sábado, março 20, 2004

A responsabilidade

Os últimos anos têm sido ricos em novas experiências. Digamos que a Faculdade está a superar as minhas expectativas, as vivências, a AE, e arrisco me a dizer a própria faculdade como formadora. No meio deste poço mágico de experiências que foram os últimos anos, há claramente pós mais mágicos e algumas pernas de rã. Não vou numerar todas as realidades ou tudo o que descobri, hoje vou apenas reflectir sobre algo que me intriga e ao mesmo tempo me apaixona. A noção de responsabilidade, um pó mágico!

Talvez devido à minha educação, tenho uma relação especial com ela, a responsabilidade. Mais do que exigir aos outros não me perdoo a mim próprio, como que sendo o primeiro a exigir e a punir quando ela não está presente, ou simplesmente quando a ingenuidade, ou inexperiência, brincam connosco e nos fazem percorrer caminhos que não queríamos. Digamos que quando algo que tento construir sobre alicerces de ferro, aparece-me sobre um baralho de cartas, cria em mim um sentimento de revolta imediato. Após o choque inicial, procuro ser racional e reagir de imediato, remediar se possível ou simplesmente procurar a fórmula que me silencia de novo, por ter sido capaz de restabelecer os alicerces. Hoje tive um daqueles dias, em que os alicerces se quebraram e ficou o peso em cima de mim e de mais umas quantas vigas humanas. O dia acabou o peso continua cá, no entanto descobri algo que apesar de não resolver a questão, me deixou satisfeito, há mais gente assim. Neste mundo estranho ainda há quem sinta a palavra, quem se entregue por outros, quem acredite em causas. Se calhar não entendem a razão deste desabafo. Se calhar eu também não! Mas quis fazê-lo!

segunda-feira, março 15, 2004

Crónica Futebolística

Porque o desporto também é importante...aqui vai uma passagem do jornal “Jogador da bola”!


Pés de chumbo voltam a brilhar!

Após uma pré-época desgastante, de noites perdidas, de pestanas queimadas, de livros riscados, reiniciou-se a nova época do FUTSAL. No passado dia 13 de Março os Pés de Chumbo, uma equipa que começa a criar o seu historial nestas andanças, alcançou uma brilhante vitória deixando no ar o perfume de quem sabe “jogar á bola” e atenção que não digo jogar futebol. Essa área podemos não dominar, mas o resto é connosco, “o jogar á bola”. Uma equipa que soube dar perfume ao jogo, discutindo-o até ao fim, dando a oportunidade ao adversário de marcar, sempre que estes se dirigiam á baliza... Num dia soleiro, agradável para a práctica de “a bola” os Pés de chumbo alcançaram uma vitória de 7-5.

Penso que os jogadores da equipa merecem uma análise atenta:

Murtala: uma mancha negra em campo, de camisola jamaicana. Como já era noite, quando queríamos saber dele pedíamos lhe que risse. Deixou tudo em campo, sendo o marcador da equipa. Falhou, marcou e ainda frangou, digamos que um jogador completo bem á moda desta team maravilha.

Bugalho: muitos apelidavam-no de coxo antes de entrar em campo. Cedo quis mostrar que se enganavam e no seu jeito lento, lá se arrastou pelo campo até marcar um golo. Seguidamente dirigiu-se ao banco, afirmando já ter feito o seu papel no campeonato, teve a tentação de puxar do cigarro, mas realmente guardou-se, pois a equipa precisava dele...ou não!

Judeu: um autêntico Maradona em campo, bastava olhar para as chuteiras brilhantes, polidas, limpinhas e víamos que tínhamos jogador. Aquele tipo de jogador que só de andar mete medo. Parava a bola á sua frente, dançava ao som de uma música brasileira e depois fazia um passe daqueles, daqueles estão a ver...

Maluca: mal entrou mostrou que ia dar que falar. Estatura de gazela da equipa, deixou essa tarefa para o Farinha preferindo correr sempre a atirar as pernas para fora, criando um estilo muito próprio. Ora corria ora se arrastava, sempre com a baliza como objectivo, quando o cansaço apertava procurava posicionar-se na frente de ataque á espera que a bola lá chegasse, aquilo que na gíria chamamos “na mama”. O público vibra ao ver o homem correr...

