quinta-feira, janeiro 29, 2004
quarta-feira, janeiro 28, 2004
Quantas vezes se morre em directo
Realmente não sei o que dizer das televisões deste país!
Não basta o exagero da cobertura casapiana, onde numa só peça jornalística a imagem do Sr. Carlos Cruz, a sorrir e a acenar para as câmaras, entre uma carrinha e um portão de garagem, sucedia repetitivamente, pelo menos quatro vezes duma só vez, e mais outras durante o resto da emissão do telejornal. Gravando em nós essas imagens, tal qual lavagem de cérebro.
Agora o coitado do Fehér já morreu nas nossas televisões n de vezes sem conta numa total falta de bom senso e total exagero desses momentos gravados, não existindo meia hora de informação televisiva em que não passe, a já célebre sequência, da dor do jogador e da sua queda para trás.
Passem os golos, os passes, as expressões de vida, e deixem-no morrer nas nossas televisões uma só vez...
Não basta o exagero da cobertura casapiana, onde numa só peça jornalística a imagem do Sr. Carlos Cruz, a sorrir e a acenar para as câmaras, entre uma carrinha e um portão de garagem, sucedia repetitivamente, pelo menos quatro vezes duma só vez, e mais outras durante o resto da emissão do telejornal. Gravando em nós essas imagens, tal qual lavagem de cérebro.
Agora o coitado do Fehér já morreu nas nossas televisões n de vezes sem conta numa total falta de bom senso e total exagero desses momentos gravados, não existindo meia hora de informação televisiva em que não passe, a já célebre sequência, da dor do jogador e da sua queda para trás.
Passem os golos, os passes, as expressões de vida, e deixem-no morrer nas nossas televisões uma só vez...
terça-feira, janeiro 27, 2004
Há cerca de um ano! Há cerca de um mês! Há cerca de um dia! Ontem...
Todos os dias experimentamos novas sensações! Por vezes são genuínas e traduzem vivências nunca anteriormente sentidas. Por outro lado, existem momentos em que as sensações que classificamos como novas, não o são! Sempre andaram por aí, mas só num determinado momento parámos a pensar numa realidade que é diária, que só nos atingiu, num certo espaço, a um dado tempo, fazendo com que aquilo que é comum, se torne um acto isolado, porque parámos para reflectir. Penso que a morte é uma dessas realidades, que todos os dias bate à porta de alguém, de uma forma violenta, de uma forma suave, avisando com antecedência ou então entrando na nossa vida de rompante sem avisar...
Há cerca de um ano, alguém que partilhou vivências comuns comigo, e que por ventura era muitas vezes um exemplo para todos, partiu, e sei que foi a morte que o levou. Na altura escrevi umas linhas que gostava de partilhar convosco, numa altura em que a morte se deu ao desplante de entrar em nossas casas, em directo pela caixinha, que deixou há muito de ser mágica... Penso que reflectem a fragilidade a que a vida está sujeita!
Marense
A luz nasce! Mais um sol na sua rotina! Mais uma aurora, talvez a última! E surgem perguntas: porquê? Porque a felicidade convive com o inferno? Porque os justos conhecem o fogo mais cedo? Porque não mais um nascer, ou simplesmente um pôr do sol? Porque tem aquele de ser o último e não o de amanha? Porque não foi o de ontem?
Como sabemos que é o último luar? A última aurora? O último sol? Como sabemos que é o último fôlego?
Olho para trás e só vejo perguntas, nunca exclamei tanto! É a morte...a escuridão, o fim a dizer que existem! São perguntas sem resposta! A morte não tem resposta, o fim não se explica! Acontece... Ninguém espera! Surge e diz que está cá, sempre a espreitar. Não olha a rostos, nem a corações, nem a razões, só olha à morte... A Morte! Que coisa estranha, que fim bizarro. Um contraste com a vida. Um fim inesperado...
24-3-2003
Há cerca de um ano, alguém que partilhou vivências comuns comigo, e que por ventura era muitas vezes um exemplo para todos, partiu, e sei que foi a morte que o levou. Na altura escrevi umas linhas que gostava de partilhar convosco, numa altura em que a morte se deu ao desplante de entrar em nossas casas, em directo pela caixinha, que deixou há muito de ser mágica... Penso que reflectem a fragilidade a que a vida está sujeita!
Marense
A luz nasce! Mais um sol na sua rotina! Mais uma aurora, talvez a última! E surgem perguntas: porquê? Porque a felicidade convive com o inferno? Porque os justos conhecem o fogo mais cedo? Porque não mais um nascer, ou simplesmente um pôr do sol? Porque tem aquele de ser o último e não o de amanha? Porque não foi o de ontem?
Como sabemos que é o último luar? A última aurora? O último sol? Como sabemos que é o último fôlego?
Olho para trás e só vejo perguntas, nunca exclamei tanto! É a morte...a escuridão, o fim a dizer que existem! São perguntas sem resposta! A morte não tem resposta, o fim não se explica! Acontece... Ninguém espera! Surge e diz que está cá, sempre a espreitar. Não olha a rostos, nem a corações, nem a razões, só olha à morte... A Morte! Que coisa estranha, que fim bizarro. Um contraste com a vida. Um fim inesperado...
24-3-2003
domingo, janeiro 25, 2004
Recordações
Já estava deitado, no entanto não conseguia dormir.
As recordações do tempo do colégio não paravam de surgir, todos aqueles pormenores, aquele turbilhão de emoções por que passamos, todos os bons e maus momentos. Uma miscelânea de sentimentos demasiados fortes para ficar indiferente no meu sono.
Lembro-me de na 1ª quarta-feira em que saímos de estar radiante a jantar com os meus pais e contar-lhes maravilhas daquela nova "casa", de pensar que iriam haver aulas de surf na costa e que podíamos ir praticando no colégio (não sei bem onde, mas...), de lembrar-me que tinha fazer um requisição de electricidade em pó e um fardo do palha para o cavalo. A inocência de outros tempos.
