terça-feira, junho 29, 2004

Votámos em quem?!


A semana é propícia a inúmeras reflexões políticas tal não fosse este um momento inédito na história da nossa democracia portuguesa. Ela irá abrir-nos os olhos para algumas das falácias do nosso regime democrático.
Primeiro há que distinguir que uma coisa é o que queremos dos acontecimentos e outra é o que os acontecimentos realmente são e geram. Ao contrário do que muitos querem, e bem na minha opinião, na nossa democracia, em boa verdade, na maioria dos cargos ditos democráticos, não existe a escolha directa de ninguém.
Na escolha da qualidade, competência ou identidade dos nossos representantes o normal do cidadão não é tido nem achado não estando essa selecção dependente da sua boa vontade ou do seu bom critério mas da vontade ou dos jogos de poder internos dentro das forças partidárias que se candidatam. Os portugueses nunca escolherão directamente o Dr. Santana Lopes da mesma forma como nunca escolheram o Dr. Durão Barroso para ser nosso 1.º Ministro.
Está certo que existem tradições políticas que nos fazem confiar que quando vamos à urna votar é nele ou naquele que votamos, mas o facto é que sempre votámos em siglas para nos representarem e não cidadãos como nós.
Os partidos não só reflectem uma ideologia (ou não) mas também reflectem a nossa preguiça de saber quem é o mais certo para determinado lugar. Eles tratam disso entre eles, aliás, eles negoceiam isso entre eles.
Da mesma forma não serão os cidadãos que escolherão amanhã se o próximo 1.º Ministro será o Ferro, o Soares, o Sócrates, o Vitorino, ou nenhum destes que estes já podem ser maus. Não são os cidadãos que escolherão se um militante de fim de lista é mais competente que um cabeça de lista.
E agora apercebemo-nos que afinal o 1.º Ministro pode ser outro, que nunca escolhemos os nossos ministros, que nunca escolhemos os nossos deputados, que nunca conhecemos o programa deles. Apenas confiámos em duas ou três letras e nas ideias pouco transparentes que uns têm ou não têm. Uma confiança que atinge os seus limites quanto maior é a abstenção.
Além disso as eleições são legislativas não executivas. A Constituição sugere que o Presidente da República convide o presidente do partido vencedor a formar governo. A tradição faz que ele seja, dessa forma, 1º Ministro, mas ele poderá recusar esse cargo e apresentar com o partido outro candidato ao cargo que os portugueses nunca viram pintado. Uma possibilidade que não está claro nem nos eleitores nem em militantes. O costume protege-nos contudo.
Assim quem ganhou foi o PSD não o Dr. Durão Barroso. É o PSD que no parlamento suporta um governo. Aliás o único cargo em que existe uma eleição pessoal é o de Presidente da República, é só para esse que escolhemos a identidade do indivíduo.
E embora fique satisfeito que existam eleições porque não acredito no caminho que o país toma, acho que nesta situação não é o partido que venceu as eleições que tem de ser responsabilizado são os portugueses que votaram num projecto de quatro anos e agora arrependeram-se.
Para terminar, falacioso é também o argumento que "o partido perdeu nas eleições europeias" e como tal perdeu a legitimidade democrática, falacioso porque o programa do governo até pode ser contrário ao programa eleitoral dos eurodeputados (claro que nunca é!), falacioso porque sempre que os resultados de outra eleição fossem abaixos dos obtidos nas legislativas, teríamos sempre uma legitimidade perdida e toca a fazer eleições. Era a impossibilidade de tomar medidas impopulares, era o caos.
É o nosso regime que propicia a partidarização. E embora isso, são capazes de serem convocadas eleições, não deviam, mas para nós ainda bem!

Bestial a Besta! Quem diria?

Pois é meus senhores, começam a evidenciar-se as parecenças entre o futebol e a política.
É comum ouvirmos a expressão "de bestial a besta". Quantas vezes no mundo do desporto, sobretudo no futebol, um jogador dança de um lado para o outro sem nada ter feito. Na política, mais propriamente no interior dos partidos, os militantes do partido maioritário elegeram agora uma nova dançarina. Após, no último congresso do partido do governo, a mulher mão de ferro das finanças portuguesas ter sido unanimemente saudada pelos seus colegas militantes, hoje, a senhora trocou de mão e teve de rodopiar para o outro extremo. Parece que o João Jardim e o Luís Filipe Menezes deram o mote à dança...

