possível existir uma aventura militar no Portugal de 2004, como é que os portugueses se deixariam assaltar por uma onda "sul-americana" de revolta e histerismo nas ruas, invasões a parlamentos, destituições populares, o pensamento já fugia para forquilhas e tochas de fogo quanto o apanhei.

Depois de matutar um pouco comecei, sem ter lido mais do que aquela linha de telejornal, a procurar tentar encontrar aspectos para justificar o sujeito histórico, ele ainda não deve ter perdido a razão toda, deve existir um contexto para esta frase que as primeiras linhas de jornal omitem para nos obrigarem a ficar a ver, a procurar, enfim, a querer consumir mais informação. Está certo que nos diálogos políticos familiares ainda saiem palavras que os meus ouvidos não se acostumaram a ouvir: "patrão", "operários", "monopólios"... fogo, actualizem-se!, ou ainda não, não sei... Mas "aventuras militares", impossível... Começo então a fazer a regressão histórica, o Conselho da Revolução, órgão iminentemente militar, só terminou o seu império em 1982, em grande parte porque estavam em cima da mesa as negociações com a Comunidade Económica Europeia... se não fosse esse factor ainda teríamos os marechais a presidir, e teriam eles convocado ou não eleições - disparates... Heellooo! - estamos em 2004 - O Santana está a governar, as pessoas acham mais ou menos mal, mas não se querem preocupar a achar coisa alguma, nem se quer pensar em fazer. O país está mal mas nunca esteve melhor. São 22h00 depois de um dia de trabalho não praticante, descanso os olhos a olhar para a Quinta que somos...

Hoje procuro encontar o contexto, abro o Público e leio a afirmação feita: "Se é certo que a inserção na União Europeia nos defende de aventuras militares, só a consciência cívica dos portugueses nos ajudará a superar os riscos". Frase missal - é verdade, mas onde será que essa consciência sobrevive...? Onde?

sexta-feira, outubro 22, 2004

Voltei...

Caros leitores,

Realmente voltei a ausentar-me do blog! Não por uma questão de desleixo, mas porque aqui máquina decidiu avariar por uns dias... Já voltei e espero que em força!

Bem, tenho andado envolvido na organização de um Congresso Científico. Hoje, quando olhava para o blog, pensava como era possível ainda não ter falado disso aqui no conversas por isso resolvi arrumar o assunto. É sobre “Farmacogenómica o amanha das Ciências Farmacêuticas”.
Podem encontrar mais informação em http://www.apef.pt/ . Espero que seja do vosso agrado...
Fiquem aqui com o poster!


Continuem a aparecer!
AS

terça-feira, outubro 19, 2004

Um espinho na entrada desta Comissão

Está prestes a terminar a longa caminhada da candidatura de Durão Barroso, ou melhor, de José Manuel Barroso, à presidência da Comissão Europeia, sendo a investidura dos comissários por si designados votada no Parlamento Europeu, já na próxima semana.

Ainda continuo a achar que o prestígio (se é que existe) de ter um conterrâneo na presidência da comissão não justifica ou compensa o facto de (e penso eu) se ter escolhido um "mau presidente". Pelo menos a esperança no contrário é pouca, ficaremos cá para ver.

Fora quaisquer dúvidas ou estratégias iniciais o presidente é e será este. O executivo por si escolhido entre as poucas escolhas dadas pelos governos, contra todas as expectativas, é que poderá não ser o entretanto designado. Vejamos os problemas:

Primeiro problema - Sr. Rocco Buttiglione - psicanalista, professor universitário, democrata-cristão e italiano.

Foi uma das propostas do Sr. Berlusconi para a pasta da Justiça, Liberdades e Garantias, a que o nosso conhecido José Manuel Barroso assentiu. Poderíamos passar o facto de o Sr. Buttiglione ser um católico praticante, não fosse o facto de a sua prática ser a mais conservadora do catolicismo. Em pleno período de audições no Parlamento, o Sr. Buttiglione não só professou numa entrevista a homossexualidade como um "pecado", como achou por bem frisar que o papel do casamento é a de permitir às mulheres terem filhos e aos homens protegê-los. Enfim, pensamos que foi um desabafo de momento, mas não, uma semana mais tarde, num colóquio sobre o futuro e os desafios da Europa o Sr. Buttiglione faz não só a confirmação das suas convicções como remata ainda alguns comentários pouco lisonjeadores como "as crianças que só têm uma mãe são filhos de uma mãe não muito boa, enquanto as crianças que só têm um pai não são crianças, porque um homem sozinho pode construir um 'robot' mas não uma criança". À partida seriam opiniões livres como as de qualquer um, acontece que a pasta em causa é a das próprias Liberdades civis, mais ainda, acontece que ao fim de várias horas de reuniões os membros da Comissão de Liberdades Civis, consideraram o Sr. Buttiglione incapaz de pôr em prática políticas incentivadoras do "pecado", chumbando a nomeação do comissário por 28 votos contra 25 a favor da nomeação.

Segundo problema - Sr. László Kovács - ministro dos negócios estrangeiros, socialista e húngaro.

Mais do que socialista, foi vice-presidente da Internacional Socialista (como muitos). A Comissão de Indústria, Investigação e Energia, por sua vez, ficou pouco convencida que o Sr. Kovács tivesse competência profissional no âmbito da energia, designadamente através da falta de conhecimentos especializados no que concerne à fusão nuclear ou ao ciclo do hidrogénio. Para além de estarem pouco convencidos da sua idoneidade nas altas funções a que se propunha e insatisfeitos com o facto de o candidato ter expressado desejar continuar o seu ministério até à data da sua confirmação como comissário.

Acontece que a política é feita de equilíbrios... "aceitem um democrata cristão que nós aceitaremos um socialista", e a comissão na próxima semana passará, embora com dois elementos questionáveis. São as moedas de troca da política, um espinho na entrada desta comissão - a Europa e os Europeus estarão nas suas mãos.

segunda-feira, outubro 11, 2004

...

Paula Rego - The Barn, 1994

Decidi começar a pôr todas as semanas um quadro da pintura contemporânea portuguesa, primeiro porque é uma forma de colorir o blog, depois, e mais importante, arranjo com isso um pretexto para investigar um pouco sobre essa área para mim ainda um pouco desconhecida.

Já repararam que os grandes artistas ainda sentem a necessidade de se exilarem perpetuamente.

Há dias assim!

Há dias assim, diferentes!
Em que sorrimos sozinhos, pelos outros e com os outros... Correm nos sensações estranhas, vivemos momentos iguais aos de ontem, aos de hoje e aos de amanha, mas que hoje especialmente decidimos vive-los!
Coisa estranha, isto que chamam vida! Sentimos cheiros, interpretamos sorrisos, e picanços, no fundo comunicamos com os outros procurando fazer desta vida algo rico. Olho para trás e sinto-me bem! Tenho aproveitado muito o que esta passagem tem de bom. Saber perder e sair derrotado é algo que sempre me foi estranho...hoje nem tanto! Talvez por me aperceber que podemos superar as derrotas, hoje sorrio! Sei que estas sensações são resultado do risco, de opções, de querer sempre mais e de alcançar esse mais também!
Soube bem o dia de hoje! Por ser igual a tantos outros, diferente, mas ao mesmo tempo único! Sabe bem tudo isto...

27-09-2004
AS

sábado, outubro 09, 2004

Ramalho!

Caros leitores,

o Tiago, esse desnaturado que tem a mania que sabe escrever, e que dizem que é dos melhores a escrever cá no canto, faz anos hoje... Parabéns Tiago!

Ramalho para ti!

Abraço

Mac

domingo, setembro 26, 2004

MEDO A QUE NOS LEVAS...

Este fim-de-semana dediquei-me a ver quase de seguida os dois documentários mais conhecidos de Michael Moore - "Bowling for Columbine" e "Fahrenheit 9/11".
Se pude estabelecer um elo comum entre os dois filmes, sem qualquer dúvida é a forma como o realizador demonstra que a causa primeira de qualquer violência, interna ou externa, se baseia no medo. O medo, difundido por meios de comunicação cada vez mais sensacionalistas, leva-nos a obter armas para proteger as nossas casas ou a atacar países para que eles não nos ataquem, mesmo que se viva no bairro mais pacífico, mesmo que o outro país não tenha sequer a intenção do ataque.

Em Bowling for Columbine, Moore, no seguimento do masacre do liceu de Columbine, procura as razões primeiras para a autêntica guerra civil que se vive na América. Será a história violenta que o país tem? Não. Será a violência dos media, cinema e jogos de vídeo? Não. Será o elevado número de armas nos lares? Não. Será a facilidade com que se compra armas e munições? Não. E se uma bala valesse 5000 dol./eur., haveria "balas perdidas"? É através da comparação entre países, designadamente entre o Canadá e os EUA que Moore acha encontrar a razão para qualquer violência - o tal medo.

Em Fahrenheit 9/11, também no seguimento de outros massacres, o medo é outro é o do terrorismo, mesmo que exista paz o que faz dinheiro é a guerra, o que faz dinheiro é o medo. O medo de envelhecer ou ficarmos feios já provou que nos faz consumir. O medo de sermos mortos ou atacados, faz, como absurdamente aconteceu na guerra fria, acabemos por estar numa loja a comprar a máscara de gás tamanho M ou o abrigo nuclear T2.