Todo este rodopio de emoções retomam-me inevitavelmente para a récita e para os momentos de alegria que passamos a construir algo nosso. Dos ensaios com o Rui Luís, das noites a escrever textos e fazer slides, do géiser de cerveja do Zé, das noites em Lagos naqueles animados bares ("sempre" com o intuito de começar a construir algo para a Récita...). Ainda nas camaratas, das conversas a meio da noite entre as camas (e sermos apanhados a fazer barulho), daquele som assustador do cântico do Ó-Spelli e King, das camas ao poço, "Vai uma ou vão todas...". Dos assaltos à copa e das corridas loucas para fugir dos oficiais quando se ia para "cavar", da "mocada", das retiradas estratégicas e fulminantes à frente dos cornos do touro na garraiada, do Brasil e das suas praias paradisíacas, dos chás dançantes e da famosa sala de GD, da nossa sala 53, da queima das cábulas, da Natasha toda "boa", dos rambanços e do tiro ensurdecedor do Gustavo, da maneira que o Cilha nos cumprimentava todos os dias de manhã, do toque de alvorada e das apresentações, das almofadadas em que "atacávamos" de surpresa os nossos adversários ainda a dormir, das cerimónias em que tinhas de esperar uma eternidade à espera das entidades, dos desfiles na avenida...
Se há recordação que guardarei para sempre como das mais intensas da minha vida colegial é ouvir o hino nacional nos claustros daquele colégio. Toda aquela vibração a ecoar por todo o meu ser reunida naqueles pilares seculares é uma sensação única e demasiado intensa para conseguir traduzir por palavras.
Ficaria aqui a noite inteira a escrever-vos sobre estas recordações que me rechearam a vida durante uns intensos 8 anos da minha existência. Os tempos passam e com elas vão indo algumas das recordações e dos pormenores que foram preenchendo a minha vida, mas há algo que fica para uma eternidade. Os amigos.
Diz-se que quando se está às portas da morte toda a nossa vida passa como num flash e recordamos todos os bons e maus momentos da nossa existência. Mas basta tu quereres e esse flash acontece. "Toda" a tua vida passa por ti para poderes recordar e reviver esse momentos.
Termino este post como o Tiago disse, é um mundo todo só a acrescentar!
As recordações do tempo do colégio não paravam de surgir, todos aqueles pormenores, aquele turbilhão de emoções por que passamos, todos os bons e maus momentos. Uma miscelânea de sentimentos demasiados fortes para ficar indiferente no meu sono.
Lembro-me de na 1ª quarta-feira em que saímos de estar radiante a jantar com os meus pais e contar-lhes maravilhas daquela nova "casa", de pensar que iriam haver aulas de surf na costa e que podíamos ir praticando no colégio (não sei bem onde, mas...), de lembrar-me que tinha fazer um requisição de electricidade em pó e um fardo do palha para o cavalo. A inocência de outros tempos.
Todo este rodopio de emoções retomam-me inevitavelmente para a récita e para os momentos de alegria que passamos a construir algo nosso. Dos ensaios com o Rui Luís, das noites a escrever textos e fazer slides, do géiser de cerveja do Zé, das noites em Lagos naqueles animados bares ("sempre" com o intuito de começar a construir algo para a Récita...). Ainda nas camaratas, das conversas a meio da noite entre as camas (e sermos apanhados a fazer barulho), daquele som assustador do cântico do Ó-Spelli e King, das camas ao poço, "Vai uma ou vão todas...". Dos assaltos à copa e das corridas loucas para fugir dos oficiais quando se ia para "cavar", da "mocada", das retiradas estratégicas e fulminantes à frente dos cornos do touro na garraiada, do Brasil e das suas praias paradisíacas, dos chás dançantes e da famosa sala de GD, da nossa sala 53, da queima das cábulas, da Natasha toda "boa", dos rambanços e do tiro ensurdecedor do Gustavo, da maneira que o Cilha nos cumprimentava todos os dias de manhã, do toque de alvorada e das apresentações, das almofadadas em que "atacávamos" de surpresa os nossos adversários ainda a dormir, das cerimónias em que tinhas de esperar uma eternidade à espera das entidades, dos desfiles na avenida...
Se há recordação que guardarei para sempre como das mais intensas da minha vida colegial é ouvir o hino nacional nos claustros daquele colégio. Toda aquela vibração a ecoar por todo o meu ser reunida naqueles pilares seculares é uma sensação única e demasiado intensa para conseguir traduzir por palavras.
Ficaria aqui a noite inteira a escrever-vos sobre estas recordações que me rechearam a vida durante uns intensos 8 anos da minha existência. Os tempos passam e com elas vão indo algumas das recordações e dos pormenores que foram preenchendo a minha vida, mas há algo que fica para uma eternidade. Os amigos.
Diz-se que quando se está às portas da morte toda a nossa vida passa como num flash e recordamos todos os bons e maus momentos da nossa existência. Mas basta tu quereres e esse flash acontece. "Toda" a tua vida passa por ti para poderes recordar e reviver esse momentos.
Termino este post como o Tiago disse, é um mundo todo só a acrescentar!
Não resisto a me lembrar
Das coisas que nos lembramos são tão insignificantes aquelas que nos fazem mais recordar.
Pequenos nadas que compõem e tornam única a nossa memória.
O nada de ver uma caixinha de requisições, uma inscrição para o jantar de quarta, um quadro de punições, um autocolismo com fio para puxar, um ranger metálico de armário, um arrastar de botas, um limpar com duraglit, um cheiro de uma rossete-lar a estrear, um ardor de elmex gel, um estica os dedos e levanta a cabeça, um vai para o chão, um está a acordar, um calisto, um esconder a cabeça na tábua de uma carteira, um primeiros na sobremessa, um bater de janelas, um repentino acender de luzes, um arrambar, um toque de clarim para correr e formar...
