sexta-feira, julho 02, 2004

A Portuguesa e a Bandeira

Muito se tem discutido como é ou não é!
A Portuguesa donde se retirou o Hino Nacional e uma Bandeira Nacional Portuguesa

A bandeira é rectangular (2:3), tal como as suas antecessoras, e bipartida de verde e vermelho, ocupando o verde dois quintos da largura e o vermelho os restantes três. Centrada na divisão, o brasão da República, constituído pelo escudo (de novo em formato "português") sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro é igual a metade da altura da bandeira.



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça

terça-feira, junho 29, 2004

Votámos em quem?!


A semana é propícia a inúmeras reflexões políticas tal não fosse este um momento inédito na história da nossa democracia portuguesa. Ela irá abrir-nos os olhos para algumas das falácias do nosso regime democrático.
Primeiro há que distinguir que uma coisa é o que queremos dos acontecimentos e outra é o que os acontecimentos realmente são e geram. Ao contrário do que muitos querem, e bem na minha opinião, na nossa democracia, em boa verdade, na maioria dos cargos ditos democráticos, não existe a escolha directa de ninguém.
Na escolha da qualidade, competência ou identidade dos nossos representantes o normal do cidadão não é tido nem achado não estando essa selecção dependente da sua boa vontade ou do seu bom critério mas da vontade ou dos jogos de poder internos dentro das forças partidárias que se candidatam. Os portugueses nunca escolherão directamente o Dr. Santana Lopes da mesma forma como nunca escolheram o Dr. Durão Barroso para ser nosso 1.º Ministro.
Está certo que existem tradições políticas que nos fazem confiar que quando vamos à urna votar é nele ou naquele que votamos, mas o facto é que sempre votámos em siglas para nos representarem e não cidadãos como nós.
Os partidos não só reflectem uma ideologia (ou não) mas também reflectem a nossa preguiça de saber quem é o mais certo para determinado lugar. Eles tratam disso entre eles, aliás, eles negoceiam isso entre eles.
Da mesma forma não serão os cidadãos que escolherão amanhã se o próximo 1.º Ministro será o Ferro, o Soares, o Sócrates, o Vitorino, ou nenhum destes que estes já podem ser maus. Não são os cidadãos que escolherão se um militante de fim de lista é mais competente que um cabeça de lista.
E agora apercebemo-nos que afinal o 1.º Ministro pode ser outro, que nunca escolhemos os nossos ministros, que nunca escolhemos os nossos deputados, que nunca conhecemos o programa deles. Apenas confiámos em duas ou três letras e nas ideias pouco transparentes que uns têm ou não têm. Uma confiança que atinge os seus limites quanto maior é a abstenção.
Além disso as eleições são legislativas não executivas. A Constituição sugere que o Presidente da República convide o presidente do partido vencedor a formar governo. A tradição faz que ele seja, dessa forma, 1º Ministro, mas ele poderá recusar esse cargo e apresentar com o partido outro candidato ao cargo que os portugueses nunca viram pintado. Uma possibilidade que não está claro nem nos eleitores nem em militantes. O costume protege-nos contudo.
Assim quem ganhou foi o PSD não o Dr. Durão Barroso. É o PSD que no parlamento suporta um governo. Aliás o único cargo em que existe uma eleição pessoal é o de Presidente da República, é só para esse que escolhemos a identidade do indivíduo.
E embora fique satisfeito que existam eleições porque não acredito no caminho que o país toma, acho que nesta situação não é o partido que venceu as eleições que tem de ser responsabilizado são os portugueses que votaram num projecto de quatro anos e agora arrependeram-se.
Para terminar, falacioso é também o argumento que "o partido perdeu nas eleições europeias" e como tal perdeu a legitimidade democrática, falacioso porque o programa do governo até pode ser contrário ao programa eleitoral dos eurodeputados (claro que nunca é!), falacioso porque sempre que os resultados de outra eleição fossem abaixos dos obtidos nas legislativas, teríamos sempre uma legitimidade perdida e toca a fazer eleições. Era a impossibilidade de tomar medidas impopulares, era o caos.
É o nosso regime que propicia a partidarização. E embora isso, são capazes de serem convocadas eleições, não deviam, mas para nós ainda bem!

Bestial a Besta! Quem diria?

Pois é meus senhores, começam a evidenciar-se as parecenças entre o futebol e a política.
É comum ouvirmos a expressão "de bestial a besta". Quantas vezes no mundo do desporto, sobretudo no futebol, um jogador dança de um lado para o outro sem nada ter feito. Na política, mais propriamente no interior dos partidos, os militantes do partido maioritário elegeram agora uma nova dançarina. Após, no último congresso do partido do governo, a mulher mão de ferro das finanças portuguesas ter sido unanimemente saudada pelos seus colegas militantes, hoje, a senhora trocou de mão e teve de rodopiar para o outro extremo. Parece que o João Jardim e o Luís Filipe Menezes deram o mote à dança...