Pilão: podíamos dizer que faz lembrar o Fernando Aguiar, mas não, prefiro dizer que o Fernando Aguiar o deve ter como jogador a imitar. Pilau mostrou os seus dotes futebolísticos, que todos sabiam que existiam, mas sempre se recusara a desenvolver.

Farinha: era o motor da equipa, o tipico Petit que está em todo o lado, que corria sem bola e com bola, sempre de um lado para o outro, imparável.

Mac: fala mais do que joga, necessitando com certeza de uns óculos para ir á baliza. Aquele golo fica para a história - o que sofreu. Um defesa á moda antiga, que não desiste de um lance e que tem um lema que é comum a muitos outros jogadores da equipa - ou passa o homem, ou a bola, os dois fica difícil, e para cumprir a tradição lá cometeu a falta da ordem.

Toto: jogou em todo o lado, refilava por todo o lado, sempre com a camisola da selecção, como que lembrando Scolari para convocá-lo, ele diz que deixa de fumar se assim for. A equipa está com ele e há mesmo quem diga que se ele não for convocado recusa-se a jogar na Selecção Nacional. Resumindo ou ele é convocado ou então Scolari vai ter problemas de balneário.

Esta equipa promete, afinal, conta pelo número de jogos o número de vitórias e não podemos esquecer que ainda há muito jogador que não foi convocado, assim de repente temos o Zé, o TS que quando entrar vai de certeza marcar a diferença e muitos outros que mais para a frente farei referência.

quarta-feira, março 10, 2004

2003 - O ano blog

O ano de 2003 foi sem dúvida, entre muitas outras coisas, o ano dos blogs, e 2004 será, penso, um ano ainda de maior crescimento. Não bastou cada um de nós sentir a necessidade de ter um número de telemóvel próprio, uma caixa de e-mail ou várias, como agora cada uma de nós quer ter o seu espaço internético de livre expressão – o seu blog.

O blog, como as rádios pirata dos anos 80, nasce assim como mais um símbolo da democratização da opinião. Por quão estúpida ou inteligente que ela seja, cada um liberta o pseudo-Marcelo Rebelo de Sousa que tem dentro de si e diz que também pode sugerir um livro, pronunciar-se sobre um acontecimento ou expressar as suas motivações. E numa auto-estrada de abstinência participativa em que estamos a circular nada é mais inevitável do que os louvar e os respeitar.

Em média são criados 50 blogs portugueses por dia que se juntam aos mais de 11 milhões em todo o mundo, apenas 34% dos blogs resistem à inspiração e motivação inicial, mas os que resistem permitirão criar um fórum mundial de opiniões.

sexta-feira, março 05, 2004

Valeu a pena?

Há uns dias, estava a ler um post do Tiago acerca de actividades extra-curriculares, e...

...este fim-de-semana houve mais um ENDA. Sim, houve MAIS UM, porque já não há nada de apreço que consiga dizer sobre uma instituição que foi tão importante e decisiva na história da vida académica e da sociedade portuguesa.
A mim, que sou dirigente associativo há 4 anos, cada vez me faz menos sentido o que ando a fazer, cada vez me faz menos sentido aquilo que tento transmitir a cada um dos meus colegas. Não porque tenha perdido o sentido do Norte, ou deixado de acreditar nos valores e razões que ditam (ou melhor, ditaram…) a nossa existência. Mas antes, porque sinto que falo para ninguém ouvir, faço por mim em vez de por nós, reivindico por uma causa desapoiada.
Entristece-me bastante marcar uma RGA e aparecerem 10% dos estudantes da Escola. Pergunto-me porque será? Por que razão não querem os estudantes saber se as propinas vão aumentar? Por que razão não quererão os estudantes saber se os docentes são correctamente avaliados ou avaliados de todo, ou se a reprografia vai fechar, ou se vão ter as bolsas a tempo? Pergunto-me, será culpa minha? Não consigo cativar os estudantes? Ou será que os estudantes já não acreditam na instituição que represento? Por que será que num ENDA, em que no painel em se discute a qualidade de vida dos estudantes do Ensino Superior e a Acção Social Escolar estão meia dúzia de Associações representadas e o painel é a despachar, e no painel das eleições para os Órgãos Nacionais estão mais de 100 AAEE, para voltarem a desaparecer no painel seguinte? Afinal, o que querem os dirigentes associativos? Querem realmente saber dos estudantes e dos seus problemas, ou estão mais interessados em ter tachos e criar cada vez mais "jobs for the boys”? Entristece-me ver os tubarões do associativismo estudantil minarem completamente aquilo que ainda resta de bom nesta “vida académica paralela” que tanto gosto me deu trilhar.
Olho para trás e vejo quatro anos de sacrifício, quatro anos em que, apesar do curso extremamente exigente e intensivo que frequento, consegui manter de pé o sonho de participar em algo maior que qualquer um de nós, muitas vezes chegando ao ponto de preterir do curso em prol do associativismo. E no fim, pergunto-me, será que valeu a pena? Eu quero acreditar que sim…

Ora VIva!