Enfim, é um mundo todo só a acrescentar!
Pequenos nadas que compõem e tornam única a nossa memória.
O nada de ver uma caixinha de requisições, uma inscrição para o jantar de quarta, um quadro de punições, um autocolismo com fio para puxar, um ranger metálico de armário, um arrastar de botas, um limpar com duraglit, um cheiro de uma rossete-lar a estrear, um ardor de elmex gel, um estica os dedos e levanta a cabeça, um vai para o chão, um está a acordar, um calisto, um esconder a cabeça na tábua de uma carteira, um primeiros na sobremessa, um bater de janelas, um repentino acender de luzes, um arrambar, um toque de clarim para correr e formar...
Enfim, é um mundo todo só a acrescentar!
sábado, janeiro 24, 2004
sexta-feira, janeiro 23, 2004
O timing de um salto (2) com a reflexão de uma viagem...
Acabo de chegar de uma viagem no tempo! De há quatro anos para cá repito esta viagem ocasionalmente, deixo a realidade que considero de todos e entro numa outra que só um grupo, a meu ver de privilegiados, viveu. Do tempo distante que lá vai, oito anos intensos, digo hoje com orgulho, que é um passado que deixa marcas no presente e continuará a faze-lo no futuro. Há no entanto uma diferença entre o dia que vivi ontem e o que vou viver amanha. Hoje, após mais uma Récita do 7º, senti que o espirito ainda lá anda à solta, e que o vento sopra com força. Posso assim continuar em frente, com mais certeza que no futuro alguém continuará a ser visto como diferente (leia-se que não digo melhor ou pior, apenas diferente, todos o somos afinal), tendo em si a marca indelével de uma casa, que será para sempre a “nossa”(vocês sabem quem são).
Após reflectir e abrigar esta certeza em mim, voltei ao meu dia a dia, e reencontrei a convicção com que procuro acordar todos os dias: temos de saborear cada momento desta intensa vida (ás vezes esquecemo-nos e tu que estás a ler sabe-lo, ainda ontem o disseste).
O Tiago diz que andamos presos a um ritmo que nos é imposto: queremos satisfazer os pais; acompanhar os amigos; cumprir objectivos que impomos a nós próprios, ás vezes, sem percebermos porquê; correr, pois parece que hoje não se sabe esperar, ou simplesmente parar. No seio desta intensidade diária, cada um escolhe o seu caminho. Uns escolhem claramente cumprir o estipulado pela sociedade a todo o custo, outros sem saber porque, adicionam novas metas, procuram descobrir-se, percorrendo um caminho diferente. É uma questão de opções, que cada um tem de fazer, sendo certo que a razão acompanha ambos.
As sensações que o Tiago descreveu no último post são me comuns e nascem da vontade de sentir a tal “realização pessoal”, de tentarmos descobrir os tais outros caminhos. Esta crise existencial a que te referes suscita-me uma pergunta: ando a cumprir o prazo e a fazê-lo bem? A escolha acertada que também partilho contigo. Sei que no meio de tanta coisa ando a fazê-lo dentro do prazo, e vou fazendo-o bem, mas sei que o poderia fazer melhor, pelo menos numa parte. É uma questão de opções, as tais que levam à concretização pessoal e que originam essa angustia de saber que podia fazer melhor, mas que ao mesmo tempo te dão a sensação de estares a cumprir, a superar o que deverias cumprir, a concluir que podes fazer melhor, basta optares(não se esqueçam), a viver e a gozar cada instante. Ás vezes não nos apercebemos é deste gozo, tal é a intensidade, e isso sim custa...
Após reflectir e abrigar esta certeza em mim, voltei ao meu dia a dia, e reencontrei a convicção com que procuro acordar todos os dias: temos de saborear cada momento desta intensa vida (ás vezes esquecemo-nos e tu que estás a ler sabe-lo, ainda ontem o disseste).
O Tiago diz que andamos presos a um ritmo que nos é imposto: queremos satisfazer os pais; acompanhar os amigos; cumprir objectivos que impomos a nós próprios, ás vezes, sem percebermos porquê; correr, pois parece que hoje não se sabe esperar, ou simplesmente parar. No seio desta intensidade diária, cada um escolhe o seu caminho. Uns escolhem claramente cumprir o estipulado pela sociedade a todo o custo, outros sem saber porque, adicionam novas metas, procuram descobrir-se, percorrendo um caminho diferente. É uma questão de opções, que cada um tem de fazer, sendo certo que a razão acompanha ambos.
As sensações que o Tiago descreveu no último post são me comuns e nascem da vontade de sentir a tal “realização pessoal”, de tentarmos descobrir os tais outros caminhos. Esta crise existencial a que te referes suscita-me uma pergunta: ando a cumprir o prazo e a fazê-lo bem? A escolha acertada que também partilho contigo. Sei que no meio de tanta coisa ando a fazê-lo dentro do prazo, e vou fazendo-o bem, mas sei que o poderia fazer melhor, pelo menos numa parte. É uma questão de opções, as tais que levam à concretização pessoal e que originam essa angustia de saber que podia fazer melhor, mas que ao mesmo tempo te dão a sensação de estares a cumprir, a superar o que deverias cumprir, a concluir que podes fazer melhor, basta optares(não se esqueçam), a viver e a gozar cada instante. Ás vezes não nos apercebemos é deste gozo, tal é a intensidade, e isso sim custa...
quinta-feira, janeiro 22, 2004
O timing de um salto
Desde pequenos começamos no infantário a acompanhar um grupo hermêutico da nossa idade, por volta dos 6 estamos todos na 1.ª classe, aos 10 entramos no 5.º ano, aos 12 no 7.º ano e aos 18 é nos pedido que entremos na faculdade. É óbvio que generalizo muito, mas o que quero frissar é que é inegável o facto de sermos forçados a acompanhar este grupo, que inevitávelmente será, em muitos dos casos, de amigos, numa caminhada de desenvolvimento pessoal.