Vamos ver onde estas guerras pelo assento de São Bento vão parar! Para já, a verdade é que oficialmente não há um candidato assumido. Mau ou bom presságio?
As gaivotas andam em terra, indicia tempestade no mar e não há comandante para a nau...
Maus ventos se aproximam!

AS

sexta-feira, junho 25, 2004

Do futebol à Europa

Portugal mergulhou no "Mundo do Futebol" desde há uns dias e desde ai tem-se vivido uma euforia desmedida. A conquista das meias-finais colocou os portugueses na rua a festejar uma vitória, mas todos sabem que não se trata apenas de mais uma. O que tem de especial? Sinceramente não sei explicar! Sei que não foi por apenas termos ganho um jogo que todos descemos à rua na passada noite...

Apesar de esta loucura colectiva é preciso não esquecer que tudo isto é efemero, que dentro de dias o Euro2004 acaba. Não podemos esquecer tudo isso! É preciso saber viver este campeonato e saber continuar a viver a vida de todos os dias, preparando o futuro. Desçamos à terra então:

1. O Primeiro Ministro vai mesmo candidatar-se à Presidência da Comissão Europeia?
2. Esta não é uma questão do PSD, do Governo, ou do Durão, mas sim uma questão Nacional. Uma questão que sugere outras tantas.
3. Quem o sucederá? Santana Lopes por dinastia? Sucessão dinástica em Democracia, nunca ouvi falar?
4. Uma pergunta que oiço poucos fazerem, mas que enquanto Europeu me surgiu. Será Durão Barroso um bom Presidente para a Comissão Europeia? Para Portugal seria bom haver um Presidente da União Europeia Português, poucas dúvidas tenho, mas e para a Europa? Não deveríamos discutir isso...
5. Quando o país atravessa uma crise de confiança, com a economia ainda sem força, com os Portugueses desmoralizados, onde só o futebol os revitaliza, sair a meio de uma guerra que foi iniciada por este governo há dois anos e onde não se vislumbra vencedor, é justo o líder sair, mais, é este o exemplo de um líder?
6. Não sei precisar qual o Primeiro Ministro, mas ainda ontem ouvi na SICnotícias que uma das possibilidades mais apetecidas pelos diferentes países, não aceitava pelo compromisso que tinha para com o seu país. Será isso o exemplo de um líder?
7. Atenção, não digo que um Primeiro Ministro não possa abdicar pela Europa. Esse outro sonho que comunhamos também merece esforço, mas há que saber doseá-lo! E a nossa dose era o Vitorino, que foi recusada.
8. Limitei-me a fazer perguntas para as quais ainda não tenho resposta!
9. No meio disto tudo continuam as greves da Carris sem fim à vista; os Professores a constestarem mais uma vez as colocações (que música para os meus ouvidos); os atentados no Iraque; umas eleições europeias sem uma campanha digna desse nome e onde os Portugueses não souberam preservar um direito seu; um país que teima em querer crescer na mente de alguns mas que precisa que os seus líderes também queiram...
10. Acredito na nossa capacidade de trabalho, na nossa dedicação e empenho. Apenas continuo à espera que haja uma oportunidade para que o demonstremos. Apenas...

AS

domingo, junho 20, 2004

Há muito que não escrevo para o BLOG!
Direi mais, provavelmente todo o trabalho de fazer deste blog algo dinâmico dissipou-se, agora com o desleixo a que sujeitámos o canto... Procurarei sempre que possível voltar, consciente que não há desculpas para o desleixo!

Hoje, 20 de Junho de 2004, a Seleção Nacional joga o seu futuro no Euro 2004. Enquanto português sinto me realizado com este Euro. A organização está a superar as minhas expectativas... Não deixo no entanto que isso me reconforte a alma e espero mais, sobretudo da seleção, espero que deixem tudo naquele campo e que reforcem o meu orgulho neste Euro 2004!

Quanto ao meu orgulho em ser Português, esse está sólido, esse é eterno, esse está no meu sangue...

Amanha, como diriam os Madredeus, "Haja o que houver", a minha bandeira estará à janela!

Abraço

segunda-feira, abril 26, 2004

Velhos Tempos

Enviaram-me este mail e não pude deixar de partilhá-lo convosco. Indubitavelmente dá muito gosto ler palavras como estas. Recordar aqueles tempos, em que vivíamos com a responsabilidade única de passar mais um dia em cheio, com os amigos da rua ou os colegas da escola, a jogar à bola até à exaustão, ou então andar atrás da miúda mais gira lá da escola, à espera de uma beijoca no "bate pé", é o bastante para aliviar o stress de mais um dia trabalhoso. Deliciem-se como eu me deliciei...