Quando soube que as Conversas de Canto haviam renascido, uma saudade que estava latente ouviu o chamamento e fez-se sentir cá dentro. Foi com muita satisfação e alguma nostalgia que vi sugir este blog. Tenho-o como um meio imprescindível de manter aquelas conversas a que nos habituámos no Colégio e que tanta falta fazem...
Espero conseguir contribuir com a minha visão das coisas, partilhar reflexões, quer importantes quer triviais, e não deixar que este rio fantástico seque.
Aquele abraço!

quarta-feira, março 03, 2004

1982 - Aborto

Em 1982, quando encontrava-se no poder a coligação PPD/CDS, o aborto discutia-se mais uma vez, como outras tantas outras vezes até aos dias de hoje, sem grandes avanços para aí além.
Encontrando-se inevitávelmente dividido o parlamento nesta matéria de maneira similar à actual, e chumbando o projecto de uma liberalização da matéria, o parlamentar do CDS, João Morgado, católico professo, profere na sua declaração de voto a dogmática afirmação de ser o acto sexual só justificável tendo por objectivo a procriação.
Natália Correia, deputada pelo PSD mas pró-aborto, não se contém com a afirmação e escreve e distribui pelos colegas do hemíciclo o poema que abaixo se transcreve, dedicado pela autora ao seu colega João Morgado.
Para saber...



Dedicado ao deputado João Morgado

Já que o coito - diz o Morgado
Tem como fim cristalino
Preciso e imaculado
Fazer menina e menino,
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca
Temos na procriação
Prova que houve truca-truca.

Sendo pai de um só rebento
Lógica é a conclusão
De que o viril instrumento
Só usou - parca ração! –
Uma vez. E se a função
Faz o órgão - diz o ditado –
Consumada essa operação
Ficou capado o Morgado.

(Natália Correia)

terça-feira, fevereiro 10, 2004

Porque arranjamos sempre tempo

1. Já que há muito tempo ninguém tem paciência para escrever algo de novo, e dado que este tipo de sugestões é sempre o mais fácil de escrever, fica aqui sugerida a exposição de fotografia de Gérard Castello-Lopes "Oui Non", patente no Centro Cultural de Belém até 25 de Abril. Eu gostei das amostras que vi e do que pesquisei na Internet, fico portanto na esperança de ainda lá ir.


Oui/Non
Fotografias de Gérard Castello-Lopes 1956-2003
CCB, Galeria 2- Piso 1
Terça a domingo das 10h00 às 19h00, até 25 de Abril
Entrada a 1.5 euros


2. Chegámos às 200 visitas do blog, se contarmos que cada um de nós dá sempre cá uma saltada para ver se há novidades 3-4 vezes por semana, tendo em conta também que ele já está on-line desde 1 de Janeiro (5-6 semanas), dá 24 visitas por cada um de nós os três. Isto é, da nossa parte, 72 visitas pelo menos. Conclusão, há sempre alguém para além de nós que já se habituou a vir cá. Parabéns pela paciência e excesso de tempo! Estou a brincar, obrigado.

domingo, fevereiro 08, 2004

Os comentários voltaram ao Conversas de Canto

O "canto volta a admitir comentários!
Acabei de retirar o papel que estava à porta da camarata e dizia: "Não há o mínimo de barulho! Tou a estudar!"
Também poderia dizer: "Não há o mínimo de barulho! Tou a bater choco!"

