domingo, setembro 26, 2004

MEDO A QUE NOS LEVAS...

Este fim-de-semana dediquei-me a ver quase de seguida os dois documentários mais conhecidos de Michael Moore - "Bowling for Columbine" e "Fahrenheit 9/11".
Se pude estabelecer um elo comum entre os dois filmes, sem qualquer dúvida é a forma como o realizador demonstra que a causa primeira de qualquer violência, interna ou externa, se baseia no medo. O medo, difundido por meios de comunicação cada vez mais sensacionalistas, leva-nos a obter armas para proteger as nossas casas ou a atacar países para que eles não nos ataquem, mesmo que se viva no bairro mais pacífico, mesmo que o outro país não tenha sequer a intenção do ataque.

Em Bowling for Columbine, Moore, no seguimento do masacre do liceu de Columbine, procura as razões primeiras para a autêntica guerra civil que se vive na América. Será a história violenta que o país tem? Não. Será a violência dos media, cinema e jogos de vídeo? Não. Será o elevado número de armas nos lares? Não. Será a facilidade com que se compra armas e munições? Não. E se uma bala valesse 5000 dol./eur., haveria "balas perdidas"? É através da comparação entre países, designadamente entre o Canadá e os EUA que Moore acha encontrar a razão para qualquer violência - o tal medo.

Em Fahrenheit 9/11, também no seguimento de outros massacres, o medo é outro é o do terrorismo, mesmo que exista paz o que faz dinheiro é a guerra, o que faz dinheiro é o medo. O medo de envelhecer ou ficarmos feios já provou que nos faz consumir. O medo de sermos mortos ou atacados, faz, como absurdamente aconteceu na guerra fria, acabemos por estar numa loja a comprar a máscara de gás tamanho M ou o abrigo nuclear T2.

Mais do que as ligações políticas e económicas que Moore desvenda em ambos os filmes, que servem para pensar - a questão que achei mais importante foi mesmo a forma como os Estados gerem o medo dos seus cidadãos e a forma como isso reflecte-se na nossa forma de viver em sociedade.

Ambos os documentários são realizados com uma miscelânea de desenhos animados, imagens históricas, entrevistas e até mesmo filmes publicitários - são por isso hilariantes, únicos e imperdíveis.

Depois de uma breve pesquisa na Internet encontrei um dos livros de Moore - "Stupid White Man", que se encontra actualmente nas nossas livrarias e já esteve no top norte-americano, a ver se arranjo algum tempo para o ler.

sábado, setembro 25, 2004

Jograis bar

Já que o ambiente das conversas de canto sempre foi rodeado de música e copos deixo uma recomendação porreira: "Jograis Bar", ali perto da Avenida Estados Unidos da América. Bar de porta fechada, música ao vivo do melhor! A APEF andou lá a vadear, cantar e beber ontem...

AS

quarta-feira, setembro 22, 2004

21 de Setembro de 1992

Já nos conhecemos há 12 anos!
Parece estranho o número, parece estranho por parecer tanto, mas também porque temos histórias para encher 15 ou 20...

É “fixe” recordar aquele dia, aquelas sensações, aqueles cheiros e aquele despertar! O parecer tudo tão grande, tão novo. Hoje parece tudo tão velho, tão rico, tão pequeno para as recordações. Mais do que o que nos fez conhecer uns aos outros, o CM, hoje penso no que criámos em conjunto... Acredito que por vezes não temos essa noção, limitamo nos a viver os momentos. Acho que por um lado é bom, continuamos com a inocência de sempre, com as brincadeiras à “puto jardim”, com as mães uns dos outros, a lista não pára! Por outro lado as marcas do tempo surgem com a preocupação de “quando defines o teu curso”, já arranjaste trabalho, ou com as apostas de quem se casa primeiro...muito mais vai surgir!

Mais que marcar momentos, comemorá-los ou não, é preciso que isto tudo permaneça, que isso que chamam amizade seja perene, seja de sangue!

Doze anos já lá vão! Que venham mais 100!
ZACATRAZ
AS

terça-feira, setembro 21, 2004

Esta Semana vou ouvir...


Crash
Dave Matthews Band

Novos Compromissos Editoriais

Lembram-se quando a determinada altura do filme Matrix a visão que o escolhido têm do mundo se transforma num código de números em constante mudança. Uma das coisas que o curso me está a fazer mal é que começo a ver uma quantidade absurda e dispensável de normas a nascer no dia a dia e a clamar por serem escritas.
Pois é, as normas nascem dos problemas. E este blog está com problemas à medida que a quantidade de posts mensais começa a tender para zero. Preocupados com isso vamos estabelecer o nosso "contrato social" (hoje estou com pseudo-estupidez jurídica crónica). Assim sendo decidimos estabelecer os nossos mandamentos e compromissos editoriais.

Art.º único
  1. Todos os membros do blogue "Conversas de Canto" comprometem-se a redigir um texto original num número mínimo de dois por quinzena.
  2. A falta ao disposto no número anterior poderá resultar na prescrição do autor como membro do blogue.

"Os fundadores"

Um cheiro para este dia


21 de Setembro de 1992

Depois de termos visitado aqueles muros e paredes era a hora do almoço - O primeiro almoço. Se houve coisa que marcaria a minha memória daquele dia, e sabemos bem que são sempre as pequenas coisas que ficam cá gravadas, é o cheiro que no átrio da camarata, antes da formatura, se fazia sentir intensamente depois de estreadas pelo menos umas 50 latas.

