quarta-feira, maio 30, 2007

A minha Andorinha

“Não há nada pior que um ajuntamento espontâneo de populares. Juntam-se muito neste país. É para ver quem morreu ou para espancar um desgraçado que matou os filhos e as galinhas. É para jogar à vermelhinha ou para comprar Lacostes da treta que, em vez de um crocodilo, têm um sardão das Berlengas. À mínima desculpa os populares, que estão maçados e anseiam distracção, juntam-se. Deveria ser proibido, fora de feiras e romarias. Bem vistas as coisas, também deveriam ser proibidas as feiras e as romarias, porque já está demonstrado que encorajam o contacto entre as pessoas. […] Mas não divaguemos porque há muito para desbastar. Por exemplo, aqueles pedintes que, em vez de apresentar oralmente o seu apelo, no estilo tradicional, produzem um extenso texto miserabilista, escrito em português ilegível, a dizer que já estiveram melhor e que praticamente estão como hão-de ir. Aquelas senhoras que sabem os nomes de todos os bolos e fazem gala disso. Em vez de apontar com o dedo, para a montra, como os mortais comuns que têm mais que fazer, começam a recitar as suas cabalas maçónicas: “Um jesuíta, uma margarida, um charleston, um torno-mecânico-de-seis-bicos, um berimbau, um gonzaguinha e dois pastéis de nata.”
Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, maio 29, 2007

Quem é o Chefe?!

Portugal, um retrato social


Aproveitando o mote dos 50 anos da RTP, António Barreto coordenou uma série de 7 episódios sobre as transformações sociais do País, nos últimos 50 anos. Globalmente é de excelente qualidade, embora algumas vezes seja repetitiva. Melhor nos últimos episódios que nos primeiros. Prova que a mudança real não corresponde à mudança incutida nas nossas mentes - com um saldo positivo para a primeira. Comovente e digna, com a ajuda de uma banda sonora de Rodrigo Leão.
Um retrato do nosso país. Um retrato da sociedade contemporânea. Um retrato de grupo: dos portugueses e dos estrangeiros que vivem connosco. Um retrato de Portugal e dos Portugueses de hoje, que melhor se compreendem se olharmos para o passado, para os últimos trinta ou quarenta anos.
Pode ser vista agora, ao sabor das nossas disponibilidades, no site da RTP:
Vejam, vale a pena.

domingo, maio 27, 2007

Frase do dia

"O futuro daqui para a frente, sou eu que o faço!"

PS - roubada da house-mate do Gonçalo em Paris

"Guru" em Lisboa


Para quem se interessa por Mudança e Aprendizagem nas Organizações e não só é um evento a não perder.

sábado, maio 26, 2007

MEUS LINDOS OLHOS

Meus lindos olhos, qual pequeno deus
Pois são divinos, de tão belos os teus.
Quem, tos pintou com tal feição
Jamais neles sonhou criar tanta imensidão.

De oiro celeste,
Filhos de uma chama agreste
Astros que alto o céu revestem
E onde a tua história é escrita.

Meus lindos olhos, de lua cheia
Um esquecido do outro, a brilhar p´rá rua inteira.
Quem não conhece o teu triste fado
Não desvenda em teu riso um chorar tão magoado.

Perdões perdidos
Num murmúrio desolado
Quando o réu morava ao lado
Mais cruel não pode ser.

Este fado que aqui canto
Inspirou-se só em ti
Tu que nasces e renasces
Sempre que algo morre em ti
Quem me dera poder cantar
Horas, dias, tão sem fim
Quando pedes só pra mim
Por favor só mais um fado.

DAVE MATTHEWS BAND



A Banda Americana atravessou pela primeira vez o Atlântico para realizar um concerto em Portugal! A estreia em terras Europeias foi no Pavilhão Atlântico e o concerto foi simplesmente arrasador. Mais de três horas de concerto, uma sonoridade única e intensa, que deixaram quem esteve presente fascinado.
O público para variar marcou a banda. Tivemos de ouvir o invariável “incredible audience”, ou simplesmente obrigar a banda a reentrar em palco duas vezes. Ficou a promessa que não vão demorar tanto tempo a voltar a Portugal. Fica a certeza que estarei presente!

sexta-feira, maio 25, 2007

Liberdade: sub. fem..

Faz hoje um mês que se festejou em Portugal a Liberdade.
Mas afinal o que é, nos dias de hoje, a Liberdade?

