sexta-feira, julho 23, 2004

A curiosidade...

Parto este fim de semana de viagem para o lado de lá do Atlântico... A minha colaboração no blog que ultimamente tinha aumentado vai cessar assim um pouco, tendo eu  secreta esperança de conseguir talvez escrever um post de lá, provavelmente sobre o choque de culturas!

Quanto à minha maior curiosidade, nos dias que se aproximam, vai ser com toda a certeza: saber qual a próxima peripécia que o nosso governo vai preparar. Usem da imaginação, penso que tudo é possível!

Vemo-nos por aí!

AS

quarta-feira, julho 14, 2004

Deus

"É uma típica tarde de sexta-feira e estás dirigindo em direcção à tua casa. Sintonizas o rádio.

O noticiário está a falar de coisas de pouca importância.

Numa cidade distante morreram três pessoas com uma gripe até então totalmente desconhecida.

Não prestas muita atenção ao tal acontecimento.

Na segunda-feira, quando acordas, escutas que já não são três, mas 30 mil as pessoas mortas pela tal gripe nas colinas remotas da Índia.

Um grupo do Controle de Doenças dos EUA foi investigar o caso.

Na terça-feira, já a noticia é mais importante, ocupando a primeira página de todos os jornais, porque já não é só na Índia, as também no Paquistão, Irão e Afeganistão.

Enfim, a notícia espalha-se pelo mundo. Chamam a doença de "La Influenza Misteriosa" e todos se perguntam: Que faremos para controlá-la?

Então, uma notícia surpreende a todos: Europa fecha as suas fronteiras. França não recebe mais voos da Índia nem de outros países onde se tenha suspeitas de existência de casos da tal doença.

Devido ao encerramento das fronteiras, estás ligado em todos os meios de comunicação, para te manteres informado da situação e de repente ouves que uma mulher declarou que, num dos hospitais da França, um homem está a morrer pela tal "Influenza Misteriosa".

Começa o pânico na Europa.

As informações dizem que, quando contrais o vírus, é questão de uma semana e nem percebes.

Em seguida tens quatro dias de sintomas horríveis e morres.
A Inglaterra também fecha as suas fronteiras, mas já é tarde.

No dia seguinte o presidente dos EUA fecha também as fronteiras para Europa e Ásia, para evitar a entrada do vírus no país, até que encontrem a cura.

No dia seguinte, as pessoas começam a reunir-se nas igrejas em oração pela descoberta da cura, quando de repente entra alguém na igreja aos gritos:

- Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas mulheres morreram em Nova York!!!

Em questão de horas, parece que a coisa invadiu o mundo inteiro.

Os cientistas continuam a trabalhar na descoberta de um antídoto, mas nada funciona.
De repente, vem a notícia esperada: Conseguiram decifrar o código de ADN do vírus.

É possível fabricar o antídoto!

É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém que não tenha sido infectado pelo vírus.

Corre por todo o mundo a notícia de que as pessoas devem ir aos hospitais fazer a análise de seu sangue e doá-lo para o fabrico do antídoto.

Tu vais voluntariamente com toda tua família, e alguns vizinhos, perguntando-te:
- O que acontecerá?. Será este o final do mundo?

De repente o médico sai a gritar um nome que leu no seu caderno.
O menor dos teus filhos está do teu lado, agarra-se ao teu casaco e diz:
- Pai? Esse é o meu nome!

E antes que possas fazer algo, levam-te o filho e gritas:
- Esperem!

E eles respondem:
- Está tudo bem! O sangue dele está limpo, é sangue puro. Achamos que ele tem o sangue de que precisamos para o antídoto.

Depois de cinco longos minutos, saem os médicos chorando e rindo ao mesmo tempo.
É a primeira vez que vês alguém a rir há uma semana.
O médico mais velho aproxima-se de ti e diz:
- Obrigado senhor! O sangue de seu filho é perfeito, está limpo e puro. O antídoto finalmente poderá ser fabricado!

A noticia espalha-se por todos os lados.

As pessoas estão orando e rindo de felicidade.

Nisto, o médico aproxima-se de ti e da tua esposa e diz:
- Podemos falar um momento? Não sabíamos que o doador seria uma criança e precisamos que o senhor assine uma autorização para usarmos o sangue de seu filho.