Mais do que as ligações políticas e económicas que Moore desvenda em ambos os filmes, que servem para pensar - a questão que achei mais importante foi mesmo a forma como os Estados gerem o medo dos seus cidadãos e a forma como isso reflecte-se na nossa forma de viver em sociedade.

Ambos os documentários são realizados com uma miscelânea de desenhos animados, imagens históricas, entrevistas e até mesmo filmes publicitários - são por isso hilariantes, únicos e imperdíveis.

Depois de uma breve pesquisa na Internet encontrei um dos livros de Moore - "Stupid White Man", que se encontra actualmente nas nossas livrarias e já esteve no top norte-americano, a ver se arranjo algum tempo para o ler.

sábado, setembro 25, 2004

Jograis bar

Já que o ambiente das conversas de canto sempre foi rodeado de música e copos deixo uma recomendação porreira: "Jograis Bar", ali perto da Avenida Estados Unidos da América. Bar de porta fechada, música ao vivo do melhor! A APEF andou lá a vadear, cantar e beber ontem...

AS

quarta-feira, setembro 22, 2004

21 de Setembro de 1992

Já nos conhecemos há 12 anos!
Parece estranho o número, parece estranho por parecer tanto, mas também porque temos histórias para encher 15 ou 20...

É “fixe” recordar aquele dia, aquelas sensações, aqueles cheiros e aquele despertar! O parecer tudo tão grande, tão novo. Hoje parece tudo tão velho, tão rico, tão pequeno para as recordações. Mais do que o que nos fez conhecer uns aos outros, o CM, hoje penso no que criámos em conjunto... Acredito que por vezes não temos essa noção, limitamo nos a viver os momentos. Acho que por um lado é bom, continuamos com a inocência de sempre, com as brincadeiras à “puto jardim”, com as mães uns dos outros, a lista não pára! Por outro lado as marcas do tempo surgem com a preocupação de “quando defines o teu curso”, já arranjaste trabalho, ou com as apostas de quem se casa primeiro...muito mais vai surgir!

Mais que marcar momentos, comemorá-los ou não, é preciso que isto tudo permaneça, que isso que chamam amizade seja perene, seja de sangue!

Doze anos já lá vão! Que venham mais 100!
ZACATRAZ
AS

terça-feira, setembro 21, 2004

Esta Semana vou ouvir...


Crash
Dave Matthews Band

Novos Compromissos Editoriais

Lembram-se quando a determinada altura do filme Matrix a visão que o escolhido têm do mundo se transforma num código de números em constante mudança. Uma das coisas que o curso me está a fazer mal é que começo a ver uma quantidade absurda e dispensável de normas a nascer no dia a dia e a clamar por serem escritas.
Pois é, as normas nascem dos problemas. E este blog está com problemas à medida que a quantidade de posts mensais começa a tender para zero. Preocupados com isso vamos estabelecer o nosso "contrato social" (hoje estou com pseudo-estupidez jurídica crónica). Assim sendo decidimos estabelecer os nossos mandamentos e compromissos editoriais.

Art.º único
  1. Todos os membros do blogue "Conversas de Canto" comprometem-se a redigir um texto original num número mínimo de dois por quinzena.
  2. A falta ao disposto no número anterior poderá resultar na prescrição do autor como membro do blogue.

"Os fundadores"

Um cheiro para este dia


21 de Setembro de 1992

Depois de termos visitado aqueles muros e paredes era a hora do almoço - O primeiro almoço. Se houve coisa que marcaria a minha memória daquele dia, e sabemos bem que são sempre as pequenas coisas que ficam cá gravadas, é o cheiro que no átrio da camarata, antes da formatura, se fazia sentir intensamente depois de estreadas pelo menos umas 50 latas.

Se por vezes é um momento, uma música ou uma paisagem; aquele momento ficou sempre associado àquele cheiro inicial - o cheiro da Rosette-lar.

segunda-feira, setembro 20, 2004

No meu bairro está tudo rico!

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30% mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).

O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!

O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...

A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.

Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.

E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é presidente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.

E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal. Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!


Nicolau Tolentino in "Expresso"
20 Setembro 2004

sábado, setembro 11, 2004

Fazer ou aprender

Frequentar o Ensino Superior é uma oportunidade, quer para evoluirmos interiormente enquanto pessoas, quer enquanto cidadãos com um conhecimento acima da média. Hoje é também encarado como mais uma etapa da vida. Temos a infância, a adolescência, se quiserem a primária, o secundário, sendo que posteriormente surge sempre a vontade em entrar no mercado de trabalho. Pelo meio situa-se o ensino superior. Por muitos é visto como uma oportunidade única de ganhar maturidade e conhecimento, por outros é uma etapa à qual “pelos outros” não se pode falhar. Poderemos perguntar agora se é esta a ideia habitual de toda a sociedade portuguesa? Podemos ir mais longe e questionar se estes “hábitos” são positivos? Neste momento não vamos reflectir sobre estas respostas, mas apenas na repercussão que esta mentalidade provoca nos estudantes do Ensino Superior, nomeadamente o Universitário!

O Ensino Universitário tem de ser encarado como uma possibilidade de nos enriquecermos pessoalmente. Um enriquecimento que tem obrigatoriamente de passar pela componente cientifica, mas também pela componente humana e social. Dentro de cada parâmetro, mais que adquirir conhecimentos é necessário interiorizar comportamentos, usufruir experiências que só nos são possíveis de realizar nesta etapa da vida. Frequentar todo o período universitário não é apenas uma simples tarefa avaliada pela negativa ou positiva, mas uma forma de atingir determinados objectivos, onde cada etapa tem uma razão de ser e cada razão deve ser compreendida.

Perante este panorama há que relacionar a visão da sociedade relativamente ao Ensino Universitário, com as exigências do Ensino Universitário face à sociedade. O resultado desta simbiose é a realidade das Universidades Portuguesas. Podemos encontrar alunos aplicados, dedicados, onde a vertente científica se torna uma paixão. Outros há que se valorizam mais na componente humana e pessoal experimentando oportunidades únicas e enriquecedoras. Por último surge sempre a componente social que para muitos é também um factor sempre presente e até primordial. Qual a visão mais correcta, mais sensata? “No meio está a virtude”. Esta expressão tão sábia quanto antiga pode ser aplicada neste caso. Substitua-se o “meio” pelo “equilíbrio”. Esse equilíbrio está pouco presente nas nossas faculdades, e quando está, apresenta-se como uma minoria.

Vejamos, quantos estudantes fazem cadeiras, e acentue-se a expressão fazer, em prol de aprender conteúdos de cadeiras e apreender mentalidades? Quantos estudantes estudam matérias não para aprender, mas sim para passar cadeiras, acabando com a expressão – “está feita!”. Estaremos na faculdade para aprender cadeiras e não para passar cadeiras? A diferença entre um 16 e um 11 traduz-se em conhecimentos diferentes sempre? Quantos estudantes forjam resultados de laboratório ou simplesmente copiam relatórios? Quantos universitários se integram ao mesmo tempo nas actividades extra-curriculares da Universidade? O desenvolvimento de trabalhos sociais é um prazer para os nossos estudantes ou um sacrifício? Se quiserem, quantos estudantes saem das universidades com a cultura do desporto, indo de encontro à velha máxima, mens sana in corpore sano, um principio de uma sociedade evoluída? Passar pela faculdade, pelas salas de aulas, pelos laboratórios, conhecê-los exaustivamente e não viver a faculdade é criar um cidadão equilibrado? Creio que muitas destas questões são partilhadas por muitos Universitários, antigos estudantes ou simples cidadãos.

De todas estas perguntas, acho que podemos concluir que o equilíbrio não existe actualmente em abundância! Assim sendo há que procurar causas! A primeira, e a maior, reside na atitude dos estudantes. É o sujeito responsável pelas suas atitudes. Por outro lado, acredito que as Universidades se habituaram a estas realidades e desresponsabilizaram-se de tentar invertê-las. Acredito que é altura de se pensar não apenas em reformas curriculares, em fazer evoluir as faculdades para os ideais europeus, mas também em repensar o que de mais antigo há: métodos de ensino; abordagem ao aluno; relação professor/aluno; incentivos ao desporto, à sociabilização, à valorização pessoal; humanizar as faculdades; associar o avaliar ao aprender! Outros haverá com toda a certeza. É aqui que acredito que ainda há muito por fazer. No fundo trata-se de tornar as Universidades, o espaço de um ensino superior por excelência.

AS

Voltei!

Findo mais de um mês, volto ao blog!

Os últimos tempos tem sido de uma intensidade elevada, tive tempo para enriquecer este "canto", mas talvez tenha faltado a disponibilidade mental... Vicissitudes da vida!

Vou procurar voltar à realidade da blogosfera pelo menos semanalmente...há muito que contar!

Bem, acabaram as férias, vamos a isso!

Até já, até logo, ou simplesmente fiquem por aí!

AS

sexta-feira, julho 23, 2004

A curiosidade...

Parto este fim de semana de viagem para o lado de lá do Atlântico... A minha colaboração no blog que ultimamente tinha aumentado vai cessar assim um pouco, tendo eu  secreta esperança de conseguir talvez escrever um post de lá, provavelmente sobre o choque de culturas!

Quanto à minha maior curiosidade, nos dias que se aproximam, vai ser com toda a certeza: saber qual a próxima peripécia que o nosso governo vai preparar. Usem da imaginação, penso que tudo é possível!