"nós que...acabávamos os trabalhos de casa à pressa para ir jogar à bola perto de casa.
nós que...éramos obrigados ao "guarda redes avançado" ou a "quem 'tiver perto defende".
nós que...obrigados a "guarda redes avançado" perguntávamos "e passar de meio campo vale?"..."sim,vale tudo!".
nós que...quando se faziam as equipas se fossemos escolhidos em primeiro sentiamo-nos verdadeiramente incriveis,os mais fortes de todos.
nós que...sendo escolhidos por último estávamos destinados a ir à baliza.
nós que...tínhamos sempre um apelido de um jogador importante para nos sentirmos mais fortes.
nós que...quem chegar primeiro aos 10 vence!
nós que...fingíamos nao ouvir as nossas mães a chamar quando começava a ficar escuro e depois havia sempre alguem que dizia "quem marcar ganha!" mesmo que o resultado tivesse 32-1.
nós que...vivemos o terror das botas caneleiras.
nós que...com uns adidas nos pés sentiamo-nos mais fortes que o PELÉ.
nós que...tinhamos aqueles outros tenis sem marca que alem de nao durar nada faziam ficar com os pes com bolhas...
nós que...sonhavamos com aquelas bolas lindas que viamos na televisao mas contentavamo-nos com o que houvesse.
nós que...percebiamos o sentido das camisolas alternativas quando viamos na Tv a preto e branco jogos como o boavista-moreirense.
nós que...os unicos tenis de marca so os levavamos em dias de festa e nem pensar em dar um chuto em qualquer coisa,senao era castigo certo por parte da mãe.
nós que...não nos podíamos sentar em cima da bola senão ela ficava meloa.
nós que...tínhamos de deixar jogar o dono da bola mesmo que fosse uma nulidade e nem quisesse ir a baliza.
nós que...nao precisávamos de barra nem de imagens virtuais para perceber se tinha sido golo ou nao, "golo ou penalty" punha todos de acordo.
nós que..."falta um posso jogar?"..."epa nao sei,a bola nao e minha..."(no caso do pretendente ser um mau jogador).
nós que..."posso entrar?"..."sim,se encontrares um par,porque assim ficamos com um a menos".
nós que...reconhecíamos os jogadores sem ser preciso ter os nomes nas camisolas.
nós que...o nº1 era o guarda redes,o 2 e 3 os laterais,o 4 era o trinco,o 5 era o defesa central e o 6 o libero,o 7 medio direito,o 8 medio centro,o 9 o avançado,o 11 o outro medio possivelmente do lado esquerdo e o 10 com uma faixa no braço era o organizador e capitao porque era o mais forte de todos.
nós que...para um jogador entrar na seleçao nacional devia fazer no minimo 2/3 temporadas a alto nivel.
nós que...os estrangeiros eram no maximo 2 por equipa e conheciamo-los a todos.
nós que...dormiamos com os autocolantes da panini debaixo da almofada.
nós que...quando abriamos os saquinhos esperavamos de nao encontrar aqueles jogadores suplentes eternos que nunca jogavam.
nós que...viamos jogadores como o caccioli e nelo que pareciam mais velhos que os nossos pais.
nós que...o futebol so viamos ao domingo a tarde e as quartas nas competiçoes europeias,nao todos os dias e a qualquer hora que as televisoes decidem.
nós que...se recordamos do domingo desportivo sem as fantochadas de agora e sem os programas com tres ou quatro "entendidos" tip seara cardoso e santana lopes.
nós que...praticamente nao viamos publicidade durante os jogos.
nós que...nao viamos patrocinios em tudo o que e espaço nas camisolas,calçoes,meias,...
nós que...íamos ter com a melhor amiga da rapariga de que gostávamos e dizíamos "pergunta se ela quer andar comigo" e ela no outro dia respondia "ela disse que ia pensar..." e depois pensava durante uma semana...
nós que...faziamos aqueles bilhetes do "queres andar comigo? sim...não...talvez...
nós que...as balizas eram feitas com os nossos casacos ou com as mochilas.
nós que...estávamos sempre todos a horas nos locais combinados sem ajuda de telemóveis e aldrabices.
nós que...mesmo vivendo um pouco longe uns dos outros,saíamos sempre de casa com a esperança de encontrar os amigos ja na proxima esquina com a bola debaixo do braço para irmos jogar.
nós que...aulas era mentira porque tínhamos de jogar e praticar muito para o torneio da escola onde iríamos impressionar as nossas "amadas". "

segunda-feira, abril 12, 2004

Surrealismo


Este é um ano especial. Surrealista. Comemora-se este ano o centenário do nascimento de um artista genial. Salvador Dali. Deixo-vos um link para a página on-line sobre as actividades que se estão a realizar pelo mundo em homenagem a esse grande mestre e fica também outro site experimental de navegação surrealista no mínimo interessante.

quarta-feira, abril 07, 2004

Para ouvir II



"Porque é de "tempo" que falamos, fica, desde já, a sugestão de uma boa fuga dele ouvindo Time Out, a experiência que o Quarteto de Dave Brubeck fez em 59 pela História do Jazz e que veio a tornar-se numa obra maior do estilo, tornando-se no segundo disco mais vendido de Jazz até aos dias de hoje.