Quando estás a ler, percebes que não colocaram a quantidade de sangue que
vão usar e perguntas:
- Qual a quantidade de sangue que vão usar?

O sorriso do médico desaparece e ele responde:
- Não pensávamos que fosse uma criança. Não estávamos preparados, precisamos de todo o sangue do seu filho.

Não podes acreditar no que ouves e...tratas de contestar:
- Mas... mas...

O médico insiste:
- O Senhor não compreende? Estamos a falar da cura para o mundo inteiro!!
Por favor, assine! Nós precisamos de todo o sangue.

Tu, então, perguntas:
- Mas não podem fazer-lhe uma transfusão?

E vem a resposta:
- Se tivéssemos sangue puro, poderíamos. Assine! Por favor, assine!

Em silêncio, e sem sentir a caneta na mão, tu assinas.

Perguntam-te:
- Quer ver o seu filho?

Caminhas na direcção da sala de emergência onde se encontra a criança
sentada na cama dizendo:
- Pai?! Mãe?! O que está acontecer?

- Filho, a tua mãe e eu amamos-te muito e jamais permitiríamos que te acontecesse algo que não fosse necessário, entendes?

O médico regressa e diz-te:
- Sinto muito senhor, precisamos de começar. Gente do mundo inteiro está a morrer.

Podes sair? Podes virar as costas ao teu filho e deixá-lo ali?

O teu filho diz:
- Pai?! Mãe?! Por que é que me estão a abandonar?

E, na semana seguinte, quando fazem uma cerimónia para honrar o teu filho, algumas pessoas ficam em casa a dormir, outras não vêm, porque preferem fazer um passeio ou assistir a um jogo de futebol na TV e outras vêm com um sorriso falso. Tens vontade de parar e gritar:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SE IMPORTAM COM ISSO?


Talvez seja isso o que DEUS quer dizer:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SABEM O QUANTO VOS AMO!!!

É curioso, o simples que é para as pessoas dizer mal de Deus e dizer que não entendem como o mundo vai de mal a pior.
É curioso como acreditamos em tudo aquilo que lemos nos jornais, mas questionamos as palavras de Deus.

É curioso como todos querem ir para o Céu, mas nada fazem para merecê-lo.

É curioso como as pessoas dizem:
- "Eu creio em Deus!" - mas, com suas acções, mostram totalmente o contrário.

É curioso como consegues enviar centenas de piadas através de um correio electrónico (e-mail), mas quando recebes uma mensagem a respeito de Deus, pensas duas vezes antes de compartilhá-las com outros.

É curioso como a luxúria, crua, vulgar e obscena passa livremente através do espaço, mas a discussão pública de DEUS, é suprimida nas escolas e locais de trabalho.

É CURIOSO, NÃO É?

Mais curioso ainda é ver como se pode estar tão crente em DEUS ao domingo, e ser um cristão invisível no resto da semana.

É curioso que quando terminares de ler esta mensagem, não a enviarás a muitos da tua lista de amigos, porque não estás
certo daquilo que eles crêem e do que eles vão pensar..."

terça-feira, julho 13, 2004

Sophia

Imortalizou-se em vida...



Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos foram gestos de bruxedo.
Foram os gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra dos canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entre a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo.
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou pesado e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, julho 06, 2004

Animais! Quem?

O Animal e o Homem!