Essa pressão (talvez seja um termo exagerado que retiro), essa motivação é também sem qualquer dúvida benéfica e do melhor que pode existir numa época da vida em que tendencialmente ainda não conseguimos impor a nós próprios metas e objectivos, em que literalmente poderemos dizer que "não sabemos o que queremos fazer da vida".
Mas chegará também uma altura em que os conceitos, parâmetros, estandartizações e objectivos se baralham de tal forma dentro do nosso espírito (quantas vezes erradamente e fora do tempo) que surge-nos aquele tipo de ideias "eu já não preciso de seguir a mesma caminhada que os outros" ou "porque é que ainda tem de existir um prazo para tudo" - uma emancipação pessoal, real ou não, que faz com tentemos a nossa tarde e iniciemos um percurso que, mais cedo ou mais tarde, será autónomo, "livre" (ou não), resumindo - pessoal.
A questão está porém em saber quando dar o salto, descobrir o timing certo desse momento (que penso que não será igual para toda a gente), não adiantar o processo evolutivo ou até mesmo atrasar poderá constituir um dilema para muitos dos conscientes ou inconscientes.
E é neste momento que atravesso que me surgem estas dúvidas... Já não posso dizer que "não sei o que quero fazer da vida" tenho de saber o que vou realmente fazer da vida. Da negação de um futuro que estava longe nascem as perguntas daquilo que é já agora.
Escrevo isto e aparece-me aquela imagem daquelas grandes manadas de gado a ser recolhida do pasto, metem-nos num corredor largo que se vai estreitando até passar só um de cada vez, depois numa encruzilhada abrem só a porta do grupo a que o animal pertence procedendo á sua selecção, enfim nada que interesse...
O que quero dizer e o que me motivou este post foi a breve (espero eu) passagem de uma crise existencial estúpida provocada pelo estudo para os exames (aqueles pensamentos que surgem quando as ideias fogem-nos para outras paragens que não as letras em que nos concentramos). Tenho cinco anos para fazer o curso, idealmente deveria fazê-lo naquele tempo e bem feito, mas como dizem os economistas "os recursos são inevitávelmente limitados" e a minha participação noutras actividades do tipo extra-curricular não tem proporcionado tempo para tudo, entre o fazer dentro do prazo e o fazer bem acho que a escolha acertada é fazê-lo bem e saber do que faço independentemente do tempo que demore (nada de exageros também), e assim tenho feito... Tenho uma média boa mas algumas cadeiras em atraso e o facto de o meu inconsciênte anida estar condicionado ao cumprimento do prazo do curso deixa-me algo angustiado.
Teremos de apostar na nossa realização pessoal só depois de concluir um curso? Custará muito evoluir pessoalmente através de actividades que não as de um curso e que já farão parte do nosso currículo pessoal, daquilo que diremos que "já fizemos" ou "já fomos", prejudicando contudo um prazo que nos é imposto não o farei em cinco mas em seis? Não mas custa...
quarta-feira, janeiro 21, 2004
Como combater o stress
Para o pessoal que está em exames e que precisa de descontrair, aqui ficam umas dicas do que podes fazer no elevador para passar o tempo:
1. Assoa-te e oferece-te para mostrar o conteúdo do lenço aos outros passageiros.
2. Com uma expressão de dor, dá palmadas na testa e vai murmurando: "Calem-se, todos vocês! Calem-se!"
3. Assobia continuamente as primeiras oito notas do "Assejere" sem parar.
4. Abre uma nesga da tua mala ou carteira e, enquanto espreitas lá para dentro, pergunta "Têm ar suficiente aí dentro?"
5. Oferece etiquetas com nomes a quem entrar no elevador. Usa a tua virada de pernas para o ar.
6. Mantém-te quieto e em silêncio no canto do elevador, virado para a parede, sem sair em nenhum andar.
7. Ao chegar ao teu andar, tenta abrir as portas com as mãos, rangendo os dentes e gemendo com o esforço, e de seguida age embaraçado quando elas se abrirem sozinhas.
8. Inclina-te para os outros passageiros e sussurra: "Aí vem a patrulha dos macacos!"
9. Cumprimenta toda a gente que entrar no elevador com um caloroso aperto de mão e pede-lhes para te tratarem por Almirante.
10. No piso mais alto, mantém a porta do elevador aberta e exige para que permaneça assim até tu ouvires a moeda que deixaste cair pelo poço do elevador bater no chão.
11. Olha fixamente os outros passageiros com um sorriso de orelha a orelha e depois anuncia: "Tenho meias novas!"
12. Quando pelo menos oito pessoas tiverem entrado no elevador, geme lá de trás "Oh não, raio de altura para ficar enjoado!"
13. Mia ocasionalmente.
14. Faz apostas com os outros passageiros em como consegues enfiar uma moeda de 10 cêntimos no teu nariz.
15. Mantém as pernas juntas enquanto vais dizendo "Tenho de ir, tenho de ir?" e depois suspira e diz "Ooops!".
16. Mostra uma ferida aos outros passageiros e pergunta se parece infectada.
17. Grita "Cá vamos nós!" sempre que o elevador descer.
18. Leva contigo uma caixa térmica com um autocolante a dizer "Cabeça Humana".
19. Observa fixamente um outro passageiro e diz "Tu és um DELES!" e refugia-te no canto mais afastado do elevador.
20. Arrota e diz "Hmmmm? Delicioso!"
21. Usa um fantoche na tua mão e fala com os outros passageiros "através" dele.
22. Quando o elevador estiver silencioso, olha em volta e pergunta "De quem é o telemóvel que está a tocar?"
23. Diz "Ding!" em cada andar que o elevador parar.
24. Pergunta "O que é que isto faz?" e carrega no botão vermelho.
25. Ouve as paredes do elevador com um estetoscópio
26. Desenha um pequeno quadrado no chão à tua volta com giz e explica aos outros passageiros que isto é o teu "espaçozinho pessoal".