Vemo-nos por aí!

AS

quarta-feira, julho 14, 2004

Deus

"É uma típica tarde de sexta-feira e estás dirigindo em direcção à tua casa. Sintonizas o rádio.

O noticiário está a falar de coisas de pouca importância.

Numa cidade distante morreram três pessoas com uma gripe até então totalmente desconhecida.

Não prestas muita atenção ao tal acontecimento.

Na segunda-feira, quando acordas, escutas que já não são três, mas 30 mil as pessoas mortas pela tal gripe nas colinas remotas da Índia.

Um grupo do Controle de Doenças dos EUA foi investigar o caso.

Na terça-feira, já a noticia é mais importante, ocupando a primeira página de todos os jornais, porque já não é só na Índia, as também no Paquistão, Irão e Afeganistão.

Enfim, a notícia espalha-se pelo mundo. Chamam a doença de "La Influenza Misteriosa" e todos se perguntam: Que faremos para controlá-la?

Então, uma notícia surpreende a todos: Europa fecha as suas fronteiras. França não recebe mais voos da Índia nem de outros países onde se tenha suspeitas de existência de casos da tal doença.

Devido ao encerramento das fronteiras, estás ligado em todos os meios de comunicação, para te manteres informado da situação e de repente ouves que uma mulher declarou que, num dos hospitais da França, um homem está a morrer pela tal "Influenza Misteriosa".

Começa o pânico na Europa.

As informações dizem que, quando contrais o vírus, é questão de uma semana e nem percebes.

Em seguida tens quatro dias de sintomas horríveis e morres.
A Inglaterra também fecha as suas fronteiras, mas já é tarde.

No dia seguinte o presidente dos EUA fecha também as fronteiras para Europa e Ásia, para evitar a entrada do vírus no país, até que encontrem a cura.

No dia seguinte, as pessoas começam a reunir-se nas igrejas em oração pela descoberta da cura, quando de repente entra alguém na igreja aos gritos:

- Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas mulheres morreram em Nova York!!!

Em questão de horas, parece que a coisa invadiu o mundo inteiro.

Os cientistas continuam a trabalhar na descoberta de um antídoto, mas nada funciona.
De repente, vem a notícia esperada: Conseguiram decifrar o código de ADN do vírus.

É possível fabricar o antídoto!

É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém que não tenha sido infectado pelo vírus.

Corre por todo o mundo a notícia de que as pessoas devem ir aos hospitais fazer a análise de seu sangue e doá-lo para o fabrico do antídoto.

Tu vais voluntariamente com toda tua família, e alguns vizinhos, perguntando-te:
- O que acontecerá?. Será este o final do mundo?

De repente o médico sai a gritar um nome que leu no seu caderno.
O menor dos teus filhos está do teu lado, agarra-se ao teu casaco e diz:
- Pai? Esse é o meu nome!

E antes que possas fazer algo, levam-te o filho e gritas:
- Esperem!

E eles respondem:
- Está tudo bem! O sangue dele está limpo, é sangue puro. Achamos que ele tem o sangue de que precisamos para o antídoto.

Depois de cinco longos minutos, saem os médicos chorando e rindo ao mesmo tempo.
É a primeira vez que vês alguém a rir há uma semana.
O médico mais velho aproxima-se de ti e diz:
- Obrigado senhor! O sangue de seu filho é perfeito, está limpo e puro. O antídoto finalmente poderá ser fabricado!

A noticia espalha-se por todos os lados.

As pessoas estão orando e rindo de felicidade.

Nisto, o médico aproxima-se de ti e da tua esposa e diz:
- Podemos falar um momento? Não sabíamos que o doador seria uma criança e precisamos que o senhor assine uma autorização para usarmos o sangue de seu filho.

Quando estás a ler, percebes que não colocaram a quantidade de sangue que
vão usar e perguntas:
- Qual a quantidade de sangue que vão usar?

O sorriso do médico desaparece e ele responde:
- Não pensávamos que fosse uma criança. Não estávamos preparados, precisamos de todo o sangue do seu filho.

Não podes acreditar no que ouves e...tratas de contestar:
- Mas... mas...

O médico insiste:
- O Senhor não compreende? Estamos a falar da cura para o mundo inteiro!!
Por favor, assine! Nós precisamos de todo o sangue.

Tu, então, perguntas:
- Mas não podem fazer-lhe uma transfusão?

E vem a resposta:
- Se tivéssemos sangue puro, poderíamos. Assine! Por favor, assine!

Em silêncio, e sem sentir a caneta na mão, tu assinas.

Perguntam-te:
- Quer ver o seu filho?

Caminhas na direcção da sala de emergência onde se encontra a criança
sentada na cama dizendo:
- Pai?! Mãe?! O que está acontecer?

- Filho, a tua mãe e eu amamos-te muito e jamais permitiríamos que te acontecesse algo que não fosse necessário, entendes?

O médico regressa e diz-te:
- Sinto muito senhor, precisamos de começar. Gente do mundo inteiro está a morrer.

Podes sair? Podes virar as costas ao teu filho e deixá-lo ali?

O teu filho diz:
- Pai?! Mãe?! Por que é que me estão a abandonar?

E, na semana seguinte, quando fazem uma cerimónia para honrar o teu filho, algumas pessoas ficam em casa a dormir, outras não vêm, porque preferem fazer um passeio ou assistir a um jogo de futebol na TV e outras vêm com um sorriso falso. Tens vontade de parar e gritar:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SE IMPORTAM COM ISSO?


Talvez seja isso o que DEUS quer dizer:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SABEM O QUANTO VOS AMO!!!

É curioso, o simples que é para as pessoas dizer mal de Deus e dizer que não entendem como o mundo vai de mal a pior.
É curioso como acreditamos em tudo aquilo que lemos nos jornais, mas questionamos as palavras de Deus.

É curioso como todos querem ir para o Céu, mas nada fazem para merecê-lo.

É curioso como as pessoas dizem:
- "Eu creio em Deus!" - mas, com suas acções, mostram totalmente o contrário.

É curioso como consegues enviar centenas de piadas através de um correio electrónico (e-mail), mas quando recebes uma mensagem a respeito de Deus, pensas duas vezes antes de compartilhá-las com outros.

É curioso como a luxúria, crua, vulgar e obscena passa livremente através do espaço, mas a discussão pública de DEUS, é suprimida nas escolas e locais de trabalho.

É CURIOSO, NÃO É?

Mais curioso ainda é ver como se pode estar tão crente em DEUS ao domingo, e ser um cristão invisível no resto da semana.

É curioso que quando terminares de ler esta mensagem, não a enviarás a muitos da tua lista de amigos, porque não estás
certo daquilo que eles crêem e do que eles vão pensar..."

terça-feira, julho 13, 2004

Sophia

Imortalizou-se em vida...



Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos foram gestos de bruxedo.
Foram os gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra dos canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entre a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo.
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou pesado e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, julho 06, 2004

Animais! Quem?

O Animal e o Homem!

As vivências fazem-nos evoluir, ou simplesmente mudam a nossa maneira de encarar o mundo e os seus pequenos nadas! Comecei com o Animal e o Homem! Letras maiúsculas leia-se!
Por volta de 12 de Novembro de 2002 (um pouco mais tarde talvez) tive a felicidade de receber juntamente com a minha família um cachorrito. Um Serra da Estrela puro, uma autêntica bola de pelo na altura! A junção de um sonho de infância com um ídolo de infância fez com que aquela autêntica bola de pelo se chamasse Figo. Coincidência das coincidências era viciado em jogar à bola, ou não fosse ele um cão, mas com a particularidade de só andar de voltas das bolas quando não era ele que a tinha! O nome vinha assim do meu ídolo de infância, da bola de que tanto gostava e de um pormenor engraçado: adorava figos, tinham era de ser abertos!
Lá em casa ganhámos lhe afeição! Sempre prezámos por tratá-lo da melhor forma. Espaço para correr foi algo que sempre abundou. O meu pai teimava em arranjar uma casota, em abrir lhe as portas das boxes, para que tivesse um sítio onde se abrigar da chuva se assim quisesse. Ele sempre teimou em andar à chuva! Tinha os seus brinquedos, dados nos anos, ou no Natal, sempre pela minha irmã, que se dava ao trabalho de embrulhar os mesmos. Tinha direito as umas valentes sopas, feitas de propósito pela minha mãe para ele, de resto era só ração do melhor. Muitas horas passámos a penteá-lo, a escová-lo, era uma bola que por mais que quiséssemos tinha sempre pelo. Adorava banhos quentes de mangueira, e se ele tomava banho, todos tinham de tomar banho. Banho era sinónimo de eu ir de chinelos e calções e sair de lá pingado...
Porque tudo isto? Se calhar perguntam com razão! A resposta é simples! Não se limitava a ser um cão. Era a companhia do meu pai durante a semana quando estava na terra. O meu companheiro da bola. Aquele que mantinha a pata no pé da minha mãe quando a minha mãe estava sentada, como que dizendo está guardada. O aconchego da minha irmã, que apesar da sua brutidão de cão(pesava 50/60kg), também sabia deixar que ela o agarrasse e tal como era capaz de saltar para brincar com ela, era capaz de ficar ali parado só a receber mimos. O guarda na nossa casa, da dos vizinhos, da ourivesaria, acho que posso dizer da rua! Sim da rua! Quando o levávamos a passear ao café, ao fundo da rua, os Velhos do Restelo tinham sempre as mesmas afirmações: “Cuidado com o bicho”, “Mete respeito”, “Aquilo puxava uma carroça”. As crianças por seu lado ficavam boquiabertas, aproximavam-se e perguntavam posso dar uma festa? Não tenho registos de uma que se tenha queixado! Se aleijou alguém, não foi criança e foi pela vontade do Figo em brincar...