Se por vezes é um momento, uma música ou uma paisagem; aquele momento ficou sempre associado àquele cheiro inicial - o cheiro da Rosette-lar.

segunda-feira, setembro 20, 2004

No meu bairro está tudo rico!

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30% mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).

O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!

O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...

A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.

Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.

E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é presidente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.

E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal. Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!


Nicolau Tolentino in "Expresso"
20 Setembro 2004

sábado, setembro 11, 2004

Fazer ou aprender

Frequentar o Ensino Superior é uma oportunidade, quer para evoluirmos interiormente enquanto pessoas, quer enquanto cidadãos com um conhecimento acima da média. Hoje é também encarado como mais uma etapa da vida. Temos a infância, a adolescência, se quiserem a primária, o secundário, sendo que posteriormente surge sempre a vontade em entrar no mercado de trabalho. Pelo meio situa-se o ensino superior. Por muitos é visto como uma oportunidade única de ganhar maturidade e conhecimento, por outros é uma etapa à qual “pelos outros” não se pode falhar. Poderemos perguntar agora se é esta a ideia habitual de toda a sociedade portuguesa? Podemos ir mais longe e questionar se estes “hábitos” são positivos? Neste momento não vamos reflectir sobre estas respostas, mas apenas na repercussão que esta mentalidade provoca nos estudantes do Ensino Superior, nomeadamente o Universitário!

O Ensino Universitário tem de ser encarado como uma possibilidade de nos enriquecermos pessoalmente. Um enriquecimento que tem obrigatoriamente de passar pela componente cientifica, mas também pela componente humana e social. Dentro de cada parâmetro, mais que adquirir conhecimentos é necessário interiorizar comportamentos, usufruir experiências que só nos são possíveis de realizar nesta etapa da vida. Frequentar todo o período universitário não é apenas uma simples tarefa avaliada pela negativa ou positiva, mas uma forma de atingir determinados objectivos, onde cada etapa tem uma razão de ser e cada razão deve ser compreendida.

Perante este panorama há que relacionar a visão da sociedade relativamente ao Ensino Universitário, com as exigências do Ensino Universitário face à sociedade. O resultado desta simbiose é a realidade das Universidades Portuguesas. Podemos encontrar alunos aplicados, dedicados, onde a vertente científica se torna uma paixão. Outros há que se valorizam mais na componente humana e pessoal experimentando oportunidades únicas e enriquecedoras. Por último surge sempre a componente social que para muitos é também um factor sempre presente e até primordial. Qual a visão mais correcta, mais sensata? “No meio está a virtude”. Esta expressão tão sábia quanto antiga pode ser aplicada neste caso. Substitua-se o “meio” pelo “equilíbrio”. Esse equilíbrio está pouco presente nas nossas faculdades, e quando está, apresenta-se como uma minoria.

Vejamos, quantos estudantes fazem cadeiras, e acentue-se a expressão fazer, em prol de aprender conteúdos de cadeiras e apreender mentalidades? Quantos estudantes estudam matérias não para aprender, mas sim para passar cadeiras, acabando com a expressão – “está feita!”. Estaremos na faculdade para aprender cadeiras e não para passar cadeiras? A diferença entre um 16 e um 11 traduz-se em conhecimentos diferentes sempre? Quantos estudantes forjam resultados de laboratório ou simplesmente copiam relatórios? Quantos universitários se integram ao mesmo tempo nas actividades extra-curriculares da Universidade? O desenvolvimento de trabalhos sociais é um prazer para os nossos estudantes ou um sacrifício? Se quiserem, quantos estudantes saem das universidades com a cultura do desporto, indo de encontro à velha máxima, mens sana in corpore sano, um principio de uma sociedade evoluída? Passar pela faculdade, pelas salas de aulas, pelos laboratórios, conhecê-los exaustivamente e não viver a faculdade é criar um cidadão equilibrado? Creio que muitas destas questões são partilhadas por muitos Universitários, antigos estudantes ou simples cidadãos.

De todas estas perguntas, acho que podemos concluir que o equilíbrio não existe actualmente em abundância! Assim sendo há que procurar causas! A primeira, e a maior, reside na atitude dos estudantes. É o sujeito responsável pelas suas atitudes. Por outro lado, acredito que as Universidades se habituaram a estas realidades e desresponsabilizaram-se de tentar invertê-las. Acredito que é altura de se pensar não apenas em reformas curriculares, em fazer evoluir as faculdades para os ideais europeus, mas também em repensar o que de mais antigo há: métodos de ensino; abordagem ao aluno; relação professor/aluno; incentivos ao desporto, à sociabilização, à valorização pessoal; humanizar as faculdades; associar o avaliar ao aprender! Outros haverá com toda a certeza. É aqui que acredito que ainda há muito por fazer. No fundo trata-se de tornar as Universidades, o espaço de um ensino superior por excelência.

AS

Voltei!

Findo mais de um mês, volto ao blog!

Os últimos tempos tem sido de uma intensidade elevada, tive tempo para enriquecer este "canto", mas talvez tenha faltado a disponibilidade mental... Vicissitudes da vida!

Vou procurar voltar à realidade da blogosfera pelo menos semanalmente...há muito que contar!

Bem, acabaram as férias, vamos a isso!

Até já, até logo, ou simplesmente fiquem por aí!

AS