Será a faculdade de uma pessoa poder dispor de si, fazendo ou deixando de fazer por seu livre arbítrio qualquer coisa (Priberam)?

Segundo o youtube, em Portugal, liberdade é também inocência, já no mundo em geral a palavra é mais brasileira. Se traduzirmos para "freedom" já é algo bastante diferente. No mundo do cinema é um drama de 1983 ou mesmo de 2007. Já no registo fotográfico pode ser:

ou

Em termos musicais é também algo completamente diferente, pode ser uma música ou grupo musical.

Resumindo e baralhando não se pode dizer que liberdade seja A, B ou C, apenas se pode dizer que também é A, B e C e muitas coisas mais.

No entanto, a liberdade é "algo" que simplesmente existe, sempre existiu e sempre existirá, depende de cada um fazer ou não uso dela. Nunca houve mais, e nunca haverá menos, esperemos que haja mais gente a descobri-la... em si. E só é verdadeiramente livre aquele que tem consciência da sua liberdade.

"O homem só não é livre de não ser livre"

Sim acho que estou com tempo a mais...

terça-feira, maio 22, 2007

The Human Element



Será que existe?

Clown

"O ofício do palhaço reside na liberdade de se permitir ser o que verdadeiramente se é, e de fazer os outros se espelharem e rirem de si mesmos na confiança de estar a rir do palhaço. E isso requer uma grande coragem. É um exercício de generosidade e risco, às vezes difícil, penoso e doloroso, mas sempre libertador, pois, se provocar o riso é a base da profissão, activar o pensamento é a ambição e o fim."

segunda-feira, maio 21, 2007

domingo, maio 13, 2007

Força...

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

(Sérgio Godinho)

quinta-feira, maio 10, 2007

Election présidentielle


Jean-Marie Le Pen, Ségolène et le petit Nicolas sont aux portes du Paradis.

Et Dieu les interroge :

Que croyez-vous ?
Je crois, dit Jean-Marie, que la France sera sauvée !
Bien, dit le Tout-Puissant, assieds-toi à Ma Droite, Jean-Marie !

Et toi,Ségolène, que crois-tu ?
Moi, je crois tout ce que Vous voulez, du moment que Vous votez pour moi!
Viens, Ségolène, assieds-toi à Ma Gauche !

Et toi, Mon petit Nicolas, que crois-tu ?
Excusez-moi, mais je crois que vous êtes assis à ma place

quarta-feira, maio 09, 2007

Democracia!

Este é o mote deste post! Desde à dois meses que estou por terras gaulesas que vejo o fervilhar de emoções relativamente às eleições e tento acompanhar o mais de perto possível. Falar com os franceses e tentar perceber um pouco melhor aquilo que passa nas notícias e nos pequenos ecrãs. Olhar para os jovens do Banlieue a revolucionarem-se na Place de La Bastilhe após as eleições e tentar perceber quais as razões, compreender a razão pelo qual alguns comparam Sarkozy com Le Pen, porquê uma mulher no poder podia ser uma grande vitória, etc.
Mas para mim o que é realmente de realçar e de louvar é a adesão dos Franceses à forma mais pura da democracia! A chamada do povo às urnas. Com uma taxa de abstenção baixíssima (principalmente comparado com algumas eleições em Portugal – talvez fosse porque não tivesse chovido Tiago – ou até porque as televisões não devem ser pagas às prestações :p) sentia-se, e ainda se sente, a vitalidade democrática e o espírito de participação. Apoiantes de Sarko (diminutivo que muito se ouve nas ruas e manifestações) ou de Ségolène, saiem à rua! Vê-se crianças com cartazes pela cidade ao fim-de-semana a apoiar os “seus” candidatos, t-shirts a dizer – I Love Sarkozy!
Outra grande vitória nestas eleições foi a queda dos partidos de extrema esquerda e principalmente direita. Relativamente às antigas eleições que em Le Pen tinha chegado a atingir 21 %, agora ficou-se por reduzida margem.
Conta-se que está campanha, foi marcada uma campanha pela verdade e pelo respeito. Pelo respeito poderei afirma-lo (na grande maioria dos discursos e debates) sobre a verdade só o tempo o dirá. Relativamente aos ideais defendidos pelos dois candidatos principais são claramente ideais de esquerda e direita, apesar de se aproximarem em imensos pontos. No entanto temas como o combate ao desemprego, o aumento da productividade em França, a emigração, as maiores restrições ao nível da criminalidade, as políticas sociais diferem de cada um dos seus programas. Existem também uma diferença consideravel nos dois candidatos. A experiência e a preparação. Sarkozy prepara-se para estas eleições à pelo menos 5 anos enquanto Ségolène é ainda bastante inexperiente e apenas em 2005 manifestou a sua vontade em candidatar-se à presidência (Sarkozy já foi ministro do Orçamento, da Comunicação, porta-voz do primeiro-ministro Édouard Balladur, ministro do Interior em 2002 e das Finanças em 2004 – sendo um dos protegidos de Jacques Chirac).


