sábado, setembro 25, 2004

Jograis bar

Já que o ambiente das conversas de canto sempre foi rodeado de música e copos deixo uma recomendação porreira: "Jograis Bar", ali perto da Avenida Estados Unidos da América. Bar de porta fechada, música ao vivo do melhor! A APEF andou lá a vadear, cantar e beber ontem...

AS

quarta-feira, setembro 22, 2004

21 de Setembro de 1992

Já nos conhecemos há 12 anos!
Parece estranho o número, parece estranho por parecer tanto, mas também porque temos histórias para encher 15 ou 20...

É “fixe” recordar aquele dia, aquelas sensações, aqueles cheiros e aquele despertar! O parecer tudo tão grande, tão novo. Hoje parece tudo tão velho, tão rico, tão pequeno para as recordações. Mais do que o que nos fez conhecer uns aos outros, o CM, hoje penso no que criámos em conjunto... Acredito que por vezes não temos essa noção, limitamo nos a viver os momentos. Acho que por um lado é bom, continuamos com a inocência de sempre, com as brincadeiras à “puto jardim”, com as mães uns dos outros, a lista não pára! Por outro lado as marcas do tempo surgem com a preocupação de “quando defines o teu curso”, já arranjaste trabalho, ou com as apostas de quem se casa primeiro...muito mais vai surgir!

Mais que marcar momentos, comemorá-los ou não, é preciso que isto tudo permaneça, que isso que chamam amizade seja perene, seja de sangue!

Doze anos já lá vão! Que venham mais 100!
ZACATRAZ
AS

terça-feira, setembro 21, 2004

Esta Semana vou ouvir...


Crash
Dave Matthews Band

Novos Compromissos Editoriais

Lembram-se quando a determinada altura do filme Matrix a visão que o escolhido têm do mundo se transforma num código de números em constante mudança. Uma das coisas que o curso me está a fazer mal é que começo a ver uma quantidade absurda e dispensável de normas a nascer no dia a dia e a clamar por serem escritas.
Pois é, as normas nascem dos problemas. E este blog está com problemas à medida que a quantidade de posts mensais começa a tender para zero. Preocupados com isso vamos estabelecer o nosso "contrato social" (hoje estou com pseudo-estupidez jurídica crónica). Assim sendo decidimos estabelecer os nossos mandamentos e compromissos editoriais.

Art.º único
  1. Todos os membros do blogue "Conversas de Canto" comprometem-se a redigir um texto original num número mínimo de dois por quinzena.
  2. A falta ao disposto no número anterior poderá resultar na prescrição do autor como membro do blogue.

"Os fundadores"

Um cheiro para este dia


21 de Setembro de 1992

Depois de termos visitado aqueles muros e paredes era a hora do almoço - O primeiro almoço. Se houve coisa que marcaria a minha memória daquele dia, e sabemos bem que são sempre as pequenas coisas que ficam cá gravadas, é o cheiro que no átrio da camarata, antes da formatura, se fazia sentir intensamente depois de estreadas pelo menos umas 50 latas.

Se por vezes é um momento, uma música ou uma paisagem; aquele momento ficou sempre associado àquele cheiro inicial - o cheiro da Rosette-lar.

segunda-feira, setembro 20, 2004

No meu bairro está tudo rico!

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30% mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).

O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!

O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...

A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.

Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.

E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é presidente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.

E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal. Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!


Nicolau Tolentino in "Expresso"
20 Setembro 2004

sábado, setembro 11, 2004

Fazer ou aprender

Frequentar o Ensino Superior é uma oportunidade, quer para evoluirmos interiormente enquanto pessoas, quer enquanto cidadãos com um conhecimento acima da média. Hoje é também encarado como mais uma etapa da vida. Temos a infância, a adolescência, se quiserem a primária, o secundário, sendo que posteriormente surge sempre a vontade em entrar no mercado de trabalho. Pelo meio situa-se o ensino superior. Por muitos é visto como uma oportunidade única de ganhar maturidade e conhecimento, por outros é uma etapa à qual “pelos outros” não se pode falhar. Poderemos perguntar agora se é esta a ideia habitual de toda a sociedade portuguesa? Podemos ir mais longe e questionar se estes “hábitos” são positivos? Neste momento não vamos reflectir sobre estas respostas, mas apenas na repercussão que esta mentalidade provoca nos estudantes do Ensino Superior, nomeadamente o Universitário!