Por isso o barulho habitual da camarata pode começar: arrastar camas; bater com a porta do armário; gritar pelo 19 que está na outra ponta da camarata; colocar em bom som o "Killing in the name off" dos Rage Against the Machine no 1ºano, "Body Count's in the house", ou o "Aquele Inverno" no 2ºano, ou "A Titi fez -me um Tete" dos Ena Pá 2000 no 3ºano...; ou se quiserem correr pela camarata fora a bater os pés; chamar o 140 porque a Joana está ao telefone; cantar nos balneários; contar em decrescente de 10 a 0, porque só temos 10 segundos para bazar da camarata; deixar cair a lata de Duraglit ou o pequeno equipamento; fazer moxe; deixar a roupeira gritar que os sacos da roupa suja tem de ir para o cabide; jogar à bola sem que os graduados vejam e de preferência não partindo o vidro da porta; boiar o Santos; ouvir o "Bom dia" do Cilha; ou para finalizar gritar um valente "ZACATRAZ"...


Para quem não percebeu nada disto, passo a traduzir: PODEM RECOMEÇAR OS COMENTÀRIOS NO BLOG!

sábado, fevereiro 07, 2004

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Comentários

Estamos com um problema no servidor e por isso os comentários não estão disponíveis!
Aos corajoso que costumam deixar comentários, pedimos que aguardem mais uns dias e com toda a certeza que o vosso espaço no blog vai voltar!

Continuem a entrar no canto! Já sabem que não é preciso pedir para entrar...

Uma anedota real, num Mundo que só pode ser irreal!

Ainda pensei uns dias em como escrever esta notícia!

Sugeri a mim próprio várias formas literárias: um romance, uma tragédia, um drama, sei lá uma comédia. Interrogava me se tinha palavras para retratar o rídiculo da notícia e realmente todas me fugiam. Por isso vou me limitar a contar uma anedota, não uma notícia!

Meus senhores, sabem quem foi proposto para o Nobel da Paz?
O Blair e o Bush! Como não se lembraram disso?

terça-feira, fevereiro 03, 2004

...

"É um engano imaginar que os grandes homens só o são um rei conquistador, ou um grande general, ou um grande ministro político. Outro género há de grandeza ainda mais elevado; qual é conservar um homem a moderação, e a inocência na mesma grandeza."
P. António P. de Figueiredo (1725-1797)

sábado, janeiro 31, 2004

Um português em Hollywood...

Há um português na lista dos candidatos a Óscares.

Pois é, até parece mentira! E não, o Conversas de Canto não se transformou no “Inimigo Público”...

Chama-se Eduardo Serra e é candidato para Melhor Fotografia, nomeado pela segunda vez, para o mesmo Óscar. A primeira vez foi em 1998 com “Asas de amor” e agora a película que lhe permite esta distinção é “Girl With a Pearl Earring”. Seria com certeza um prazer ouvir falar Português na Gala dos Óscares, seria sinónimo de uma vitória de Eduardo Serra.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Quantas vezes se morre em directo

Realmente não sei o que dizer das televisões deste país!
Não basta o exagero da cobertura casapiana, onde numa só peça jornalística a imagem do Sr. Carlos Cruz, a sorrir e a acenar para as câmaras, entre uma carrinha e um portão de garagem, sucedia repetitivamente, pelo menos quatro vezes duma só vez, e mais outras durante o resto da emissão do telejornal. Gravando em nós essas imagens, tal qual lavagem de cérebro.
Agora o coitado do Fehér já morreu nas nossas televisões n de vezes sem conta numa total falta de bom senso e total exagero desses momentos gravados, não existindo meia hora de informação televisiva em que não passe, a já célebre sequência, da dor do jogador e da sua queda para trás.
Passem os golos, os passes, as expressões de vida, e deixem-no morrer nas nossas televisões uma só vez...

terça-feira, janeiro 27, 2004

Mais um pôr do sol...

Há cerca de um ano! Há cerca de um mês! Há cerca de um dia! Ontem...

Todos os dias experimentamos novas sensações! Por vezes são genuínas e traduzem vivências nunca anteriormente sentidas. Por outro lado, existem momentos em que as sensações que classificamos como novas, não o são! Sempre andaram por aí, mas só num determinado momento parámos a pensar numa realidade que é diária, que só nos atingiu, num certo espaço, a um dado tempo, fazendo com que aquilo que é comum, se torne um acto isolado, porque parámos para reflectir. Penso que a morte é uma dessas realidades, que todos os dias bate à porta de alguém, de uma forma violenta, de uma forma suave, avisando com antecedência ou então entrando na nossa vida de rompante sem avisar...