No final, as eleições foram marcadas pelo voto de união de Sarkozy no seu discurso de vitória e infelizmente também pelos disturbios e manifestações anti-Sarko por toda a França. No seu discurso como futuro Presidênte da França, Sarkozy além de chamar todos os franceses a si, mostrou uma palavra de união entre os países Europeus, uma mão de ajuda sobre África e ainda uma chamada de atenção para o problema do ambiente que os Estados Unidos deveria ter em consideração. O seu objectivo é unir os franceses e voltar a colocar a França no seu lugar de destaque internacional, melhorando a economia e a qualidade de vida de todos os franceses que estejam na equipa dele (não relativamente à cor política, mas em relação à famosa “camisola suada” como imagem daqueles que querem trabalhar e contribuir para o crescimento da França).

A ver vamos o rumo que a França e Sarko irão tomar!


Algumas dados e frases interessantes:

- Sarkozy, quando questionado em 2003 se pensava em candidatar-se à presidência da França enquanto se barbeia, respondeu: “não apenas enquanto me barbeio!”
- Le Pen é a favor da pena de morte em França e em 2005 disse que "a ocupação da França pela Alemanha Nazi não foi particularmente inumana".
- “Vai haver um guarda-costas para cada mulher que trabalhe na função pública para ser acompanhada a casa em segurança” (Ségolène Royal – último debate televisivo durante a segunda volta)
- Tanto Sarkozy como Ségolène sempre votaram contra a gerra do Iraque
- Um francês chegou a comparar Sarkozy com Hitler pelas seus ideais.. Não sei se tem razão ou se fervilhava vermelho por dentro.
- Ségolène no último debate televisivo realçou uma situação caricata sobre a emigração - se um idoso (emigrante ilegal) que foi buscar o seu neto à escola for apanhado pela polícia e não tenha papeis irá ser enviado para casa! E para Ségolène foi apontado como uma situação intolerável (já não há respeito pelos idosos que vão buscar os netos à escola..)! Fica a pergunta e se não for um idoso e se não foi buscar o neto à escola, também deverá ser enviado para casa?
- Uma conhecida frase de Le Pen em 1987 sobre as câmaras de gás foi: “Je n'ai pas étudié spécialement la question mais je crois que c'est un point de détail de l'histoire de la Deuxième guerre mondiale”
- Sarkozy ficou conhecido em 2006 enquanto ministro do interior, por ter criado um memorando para os seus representantes distribuírem os formulários necessários para os emigrantes ilegais em França regularizassem a sua situação e fossem entregar toda a documentação nas esquadras da polícia. Foram registados mas de 25 000 processos mas grande parte deles foram recusados porque Sarkozy teria dito que seriam aceites apenas “à volta de 6000” processos. No entanto a polícia ficou com todos os dados pormenorizados dos restantes quase 20 000 emigrantes ilegais em França (incluindo nomes, moradas, escolas que as crianças frequentam, etc.).
- Se acham que os meios de comunicação em Portugal não são independentes vejam estas estatisticas:
Jornais Diários (os dois de maior tiragem a nível nacional)
- 54 % dos leitores do Figaro vota Sarkozy contra apenas 13 % vota Ségolène
- 12 % dos leitores do Libération vota Sarkozy contra apenas 47 % vota Ségolène
Semanais
- 40 % dos leitores do Le Canard enchainé vota Ségolène contra 10 % que vota Sarkozy
- 17 % dos leitores do Le Point vota Ségolène contra 52 % que vota Sarkozy
- Se Ségolène tivesse ganho e cumprisse a sua promessa eleitoral o ordenado mínimo em França subiria para 1500 €
- Sarkozy nasceu em França mas o seu pai é Húngaro e a mãe Francesa de origem Judaica
- Ségolène aos 19 anos processou o seu pai por não se ter divorciado da sua mãe e não lhe ter dado uma pensão de alimentos a ajudas para a educação dos filhos
- A industria automóvel em França vai próspera! Só na noite após as eleições foram queimados mais de 730 viaturas por toda a França
- Felizmente Paris não chegou a ser invadido pelo Banlieue norte mas diria que esteve quase...