O Ensino Universitário tem de ser encarado como uma possibilidade de nos enriquecermos pessoalmente. Um enriquecimento que tem obrigatoriamente de passar pela componente cientifica, mas também pela componente humana e social. Dentro de cada parâmetro, mais que adquirir conhecimentos é necessário interiorizar comportamentos, usufruir experiências que só nos são possíveis de realizar nesta etapa da vida. Frequentar todo o período universitário não é apenas uma simples tarefa avaliada pela negativa ou positiva, mas uma forma de atingir determinados objectivos, onde cada etapa tem uma razão de ser e cada razão deve ser compreendida.

Perante este panorama há que relacionar a visão da sociedade relativamente ao Ensino Universitário, com as exigências do Ensino Universitário face à sociedade. O resultado desta simbiose é a realidade das Universidades Portuguesas. Podemos encontrar alunos aplicados, dedicados, onde a vertente científica se torna uma paixão. Outros há que se valorizam mais na componente humana e pessoal experimentando oportunidades únicas e enriquecedoras. Por último surge sempre a componente social que para muitos é também um factor sempre presente e até primordial. Qual a visão mais correcta, mais sensata? “No meio está a virtude”. Esta expressão tão sábia quanto antiga pode ser aplicada neste caso. Substitua-se o “meio” pelo “equilíbrio”. Esse equilíbrio está pouco presente nas nossas faculdades, e quando está, apresenta-se como uma minoria.

Vejamos, quantos estudantes fazem cadeiras, e acentue-se a expressão fazer, em prol de aprender conteúdos de cadeiras e apreender mentalidades? Quantos estudantes estudam matérias não para aprender, mas sim para passar cadeiras, acabando com a expressão – “está feita!”. Estaremos na faculdade para aprender cadeiras e não para passar cadeiras? A diferença entre um 16 e um 11 traduz-se em conhecimentos diferentes sempre? Quantos estudantes forjam resultados de laboratório ou simplesmente copiam relatórios? Quantos universitários se integram ao mesmo tempo nas actividades extra-curriculares da Universidade? O desenvolvimento de trabalhos sociais é um prazer para os nossos estudantes ou um sacrifício? Se quiserem, quantos estudantes saem das universidades com a cultura do desporto, indo de encontro à velha máxima, mens sana in corpore sano, um principio de uma sociedade evoluída? Passar pela faculdade, pelas salas de aulas, pelos laboratórios, conhecê-los exaustivamente e não viver a faculdade é criar um cidadão equilibrado? Creio que muitas destas questões são partilhadas por muitos Universitários, antigos estudantes ou simples cidadãos.

De todas estas perguntas, acho que podemos concluir que o equilíbrio não existe actualmente em abundância! Assim sendo há que procurar causas! A primeira, e a maior, reside na atitude dos estudantes. É o sujeito responsável pelas suas atitudes. Por outro lado, acredito que as Universidades se habituaram a estas realidades e desresponsabilizaram-se de tentar invertê-las. Acredito que é altura de se pensar não apenas em reformas curriculares, em fazer evoluir as faculdades para os ideais europeus, mas também em repensar o que de mais antigo há: métodos de ensino; abordagem ao aluno; relação professor/aluno; incentivos ao desporto, à sociabilização, à valorização pessoal; humanizar as faculdades; associar o avaliar ao aprender! Outros haverá com toda a certeza. É aqui que acredito que ainda há muito por fazer. No fundo trata-se de tornar as Universidades, o espaço de um ensino superior por excelência.

AS

Voltei!

Findo mais de um mês, volto ao blog!

Os últimos tempos tem sido de uma intensidade elevada, tive tempo para enriquecer este "canto", mas talvez tenha faltado a disponibilidade mental... Vicissitudes da vida!

Vou procurar voltar à realidade da blogosfera pelo menos semanalmente...há muito que contar!

Bem, acabaram as férias, vamos a isso!

Até já, até logo, ou simplesmente fiquem por aí!

AS

sexta-feira, julho 23, 2004

A curiosidade...

Parto este fim de semana de viagem para o lado de lá do Atlântico... A minha colaboração no blog que ultimamente tinha aumentado vai cessar assim um pouco, tendo eu  secreta esperança de conseguir talvez escrever um post de lá, provavelmente sobre o choque de culturas!