Vamos ver onde estas guerras pelo assento de São Bento vão parar! Para já, a verdade é que oficialmente não há um candidato assumido. Mau ou bom presságio?
As gaivotas andam em terra, indicia tempestade no mar e não há comandante para a nau...
Maus ventos se aproximam!

AS

sexta-feira, junho 25, 2004

Do futebol à Europa

Portugal mergulhou no "Mundo do Futebol" desde há uns dias e desde ai tem-se vivido uma euforia desmedida. A conquista das meias-finais colocou os portugueses na rua a festejar uma vitória, mas todos sabem que não se trata apenas de mais uma. O que tem de especial? Sinceramente não sei explicar! Sei que não foi por apenas termos ganho um jogo que todos descemos à rua na passada noite...

Apesar de esta loucura colectiva é preciso não esquecer que tudo isto é efemero, que dentro de dias o Euro2004 acaba. Não podemos esquecer tudo isso! É preciso saber viver este campeonato e saber continuar a viver a vida de todos os dias, preparando o futuro. Desçamos à terra então:

1. O Primeiro Ministro vai mesmo candidatar-se à Presidência da Comissão Europeia?
2. Esta não é uma questão do PSD, do Governo, ou do Durão, mas sim uma questão Nacional. Uma questão que sugere outras tantas.
3. Quem o sucederá? Santana Lopes por dinastia? Sucessão dinástica em Democracia, nunca ouvi falar?
4. Uma pergunta que oiço poucos fazerem, mas que enquanto Europeu me surgiu. Será Durão Barroso um bom Presidente para a Comissão Europeia? Para Portugal seria bom haver um Presidente da União Europeia Português, poucas dúvidas tenho, mas e para a Europa? Não deveríamos discutir isso...
5. Quando o país atravessa uma crise de confiança, com a economia ainda sem força, com os Portugueses desmoralizados, onde só o futebol os revitaliza, sair a meio de uma guerra que foi iniciada por este governo há dois anos e onde não se vislumbra vencedor, é justo o líder sair, mais, é este o exemplo de um líder?
6. Não sei precisar qual o Primeiro Ministro, mas ainda ontem ouvi na SICnotícias que uma das possibilidades mais apetecidas pelos diferentes países, não aceitava pelo compromisso que tinha para com o seu país. Será isso o exemplo de um líder?
7. Atenção, não digo que um Primeiro Ministro não possa abdicar pela Europa. Esse outro sonho que comunhamos também merece esforço, mas há que saber doseá-lo! E a nossa dose era o Vitorino, que foi recusada.
8. Limitei-me a fazer perguntas para as quais ainda não tenho resposta!
9. No meio disto tudo continuam as greves da Carris sem fim à vista; os Professores a constestarem mais uma vez as colocações (que música para os meus ouvidos); os atentados no Iraque; umas eleições europeias sem uma campanha digna desse nome e onde os Portugueses não souberam preservar um direito seu; um país que teima em querer crescer na mente de alguns mas que precisa que os seus líderes também queiram...
10. Acredito na nossa capacidade de trabalho, na nossa dedicação e empenho. Apenas continuo à espera que haja uma oportunidade para que o demonstremos. Apenas...

AS

domingo, junho 20, 2004

Há muito que não escrevo para o BLOG!
Direi mais, provavelmente todo o trabalho de fazer deste blog algo dinâmico dissipou-se, agora com o desleixo a que sujeitámos o canto... Procurarei sempre que possível voltar, consciente que não há desculpas para o desleixo!

Hoje, 20 de Junho de 2004, a Seleção Nacional joga o seu futuro no Euro 2004. Enquanto português sinto me realizado com este Euro. A organização está a superar as minhas expectativas... Não deixo no entanto que isso me reconforte a alma e espero mais, sobretudo da seleção, espero que deixem tudo naquele campo e que reforcem o meu orgulho neste Euro 2004!

Quanto ao meu orgulho em ser Português, esse está sólido, esse é eterno, esse está no meu sangue...

Amanha, como diriam os Madredeus, "Haja o que houver", a minha bandeira estará à janela!

Abraço