27. Dá uma dentada numa sanduiche e pergunta a outro passageiro "Queresh ver o que enho na inha oca?"
28. Diz numa voz demoníaca: "Preciso de encontrar um corpo mais apropriado."
29. Faz barulhos de explosões sempre que alguém carregar num botão.
30. Usa óculos de Raios-X e olha sugestivamente para os outros passageiros.
1. Assoa-te e oferece-te para mostrar o conteúdo do lenço aos outros passageiros.
2. Com uma expressão de dor, dá palmadas na testa e vai murmurando: "Calem-se, todos vocês! Calem-se!"
3. Assobia continuamente as primeiras oito notas do "Assejere" sem parar.
4. Abre uma nesga da tua mala ou carteira e, enquanto espreitas lá para dentro, pergunta "Têm ar suficiente aí dentro?"
5. Oferece etiquetas com nomes a quem entrar no elevador. Usa a tua virada de pernas para o ar.
6. Mantém-te quieto e em silêncio no canto do elevador, virado para a parede, sem sair em nenhum andar.
7. Ao chegar ao teu andar, tenta abrir as portas com as mãos, rangendo os dentes e gemendo com o esforço, e de seguida age embaraçado quando elas se abrirem sozinhas.
8. Inclina-te para os outros passageiros e sussurra: "Aí vem a patrulha dos macacos!"
9. Cumprimenta toda a gente que entrar no elevador com um caloroso aperto de mão e pede-lhes para te tratarem por Almirante.
10. No piso mais alto, mantém a porta do elevador aberta e exige para que permaneça assim até tu ouvires a moeda que deixaste cair pelo poço do elevador bater no chão.
11. Olha fixamente os outros passageiros com um sorriso de orelha a orelha e depois anuncia: "Tenho meias novas!"
12. Quando pelo menos oito pessoas tiverem entrado no elevador, geme lá de trás "Oh não, raio de altura para ficar enjoado!"
13. Mia ocasionalmente.
14. Faz apostas com os outros passageiros em como consegues enfiar uma moeda de 10 cêntimos no teu nariz.
15. Mantém as pernas juntas enquanto vais dizendo "Tenho de ir, tenho de ir?" e depois suspira e diz "Ooops!".
16. Mostra uma ferida aos outros passageiros e pergunta se parece infectada.
17. Grita "Cá vamos nós!" sempre que o elevador descer.
18. Leva contigo uma caixa térmica com um autocolante a dizer "Cabeça Humana".
19. Observa fixamente um outro passageiro e diz "Tu és um DELES!" e refugia-te no canto mais afastado do elevador.
20. Arrota e diz "Hmmmm? Delicioso!"
21. Usa um fantoche na tua mão e fala com os outros passageiros "através" dele.
22. Quando o elevador estiver silencioso, olha em volta e pergunta "De quem é o telemóvel que está a tocar?"
23. Diz "Ding!" em cada andar que o elevador parar.
24. Pergunta "O que é que isto faz?" e carrega no botão vermelho.
25. Ouve as paredes do elevador com um estetoscópio
26. Desenha um pequeno quadrado no chão à tua volta com giz e explica aos outros passageiros que isto é o teu "espaçozinho pessoal".
27. Dá uma dentada numa sanduiche e pergunta a outro passageiro "Queresh ver o que enho na inha oca?"
28. Diz numa voz demoníaca: "Preciso de encontrar um corpo mais apropriado."
29. Faz barulhos de explosões sempre que alguém carregar num botão.
30. Usa óculos de Raios-X e olha sugestivamente para os outros passageiros.
Queixa das almas jovens censuradas
Já que estamos numa troca de poesia e dado não ter nada de novo para escrever, devido ao epicentro de estudo e exames onde me encontro, fica também a minha sugestão com o testemunho de Natália Correia (aquela açoriana).
Recomendo, igualmente, que ouçam a música elaborada por José Mário Branco (aquele comuna) para este poema - uma das melhores músicas que com certeza já ouvi, a par com outras como a Pedra Filosofal, de José Freire e António Gedeão (enfim, músicas do tempo em que os poetas andavam ao lado dos músicos).
Embora se possa dizer que seja uma poesia de Abril penso, como alguns, que ainda mantém a sua actualidade pois ainda nos "dão-nos um mapa imaginário, que tem a forma duma cidade, mais um relógio e um calendário, onde não vem a nossa idade"...
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.
Natália Correia - Poesia Completa
Recomendo, igualmente, que ouçam a música elaborada por José Mário Branco (aquele comuna) para este poema - uma das melhores músicas que com certeza já ouvi, a par com outras como a Pedra Filosofal, de José Freire e António Gedeão (enfim, músicas do tempo em que os poetas andavam ao lado dos músicos).
Embora se possa dizer que seja uma poesia de Abril penso, como alguns, que ainda mantém a sua actualidade pois ainda nos "dão-nos um mapa imaginário, que tem a forma duma cidade, mais um relógio e um calendário, onde não vem a nossa idade"...
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.
Natália Correia - Poesia Completa
terça-feira, janeiro 20, 2004
20 anos após a sua morte - Canções que emanam vida, vida descrita em palavras.
A palavra imortalizar é para alguns apenas uma miragem, para outros, uma certeza! Ary dos Santos é com certeza detentor da imortalidade, esse título que não se alcança definindo-o como tal, que não se alcança por se querer alcançar!
Um poeta, um boémio, um comunista até à beira da morte, um Homem apaixonando pela vida, que fez dela o que entendeu até ao último minuto, sem olhar a consequências.
Defeitos e virtudes, mas sobretudo um português convicto, que deixou os pormenores da vida que todos sentem, mas poucos descrevem, em forma de canção. Canções que emanam vida, vida descrita em palavras.