Quanto à minha maior curiosidade, nos dias que se aproximam, vai ser com toda a certeza: saber qual a próxima peripécia que o nosso governo vai preparar. Usem da imaginação, penso que tudo é possível!

Vemo-nos por aí!

AS

quarta-feira, julho 14, 2004

Deus

"É uma típica tarde de sexta-feira e estás dirigindo em direcção à tua casa. Sintonizas o rádio.

O noticiário está a falar de coisas de pouca importância.

Numa cidade distante morreram três pessoas com uma gripe até então totalmente desconhecida.

Não prestas muita atenção ao tal acontecimento.

Na segunda-feira, quando acordas, escutas que já não são três, mas 30 mil as pessoas mortas pela tal gripe nas colinas remotas da Índia.

Um grupo do Controle de Doenças dos EUA foi investigar o caso.

Na terça-feira, já a noticia é mais importante, ocupando a primeira página de todos os jornais, porque já não é só na Índia, as também no Paquistão, Irão e Afeganistão.

Enfim, a notícia espalha-se pelo mundo. Chamam a doença de "La Influenza Misteriosa" e todos se perguntam: Que faremos para controlá-la?

Então, uma notícia surpreende a todos: Europa fecha as suas fronteiras. França não recebe mais voos da Índia nem de outros países onde se tenha suspeitas de existência de casos da tal doença.

Devido ao encerramento das fronteiras, estás ligado em todos os meios de comunicação, para te manteres informado da situação e de repente ouves que uma mulher declarou que, num dos hospitais da França, um homem está a morrer pela tal "Influenza Misteriosa".

Começa o pânico na Europa.

As informações dizem que, quando contrais o vírus, é questão de uma semana e nem percebes.

Em seguida tens quatro dias de sintomas horríveis e morres.
A Inglaterra também fecha as suas fronteiras, mas já é tarde.

No dia seguinte o presidente dos EUA fecha também as fronteiras para Europa e Ásia, para evitar a entrada do vírus no país, até que encontrem a cura.

No dia seguinte, as pessoas começam a reunir-se nas igrejas em oração pela descoberta da cura, quando de repente entra alguém na igreja aos gritos:

- Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas mulheres morreram em Nova York!!!

Em questão de horas, parece que a coisa invadiu o mundo inteiro.

Os cientistas continuam a trabalhar na descoberta de um antídoto, mas nada funciona.
De repente, vem a notícia esperada: Conseguiram decifrar o código de ADN do vírus.

É possível fabricar o antídoto!

É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém que não tenha sido infectado pelo vírus.

Corre por todo o mundo a notícia de que as pessoas devem ir aos hospitais fazer a análise de seu sangue e doá-lo para o fabrico do antídoto.

Tu vais voluntariamente com toda tua família, e alguns vizinhos, perguntando-te:
- O que acontecerá?. Será este o final do mundo?

De repente o médico sai a gritar um nome que leu no seu caderno.
O menor dos teus filhos está do teu lado, agarra-se ao teu casaco e diz:
- Pai? Esse é o meu nome!

E antes que possas fazer algo, levam-te o filho e gritas:
- Esperem!

E eles respondem:
- Está tudo bem! O sangue dele está limpo, é sangue puro. Achamos que ele tem o sangue de que precisamos para o antídoto.

Depois de cinco longos minutos, saem os médicos chorando e rindo ao mesmo tempo.
É a primeira vez que vês alguém a rir há uma semana.
O médico mais velho aproxima-se de ti e diz:
- Obrigado senhor! O sangue de seu filho é perfeito, está limpo e puro. O antídoto finalmente poderá ser fabricado!

A noticia espalha-se por todos os lados.

As pessoas estão orando e rindo de felicidade.

Nisto, o médico aproxima-se de ti e da tua esposa e diz:
- Podemos falar um momento? Não sabíamos que o doador seria uma criança e precisamos que o senhor assine uma autorização para usarmos o sangue de seu filho.

Quando estás a ler, percebes que não colocaram a quantidade de sangue que
vão usar e perguntas:
- Qual a quantidade de sangue que vão usar?

O sorriso do médico desaparece e ele responde:
- Não pensávamos que fosse uma criança. Não estávamos preparados, precisamos de todo o sangue do seu filho.

Não podes acreditar no que ouves e...tratas de contestar:
- Mas... mas...