Neste álbum, Brubeck ao piano e Desmond ao saxofone, submetem o Jazz a uma fusão com a designada música erudita, onde se apropriam das suas técnicas de composição e consolidam o que viria a designar-se por third stream - a terceira via estilística do Jazz.

Ao som do tantas vezes ouvido mas nem por isso conhecido Take Five, considerada uma das 100 melhores músicas americanas, ou do envolvente Blue Rondo a La Turk, esboçado durante um passeio em Istambul; partam à descoberta de nova música. Apurem o ouvido à decoberta dos padrões de acordes únicos, das mudanças de ritmo ou do diálogo instrumental, sentido o que muitos afirmam ser o tal swing."


no Jur.nal de Dezembro.

terça-feira, abril 06, 2004

Descontraiam..


Se quiserem um pouco de descontracção e um bom momento musical cliquem aqui!

Gerações

Há uns dias atrás após longa discussão com um grupo de velhotes, velhotes não, desculpem, "jovens-que-já-cá-estão-a-mais-tempo-que-eu" lembrei-me de um email que tinha recebido à uns tempos e que vinha mesmo a calhar para contrapor os argumentos apresentados como pessimistas em relação à actual juventude (a que está cá a menos tempo...). Aqui vai:

..."Falando sobre conflitos de gerações o médico inglês Ronald Gibson começou a conferência citando quatro frases:

1 - "A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, despreza a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem aos pais e são simplesmente maus"

2 - "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível."

3 - "Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."

4 - "Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases. Então, revelou a origem delas:

- a primeira é de Sócrates (470-399 a.C.)
- a segunda é de Hesíodo (720 a.C.)
- a terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.
- e a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilónia e tem mais de 4000 anos de existência."...

No fundo o que eu espero é que todos nós façamos parte desse futuro e que construamos um mundo mais justo e uma sociedade melhor. Quando deixar de acreditar nisto, aí sim, ai podem-me chamar velho...

terça-feira, março 30, 2004

Sobre o Dia do Estudante

Não considero que esta carta que o Bruno me deu a conhecer em tempos e que a chegou a publicar no Público seja uma carta apenas para a "Direita" do nosso país, mas fundamentalmente, uma carta para todo um povo deliberadamente adormecido, indiferente, ignorante e inconsciente face aos problemas da sua comunidade.
Uma carta de preocupação e treze parágrafos de reflexão num dia que é pelo estudante…



Carta à Direita do Meu País
Por BRUNO CARAPINHA*

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2003

"Cara Direita Portuguesa,

Trato-te por tu, porque nos conhecemos já há muito tempo. Nasci há vinte e cinco anos, num país dos arrabaldes geográficos da Europa que ficou, durante décadas, nos arrabaldes do desenvolvimento económico da 2ª metade do século XX e das conquistas sociais, democráticas e civilizacionais do mundo. Meus avós são gente da província, esforçada e inculta, que migrou para os arrabaldes de Lisboa para livrar a vida da pobreza. E meus pais são os últimos filhos do Estado Novo, viveram nos arrabaldes da capital, do acesso à educação, à cultura, ao conforto e ao dinheiro. Sei que não te impressionas - este é o percurso da ascendência de milhares de jovens da minha idade.

Sou um estudante do Ensino Superior. Atravessei o mandato de seis ministros e três mandatos de dois reitores, vivi a suspensão das propinas, conheci a paixão guterriana e a subsequente desilusão, envolvi-me no associativismo estudantil, nos órgãos de gestão universitários, na vida pública e política e na intervenção social neste país. Já não tenho funções na Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e estou receoso pelo futuro do Ensino Superior Público (ESP) e do próprio país como não estive antes.

Vejo essa tua pressa em legislar, atropelando prazos de discussão e parceiros sociais, vejo as orientações e a política para o sector e percebo que o constrangimento financeiro das universidades não decorre de nenhuma conjuntura difícil, antes corresponde a um instrumento estratégico para o objectivo da desestruturação do ESP. Vejamos porquê.

O objectivo de democratização do acesso e da frequência do Ensino Superior está constitucionalmente garantido. Ultrapassa, portanto, o âmbito de políticas conjunturais de um Governo - é um objectivo da República. Ora, o recente corte cego das vagas de acesso ao ESP contraria este objectivo. Conjugado este corte das vagas com o aumento das propinas, que agrava as despesas das famílias portuguesas (por sinal, as famílias da União Europeia que mais despesas suportam com a educação dos filhos), e com a aplicação de prescrições que expulsam os estudantes do sistema (sem fazer um estudo sério sobre as reais causas do insucesso escolar), os resultados só podem ser a diminuição dos cidadãos abrangidos pelo ensino público e a manutenção da quota de "mercado" do ensino privado.