Quem não conhece: “Poeta castrado, não”; “Desfolhada”; “Os putos”; “Cavalo à Solta”... pois é, todos conhecemos e todos estes temas têm a mão deste português de nome Ary dos Santos.
Aqui ficam as minhas preferidas, que descrevem duas das coisas que nos dão razão de viver: o Amor em Cavalos à solta e os putos nos Putos.
Cavalo à solta
Minha laranja amarga e doce/ meu poema/ feito de gomos de saudade/ minha pena/ pesada e leve/ secreta e pura/ minha passagem para o breve breve/ instante da loucura.
Minha ousadia/ meu galope/ minha rédea/ meu potro doido/ minha chama/ minha réstia/ de luz intensa/ de voz aberta/ minha denúncia do que pensa/ do que sente a gente certa.
Em ti respiro/ em ti eu provo/ por ti consigo/ esta força que de novo/ em ti persigo/ em ti percorro/ cavalo à solta/ pela margem do teu corpo.
Minha alegria/ minha amargura/ minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo/ canção castigo/ amêndoa travo corpo alma amante amigo/ por isso canto/ por isso digo/ alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio/ minha aventura/ minha coragem de correr contra a ternura.
Os putos
Uma bola de pano, num charco/ Um sorriso traquina, um chuto/ Na ladeira a correr, um arco/ O céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperança/ Um pardal de calções, astuto/ E a força de ser criança/ Contra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à solta/ Os putos, os putos/ São como índios, capitães da malta/ Os putos, os putos/ Mas quando a tarde cai/ Vai-se a revolta/ Sentam-se ao colo do pai/ É a ternura que volta/ E ouvem-no a falar do homem novo/ São os putos deste povo/ A aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mão/ A vontade que salta ao eixo/ Um puto que diz que não/ Se a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escola/ Um pião na algibeira sem cor/ Um puto que pede esmola/ Porque a fome lhe abafa a dor.
Um poeta, um boémio, um comunista até à beira da morte, um Homem apaixonando pela vida, que fez dela o que entendeu até ao último minuto, sem olhar a consequências.
Defeitos e virtudes, mas sobretudo um português convicto, que deixou os pormenores da vida que todos sentem, mas poucos descrevem, em forma de canção. Canções que emanam vida, vida descrita em palavras.
Quem não conhece: “Poeta castrado, não”; “Desfolhada”; “Os putos”; “Cavalo à Solta”... pois é, todos conhecemos e todos estes temas têm a mão deste português de nome Ary dos Santos.
Aqui ficam as minhas preferidas, que descrevem duas das coisas que nos dão razão de viver: o Amor em Cavalos à solta e os putos nos Putos.
Cavalo à solta
Minha laranja amarga e doce/ meu poema/ feito de gomos de saudade/ minha pena/ pesada e leve/ secreta e pura/ minha passagem para o breve breve/ instante da loucura.
Minha ousadia/ meu galope/ minha rédea/ meu potro doido/ minha chama/ minha réstia/ de luz intensa/ de voz aberta/ minha denúncia do que pensa/ do que sente a gente certa.
Em ti respiro/ em ti eu provo/ por ti consigo/ esta força que de novo/ em ti persigo/ em ti percorro/ cavalo à solta/ pela margem do teu corpo.
Minha alegria/ minha amargura/ minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo/ canção castigo/ amêndoa travo corpo alma amante amigo/ por isso canto/ por isso digo/ alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio/ minha aventura/ minha coragem de correr contra a ternura.
Os putos
Uma bola de pano, num charco/ Um sorriso traquina, um chuto/ Na ladeira a correr, um arco/ O céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperança/ Um pardal de calções, astuto/ E a força de ser criança/ Contra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à solta/ Os putos, os putos/ São como índios, capitães da malta/ Os putos, os putos/ Mas quando a tarde cai/ Vai-se a revolta/ Sentam-se ao colo do pai/ É a ternura que volta/ E ouvem-no a falar do homem novo/ São os putos deste povo/ A aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mão/ A vontade que salta ao eixo/ Um puto que diz que não/ Se a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escola/ Um pião na algibeira sem cor/ Um puto que pede esmola/ Porque a fome lhe abafa a dor.
segunda-feira, janeiro 19, 2004
Beijos
«Beijar!, linda palavra!... Um verbo regular
Que é muito irregular
Nos tempos e nos modos
Conheço tanto beijo e tão dif´rentes todos!...
Um beijo pode ser amor ou amizade
Ou mera cortesia,
E muita vez até, dizê-lo é crueldade,
É só hipocrisia.
O doce beijo de mãe
É o mais nobre dos beijos,
Não é beijo de desejos,
Valor maior ele tem:
É o beijo cuja fragância
Nos faz secar na infância
Muita lágrima...feliz;
Na vida esse beijo puro
É o refúgio seguro
Onde é f´lizo infeliz.
Um beijo d´amor é delicioso instante
Que vale muito mais do que um milhão de vidas,
É bálsamo que sara as mais cruéis feridas,
É turbilhão de fogo, é espasmo delirante!
Não é um beijo puro. É beijo estonteante,
Pecado que abre o céu às almas doloridas.
Ah! Como é bom pecar coas bocas confundidas
Num desejo brutal de carne palpitante!
Os lábios sensuais duma mulher amada
Dão vida e dão calor. É vida desgraçada
A do feliz que nunca um beijo neles deu;
É vida venturosa a vida de tortura
Daquele que coa boca unida à boca impura
Da sua amante qu´rida, amou, penou, morreu.
Desejava terminar
A beijar a minha amada,
Mas como não tenho amada,
Vossência é que vai pagar...
Não se zangue. A sua face
Consinta que eu vá beijar...
... ...........(atira-lhe um beijo)
Um beijo pede-se e dá-se,
Não vale a pena corar...»
Mário de Sá-Carneiro
Fevereiro de 1910
Que é muito irregular
Nos tempos e nos modos
Conheço tanto beijo e tão dif´rentes todos!...