O médico insiste:
- O Senhor não compreende? Estamos a falar da cura para o mundo inteiro!!
Por favor, assine! Nós precisamos de todo o sangue.

Tu, então, perguntas:
- Mas não podem fazer-lhe uma transfusão?

E vem a resposta:
- Se tivéssemos sangue puro, poderíamos. Assine! Por favor, assine!

Em silêncio, e sem sentir a caneta na mão, tu assinas.

Perguntam-te:
- Quer ver o seu filho?

Caminhas na direcção da sala de emergência onde se encontra a criança
sentada na cama dizendo:
- Pai?! Mãe?! O que está acontecer?

- Filho, a tua mãe e eu amamos-te muito e jamais permitiríamos que te acontecesse algo que não fosse necessário, entendes?

O médico regressa e diz-te:
- Sinto muito senhor, precisamos de começar. Gente do mundo inteiro está a morrer.

Podes sair? Podes virar as costas ao teu filho e deixá-lo ali?

O teu filho diz:
- Pai?! Mãe?! Por que é que me estão a abandonar?

E, na semana seguinte, quando fazem uma cerimónia para honrar o teu filho, algumas pessoas ficam em casa a dormir, outras não vêm, porque preferem fazer um passeio ou assistir a um jogo de futebol na TV e outras vêm com um sorriso falso. Tens vontade de parar e gritar:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SE IMPORTAM COM ISSO?


Talvez seja isso o que DEUS quer dizer:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SABEM O QUANTO VOS AMO!!!

É curioso, o simples que é para as pessoas dizer mal de Deus e dizer que não entendem como o mundo vai de mal a pior.
É curioso como acreditamos em tudo aquilo que lemos nos jornais, mas questionamos as palavras de Deus.

É curioso como todos querem ir para o Céu, mas nada fazem para merecê-lo.

É curioso como as pessoas dizem:
- "Eu creio em Deus!" - mas, com suas acções, mostram totalmente o contrário.

É curioso como consegues enviar centenas de piadas através de um correio electrónico (e-mail), mas quando recebes uma mensagem a respeito de Deus, pensas duas vezes antes de compartilhá-las com outros.

É curioso como a luxúria, crua, vulgar e obscena passa livremente através do espaço, mas a discussão pública de DEUS, é suprimida nas escolas e locais de trabalho.

É CURIOSO, NÃO É?

Mais curioso ainda é ver como se pode estar tão crente em DEUS ao domingo, e ser um cristão invisível no resto da semana.

É curioso que quando terminares de ler esta mensagem, não a enviarás a muitos da tua lista de amigos, porque não estás
certo daquilo que eles crêem e do que eles vão pensar..."

terça-feira, julho 13, 2004

Sophia

Imortalizou-se em vida...



Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos foram gestos de bruxedo.
Foram os gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra dos canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entre a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo.
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou pesado e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, julho 06, 2004

Animais! Quem?

O Animal e o Homem!