Há cerca de um ano, alguém que partilhou vivências comuns comigo, e que por ventura era muitas vezes um exemplo para todos, partiu, e sei que foi a morte que o levou. Na altura escrevi umas linhas que gostava de partilhar convosco, numa altura em que a morte se deu ao desplante de entrar em nossas casas, em directo pela caixinha, que deixou há muito de ser mágica... Penso que reflectem a fragilidade a que a vida está sujeita!

Marense
A luz nasce! Mais um sol na sua rotina! Mais uma aurora, talvez a última! E surgem perguntas: porquê? Porque a felicidade convive com o inferno? Porque os justos conhecem o fogo mais cedo? Porque não mais um nascer, ou simplesmente um pôr do sol? Porque tem aquele de ser o último e não o de amanha? Porque não foi o de ontem?

Como sabemos que é o último luar? A última aurora? O último sol? Como sabemos que é o último fôlego?

Olho para trás e só vejo perguntas, nunca exclamei tanto! É a morte...a escuridão, o fim a dizer que existem! São perguntas sem resposta! A morte não tem resposta, o fim não se explica! Acontece... Ninguém espera! Surge e diz que está cá, sempre a espreitar. Não olha a rostos, nem a corações, nem a razões, só olha à morte... A Morte! Que coisa estranha, que fim bizarro. Um contraste com a vida. Um fim inesperado...
24-3-2003

domingo, janeiro 25, 2004

Recordações

Já estava deitado, no entanto não conseguia dormir.
As recordações do tempo do colégio não paravam de surgir, todos aqueles pormenores, aquele turbilhão de emoções por que passamos, todos os bons e maus momentos. Uma miscelânea de sentimentos demasiados fortes para ficar indiferente no meu sono.
Lembro-me de na 1ª quarta-feira em que saímos de estar radiante a jantar com os meus pais e contar-lhes maravilhas daquela nova "casa", de pensar que iriam haver aulas de surf na costa e que podíamos ir praticando no colégio (não sei bem onde, mas...), de lembrar-me que tinha fazer um requisição de electricidade em pó e um fardo do palha para o cavalo. A inocência de outros tempos.
Todo este rodopio de emoções retomam-me inevitavelmente para a récita e para os momentos de alegria que passamos a construir algo nosso. Dos ensaios com o Rui Luís, das noites a escrever textos e fazer slides, do géiser de cerveja do Zé, das noites em Lagos naqueles animados bares ("sempre" com o intuito de começar a construir algo para a Récita...). Ainda nas camaratas, das conversas a meio da noite entre as camas (e sermos apanhados a fazer barulho), daquele som assustador do cântico do Ó-Spelli e King, das camas ao poço, "Vai uma ou vão todas...". Dos assaltos à copa e das corridas loucas para fugir dos oficiais quando se ia para "cavar", da "mocada", das retiradas estratégicas e fulminantes à frente dos cornos do touro na garraiada, do Brasil e das suas praias paradisíacas, dos chás dançantes e da famosa sala de GD, da nossa sala 53, da queima das cábulas, da Natasha toda "boa", dos rambanços e do tiro ensurdecedor do Gustavo, da maneira que o Cilha nos cumprimentava todos os dias de manhã, do toque de alvorada e das apresentações, das almofadadas em que "atacávamos" de surpresa os nossos adversários ainda a dormir, das cerimónias em que tinhas de esperar uma eternidade à espera das entidades, dos desfiles na avenida...
Se há recordação que guardarei para sempre como das mais intensas da minha vida colegial é ouvir o hino nacional nos claustros daquele colégio. Toda aquela vibração a ecoar por todo o meu ser reunida naqueles pilares seculares é uma sensação única e demasiado intensa para conseguir traduzir por palavras.
Ficaria aqui a noite inteira a escrever-vos sobre estas recordações que me rechearam a vida durante uns intensos 8 anos da minha existência. Os tempos passam e com elas vão indo algumas das recordações e dos pormenores que foram preenchendo a minha vida, mas há algo que fica para uma eternidade. Os amigos.

Diz-se que quando se está às portas da morte toda a nossa vida passa como num flash e recordamos todos os bons e maus momentos da nossa existência. Mas basta tu quereres e esse flash acontece. "Toda" a tua vida passa por ti para poderes recordar e reviver esse momentos.

Termino este post como o Tiago disse, é um mundo todo só a acrescentar!