Um beijo pode ser amor ou amizade
Ou mera cortesia,
E muita vez até, dizê-lo é crueldade,
É só hipocrisia.
O doce beijo de mãe
É o mais nobre dos beijos,
Não é beijo de desejos,
Valor maior ele tem:
É o beijo cuja fragância
Nos faz secar na infância
Muita lágrima...feliz;
Na vida esse beijo puro
É o refúgio seguro
Onde é f´lizo infeliz.
Um beijo d´amor é delicioso instante
Que vale muito mais do que um milhão de vidas,
É bálsamo que sara as mais cruéis feridas,
É turbilhão de fogo, é espasmo delirante!
Não é um beijo puro. É beijo estonteante,
Pecado que abre o céu às almas doloridas.
Ah! Como é bom pecar coas bocas confundidas
Num desejo brutal de carne palpitante!
Os lábios sensuais duma mulher amada
Dão vida e dão calor. É vida desgraçada
A do feliz que nunca um beijo neles deu;
É vida venturosa a vida de tortura
Daquele que coa boca unida à boca impura
Da sua amante qu´rida, amou, penou, morreu.
Desejava terminar
A beijar a minha amada,
Mas como não tenho amada,
Vossência é que vai pagar...
Não se zangue. A sua face
Consinta que eu vá beijar...
... ...........(atira-lhe um beijo)
Um beijo pede-se e dá-se,
Não vale a pena corar...»
Mário de Sá-Carneiro
Fevereiro de 1910
sexta-feira, janeiro 16, 2004
Preto e Branco
Nesta artigo gostaria dos vos deixar alguma das fotos que fui recolhendo pela internet. São imensas e bastante difíceis por onde escolher.
Infelizmente não sei quem são os autores, mas aqui ficam elas.
Infelizmente não sei quem são os autores, mas aqui ficam elas.
Sem comentários...
Hoje deu-se uma mudança.
Uma mudança de atitude em relação a nós para com os nossos leitores. Também vôces já têm o dom da palavra.
Já podem criticar, aplaudir, dizer mal, deixar mensagens, enfim digam de vossa justiça.
O sistema de comentários já está no ar e a funcionar. A bola também já está do vosso lado.
Não fiquem calados, comentem!
Uma mudança de atitude em relação a nós para com os nossos leitores. Também vôces já têm o dom da palavra.
Já podem criticar, aplaudir, dizer mal, deixar mensagens, enfim digam de vossa justiça.
O sistema de comentários já está no ar e a funcionar. A bola também já está do vosso lado.
Não fiquem calados, comentem!
domingo, janeiro 11, 2004
Eu acredito e tu?
Estarei eu sozinho neste mundo?
Será que não existe mais ninguém neste mundo que acredite na palavra confiança?
Estarei eu a divagar e a imaginar tal conceito perdido nas brumas da nossa memória, ou será apenas uma palavra que ainda persiste nos tempos e continua solenemente a chatear-nos por ainda se encontrar no dicionário?
Eu acredito num mundo em que posso confiar na palavra de uma pessoa. Que posso confiar nos outros. É esse mundo que tento construir todos os dias mas teima em não chegar. Todos os dias penso que estou cada vez mais perto, e que esse dia chegará.
Mas ainda não será hoje...
É neste momentos que eu me sinto deslocado. Não consigo compreender o porquê. Será que a essência humana ainda tem tanto de crueldade e instinto individualista que com tantos anos de evolução apenas conseguimos "mascarar" isso? Será que quando confrontados em situações com algo mais difícil do que a vulgaridade do dia-a-dia tudo vem ao de cima? Teremos nós uma mascara que apenas esconde esses podres interiores? Seremos nos tão primitivos em princípios que não saibamos comportar-nos em sociedade e em grupo? Em que causas acreditamos que nos fazem lutar por elas? Será a amizade uma delas? O amor? A confiança?
Eu continuo a acreditar e tu? Acreditas?
Como alguém disse:
"Até tu, Brutus..."
Será que não existe mais ninguém neste mundo que acredite na palavra confiança?
Estarei eu a divagar e a imaginar tal conceito perdido nas brumas da nossa memória, ou será apenas uma palavra que ainda persiste nos tempos e continua solenemente a chatear-nos por ainda se encontrar no dicionário?
Eu acredito num mundo em que posso confiar na palavra de uma pessoa. Que posso confiar nos outros. É esse mundo que tento construir todos os dias mas teima em não chegar. Todos os dias penso que estou cada vez mais perto, e que esse dia chegará.
Mas ainda não será hoje...
É neste momentos que eu me sinto deslocado. Não consigo compreender o porquê. Será que a essência humana ainda tem tanto de crueldade e instinto individualista que com tantos anos de evolução apenas conseguimos "mascarar" isso? Será que quando confrontados em situações com algo mais difícil do que a vulgaridade do dia-a-dia tudo vem ao de cima? Teremos nós uma mascara que apenas esconde esses podres interiores? Seremos nos tão primitivos em princípios que não saibamos comportar-nos em sociedade e em grupo? Em que causas acreditamos que nos fazem lutar por elas? Será a amizade uma delas? O amor? A confiança?
Eu continuo a acreditar e tu? Acreditas?
Como alguém disse:
"Até tu, Brutus..."
quinta-feira, janeiro 08, 2004
Natal todos os dias!
Vai com uns dias de atraso, mas os computadores pregam, partidas.
Já lá vai o dia 25 de Dezembro de 2003! Tenho passeado nas ruas de Lisboa e parece que já ninguém se lembra que é Natal... Sim eu sei que o Natal devia ser todos os dias, mas isso não acontece, por isso só o peço a preceito nesta quadra. Continuando! Os enfeites permanecem, as ruas incandescentes cheias de estrelas, cheias dos anjos mensageiros, ou com simples rastos luminosos, permanecem ainda a enfeitar Lisboa. A cidade brilha à noite, afinal é Natal. Direi mesmo que ainda cheira à fobia das compras, agora com promoções. E é exactamente neste ponto que reside toda a ironia desta quadra.