As vivências fazem-nos evoluir, ou simplesmente mudam a nossa maneira de encarar o mundo e os seus pequenos nadas! Comecei com o Animal e o Homem! Letras maiúsculas leia-se!
Por volta de 12 de Novembro de 2002 (um pouco mais tarde talvez) tive a felicidade de receber juntamente com a minha família um cachorrito. Um Serra da Estrela puro, uma autêntica bola de pelo na altura! A junção de um sonho de infância com um ídolo de infância fez com que aquela autêntica bola de pelo se chamasse Figo. Coincidência das coincidências era viciado em jogar à bola, ou não fosse ele um cão, mas com a particularidade de só andar de voltas das bolas quando não era ele que a tinha! O nome vinha assim do meu ídolo de infância, da bola de que tanto gostava e de um pormenor engraçado: adorava figos, tinham era de ser abertos!
Lá em casa ganhámos lhe afeição! Sempre prezámos por tratá-lo da melhor forma. Espaço para correr foi algo que sempre abundou. O meu pai teimava em arranjar uma casota, em abrir lhe as portas das boxes, para que tivesse um sítio onde se abrigar da chuva se assim quisesse. Ele sempre teimou em andar à chuva! Tinha os seus brinquedos, dados nos anos, ou no Natal, sempre pela minha irmã, que se dava ao trabalho de embrulhar os mesmos. Tinha direito as umas valentes sopas, feitas de propósito pela minha mãe para ele, de resto era só ração do melhor. Muitas horas passámos a penteá-lo, a escová-lo, era uma bola que por mais que quiséssemos tinha sempre pelo. Adorava banhos quentes de mangueira, e se ele tomava banho, todos tinham de tomar banho. Banho era sinónimo de eu ir de chinelos e calções e sair de lá pingado...
Porque tudo isto? Se calhar perguntam com razão! A resposta é simples! Não se limitava a ser um cão. Era a companhia do meu pai durante a semana quando estava na terra. O meu companheiro da bola. Aquele que mantinha a pata no pé da minha mãe quando a minha mãe estava sentada, como que dizendo está guardada. O aconchego da minha irmã, que apesar da sua brutidão de cão(pesava 50/60kg), também sabia deixar que ela o agarrasse e tal como era capaz de saltar para brincar com ela, era capaz de ficar ali parado só a receber mimos. O guarda na nossa casa, da dos vizinhos, da ourivesaria, acho que posso dizer da rua! Sim da rua! Quando o levávamos a passear ao café, ao fundo da rua, os Velhos do Restelo tinham sempre as mesmas afirmações: “Cuidado com o bicho”, “Mete respeito”, “Aquilo puxava uma carroça”. As crianças por seu lado ficavam boquiabertas, aproximavam-se e perguntavam posso dar uma festa? Não tenho registos de uma que se tenha queixado! Se aleijou alguém, não foi criança e foi pela vontade do Figo em brincar...

Passou a fazer parte da família! Fazia de tudo: lambia os pratos do bife; entrava de fugido em casa, ia ao meu quarto e enrolava-se na cama até acordar-me; fazia autênticos raides pela casa a fugir do jornal que o meu pai tinha na mão por ter sujado o sofá; ladrava ao mínimo estranho que passava nas redondezas, ao mínimo bicho que rondava a casa, fosse ele um rato ou uma cobra; perdia a imponência num canto escondido quando é a altura das festas com medo dos foguetes; adorava massa de merendeiras... Acho que passava aqui o resto da noite a contar histórias! Surgiu-me uma última! Era um mimado do piorio, chegava ao cúmulo de com o focinho balançar a minha mão, até que ela saísse do bolso e lhe caísse em cima da cabeça e começasse a termideira que ele tanto gostava.
Já se perguntam, espero, porque terei escrito tal descrição, porque falo hoje pela primeira vez que tenho um cão? A resposta é simples, porque foi hoje que ele morreu com 1 anos e oito meses...
Espero que pela vossa cabeça passem agora as perguntas: como? porquê?
Porque alguém o envenenou! Porque alguém o envenenou! Porque simplesmente nunca conseguiram destrui-lo por fora! Aquele pelo e aquela imponência eram intransponíveis! Tiveram de corroe-lo por dentro! Tiveram de destrui-lo por dentro, com a cobardia de ao longe lhe atirarem algo. Por muitos dias se aguentou, levantando-se sempre que os estranhos por ali andaram, e deitando-se de seguida...esteve lá até ao fim e a pose sempre presente! Porque no fim de tudo isto não é o Animal e o Homem, como erradamente anunciei, porque afinal, Animais, somos todos!
O próximo Figo vem aí!
AS

sexta-feira, julho 02, 2004

A Portuguesa e a Bandeira

Muito se tem discutido como é ou não é!
A Portuguesa donde se retirou o Hino Nacional e uma Bandeira Nacional Portuguesa

A bandeira é rectangular (2:3), tal como as suas antecessoras, e bipartida de verde e vermelho, ocupando o verde dois quintos da largura e o vermelho os restantes três. Centrada na divisão, o brasão da República, constituído pelo escudo (de novo em formato "português") sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro é igual a metade da altura da bandeira.



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça

terça-feira, junho 29, 2004

Votámos em quem?!