sábado, maio 05, 2007

quarta-feira, maio 02, 2007

Newsletter Inov Contacto




"Innovation is hardly an obstacle for companies. Over the years, it has become the foundation of their strategies. Through innovation, a product or service sets itself apart from the competition and sets the stage for growth".



Reconhecida mundialmente por ser uma das empresas que mais aposta na inovação e sendo um empregador de referência, Altran é por si só um mundo a explorar. Actualmente com mais de 17 000 empregados em mais de 20 países, desde a Europa, Ásia, Brasil e Estados Unidos, é uma empresa que passa por um processo de reestruturação gigante e que tive a sorte de estar no meio desse processo. Empenhada em unificar as várias empresas e os processos comuns nos inúmeros escritórios por todo o mundo é também responsável e, na minha opinião, visionária por aproveitar as sinergias da dimensão do grupo e da sua distribuição geográfica sem descurar a flexibilidade e particularidades de cada uma das pequenas empresas com que o grupo foi crescendo(a política expancionária deu-se por aquisições de empresas de excelência nos diversos mercados globais). Actualmente urge a necessidade de melhorar os processos internos, standardizar políticas comuns e aproveitar a base tecnológica que pode ser adoptada pelas várias empresas do grupo para reduzir custos e maximizar a produtividade interna. Sendo uma empresa cuja maior unidade de negócio é a vertente de consultadoria tecnológica é crucial dotar todos os consultores e administrativos das ferramentas correctas e das plataformas que melhorem o processo de gestão de uma empresa cujas línguas, culturas e processos são fortemente heterogéneos. Este binómio entre standardização (facilidade de gestão global) e particularização (flexibilidade empresarial e adaptação a novos ambiente e necessidades) é um dos mais complexos e mais interessantes tópicos desta aventura.
Actualmente encontro-me na equipa de Gestão dos Sistemas de Informação e a minha responsabilidade passa por conhecer em detalhe toda a nova infraestrutura tecnológica que está a ser disponibilizada as empresas do grupo, formar os novos utilizadores, apresentar a nova solução do ponto de vista dos utilizadores, perceber os resultados deste esforço a nível mundial e numa fase posterior pela colaboração no desenvolvimento da nova plataforma de trabalho colaborativo que será um dos pilares da nova solução tecnológica do Grupo Altran.



"If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life, it stays with you, for Paris is a movable feast." - Ernest Hemingway



Não preciso de vos dizer que Paris é uma cidade encantadora, romântica, viva e recheada de eventos pois bastaria lerem um folheto da cidade das luzes para ficarem a saber. Mas posso dizer-vos as pequenas coisas que adoro nesta cidade; os pequenos piqueniques solarengos no parque mesmo ao lado da minha casa, o jogging nocturno pela cidade e parar numas das pontes do Sena para apreciar o cintilar da torre Eiffel, dos franceses sempre com a sua orgulhosa baguette debaixo do braço, dos restaurantes típicos na Cité de Paris onde alguns datam depois de 1680, da soberba vista do topo da torre de MontParnasse, do meu esforço em compreender e falar esta língua que ainda não domino, de ligar o rádio e ouvir alguns dos grandes clássicos franceses, de parar na estação de 7 andares de St. Lazares e ver a correria louca de alguns dos 12 milhões que aqui habitam, de visitar os castelos onde viveram os grandes Reis e Imperadores e compreender a expressão - à grande e à Francesa, de sentir o cheiro a pão quente e croissants logo pela manhã nas inúmeras Pâtisseries e Boulangerie, de testemunhar os pedidos de casamento na Pont des Arts, de visitar as pequenas galerias de arte espalhadas por Montmarte, de sair à noite e saber que vai ser uma loucura conseguir encontrar um táxi para voltar para casa, de perder-me pela cidade e encontrar um novo recanto e um novo pedaço da cidade para descobrir. Não haja dúvidas, Paris irá acompanhar-me para sempre nas minhas memórias.