Diziam os meus avós pelo Natal: André aqui vai uma lembrançazinha! Eu sempre pensei, que aquilo que me estavam a dar era dado com amor, por isso sorri quando vi o serrote. Por isso sorrio quando a minha avó vem a correr até ao carro quando estou prestes a sair para Lisboa e ela me põe no bolso 25cêntimos e diz - “é para o café”. Não imaginando ela, que com sorte compro um café pelo dobro do preço. No entanto o sorriso permanece lá! Afinal foi com amor, afinal aquele gesto da mão rugosa a acariciar-me a cara não tem com toda a certeza um preço... A diferença está aqui! Os meus avós conseguem dar, pela razão que o Natal supõe. Durante todo ano o fazem e nesta altura, especialmente, o fazem: a mim com o serrote; ao bêbado da terra (todas as terras tem um) com uma refeição quente no dia 25 de Dezembro; aos necessitados com roupas. Cada qual à sua maneira tem o seu gesto! Mas esqueçam tudo isto, porque afinal eu estou em Lisboa e já no dia 2 de Janeiro!
O Natal já lá vai, mesmo aquele das prendas por favor, porque senão a Tia Dora vai achar mal! Mesmo aquele em que o Joãozinho foi a mando da Tia Augusta dar o troco do Peru recheado com ameixas que acabaram de comer no restaurante ao pobre – “Filho hoje é Natal, temos de dar uma refeiçãozinha ao pobre, toma 20 cêntimos” – seguidamente segue com a família para o seu BMW com a consciência limpa, afinal os 20 cêntimos pagam o belo do bacalhau com natas...
Estava aqui a pensar para os meus botões, afinal de contas, o Natal é bem capaz de ser todos os dias. Vejamos! No próximo mês quem comprou a prenda da Tia Augusta, vai se queixar todos os dias do preço, da mesma forma que se queixa quando na esquina ao sair do metro um assaltante lhe levou a carteira. Daqui a uma semana a Tia Dora deixa cair 20 cêntimos no chão, mas azares dos azares, está sozinha e a humidade não a deixa debruçar-se, parece que vão ficar por aí - Sr. Taxista sff pare!!!
Afinal estes episódios, parecidos ou não, repetem-se durante todo o ano!
Pois é quem disse que o Natal não é todos os dias!
Já lá vai o dia 25 de Dezembro de 2003! Tenho passeado nas ruas de Lisboa e parece que já ninguém se lembra que é Natal... Sim eu sei que o Natal devia ser todos os dias, mas isso não acontece, por isso só o peço a preceito nesta quadra. Continuando! Os enfeites permanecem, as ruas incandescentes cheias de estrelas, cheias dos anjos mensageiros, ou com simples rastos luminosos, permanecem ainda a enfeitar Lisboa. A cidade brilha à noite, afinal é Natal. Direi mesmo que ainda cheira à fobia das compras, agora com promoções. E é exactamente neste ponto que reside toda a ironia desta quadra.
Diziam os meus avós pelo Natal: André aqui vai uma lembrançazinha! Eu sempre pensei, que aquilo que me estavam a dar era dado com amor, por isso sorri quando vi o serrote. Por isso sorrio quando a minha avó vem a correr até ao carro quando estou prestes a sair para Lisboa e ela me põe no bolso 25cêntimos e diz - “é para o café”. Não imaginando ela, que com sorte compro um café pelo dobro do preço. No entanto o sorriso permanece lá! Afinal foi com amor, afinal aquele gesto da mão rugosa a acariciar-me a cara não tem com toda a certeza um preço... A diferença está aqui! Os meus avós conseguem dar, pela razão que o Natal supõe. Durante todo ano o fazem e nesta altura, especialmente, o fazem: a mim com o serrote; ao bêbado da terra (todas as terras tem um) com uma refeição quente no dia 25 de Dezembro; aos necessitados com roupas. Cada qual à sua maneira tem o seu gesto! Mas esqueçam tudo isto, porque afinal eu estou em Lisboa e já no dia 2 de Janeiro!
O Natal já lá vai, mesmo aquele das prendas por favor, porque senão a Tia Dora vai achar mal! Mesmo aquele em que o Joãozinho foi a mando da Tia Augusta dar o troco do Peru recheado com ameixas que acabaram de comer no restaurante ao pobre – “Filho hoje é Natal, temos de dar uma refeiçãozinha ao pobre, toma 20 cêntimos” – seguidamente segue com a família para o seu BMW com a consciência limpa, afinal os 20 cêntimos pagam o belo do bacalhau com natas...
Estava aqui a pensar para os meus botões, afinal de contas, o Natal é bem capaz de ser todos os dias. Vejamos! No próximo mês quem comprou a prenda da Tia Augusta, vai se queixar todos os dias do preço, da mesma forma que se queixa quando na esquina ao sair do metro um assaltante lhe levou a carteira. Daqui a uma semana a Tia Dora deixa cair 20 cêntimos no chão, mas azares dos azares, está sozinha e a humidade não a deixa debruçar-se, parece que vão ficar por aí - Sr. Taxista sff pare!!!
Afinal estes episódios, parecidos ou não, repetem-se durante todo o ano!
Pois é quem disse que o Natal não é todos os dias!
terça-feira, janeiro 06, 2004
Ainda o pior de 2003
Mesmo estando nós já em 2004, e não devendo arrastar o saco do passado para o ano que começamos, foi mais forte do que eu mas tive de publicar a fotografia que conseguiu e consegue resumir todo o pior de 2003, desde o campo nacional ao internacional, tocando ao de leve no desemprego em Portugal e na Guerra no Iraque e arrancando para a página da história duas personagens de lamentar.
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