A semana é propícia a inúmeras reflexões políticas tal não fosse este um momento inédito na história da nossa democracia portuguesa. Ela irá abrir-nos os olhos para algumas das falácias do nosso regime democrático.
Primeiro há que distinguir que uma coisa é o que queremos dos acontecimentos e outra é o que os acontecimentos realmente são e geram. Ao contrário do que muitos querem, e bem na minha opinião, na nossa democracia, em boa verdade, na maioria dos cargos ditos democráticos, não existe a escolha directa de ninguém.
Na escolha da qualidade, competência ou identidade dos nossos representantes o normal do cidadão não é tido nem achado não estando essa selecção dependente da sua boa vontade ou do seu bom critério mas da vontade ou dos jogos de poder internos dentro das forças partidárias que se candidatam. Os portugueses nunca escolherão directamente o Dr. Santana Lopes da mesma forma como nunca escolheram o Dr. Durão Barroso para ser nosso 1.º Ministro.
Está certo que existem tradições políticas que nos fazem confiar que quando vamos à urna votar é nele ou naquele que votamos, mas o facto é que sempre votámos em siglas para nos representarem e não cidadãos como nós.
Os partidos não só reflectem uma ideologia (ou não) mas também reflectem a nossa preguiça de saber quem é o mais certo para determinado lugar. Eles tratam disso entre eles, aliás, eles negoceiam isso entre eles.
Da mesma forma não serão os cidadãos que escolherão amanhã se o próximo 1.º Ministro será o Ferro, o Soares, o Sócrates, o Vitorino, ou nenhum destes que estes já podem ser maus. Não são os cidadãos que escolherão se um militante de fim de lista é mais competente que um cabeça de lista.
E agora apercebemo-nos que afinal o 1.º Ministro pode ser outro, que nunca escolhemos os nossos ministros, que nunca escolhemos os nossos deputados, que nunca conhecemos o programa deles. Apenas confiámos em duas ou três letras e nas ideias pouco transparentes que uns têm ou não têm. Uma confiança que atinge os seus limites quanto maior é a abstenção.
Além disso as eleições são legislativas não executivas. A Constituição sugere que o Presidente da República convide o presidente do partido vencedor a formar governo. A tradição faz que ele seja, dessa forma, 1º Ministro, mas ele poderá recusar esse cargo e apresentar com o partido outro candidato ao cargo que os portugueses nunca viram pintado. Uma possibilidade que não está claro nem nos eleitores nem em militantes. O costume protege-nos contudo.
Assim quem ganhou foi o PSD não o Dr. Durão Barroso. É o PSD que no parlamento suporta um governo. Aliás o único cargo em que existe uma eleição pessoal é o de Presidente da República, é só para esse que escolhemos a identidade do indivíduo.
E embora fique satisfeito que existam eleições porque não acredito no caminho que o país toma, acho que nesta situação não é o partido que venceu as eleições que tem de ser responsabilizado são os portugueses que votaram num projecto de quatro anos e agora arrependeram-se.
Para terminar, falacioso é também o argumento que "o partido perdeu nas eleições europeias" e como tal perdeu a legitimidade democrática, falacioso porque o programa do governo até pode ser contrário ao programa eleitoral dos eurodeputados (claro que nunca é!), falacioso porque sempre que os resultados de outra eleição fossem abaixos dos obtidos nas legislativas, teríamos sempre uma legitimidade perdida e toca a fazer eleições. Era a impossibilidade de tomar medidas impopulares, era o caos.
É o nosso regime que propicia a partidarização. E embora isso, são capazes de serem convocadas eleições, não deviam, mas para nós ainda bem!

Bestial a Besta! Quem diria?

Pois é meus senhores, começam a evidenciar-se as parecenças entre o futebol e a política.
É comum ouvirmos a expressão "de bestial a besta". Quantas vezes no mundo do desporto, sobretudo no futebol, um jogador dança de um lado para o outro sem nada ter feito. Na política, mais propriamente no interior dos partidos, os militantes do partido maioritário elegeram agora uma nova dançarina. Após, no último congresso do partido do governo, a mulher mão de ferro das finanças portuguesas ter sido unanimemente saudada pelos seus colegas militantes, hoje, a senhora trocou de mão e teve de rodopiar para o outro extremo. Parece que o João Jardim e o Luís Filipe Menezes deram o mote à dança...

Vamos ver onde estas guerras pelo assento de São Bento vão parar! Para já, a verdade é que oficialmente não há um candidato assumido. Mau ou bom presságio?
As gaivotas andam em terra, indicia tempestade no mar e não há comandante para a nau...
Maus ventos se aproximam!