Passou a fazer parte da família! Fazia de tudo: lambia os pratos do bife; entrava de fugido em casa, ia ao meu quarto e enrolava-se na cama até acordar-me; fazia autênticos raides pela casa a fugir do jornal que o meu pai tinha na mão por ter sujado o sofá; ladrava ao mínimo estranho que passava nas redondezas, ao mínimo bicho que rondava a casa, fosse ele um rato ou uma cobra; perdia a imponência num canto escondido quando é a altura das festas com medo dos foguetes; adorava massa de merendeiras... Acho que passava aqui o resto da noite a contar histórias! Surgiu-me uma última! Era um mimado do piorio, chegava ao cúmulo de com o focinho balançar a minha mão, até que ela saísse do bolso e lhe caísse em cima da cabeça e começasse a termideira que ele tanto gostava.
Já se perguntam, espero, porque terei escrito tal descrição, porque falo hoje pela primeira vez que tenho um cão? A resposta é simples, porque foi hoje que ele morreu com 1 anos e oito meses...
Espero que pela vossa cabeça passem agora as perguntas: como? porquê?
Porque alguém o envenenou! Porque alguém o envenenou! Porque simplesmente nunca conseguiram destrui-lo por fora! Aquele pelo e aquela imponência eram intransponíveis! Tiveram de corroe-lo por dentro! Tiveram de destrui-lo por dentro, com a cobardia de ao longe lhe atirarem algo. Por muitos dias se aguentou, levantando-se sempre que os estranhos por ali andaram, e deitando-se de seguida...esteve lá até ao fim e a pose sempre presente! Porque no fim de tudo isto não é o Animal e o Homem, como erradamente anunciei, porque afinal, Animais, somos todos!
O próximo Figo vem aí!
AS

sexta-feira, julho 02, 2004

A Portuguesa e a Bandeira

Muito se tem discutido como é ou não é!
A Portuguesa donde se retirou o Hino Nacional e uma Bandeira Nacional Portuguesa

A bandeira é rectangular (2:3), tal como as suas antecessoras, e bipartida de verde e vermelho, ocupando o verde dois quintos da largura e o vermelho os restantes três. Centrada na divisão, o brasão da República, constituído pelo escudo (de novo em formato "português") sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro é igual a metade da altura da bandeira.



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça

terça-feira, junho 29, 2004

Votámos em quem?!


A semana é propícia a inúmeras reflexões políticas tal não fosse este um momento inédito na história da nossa democracia portuguesa. Ela irá abrir-nos os olhos para algumas das falácias do nosso regime democrático.
Primeiro há que distinguir que uma coisa é o que queremos dos acontecimentos e outra é o que os acontecimentos realmente são e geram. Ao contrário do que muitos querem, e bem na minha opinião, na nossa democracia, em boa verdade, na maioria dos cargos ditos democráticos, não existe a escolha directa de ninguém.
Na escolha da qualidade, competência ou identidade dos nossos representantes o normal do cidadão não é tido nem achado não estando essa selecção dependente da sua boa vontade ou do seu bom critério mas da vontade ou dos jogos de poder internos dentro das forças partidárias que se candidatam. Os portugueses nunca escolherão directamente o Dr. Santana Lopes da mesma forma como nunca escolheram o Dr. Durão Barroso para ser nosso 1.º Ministro.
Está certo que existem tradições políticas que nos fazem confiar que quando vamos à urna votar é nele ou naquele que votamos, mas o facto é que sempre votámos em siglas para nos representarem e não cidadãos como nós.
Os partidos não só reflectem uma ideologia (ou não) mas também reflectem a nossa preguiça de saber quem é o mais certo para determinado lugar. Eles tratam disso entre eles, aliás, eles negoceiam isso entre eles.
Da mesma forma não serão os cidadãos que escolherão amanhã se o próximo 1.º Ministro será o Ferro, o Soares, o Sócrates, o Vitorino, ou nenhum destes que estes já podem ser maus. Não são os cidadãos que escolherão se um militante de fim de lista é mais competente que um cabeça de lista.
E agora apercebemo-nos que afinal o 1.º Ministro pode ser outro, que nunca escolhemos os nossos ministros, que nunca escolhemos os nossos deputados, que nunca conhecemos o programa deles. Apenas confiámos em duas ou três letras e nas ideias pouco transparentes que uns têm ou não têm. Uma confiança que atinge os seus limites quanto maior é a abstenção.
Além disso as eleições são legislativas não executivas. A Constituição sugere que o Presidente da República convide o presidente do partido vencedor a formar governo. A tradição faz que ele seja, dessa forma, 1º Ministro, mas ele poderá recusar esse cargo e apresentar com o partido outro candidato ao cargo que os portugueses nunca viram pintado. Uma possibilidade que não está claro nem nos eleitores nem em militantes. O costume protege-nos contudo.
Assim quem ganhou foi o PSD não o Dr. Durão Barroso. É o PSD que no parlamento suporta um governo. Aliás o único cargo em que existe uma eleição pessoal é o de Presidente da República, é só para esse que escolhemos a identidade do indivíduo.
E embora fique satisfeito que existam eleições porque não acredito no caminho que o país toma, acho que nesta situação não é o partido que venceu as eleições que tem de ser responsabilizado são os portugueses que votaram num projecto de quatro anos e agora arrependeram-se.
Para terminar, falacioso é também o argumento que "o partido perdeu nas eleições europeias" e como tal perdeu a legitimidade democrática, falacioso porque o programa do governo até pode ser contrário ao programa eleitoral dos eurodeputados (claro que nunca é!), falacioso porque sempre que os resultados de outra eleição fossem abaixos dos obtidos nas legislativas, teríamos sempre uma legitimidade perdida e toca a fazer eleições. Era a impossibilidade de tomar medidas impopulares, era o caos.
É o nosso regime que propicia a partidarização. E embora isso, são capazes de serem convocadas eleições, não deviam, mas para nós ainda bem!

Bestial a Besta! Quem diria?

Pois é meus senhores, começam a evidenciar-se as parecenças entre o futebol e a política.
É comum ouvirmos a expressão "de bestial a besta". Quantas vezes no mundo do desporto, sobretudo no futebol, um jogador dança de um lado para o outro sem nada ter feito. Na política, mais propriamente no interior dos partidos, os militantes do partido maioritário elegeram agora uma nova dançarina. Após, no último congresso do partido do governo, a mulher mão de ferro das finanças portuguesas ter sido unanimemente saudada pelos seus colegas militantes, hoje, a senhora trocou de mão e teve de rodopiar para o outro extremo. Parece que o João Jardim e o Luís Filipe Menezes deram o mote à dança...

Vamos ver onde estas guerras pelo assento de São Bento vão parar! Para já, a verdade é que oficialmente não há um candidato assumido. Mau ou bom presságio?
As gaivotas andam em terra, indicia tempestade no mar e não há comandante para a nau...
Maus ventos se aproximam!

AS

sexta-feira, junho 25, 2004

Do futebol à Europa

Portugal mergulhou no "Mundo do Futebol" desde há uns dias e desde ai tem-se vivido uma euforia desmedida. A conquista das meias-finais colocou os portugueses na rua a festejar uma vitória, mas todos sabem que não se trata apenas de mais uma. O que tem de especial? Sinceramente não sei explicar! Sei que não foi por apenas termos ganho um jogo que todos descemos à rua na passada noite...

Apesar de esta loucura colectiva é preciso não esquecer que tudo isto é efemero, que dentro de dias o Euro2004 acaba. Não podemos esquecer tudo isso! É preciso saber viver este campeonato e saber continuar a viver a vida de todos os dias, preparando o futuro. Desçamos à terra então:

1. O Primeiro Ministro vai mesmo candidatar-se à Presidência da Comissão Europeia?
2. Esta não é uma questão do PSD, do Governo, ou do Durão, mas sim uma questão Nacional. Uma questão que sugere outras tantas.
3. Quem o sucederá? Santana Lopes por dinastia? Sucessão dinástica em Democracia, nunca ouvi falar?
4. Uma pergunta que oiço poucos fazerem, mas que enquanto Europeu me surgiu. Será Durão Barroso um bom Presidente para a Comissão Europeia? Para Portugal seria bom haver um Presidente da União Europeia Português, poucas dúvidas tenho, mas e para a Europa? Não deveríamos discutir isso...
5. Quando o país atravessa uma crise de confiança, com a economia ainda sem força, com os Portugueses desmoralizados, onde só o futebol os revitaliza, sair a meio de uma guerra que foi iniciada por este governo há dois anos e onde não se vislumbra vencedor, é justo o líder sair, mais, é este o exemplo de um líder?
6. Não sei precisar qual o Primeiro Ministro, mas ainda ontem ouvi na SICnotícias que uma das possibilidades mais apetecidas pelos diferentes países, não aceitava pelo compromisso que tinha para com o seu país. Será isso o exemplo de um líder?
7. Atenção, não digo que um Primeiro Ministro não possa abdicar pela Europa. Esse outro sonho que comunhamos também merece esforço, mas há que saber doseá-lo! E a nossa dose era o Vitorino, que foi recusada.
8. Limitei-me a fazer perguntas para as quais ainda não tenho resposta!
9. No meio disto tudo continuam as greves da Carris sem fim à vista; os Professores a constestarem mais uma vez as colocações (que música para os meus ouvidos); os atentados no Iraque; umas eleições europeias sem uma campanha digna desse nome e onde os Portugueses não souberam preservar um direito seu; um país que teima em querer crescer na mente de alguns mas que precisa que os seus líderes também queiram...
10. Acredito na nossa capacidade de trabalho, na nossa dedicação e empenho. Apenas continuo à espera que haja uma oportunidade para que o demonstremos. Apenas...