Torna-se claro que a tua acção imediata e conjuntural põe em causa um objectivo constitucional. Mas, a médio prazo, anunciam-se situações ainda mais dramáticas, pois a previsão de crescimento zero do orçamento para o Ensino Superior até 2006 só pode significar mais cortes orçamentais, mais cortes nas vagas, mais aumentos de propinas e expulsão de estudantes devido às prescrições, asfixiando e descapitalizando o ESP, privando o povo português do acesso a uma formação superior democratizada e de qualidade.

Por outro lado, a Lei de Financiamento visa claramente abrir as portas à privatização do ESP. Abriste esta guerra há mais de dez anos, depois de orientações internacionais apontarem para a transformação do Ensino Superior num mercado, e pareces querer terminá-la. A aplicação bem sucedida das propinas do governo Guterres abriu a porta para este capítulo da mesma guerra. Mas, com a indexação das propinas à qualidade dos cursos, a noção de propina - taxa de frequência do ESP, supostamente responsabilizadora dos estudantes, é substituída por uma noção de propina - parte do preço do curso que o estudante paga para o "comprar", sendo que o Estado suporta o remanescente do custo global (por enquanto...).

Ao mesmo tempo, fazes um corte orçamental que obriga as instituições a recorrer às propinas para pagar salários de docentes e funcionários (por sinal, funcionários públicos que devia ser o Estado a sustentar) e atiras para as escolas a tarefa de definir as propinas, criando uma guerra entre conselhos directivos e associações estudantis, fomentando a instabilidade na vida das instituições e a desarticulação das relações de solidariedade entre os corpos académicos. E, como se não bastasse os aumentos das propinas serem astronómicos, foram ainda indexados ao valor das propinas de uma lei do Estado Novo de 1941, período em que o ESP estava reservado a uma elite bem nascida! Quase como quem sente saudades do passado...

Dir-me-ás que o ESP continua a ser coisa de privilegiados ou ricos. Respondo-te que, com o fim do numerus clausus global, entra no ESP cada vez mais gente de classes mais baixas e que as propinas têm um impacto decisivo na vida dos estudantes, muitas vezes empurrando-os para fora do sistema de ensino ou para trabalhos a tempo parcial ou total, provocando uma maior demora na conclusão do curso.

Dir-me-ás que para os carenciados existe a Acção Social Escolar e que ninguém será excluído. Respondo-te que as cantinas e as residências cobrem uma ínfima parte das necessidades, que há milhares de estudantes entregues à especulação imobiliária, que outros foram sendo forçados a trabalhar para continuar a estudar e que outros ainda foram desistindo nos últimos anos. Respondo-te que as bolsas são miseráveis e injustas porque se baseiam num sistema fiscal reconhecidamente viciado e desigual para proprietários, profissionais liberais e trabalhadores por conta de outrem.

Dir-me-ás que não há recursos no país para sustentar o ESP. Respondo-te que é assustador o tamanho da economia paralela, que milhares de empresas declaram ano após ano ausência de rendimentos, mas mantém-se em funcionamento, que em Portugal a evasão é acompanhada de benefícios fiscais e de má gestão dos dinheiros públicos. Respondo-te que é urgente realizar uma reforma fiscal neste país, não só para aumentar os recursos postos ao dispor do Estado e para moralizar o ambiente social, como ainda para responsabilizar as empresas pelo sustento da formação qualificada dos portugueses que as beneficia directamente. E respondo-te ainda que, mesmo que os recursos disponíveis fossem só os que temos neste momento, o ESP é suficientemente importante para motivar uma opção política e estratégica de apoio ao seu desenvolvimento e abertura.

Se me dizes que há diplomados a mais, respondo-te que temos das mais baixas taxas de toda a União Europeia. Se me dizes que um curso superior é uma mais valia pessoal que deve ser paga, mostro-te as taxas de diplomados sem emprego. Se me dizes que os outros não têm de pagar os cursos dos estudantes, respondo-te que é um investimento que o Estado (o conjunto organizado de cidadãos) deve fazer em si mesmo (i. e., todos os cidadãos sem exclusões) e que não se trata de um direito individual e sim de um direito colectivo do povo português.

Defender o Ensino Superior Público Português e a democratização do acesso de todos os cidadãos a este nível de formação com um bom nível de qualidade não exige que se seja de esquerda. Basta que se seja inteligente. E minimamente patriota. Tu que andas sempre com a pátria na boca, como quem anda com o credo, deixa-te de contratos milionários de armamento, de funerais dos últimos "heróis" do Império, de manobras à volta da Constituição e da subversão do progresso do último quartel de século. Trata do que é urgente e estratégico! A aposta séria na inteligência, criatividade e formação dos portugueses de todas as classes sociais é a única forma de ultrapassar o atraso português. Abrir portas à privatização do Ensino Superior vai representar o enterro definitivo das poucas hipóteses que este povo tem para triunfar.