AS

sexta-feira, junho 25, 2004

Do futebol à Europa

Portugal mergulhou no "Mundo do Futebol" desde há uns dias e desde ai tem-se vivido uma euforia desmedida. A conquista das meias-finais colocou os portugueses na rua a festejar uma vitória, mas todos sabem que não se trata apenas de mais uma. O que tem de especial? Sinceramente não sei explicar! Sei que não foi por apenas termos ganho um jogo que todos descemos à rua na passada noite...

Apesar de esta loucura colectiva é preciso não esquecer que tudo isto é efemero, que dentro de dias o Euro2004 acaba. Não podemos esquecer tudo isso! É preciso saber viver este campeonato e saber continuar a viver a vida de todos os dias, preparando o futuro. Desçamos à terra então:

1. O Primeiro Ministro vai mesmo candidatar-se à Presidência da Comissão Europeia?
2. Esta não é uma questão do PSD, do Governo, ou do Durão, mas sim uma questão Nacional. Uma questão que sugere outras tantas.
3. Quem o sucederá? Santana Lopes por dinastia? Sucessão dinástica em Democracia, nunca ouvi falar?
4. Uma pergunta que oiço poucos fazerem, mas que enquanto Europeu me surgiu. Será Durão Barroso um bom Presidente para a Comissão Europeia? Para Portugal seria bom haver um Presidente da União Europeia Português, poucas dúvidas tenho, mas e para a Europa? Não deveríamos discutir isso...
5. Quando o país atravessa uma crise de confiança, com a economia ainda sem força, com os Portugueses desmoralizados, onde só o futebol os revitaliza, sair a meio de uma guerra que foi iniciada por este governo há dois anos e onde não se vislumbra vencedor, é justo o líder sair, mais, é este o exemplo de um líder?
6. Não sei precisar qual o Primeiro Ministro, mas ainda ontem ouvi na SICnotícias que uma das possibilidades mais apetecidas pelos diferentes países, não aceitava pelo compromisso que tinha para com o seu país. Será isso o exemplo de um líder?
7. Atenção, não digo que um Primeiro Ministro não possa abdicar pela Europa. Esse outro sonho que comunhamos também merece esforço, mas há que saber doseá-lo! E a nossa dose era o Vitorino, que foi recusada.
8. Limitei-me a fazer perguntas para as quais ainda não tenho resposta!
9. No meio disto tudo continuam as greves da Carris sem fim à vista; os Professores a constestarem mais uma vez as colocações (que música para os meus ouvidos); os atentados no Iraque; umas eleições europeias sem uma campanha digna desse nome e onde os Portugueses não souberam preservar um direito seu; um país que teima em querer crescer na mente de alguns mas que precisa que os seus líderes também queiram...
10. Acredito na nossa capacidade de trabalho, na nossa dedicação e empenho. Apenas continuo à espera que haja uma oportunidade para que o demonstremos. Apenas...

AS

domingo, junho 20, 2004

Há muito que não escrevo para o BLOG!
Direi mais, provavelmente todo o trabalho de fazer deste blog algo dinâmico dissipou-se, agora com o desleixo a que sujeitámos o canto... Procurarei sempre que possível voltar, consciente que não há desculpas para o desleixo!

Hoje, 20 de Junho de 2004, a Seleção Nacional joga o seu futuro no Euro 2004. Enquanto português sinto me realizado com este Euro. A organização está a superar as minhas expectativas... Não deixo no entanto que isso me reconforte a alma e espero mais, sobretudo da seleção, espero que deixem tudo naquele campo e que reforcem o meu orgulho neste Euro 2004!

Quanto ao meu orgulho em ser Português, esse está sólido, esse é eterno, esse está no meu sangue...

Amanha, como diriam os Madredeus, "Haja o que houver", a minha bandeira estará à janela!

Abraço

segunda-feira, abril 26, 2004

Velhos Tempos

Enviaram-me este mail e não pude deixar de partilhá-lo convosco. Indubitavelmente dá muito gosto ler palavras como estas. Recordar aqueles tempos, em que vivíamos com a responsabilidade única de passar mais um dia em cheio, com os amigos da rua ou os colegas da escola, a jogar à bola até à exaustão, ou então andar atrás da miúda mais gira lá da escola, à espera de uma beijoca no "bate pé", é o bastante para aliviar o stress de mais um dia trabalhoso. Deliciem-se como eu me deliciei...