AS

domingo, junho 20, 2004

Há muito que não escrevo para o BLOG!
Direi mais, provavelmente todo o trabalho de fazer deste blog algo dinâmico dissipou-se, agora com o desleixo a que sujeitámos o canto... Procurarei sempre que possível voltar, consciente que não há desculpas para o desleixo!

Hoje, 20 de Junho de 2004, a Seleção Nacional joga o seu futuro no Euro 2004. Enquanto português sinto me realizado com este Euro. A organização está a superar as minhas expectativas... Não deixo no entanto que isso me reconforte a alma e espero mais, sobretudo da seleção, espero que deixem tudo naquele campo e que reforcem o meu orgulho neste Euro 2004!

Quanto ao meu orgulho em ser Português, esse está sólido, esse é eterno, esse está no meu sangue...

Amanha, como diriam os Madredeus, "Haja o que houver", a minha bandeira estará à janela!

Abraço

segunda-feira, abril 26, 2004

Velhos Tempos

Enviaram-me este mail e não pude deixar de partilhá-lo convosco. Indubitavelmente dá muito gosto ler palavras como estas. Recordar aqueles tempos, em que vivíamos com a responsabilidade única de passar mais um dia em cheio, com os amigos da rua ou os colegas da escola, a jogar à bola até à exaustão, ou então andar atrás da miúda mais gira lá da escola, à espera de uma beijoca no "bate pé", é o bastante para aliviar o stress de mais um dia trabalhoso. Deliciem-se como eu me deliciei...

"nós que...acabávamos os trabalhos de casa à pressa para ir jogar à bola perto de casa.
nós que...éramos obrigados ao "guarda redes avançado" ou a "quem 'tiver perto defende".
nós que...obrigados a "guarda redes avançado" perguntávamos "e passar de meio campo vale?"..."sim,vale tudo!".
nós que...quando se faziam as equipas se fossemos escolhidos em primeiro sentiamo-nos verdadeiramente incriveis,os mais fortes de todos.
nós que...sendo escolhidos por último estávamos destinados a ir à baliza.
nós que...tínhamos sempre um apelido de um jogador importante para nos sentirmos mais fortes.
nós que...quem chegar primeiro aos 10 vence!
nós que...fingíamos nao ouvir as nossas mães a chamar quando começava a ficar escuro e depois havia sempre alguem que dizia "quem marcar ganha!" mesmo que o resultado tivesse 32-1.
nós que...vivemos o terror das botas caneleiras.
nós que...com uns adidas nos pés sentiamo-nos mais fortes que o PELÉ.
nós que...tinhamos aqueles outros tenis sem marca que alem de nao durar nada faziam ficar com os pes com bolhas...
nós que...sonhavamos com aquelas bolas lindas que viamos na televisao mas contentavamo-nos com o que houvesse.
nós que...percebiamos o sentido das camisolas alternativas quando viamos na Tv a preto e branco jogos como o boavista-moreirense.
nós que...os unicos tenis de marca so os levavamos em dias de festa e nem pensar em dar um chuto em qualquer coisa,senao era castigo certo por parte da mãe.
nós que...não nos podíamos sentar em cima da bola senão ela ficava meloa.
nós que...tínhamos de deixar jogar o dono da bola mesmo que fosse uma nulidade e nem quisesse ir a baliza.
nós que...nao precisávamos de barra nem de imagens virtuais para perceber se tinha sido golo ou nao, "golo ou penalty" punha todos de acordo.
nós que..."falta um posso jogar?"..."epa nao sei,a bola nao e minha..."(no caso do pretendente ser um mau jogador).
nós que..."posso entrar?"..."sim,se encontrares um par,porque assim ficamos com um a menos".
nós que...reconhecíamos os jogadores sem ser preciso ter os nomes nas camisolas.
nós que...o nº1 era o guarda redes,o 2 e 3 os laterais,o 4 era o trinco,o 5 era o defesa central e o 6 o libero,o 7 medio direito,o 8 medio centro,o 9 o avançado,o 11 o outro medio possivelmente do lado esquerdo e o 10 com uma faixa no braço era o organizador e capitao porque era o mais forte de todos.
nós que...para um jogador entrar na seleçao nacional devia fazer no minimo 2/3 temporadas a alto nivel.
nós que...os estrangeiros eram no maximo 2 por equipa e conheciamo-los a todos.
nós que...dormiamos com os autocolantes da panini debaixo da almofada.
nós que...quando abriamos os saquinhos esperavamos de nao encontrar aqueles jogadores suplentes eternos que nunca jogavam.
nós que...viamos jogadores como o caccioli e nelo que pareciam mais velhos que os nossos pais.
nós que...o futebol so viamos ao domingo a tarde e as quartas nas competiçoes europeias,nao todos os dias e a qualquer hora que as televisoes decidem.
nós que...se recordamos do domingo desportivo sem as fantochadas de agora e sem os programas com tres ou quatro "entendidos" tip seara cardoso e santana lopes.
nós que...praticamente nao viamos publicidade durante os jogos.
nós que...nao viamos patrocinios em tudo o que e espaço nas camisolas,calçoes,meias,...
nós que...íamos ter com a melhor amiga da rapariga de que gostávamos e dizíamos "pergunta se ela quer andar comigo" e ela no outro dia respondia "ela disse que ia pensar..." e depois pensava durante uma semana...
nós que...faziamos aqueles bilhetes do "queres andar comigo? sim...não...talvez...
nós que...as balizas eram feitas com os nossos casacos ou com as mochilas.
nós que...estávamos sempre todos a horas nos locais combinados sem ajuda de telemóveis e aldrabices.
nós que...mesmo vivendo um pouco longe uns dos outros,saíamos sempre de casa com a esperança de encontrar os amigos ja na proxima esquina com a bola debaixo do braço para irmos jogar.
nós que...aulas era mentira porque tínhamos de jogar e praticar muito para o torneio da escola onde iríamos impressionar as nossas "amadas". "

segunda-feira, abril 12, 2004

Surrealismo


Este é um ano especial. Surrealista. Comemora-se este ano o centenário do nascimento de um artista genial. Salvador Dali. Deixo-vos um link para a página on-line sobre as actividades que se estão a realizar pelo mundo em homenagem a esse grande mestre e fica também outro site experimental de navegação surrealista no mínimo interessante.

quarta-feira, abril 07, 2004

Para ouvir II



"Porque é de "tempo" que falamos, fica, desde já, a sugestão de uma boa fuga dele ouvindo Time Out, a experiência que o Quarteto de Dave Brubeck fez em 59 pela História do Jazz e que veio a tornar-se numa obra maior do estilo, tornando-se no segundo disco mais vendido de Jazz até aos dias de hoje.

Neste álbum, Brubeck ao piano e Desmond ao saxofone, submetem o Jazz a uma fusão com a designada música erudita, onde se apropriam das suas técnicas de composição e consolidam o que viria a designar-se por third stream - a terceira via estilística do Jazz.

Ao som do tantas vezes ouvido mas nem por isso conhecido Take Five, considerada uma das 100 melhores músicas americanas, ou do envolvente Blue Rondo a La Turk, esboçado durante um passeio em Istambul; partam à descoberta de nova música. Apurem o ouvido à decoberta dos padrões de acordes únicos, das mudanças de ritmo ou do diálogo instrumental, sentido o que muitos afirmam ser o tal swing."


no Jur.nal de Dezembro.

terça-feira, abril 06, 2004

Descontraiam..


Se quiserem um pouco de descontracção e um bom momento musical cliquem aqui!

Gerações

Há uns dias atrás após longa discussão com um grupo de velhotes, velhotes não, desculpem, "jovens-que-já-cá-estão-a-mais-tempo-que-eu" lembrei-me de um email que tinha recebido à uns tempos e que vinha mesmo a calhar para contrapor os argumentos apresentados como pessimistas em relação à actual juventude (a que está cá a menos tempo...). Aqui vai:

..."Falando sobre conflitos de gerações o médico inglês Ronald Gibson começou a conferência citando quatro frases:

1 - "A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, despreza a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem aos pais e são simplesmente maus"

2 - "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível."

3 - "Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."

4 - "Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases. Então, revelou a origem delas:

- a primeira é de Sócrates (470-399 a.C.)
- a segunda é de Hesíodo (720 a.C.)
- a terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.
- e a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilónia e tem mais de 4000 anos de existência."...

No fundo o que eu espero é que todos nós façamos parte desse futuro e que construamos um mundo mais justo e uma sociedade melhor. Quando deixar de acreditar nisto, aí sim, ai podem-me chamar velho...

terça-feira, março 30, 2004

Sobre o Dia do Estudante

Não considero que esta carta que o Bruno me deu a conhecer em tempos e que a chegou a publicar no Público seja uma carta apenas para a "Direita" do nosso país, mas fundamentalmente, uma carta para todo um povo deliberadamente adormecido, indiferente, ignorante e inconsciente face aos problemas da sua comunidade.
Uma carta de preocupação e treze parágrafos de reflexão num dia que é pelo estudante…



Carta à Direita do Meu País
Por BRUNO CARAPINHA*

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2003

"Cara Direita Portuguesa,

Trato-te por tu, porque nos conhecemos já há muito tempo. Nasci há vinte e cinco anos, num país dos arrabaldes geográficos da Europa que ficou, durante décadas, nos arrabaldes do desenvolvimento económico da 2ª metade do século XX e das conquistas sociais, democráticas e civilizacionais do mundo. Meus avós são gente da província, esforçada e inculta, que migrou para os arrabaldes de Lisboa para livrar a vida da pobreza. E meus pais são os últimos filhos do Estado Novo, viveram nos arrabaldes da capital, do acesso à educação, à cultura, ao conforto e ao dinheiro. Sei que não te impressionas - este é o percurso da ascendência de milhares de jovens da minha idade.

Sou um estudante do Ensino Superior. Atravessei o mandato de seis ministros e três mandatos de dois reitores, vivi a suspensão das propinas, conheci a paixão guterriana e a subsequente desilusão, envolvi-me no associativismo estudantil, nos órgãos de gestão universitários, na vida pública e política e na intervenção social neste país. Já não tenho funções na Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e estou receoso pelo futuro do Ensino Superior Público (ESP) e do próprio país como não estive antes.

Vejo essa tua pressa em legislar, atropelando prazos de discussão e parceiros sociais, vejo as orientações e a política para o sector e percebo que o constrangimento financeiro das universidades não decorre de nenhuma conjuntura difícil, antes corresponde a um instrumento estratégico para o objectivo da desestruturação do ESP. Vejamos porquê.

O objectivo de democratização do acesso e da frequência do Ensino Superior está constitucionalmente garantido. Ultrapassa, portanto, o âmbito de políticas conjunturais de um Governo - é um objectivo da República. Ora, o recente corte cego das vagas de acesso ao ESP contraria este objectivo. Conjugado este corte das vagas com o aumento das propinas, que agrava as despesas das famílias portuguesas (por sinal, as famílias da União Europeia que mais despesas suportam com a educação dos filhos), e com a aplicação de prescrições que expulsam os estudantes do sistema (sem fazer um estudo sério sobre as reais causas do insucesso escolar), os resultados só podem ser a diminuição dos cidadãos abrangidos pelo ensino público e a manutenção da quota de "mercado" do ensino privado.

Torna-se claro que a tua acção imediata e conjuntural põe em causa um objectivo constitucional. Mas, a médio prazo, anunciam-se situações ainda mais dramáticas, pois a previsão de crescimento zero do orçamento para o Ensino Superior até 2006 só pode significar mais cortes orçamentais, mais cortes nas vagas, mais aumentos de propinas e expulsão de estudantes devido às prescrições, asfixiando e descapitalizando o ESP, privando o povo português do acesso a uma formação superior democratizada e de qualidade.

Por outro lado, a Lei de Financiamento visa claramente abrir as portas à privatização do ESP. Abriste esta guerra há mais de dez anos, depois de orientações internacionais apontarem para a transformação do Ensino Superior num mercado, e pareces querer terminá-la. A aplicação bem sucedida das propinas do governo Guterres abriu a porta para este capítulo da mesma guerra. Mas, com a indexação das propinas à qualidade dos cursos, a noção de propina - taxa de frequência do ESP, supostamente responsabilizadora dos estudantes, é substituída por uma noção de propina - parte do preço do curso que o estudante paga para o "comprar", sendo que o Estado suporta o remanescente do custo global (por enquanto...).

Ao mesmo tempo, fazes um corte orçamental que obriga as instituições a recorrer às propinas para pagar salários de docentes e funcionários (por sinal, funcionários públicos que devia ser o Estado a sustentar) e atiras para as escolas a tarefa de definir as propinas, criando uma guerra entre conselhos directivos e associações estudantis, fomentando a instabilidade na vida das instituições e a desarticulação das relações de solidariedade entre os corpos académicos. E, como se não bastasse os aumentos das propinas serem astronómicos, foram ainda indexados ao valor das propinas de uma lei do Estado Novo de 1941, período em que o ESP estava reservado a uma elite bem nascida! Quase como quem sente saudades do passado...

Dir-me-ás que o ESP continua a ser coisa de privilegiados ou ricos. Respondo-te que, com o fim do numerus clausus global, entra no ESP cada vez mais gente de classes mais baixas e que as propinas têm um impacto decisivo na vida dos estudantes, muitas vezes empurrando-os para fora do sistema de ensino ou para trabalhos a tempo parcial ou total, provocando uma maior demora na conclusão do curso.

Dir-me-ás que para os carenciados existe a Acção Social Escolar e que ninguém será excluído. Respondo-te que as cantinas e as residências cobrem uma ínfima parte das necessidades, que há milhares de estudantes entregues à especulação imobiliária, que outros foram sendo forçados a trabalhar para continuar a estudar e que outros ainda foram desistindo nos últimos anos. Respondo-te que as bolsas são miseráveis e injustas porque se baseiam num sistema fiscal reconhecidamente viciado e desigual para proprietários, profissionais liberais e trabalhadores por conta de outrem.

Dir-me-ás que não há recursos no país para sustentar o ESP. Respondo-te que é assustador o tamanho da economia paralela, que milhares de empresas declaram ano após ano ausência de rendimentos, mas mantém-se em funcionamento, que em Portugal a evasão é acompanhada de benefícios fiscais e de má gestão dos dinheiros públicos. Respondo-te que é urgente realizar uma reforma fiscal neste país, não só para aumentar os recursos postos ao dispor do Estado e para moralizar o ambiente social, como ainda para responsabilizar as empresas pelo sustento da formação qualificada dos portugueses que as beneficia directamente. E respondo-te ainda que, mesmo que os recursos disponíveis fossem só os que temos neste momento, o ESP é suficientemente importante para motivar uma opção política e estratégica de apoio ao seu desenvolvimento e abertura.

Se me dizes que há diplomados a mais, respondo-te que temos das mais baixas taxas de toda a União Europeia. Se me dizes que um curso superior é uma mais valia pessoal que deve ser paga, mostro-te as taxas de diplomados sem emprego. Se me dizes que os outros não têm de pagar os cursos dos estudantes, respondo-te que é um investimento que o Estado (o conjunto organizado de cidadãos) deve fazer em si mesmo (i. e., todos os cidadãos sem exclusões) e que não se trata de um direito individual e sim de um direito colectivo do povo português.

Defender o Ensino Superior Público Português e a democratização do acesso de todos os cidadãos a este nível de formação com um bom nível de qualidade não exige que se seja de esquerda. Basta que se seja inteligente. E minimamente patriota. Tu que andas sempre com a pátria na boca, como quem anda com o credo, deixa-te de contratos milionários de armamento, de funerais dos últimos "heróis" do Império, de manobras à volta da Constituição e da subversão do progresso do último quartel de século. Trata do que é urgente e estratégico! A aposta séria na inteligência, criatividade e formação dos portugueses de todas as classes sociais é a única forma de ultrapassar o atraso português. Abrir portas à privatização do Ensino Superior vai representar o enterro definitivo das poucas hipóteses que este povo tem para triunfar.

Começou, há vinte e nove anos e meio atrás, este espectáculo da democracia. Hoje são talvez mais os que assistem na plateia que os que continuam no palco. Mas, antes como hoje, a peça a que assistimos é este confronto para romper com o Portugal atrasado e periférico, é esta luta pela saída do arrabalde em que continuamente nos vão aprisionando. E é por isso que os estudantes te resistem nesta guerra da mercantilização do ESP que começaste há mais de dez anos. E é também por isso que te prometo uma oposição pessoal viva, veemente, tenaz. Não por causa do meu arrabalde pessoal, felizmente ultrapassado. Mas contra o arrabalde em que ainda vive o povo da minha terra."


* Bruno Carapinha - Estudante do Ensino Superior.

segunda-feira, março 22, 2004

E se o amanhã não chegar?

Recentemente, um acontecimento na vida de uma colega minha chocou-me. Foi uma daquelas "situações limite" - a morte inesperada de um ente querido - em que, de repente, tudo passa a ser racional e cada situação vivida com uma atitude puramente determinista. Mas o que é que andamos cá a fazer? Para quê planear? Para quê fazer sacrifícios? Se nem sequer sabemos se o amanhã vai chegar...

Só nestas duas últimas semanas, houve dois acontecimentos a nível internacional que foram marcantes, não só pela sua índole mas também pelas suas repercussões. O primeiro foi o atentado de 11 de Março em Madrid, com a morte de muitas pessoas inocentes, que encontraram o fim das suas vidas através de um acto covarde, e que, de certo modo, as torna algo ignóbeis.
O segundo foi a morte do líder espiritual do Hamas, na madrugada passada. Considerado pelos israelitas como o principal causador dos atentados mártires em Israel e seus vizinhos, foi morto infamemente, atingido por 3 mísseis (deveia ser realmente grande, o senhor) causando também a morte de alguns inocentes que se encontravam nas imediações. A resposta a este acto não se fez esperar e os Palestinianos já ameaçaram "olho por olho".
Tendo em conta os últimos anos, estes factos não aparentam nada de excepcional. Contudo, existe um senão - ESTAMOS NO SÉCULO XXI.
Já lá vão os tempos em que o ser humano se preocupava com 3 coisas: alimentar-se, reproduzir-se e sobreviver até ao dia seguinte. Supostamente, nos dias que correm, as sociedades deveriam ser organizadas, a globalização ser um meio de desenvolvimento e o Homo sapiens sapiens viver em harmonia, tendo cada comunidade a sua especificidade (cultura, crenças, valores, estilos de vida) mas respeitando-se mutuamente.
Que pobre e inocente criança eu saí!!! Afinal está tudo na mesma, desde a pré-história, só mudou a fachada. Afinal, ainda tenho que preocupar-me com o amanhã. Afinal tenho que pensar duas vezes se devo apanhar o comboio, não vá um Português de origem árabe, que vive cá desde que nasceu e que há umas semanas recebeu o sinal que já lhe havia sido comunicado enquanto ainda era um embrião, ter colocado um engenho explosivo nos carris da Fertagus e progamado para explodir na hora de ponta, enquanto atravessa a ponte. Sim, porque nós também apoiámos a invasão do Iraque!

Pessimista perspectiva, esta que apresentei. Talvez até descabida e sem fundamento. Mas se virmos bem, todo este enredo a que chamamos actualidade não passa de uma roleta russa, em que nunca sabemos quando é que a bala nos vai sair. E o pior, é que muitas vezes nem a sentimos aproximar e, num ápice, tudo à volta se desmorona e, mais uma vez, nos perguntamos: Porquê?

domingo, março 21, 2004

Poesia

Dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia! Não podia deixar passar este dia ao lado do blog. Um dia em que comemoramos uma forma diferente de ver o Mundo... Desde que inaugurámos o blog algumas foram as oportunidades em que vos convidamos a ler poemas, hoje vou também fazê-lo, com uma diferença, das outras vezes apresentei-vos poetas, hoje apresento-vos um texto meu. Uma ousadia talvez, pois é um texto simples, mas que espero que seja do vosso agrado.

20 anos já lá vão!!!

20 anos já lá vão,
com tanto vivido e tanto para viver!
Sou um céu sem fim para aprender,
sinto-me um sol a brilhar por acreditar,
com nuvens sempre a passar!

Um Mundo tão imenso,
com questões tão banais,
com guerras tão triviais!

Um Homem tão irracional,
para as questões racionais.
Um Homem tão racional,
para as questões sentimentais!
Porquê as nuvens deste Mundo, o negro que teima em espreitar os céus?

Quero acordar, com dias de sol e dizer que sim,
com dias sem sol e dizer que sim!
Quero acordar e dizer sempre que sim...

Uma vastidão, uma diversidade, uma utopia,
para destruirmos com um pontapé na esquina,
debaixo do candeeiro centenário,
para dizermos adeus num precipício milenar.
Com que direito? Mas que raio de Mundo é este?

Não o quero assim e recuso-me a aceitá-lo assim!
Quero poder gritar que não debaixo da luz,
dar a mão no descampado,
só assim consigo admirar e viver esta grandeza de globo azul celeste...

sábado, março 20, 2004

A responsabilidade

Os últimos anos têm sido ricos em novas experiências. Digamos que a Faculdade está a superar as minhas expectativas, as vivências, a AE, e arrisco me a dizer a própria faculdade como formadora. No meio deste poço mágico de experiências que foram os últimos anos, há claramente pós mais mágicos e algumas pernas de rã. Não vou numerar todas as realidades ou tudo o que descobri, hoje vou apenas reflectir sobre algo que me intriga e ao mesmo tempo me apaixona. A noção de responsabilidade, um pó mágico!

Talvez devido à minha educação, tenho uma relação especial com ela, a responsabilidade. Mais do que exigir aos outros não me perdoo a mim próprio, como que sendo o primeiro a exigir e a punir quando ela não está presente, ou simplesmente quando a ingenuidade, ou inexperiência, brincam connosco e nos fazem percorrer caminhos que não queríamos. Digamos que quando algo que tento construir sobre alicerces de ferro, aparece-me sobre um baralho de cartas, cria em mim um sentimento de revolta imediato. Após o choque inicial, procuro ser racional e reagir de imediato, remediar se possível ou simplesmente procurar a fórmula que me silencia de novo, por ter sido capaz de restabelecer os alicerces. Hoje tive um daqueles dias, em que os alicerces se quebraram e ficou o peso em cima de mim e de mais umas quantas vigas humanas. O dia acabou o peso continua cá, no entanto descobri algo que apesar de não resolver a questão, me deixou satisfeito, há mais gente assim. Neste mundo estranho ainda há quem sinta a palavra, quem se entregue por outros, quem acredite em causas. Se calhar não entendem a razão deste desabafo. Se calhar eu também não! Mas quis fazê-lo!

segunda-feira, março 15, 2004

Crónica Futebolística

Porque o desporto também é importante...aqui vai uma passagem do jornal “Jogador da bola”!


Pés de chumbo voltam a brilhar!

Após uma pré-época desgastante, de noites perdidas, de pestanas queimadas, de livros riscados, reiniciou-se a nova época do FUTSAL. No passado dia 13 de Março os Pés de Chumbo, uma equipa que começa a criar o seu historial nestas andanças, alcançou uma brilhante vitória deixando no ar o perfume de quem sabe “jogar á bola” e atenção que não digo jogar futebol. Essa área podemos não dominar, mas o resto é connosco, “o jogar á bola”. Uma equipa que soube dar perfume ao jogo, discutindo-o até ao fim, dando a oportunidade ao adversário de marcar, sempre que estes se dirigiam á baliza... Num dia soleiro, agradável para a práctica de “a bola” os Pés de chumbo alcançaram uma vitória de 7-5.

Penso que os jogadores da equipa merecem uma análise atenta:

Murtala: uma mancha negra em campo, de camisola jamaicana. Como já era noite, quando queríamos saber dele pedíamos lhe que risse. Deixou tudo em campo, sendo o marcador da equipa. Falhou, marcou e ainda frangou, digamos que um jogador completo bem á moda desta team maravilha.

Bugalho: muitos apelidavam-no de coxo antes de entrar em campo. Cedo quis mostrar que se enganavam e no seu jeito lento, lá se arrastou pelo campo até marcar um golo. Seguidamente dirigiu-se ao banco, afirmando já ter feito o seu papel no campeonato, teve a tentação de puxar do cigarro, mas realmente guardou-se, pois a equipa precisava dele...ou não!

Judeu: um autêntico Maradona em campo, bastava olhar para as chuteiras brilhantes, polidas, limpinhas e víamos que tínhamos jogador. Aquele tipo de jogador que só de andar mete medo. Parava a bola á sua frente, dançava ao som de uma música brasileira e depois fazia um passe daqueles, daqueles estão a ver...

Maluca: mal entrou mostrou que ia dar que falar. Estatura de gazela da equipa, deixou essa tarefa para o Farinha preferindo correr sempre a atirar as pernas para fora, criando um estilo muito próprio. Ora corria ora se arrastava, sempre com a baliza como objectivo, quando o cansaço apertava procurava posicionar-se na frente de ataque á espera que a bola lá chegasse, aquilo que na gíria chamamos “na mama”. O público vibra ao ver o homem correr...

Pilão: podíamos dizer que faz lembrar o Fernando Aguiar, mas não, prefiro dizer que o Fernando Aguiar o deve ter como jogador a imitar. Pilau mostrou os seus dotes futebolísticos, que todos sabiam que existiam, mas sempre se recusara a desenvolver.

Farinha: era o motor da equipa, o tipico Petit que está em todo o lado, que corria sem bola e com bola, sempre de um lado para o outro, imparável.

Mac: fala mais do que joga, necessitando com certeza de uns óculos para ir á baliza. Aquele golo fica para a história - o que sofreu. Um defesa á moda antiga, que não desiste de um lance e que tem um lema que é comum a muitos outros jogadores da equipa - ou passa o homem, ou a bola, os dois fica difícil, e para cumprir a tradição lá cometeu a falta da ordem.

Toto: jogou em todo o lado, refilava por todo o lado, sempre com a camisola da selecção, como que lembrando Scolari para convocá-lo, ele diz que deixa de fumar se assim for. A equipa está com ele e há mesmo quem diga que se ele não for convocado recusa-se a jogar na Selecção Nacional. Resumindo ou ele é convocado ou então Scolari vai ter problemas de balneário.

Esta equipa promete, afinal, conta pelo número de jogos o número de vitórias e não podemos esquecer que ainda há muito jogador que não foi convocado, assim de repente temos o Zé, o TS que quando entrar vai de certeza marcar a diferença e muitos outros que mais para a frente farei referência.

quarta-feira, março 10, 2004

2003 - O ano blog

O ano de 2003 foi sem dúvida, entre muitas outras coisas, o ano dos blogs, e 2004 será, penso, um ano ainda de maior crescimento. Não bastou cada um de nós sentir a necessidade de ter um número de telemóvel próprio, uma caixa de e-mail ou várias, como agora cada uma de nós quer ter o seu espaço internético de livre expressão – o seu blog.