Começou, há vinte e nove anos e meio atrás, este espectáculo da democracia. Hoje são talvez mais os que assistem na plateia que os que continuam no palco. Mas, antes como hoje, a peça a que assistimos é este confronto para romper com o Portugal atrasado e periférico, é esta luta pela saída do arrabalde em que continuamente nos vão aprisionando. E é por isso que os estudantes te resistem nesta guerra da mercantilização do ESP que começaste há mais de dez anos. E é também por isso que te prometo uma oposição pessoal viva, veemente, tenaz. Não por causa do meu arrabalde pessoal, felizmente ultrapassado. Mas contra o arrabalde em que ainda vive o povo da minha terra."


* Bruno Carapinha - Estudante do Ensino Superior.

segunda-feira, março 22, 2004

E se o amanhã não chegar?

Recentemente, um acontecimento na vida de uma colega minha chocou-me. Foi uma daquelas "situações limite" - a morte inesperada de um ente querido - em que, de repente, tudo passa a ser racional e cada situação vivida com uma atitude puramente determinista. Mas o que é que andamos cá a fazer? Para quê planear? Para quê fazer sacrifícios? Se nem sequer sabemos se o amanhã vai chegar...

Só nestas duas últimas semanas, houve dois acontecimentos a nível internacional que foram marcantes, não só pela sua índole mas também pelas suas repercussões. O primeiro foi o atentado de 11 de Março em Madrid, com a morte de muitas pessoas inocentes, que encontraram o fim das suas vidas através de um acto covarde, e que, de certo modo, as torna algo ignóbeis.
O segundo foi a morte do líder espiritual do Hamas, na madrugada passada. Considerado pelos israelitas como o principal causador dos atentados mártires em Israel e seus vizinhos, foi morto infamemente, atingido por 3 mísseis (deveia ser realmente grande, o senhor) causando também a morte de alguns inocentes que se encontravam nas imediações. A resposta a este acto não se fez esperar e os Palestinianos já ameaçaram "olho por olho".
Tendo em conta os últimos anos, estes factos não aparentam nada de excepcional. Contudo, existe um senão - ESTAMOS NO SÉCULO XXI.
Já lá vão os tempos em que o ser humano se preocupava com 3 coisas: alimentar-se, reproduzir-se e sobreviver até ao dia seguinte. Supostamente, nos dias que correm, as sociedades deveriam ser organizadas, a globalização ser um meio de desenvolvimento e o Homo sapiens sapiens viver em harmonia, tendo cada comunidade a sua especificidade (cultura, crenças, valores, estilos de vida) mas respeitando-se mutuamente.
Que pobre e inocente criança eu saí!!! Afinal está tudo na mesma, desde a pré-história, só mudou a fachada. Afinal, ainda tenho que preocupar-me com o amanhã. Afinal tenho que pensar duas vezes se devo apanhar o comboio, não vá um Português de origem árabe, que vive cá desde que nasceu e que há umas semanas recebeu o sinal que já lhe havia sido comunicado enquanto ainda era um embrião, ter colocado um engenho explosivo nos carris da Fertagus e progamado para explodir na hora de ponta, enquanto atravessa a ponte. Sim, porque nós também apoiámos a invasão do Iraque!

Pessimista perspectiva, esta que apresentei. Talvez até descabida e sem fundamento. Mas se virmos bem, todo este enredo a que chamamos actualidade não passa de uma roleta russa, em que nunca sabemos quando é que a bala nos vai sair. E o pior, é que muitas vezes nem a sentimos aproximar e, num ápice, tudo à volta se desmorona e, mais uma vez, nos perguntamos: Porquê?

domingo, março 21, 2004

Poesia

Dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia! Não podia deixar passar este dia ao lado do blog. Um dia em que comemoramos uma forma diferente de ver o Mundo... Desde que inaugurámos o blog algumas foram as oportunidades em que vos convidamos a ler poemas, hoje vou também fazê-lo, com uma diferença, das outras vezes apresentei-vos poetas, hoje apresento-vos um texto meu. Uma ousadia talvez, pois é um texto simples, mas que espero que seja do vosso agrado.

20 anos já lá vão!!!

20 anos já lá vão,
com tanto vivido e tanto para viver!
Sou um céu sem fim para aprender,
sinto-me um sol a brilhar por acreditar,
com nuvens sempre a passar!

Um Mundo tão imenso,
com questões tão banais,
com guerras tão triviais!

Um Homem tão irracional,
para as questões racionais.
Um Homem tão racional,
para as questões sentimentais!
Porquê as nuvens deste Mundo, o negro que teima em espreitar os céus?

Quero acordar, com dias de sol e dizer que sim,
com dias sem sol e dizer que sim!
Quero acordar e dizer sempre que sim...

Uma vastidão, uma diversidade, uma utopia,
para destruirmos com um pontapé na esquina,
debaixo do candeeiro centenário,
para dizermos adeus num precipício milenar.
Com que direito? Mas que raio de Mundo é este?

Não o quero assim e recuso-me a aceitá-lo assim!
Quero poder gritar que não debaixo da luz,
dar a mão no descampado,
só assim consigo admirar e viver esta grandeza de globo azul celeste...

sábado, março 20, 2004

A responsabilidade

Os últimos anos têm sido ricos em novas experiências. Digamos que a Faculdade está a superar as minhas expectativas, as vivências, a AE, e arrisco me a dizer a própria faculdade como formadora. No meio deste poço mágico de experiências que foram os últimos anos, há claramente pós mais mágicos e algumas pernas de rã. Não vou numerar todas as realidades ou tudo o que descobri, hoje vou apenas reflectir sobre algo que me intriga e ao mesmo tempo me apaixona. A noção de responsabilidade, um pó mágico!

Talvez devido à minha educação, tenho uma relação especial com ela, a responsabilidade. Mais do que exigir aos outros não me perdoo a mim próprio, como que sendo o primeiro a exigir e a punir quando ela não está presente, ou simplesmente quando a ingenuidade, ou inexperiência, brincam connosco e nos fazem percorrer caminhos que não queríamos. Digamos que quando algo que tento construir sobre alicerces de ferro, aparece-me sobre um baralho de cartas, cria em mim um sentimento de revolta imediato. Após o choque inicial, procuro ser racional e reagir de imediato, remediar se possível ou simplesmente procurar a fórmula que me silencia de novo, por ter sido capaz de restabelecer os alicerces. Hoje tive um daqueles dias, em que os alicerces se quebraram e ficou o peso em cima de mim e de mais umas quantas vigas humanas. O dia acabou o peso continua cá, no entanto descobri algo que apesar de não resolver a questão, me deixou satisfeito, há mais gente assim. Neste mundo estranho ainda há quem sinta a palavra, quem se entregue por outros, quem acredite em causas. Se calhar não entendem a razão deste desabafo. Se calhar eu também não! Mas quis fazê-lo!

segunda-feira, março 15, 2004

Crónica Futebolística

Porque o desporto também é importante...aqui vai uma passagem do jornal “Jogador da bola”!


Pés de chumbo voltam a brilhar!

Após uma pré-época desgastante, de noites perdidas, de pestanas queimadas, de livros riscados, reiniciou-se a nova época do FUTSAL. No passado dia 13 de Março os Pés de Chumbo, uma equipa que começa a criar o seu historial nestas andanças, alcançou uma brilhante vitória deixando no ar o perfume de quem sabe “jogar á bola” e atenção que não digo jogar futebol. Essa área podemos não dominar, mas o resto é connosco, “o jogar á bola”. Uma equipa que soube dar perfume ao jogo, discutindo-o até ao fim, dando a oportunidade ao adversário de marcar, sempre que estes se dirigiam á baliza... Num dia soleiro, agradável para a práctica de “a bola” os Pés de chumbo alcançaram uma vitória de 7-5.

Penso que os jogadores da equipa merecem uma análise atenta:

Murtala: uma mancha negra em campo, de camisola jamaicana. Como já era noite, quando queríamos saber dele pedíamos lhe que risse. Deixou tudo em campo, sendo o marcador da equipa. Falhou, marcou e ainda frangou, digamos que um jogador completo bem á moda desta team maravilha.

Bugalho: muitos apelidavam-no de coxo antes de entrar em campo. Cedo quis mostrar que se enganavam e no seu jeito lento, lá se arrastou pelo campo até marcar um golo. Seguidamente dirigiu-se ao banco, afirmando já ter feito o seu papel no campeonato, teve a tentação de puxar do cigarro, mas realmente guardou-se, pois a equipa precisava dele...ou não!

Judeu: um autêntico Maradona em campo, bastava olhar para as chuteiras brilhantes, polidas, limpinhas e víamos que tínhamos jogador. Aquele tipo de jogador que só de andar mete medo. Parava a bola á sua frente, dançava ao som de uma música brasileira e depois fazia um passe daqueles, daqueles estão a ver...

Maluca: mal entrou mostrou que ia dar que falar. Estatura de gazela da equipa, deixou essa tarefa para o Farinha preferindo correr sempre a atirar as pernas para fora, criando um estilo muito próprio. Ora corria ora se arrastava, sempre com a baliza como objectivo, quando o cansaço apertava procurava posicionar-se na frente de ataque á espera que a bola lá chegasse, aquilo que na gíria chamamos “na mama”. O público vibra ao ver o homem correr...

Pilão: podíamos dizer que faz lembrar o Fernando Aguiar, mas não, prefiro dizer que o Fernando Aguiar o deve ter como jogador a imitar. Pilau mostrou os seus dotes futebolísticos, que todos sabiam que existiam, mas sempre se recusara a desenvolver.

Farinha: era o motor da equipa, o tipico Petit que está em todo o lado, que corria sem bola e com bola, sempre de um lado para o outro, imparável.

Mac: fala mais do que joga, necessitando com certeza de uns óculos para ir á baliza. Aquele golo fica para a história - o que sofreu. Um defesa á moda antiga, que não desiste de um lance e que tem um lema que é comum a muitos outros jogadores da equipa - ou passa o homem, ou a bola, os dois fica difícil, e para cumprir a tradição lá cometeu a falta da ordem.

Toto: jogou em todo o lado, refilava por todo o lado, sempre com a camisola da selecção, como que lembrando Scolari para convocá-lo, ele diz que deixa de fumar se assim for. A equipa está com ele e há mesmo quem diga que se ele não for convocado recusa-se a jogar na Selecção Nacional. Resumindo ou ele é convocado ou então Scolari vai ter problemas de balneário.

Esta equipa promete, afinal, conta pelo número de jogos o número de vitórias e não podemos esquecer que ainda há muito jogador que não foi convocado, assim de repente temos o Zé, o TS que quando entrar vai de certeza marcar a diferença e muitos outros que mais para a frente farei referência.

quarta-feira, março 10, 2004

2003 - O ano blog

O ano de 2003 foi sem dúvida, entre muitas outras coisas, o ano dos blogs, e 2004 será, penso, um ano ainda de maior crescimento. Não bastou cada um de nós sentir a necessidade de ter um número de telemóvel próprio, uma caixa de e-mail ou várias, como agora cada uma de nós quer ter o seu espaço internético de livre expressão – o seu blog.

O blog, como as rádios pirata dos anos 80, nasce assim como mais um símbolo da democratização da opinião. Por quão estúpida ou inteligente que ela seja, cada um liberta o pseudo-Marcelo Rebelo de Sousa que tem dentro de si e diz que também pode sugerir um livro, pronunciar-se sobre um acontecimento ou expressar as suas motivações. E numa auto-estrada de abstinência participativa em que estamos a circular nada é mais inevitável do que os louvar e os respeitar.

Em média são criados 50 blogs portugueses por dia que se juntam aos mais de 11 milhões em todo o mundo, apenas 34% dos blogs resistem à inspiração e motivação inicial, mas os que resistem permitirão criar um fórum mundial de opiniões.

sexta-feira, março 05, 2004

Valeu a pena?

Há uns dias, estava a ler um post do Tiago acerca de actividades extra-curriculares, e...

...este fim-de-semana houve mais um ENDA. Sim, houve MAIS UM, porque já não há nada de apreço que consiga dizer sobre uma instituição que foi tão importante e decisiva na história da vida académica e da sociedade portuguesa.
A mim, que sou dirigente associativo há 4 anos, cada vez me faz menos sentido o que ando a fazer, cada vez me faz menos sentido aquilo que tento transmitir a cada um dos meus colegas. Não porque tenha perdido o sentido do Norte, ou deixado de acreditar nos valores e razões que ditam (ou melhor, ditaram…) a nossa existência. Mas antes, porque sinto que falo para ninguém ouvir, faço por mim em vez de por nós, reivindico por uma causa desapoiada.
Entristece-me bastante marcar uma RGA e aparecerem 10% dos estudantes da Escola. Pergunto-me porque será? Por que razão não querem os estudantes saber se as propinas vão aumentar? Por que razão não quererão os estudantes saber se os docentes são correctamente avaliados ou avaliados de todo, ou se a reprografia vai fechar, ou se vão ter as bolsas a tempo? Pergunto-me, será culpa minha? Não consigo cativar os estudantes? Ou será que os estudantes já não acreditam na instituição que represento? Por que será que num ENDA, em que no painel em se discute a qualidade de vida dos estudantes do Ensino Superior e a Acção Social Escolar estão meia dúzia de Associações representadas e o painel é a despachar, e no painel das eleições para os Órgãos Nacionais estão mais de 100 AAEE, para voltarem a desaparecer no painel seguinte? Afinal, o que querem os dirigentes associativos? Querem realmente saber dos estudantes e dos seus problemas, ou estão mais interessados em ter tachos e criar cada vez mais "jobs for the boys”? Entristece-me ver os tubarões do associativismo estudantil minarem completamente aquilo que ainda resta de bom nesta “vida académica paralela” que tanto gosto me deu trilhar.
Olho para trás e vejo quatro anos de sacrifício, quatro anos em que, apesar do curso extremamente exigente e intensivo que frequento, consegui manter de pé o sonho de participar em algo maior que qualquer um de nós, muitas vezes chegando ao ponto de preterir do curso em prol do associativismo. E no fim, pergunto-me, será que valeu a pena? Eu quero acreditar que sim…

Ora VIva!

Quando soube que as Conversas de Canto haviam renascido, uma saudade que estava latente ouviu o chamamento e fez-se sentir cá dentro. Foi com muita satisfação e alguma nostalgia que vi sugir este blog. Tenho-o como um meio imprescindível de manter aquelas conversas a que nos habituámos no Colégio e que tanta falta fazem...
Espero conseguir contribuir com a minha visão das coisas, partilhar reflexões, quer importantes quer triviais, e não deixar que este rio fantástico seque.
Aquele abraço!