"nós que...acabávamos os trabalhos de casa à pressa para ir jogar à bola perto de casa.
nós que...éramos obrigados ao "guarda redes avançado" ou a "quem 'tiver perto defende".
nós que...obrigados a "guarda redes avançado" perguntávamos "e passar de meio campo vale?"..."sim,vale tudo!".
nós que...quando se faziam as equipas se fossemos escolhidos em primeiro sentiamo-nos verdadeiramente incriveis,os mais fortes de todos.
nós que...sendo escolhidos por último estávamos destinados a ir à baliza.
nós que...tínhamos sempre um apelido de um jogador importante para nos sentirmos mais fortes.
nós que...quem chegar primeiro aos 10 vence!
nós que...fingíamos nao ouvir as nossas mães a chamar quando começava a ficar escuro e depois havia sempre alguem que dizia "quem marcar ganha!" mesmo que o resultado tivesse 32-1.
nós que...vivemos o terror das botas caneleiras.
nós que...com uns adidas nos pés sentiamo-nos mais fortes que o PELÉ.
nós que...tinhamos aqueles outros tenis sem marca que alem de nao durar nada faziam ficar com os pes com bolhas...
nós que...sonhavamos com aquelas bolas lindas que viamos na televisao mas contentavamo-nos com o que houvesse.
nós que...percebiamos o sentido das camisolas alternativas quando viamos na Tv a preto e branco jogos como o boavista-moreirense.
nós que...os unicos tenis de marca so os levavamos em dias de festa e nem pensar em dar um chuto em qualquer coisa,senao era castigo certo por parte da mãe.
nós que...não nos podíamos sentar em cima da bola senão ela ficava meloa.
nós que...tínhamos de deixar jogar o dono da bola mesmo que fosse uma nulidade e nem quisesse ir a baliza.
nós que...nao precisávamos de barra nem de imagens virtuais para perceber se tinha sido golo ou nao, "golo ou penalty" punha todos de acordo.
nós que..."falta um posso jogar?"..."epa nao sei,a bola nao e minha..."(no caso do pretendente ser um mau jogador).
nós que..."posso entrar?"..."sim,se encontrares um par,porque assim ficamos com um a menos".
nós que...reconhecíamos os jogadores sem ser preciso ter os nomes nas camisolas.
nós que...o nº1 era o guarda redes,o 2 e 3 os laterais,o 4 era o trinco,o 5 era o defesa central e o 6 o libero,o 7 medio direito,o 8 medio centro,o 9 o avançado,o 11 o outro medio possivelmente do lado esquerdo e o 10 com uma faixa no braço era o organizador e capitao porque era o mais forte de todos.
nós que...para um jogador entrar na seleçao nacional devia fazer no minimo 2/3 temporadas a alto nivel.
nós que...os estrangeiros eram no maximo 2 por equipa e conheciamo-los a todos.
nós que...dormiamos com os autocolantes da panini debaixo da almofada.
nós que...quando abriamos os saquinhos esperavamos de nao encontrar aqueles jogadores suplentes eternos que nunca jogavam.
nós que...viamos jogadores como o caccioli e nelo que pareciam mais velhos que os nossos pais.
nós que...o futebol so viamos ao domingo a tarde e as quartas nas competiçoes europeias,nao todos os dias e a qualquer hora que as televisoes decidem.
nós que...se recordamos do domingo desportivo sem as fantochadas de agora e sem os programas com tres ou quatro "entendidos" tip seara cardoso e santana lopes.
nós que...praticamente nao viamos publicidade durante os jogos.
nós que...nao viamos patrocinios em tudo o que e espaço nas camisolas,calçoes,meias,...
nós que...íamos ter com a melhor amiga da rapariga de que gostávamos e dizíamos "pergunta se ela quer andar comigo" e ela no outro dia respondia "ela disse que ia pensar..." e depois pensava durante uma semana...
nós que...faziamos aqueles bilhetes do "queres andar comigo? sim...não...talvez...
nós que...as balizas eram feitas com os nossos casacos ou com as mochilas.
nós que...estávamos sempre todos a horas nos locais combinados sem ajuda de telemóveis e aldrabices.
nós que...mesmo vivendo um pouco longe uns dos outros,saíamos sempre de casa com a esperança de encontrar os amigos ja na proxima esquina com a bola debaixo do braço para irmos jogar.
nós que...aulas era mentira porque tínhamos de jogar e praticar muito para o torneio da escola onde iríamos impressionar as nossas "amadas". "