O blog, como as rádios pirata dos anos 80, nasce assim como mais um símbolo da democratização da opinião. Por quão estúpida ou inteligente que ela seja, cada um liberta o pseudo-Marcelo Rebelo de Sousa que tem dentro de si e diz que também pode sugerir um livro, pronunciar-se sobre um acontecimento ou expressar as suas motivações. E numa auto-estrada de abstinência participativa em que estamos a circular nada é mais inevitável do que os louvar e os respeitar.

Em média são criados 50 blogs portugueses por dia que se juntam aos mais de 11 milhões em todo o mundo, apenas 34% dos blogs resistem à inspiração e motivação inicial, mas os que resistem permitirão criar um fórum mundial de opiniões.

sexta-feira, março 05, 2004

Valeu a pena?

Há uns dias, estava a ler um post do Tiago acerca de actividades extra-curriculares, e...

...este fim-de-semana houve mais um ENDA. Sim, houve MAIS UM, porque já não há nada de apreço que consiga dizer sobre uma instituição que foi tão importante e decisiva na história da vida académica e da sociedade portuguesa.
A mim, que sou dirigente associativo há 4 anos, cada vez me faz menos sentido o que ando a fazer, cada vez me faz menos sentido aquilo que tento transmitir a cada um dos meus colegas. Não porque tenha perdido o sentido do Norte, ou deixado de acreditar nos valores e razões que ditam (ou melhor, ditaram…) a nossa existência. Mas antes, porque sinto que falo para ninguém ouvir, faço por mim em vez de por nós, reivindico por uma causa desapoiada.
Entristece-me bastante marcar uma RGA e aparecerem 10% dos estudantes da Escola. Pergunto-me porque será? Por que razão não querem os estudantes saber se as propinas vão aumentar? Por que razão não quererão os estudantes saber se os docentes são correctamente avaliados ou avaliados de todo, ou se a reprografia vai fechar, ou se vão ter as bolsas a tempo? Pergunto-me, será culpa minha? Não consigo cativar os estudantes? Ou será que os estudantes já não acreditam na instituição que represento? Por que será que num ENDA, em que no painel em se discute a qualidade de vida dos estudantes do Ensino Superior e a Acção Social Escolar estão meia dúzia de Associações representadas e o painel é a despachar, e no painel das eleições para os Órgãos Nacionais estão mais de 100 AAEE, para voltarem a desaparecer no painel seguinte? Afinal, o que querem os dirigentes associativos? Querem realmente saber dos estudantes e dos seus problemas, ou estão mais interessados em ter tachos e criar cada vez mais "jobs for the boys”? Entristece-me ver os tubarões do associativismo estudantil minarem completamente aquilo que ainda resta de bom nesta “vida académica paralela” que tanto gosto me deu trilhar.
Olho para trás e vejo quatro anos de sacrifício, quatro anos em que, apesar do curso extremamente exigente e intensivo que frequento, consegui manter de pé o sonho de participar em algo maior que qualquer um de nós, muitas vezes chegando ao ponto de preterir do curso em prol do associativismo. E no fim, pergunto-me, será que valeu a pena? Eu quero acreditar que sim…

Ora VIva!

Quando soube que as Conversas de Canto haviam renascido, uma saudade que estava latente ouviu o chamamento e fez-se sentir cá dentro. Foi com muita satisfação e alguma nostalgia que vi sugir este blog. Tenho-o como um meio imprescindível de manter aquelas conversas a que nos habituámos no Colégio e que tanta falta fazem...
Espero conseguir contribuir com a minha visão das coisas, partilhar reflexões, quer importantes quer triviais, e não deixar que este rio fantástico seque.
Aquele abraço!

quarta-feira, março 03, 2004

1982 - Aborto

Em 1982, quando encontrava-se no poder a coligação PPD/CDS, o aborto discutia-se mais uma vez, como outras tantas outras vezes até aos dias de hoje, sem grandes avanços para aí além.
Encontrando-se inevitávelmente dividido o parlamento nesta matéria de maneira similar à actual, e chumbando o projecto de uma liberalização da matéria, o parlamentar do CDS, João Morgado, católico professo, profere na sua declaração de voto a dogmática afirmação de ser o acto sexual só justificável tendo por objectivo a procriação.
Natália Correia, deputada pelo PSD mas pró-aborto, não se contém com a afirmação e escreve e distribui pelos colegas do hemíciclo o poema que abaixo se transcreve, dedicado pela autora ao seu colega João Morgado.
Para saber...



Dedicado ao deputado João Morgado

Já que o coito - diz o Morgado
Tem como fim cristalino
Preciso e imaculado
Fazer menina e menino,
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca
Temos na procriação
Prova que houve truca-truca.

Sendo pai de um só rebento
Lógica é a conclusão
De que o viril instrumento
Só usou - parca ração! –
Uma vez. E se a função
Faz o órgão - diz o ditado –
Consumada essa operação
Ficou capado o Morgado.

(Natália Correia)

terça-feira, fevereiro 10, 2004

Porque arranjamos sempre tempo

1. Já que há muito tempo ninguém tem paciência para escrever algo de novo, e dado que este tipo de sugestões é sempre o mais fácil de escrever, fica aqui sugerida a exposição de fotografia de Gérard Castello-Lopes "Oui Non", patente no Centro Cultural de Belém até 25 de Abril. Eu gostei das amostras que vi e do que pesquisei na Internet, fico portanto na esperança de ainda lá ir.


Oui/Non
Fotografias de Gérard Castello-Lopes 1956-2003
CCB, Galeria 2- Piso 1
Terça a domingo das 10h00 às 19h00, até 25 de Abril
Entrada a 1.5 euros


2. Chegámos às 200 visitas do blog, se contarmos que cada um de nós dá sempre cá uma saltada para ver se há novidades 3-4 vezes por semana, tendo em conta também que ele já está on-line desde 1 de Janeiro (5-6 semanas), dá 24 visitas por cada um de nós os três. Isto é, da nossa parte, 72 visitas pelo menos. Conclusão, há sempre alguém para além de nós que já se habituou a vir cá. Parabéns pela paciência e excesso de tempo! Estou a brincar, obrigado.

domingo, fevereiro 08, 2004

Os comentários voltaram ao Conversas de Canto

O "canto volta a admitir comentários!
Acabei de retirar o papel que estava à porta da camarata e dizia: "Não há o mínimo de barulho! Tou a estudar!"
Também poderia dizer: "Não há o mínimo de barulho! Tou a bater choco!"

Por isso o barulho habitual da camarata pode começar: arrastar camas; bater com a porta do armário; gritar pelo 19 que está na outra ponta da camarata; colocar em bom som o "Killing in the name off" dos Rage Against the Machine no 1ºano, "Body Count's in the house", ou o "Aquele Inverno" no 2ºano, ou "A Titi fez -me um Tete" dos Ena Pá 2000 no 3ºano...; ou se quiserem correr pela camarata fora a bater os pés; chamar o 140 porque a Joana está ao telefone; cantar nos balneários; contar em decrescente de 10 a 0, porque só temos 10 segundos para bazar da camarata; deixar cair a lata de Duraglit ou o pequeno equipamento; fazer moxe; deixar a roupeira gritar que os sacos da roupa suja tem de ir para o cabide; jogar à bola sem que os graduados vejam e de preferência não partindo o vidro da porta; boiar o Santos; ouvir o "Bom dia" do Cilha; ou para finalizar gritar um valente "ZACATRAZ"...


Para quem não percebeu nada disto, passo a traduzir: PODEM RECOMEÇAR OS COMENTÀRIOS NO BLOG!

sábado, fevereiro 07, 2004

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Comentários

Estamos com um problema no servidor e por isso os comentários não estão disponíveis!
Aos corajoso que costumam deixar comentários, pedimos que aguardem mais uns dias e com toda a certeza que o vosso espaço no blog vai voltar!

Continuem a entrar no canto! Já sabem que não é preciso pedir para entrar...

Uma anedota real, num Mundo que só pode ser irreal!

Ainda pensei uns dias em como escrever esta notícia!

Sugeri a mim próprio várias formas literárias: um romance, uma tragédia, um drama, sei lá uma comédia. Interrogava me se tinha palavras para retratar o rídiculo da notícia e realmente todas me fugiam. Por isso vou me limitar a contar uma anedota, não uma notícia!

Meus senhores, sabem quem foi proposto para o Nobel da Paz?
O Blair e o Bush! Como não se lembraram disso?

terça-feira, fevereiro 03, 2004

...

"É um engano imaginar que os grandes homens só o são um rei conquistador, ou um grande general, ou um grande ministro político. Outro género há de grandeza ainda mais elevado; qual é conservar um homem a moderação, e a inocência na mesma grandeza."
P. António P. de Figueiredo (1725-1797)

sábado, janeiro 31, 2004

Um português em Hollywood...

Há um português na lista dos candidatos a Óscares.

Pois é, até parece mentira! E não, o Conversas de Canto não se transformou no “Inimigo Público”...

Chama-se Eduardo Serra e é candidato para Melhor Fotografia, nomeado pela segunda vez, para o mesmo Óscar. A primeira vez foi em 1998 com “Asas de amor” e agora a película que lhe permite esta distinção é “Girl With a Pearl Earring”. Seria com certeza um prazer ouvir falar Português na Gala dos Óscares, seria sinónimo de uma vitória de Eduardo Serra.