As vivências fazem-nos evoluir, ou simplesmente mudam a nossa maneira de encarar o mundo e os seus pequenos nadas! Comecei com o Animal e o Homem! Letras maiúsculas leia-se!
Por volta de 12 de Novembro de 2002 (um pouco mais tarde talvez) tive a felicidade de receber juntamente com a minha família um cachorrito. Um Serra da Estrela puro, uma autêntica bola de pelo na altura! A junção de um sonho de infância com um ídolo de infância fez com que aquela autêntica bola de pelo se chamasse Figo. Coincidência das coincidências era viciado em jogar à bola, ou não fosse ele um cão, mas com a particularidade de só andar de voltas das bolas quando não era ele que a tinha! O nome vinha assim do meu ídolo de infância, da bola de que tanto gostava e de um pormenor engraçado: adorava figos, tinham era de ser abertos!
Lá em casa ganhámos lhe afeição! Sempre prezámos por tratá-lo da melhor forma. Espaço para correr foi algo que sempre abundou. O meu pai teimava em arranjar uma casota, em abrir lhe as portas das boxes, para que tivesse um sítio onde se abrigar da chuva se assim quisesse. Ele sempre teimou em andar à chuva! Tinha os seus brinquedos, dados nos anos, ou no Natal, sempre pela minha irmã, que se dava ao trabalho de embrulhar os mesmos. Tinha direito as umas valentes sopas, feitas de propósito pela minha mãe para ele, de resto era só ração do melhor. Muitas horas passámos a penteá-lo, a escová-lo, era uma bola que por mais que quiséssemos tinha sempre pelo. Adorava banhos quentes de mangueira, e se ele tomava banho, todos tinham de tomar banho. Banho era sinónimo de eu ir de chinelos e calções e sair de lá pingado...
Porque tudo isto? Se calhar perguntam com razão! A resposta é simples! Não se limitava a ser um cão. Era a companhia do meu pai durante a semana quando estava na terra. O meu companheiro da bola. Aquele que mantinha a pata no pé da minha mãe quando a minha mãe estava sentada, como que dizendo está guardada. O aconchego da minha irmã, que apesar da sua brutidão de cão(pesava 50/60kg), também sabia deixar que ela o agarrasse e tal como era capaz de saltar para brincar com ela, era capaz de ficar ali parado só a receber mimos. O guarda na nossa casa, da dos vizinhos, da ourivesaria, acho que posso dizer da rua! Sim da rua! Quando o levávamos a passear ao café, ao fundo da rua, os Velhos do Restelo tinham sempre as mesmas afirmações: “Cuidado com o bicho”, “Mete respeito”, “Aquilo puxava uma carroça”. As crianças por seu lado ficavam boquiabertas, aproximavam-se e perguntavam posso dar uma festa? Não tenho registos de uma que se tenha queixado! Se aleijou alguém, não foi criança e foi pela vontade do Figo em brincar...

Passou a fazer parte da família! Fazia de tudo: lambia os pratos do bife; entrava de fugido em casa, ia ao meu quarto e enrolava-se na cama até acordar-me; fazia autênticos raides pela casa a fugir do jornal que o meu pai tinha na mão por ter sujado o sofá; ladrava ao mínimo estranho que passava nas redondezas, ao mínimo bicho que rondava a casa, fosse ele um rato ou uma cobra; perdia a imponência num canto escondido quando é a altura das festas com medo dos foguetes; adorava massa de merendeiras... Acho que passava aqui o resto da noite a contar histórias! Surgiu-me uma última! Era um mimado do piorio, chegava ao cúmulo de com o focinho balançar a minha mão, até que ela saísse do bolso e lhe caísse em cima da cabeça e começasse a termideira que ele tanto gostava.
Já se perguntam, espero, porque terei escrito tal descrição, porque falo hoje pela primeira vez que tenho um cão? A resposta é simples, porque foi hoje que ele morreu com 1 anos e oito meses...
Espero que pela vossa cabeça passem agora as perguntas: como? porquê?
Porque alguém o envenenou! Porque alguém o envenenou! Porque simplesmente nunca conseguiram destrui-lo por fora! Aquele pelo e aquela imponência eram intransponíveis! Tiveram de corroe-lo por dentro! Tiveram de destrui-lo por dentro, com a cobardia de ao longe lhe atirarem algo. Por muitos dias se aguentou, levantando-se sempre que os estranhos por ali andaram, e deitando-se de seguida...esteve lá até ao fim e a pose sempre presente! Porque no fim de tudo isto não é o Animal e o Homem, como erradamente anunciei, porque afinal, Animais, somos todos!
O próximo Figo vem aí!
AS

sexta-feira, julho 02, 2004

A Portuguesa e a Bandeira

Muito se tem discutido como é ou não é!
A Portuguesa donde se retirou o Hino Nacional e uma Bandeira Nacional Portuguesa

A bandeira é rectangular (2:3), tal como as suas antecessoras, e bipartida de verde e vermelho, ocupando o verde dois quintos da largura e o vermelho os restantes três. Centrada na divisão, o brasão da República, constituído pelo escudo (de novo em formato "português") sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro é igual a metade da altura da bandeira.



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça