sexta-feira, outubro 22, 2004

Voltei...

Caros leitores,

Realmente voltei a ausentar-me do blog! Não por uma questão de desleixo, mas porque aqui máquina decidiu avariar por uns dias... Já voltei e espero que em força!

Bem, tenho andado envolvido na organização de um Congresso Científico. Hoje, quando olhava para o blog, pensava como era possível ainda não ter falado disso aqui no conversas por isso resolvi arrumar o assunto. É sobre “Farmacogenómica o amanha das Ciências Farmacêuticas”.
Podem encontrar mais informação em http://www.apef.pt/ . Espero que seja do vosso agrado...
Fiquem aqui com o poster!


Continuem a aparecer!
AS

terça-feira, outubro 19, 2004

Um espinho na entrada desta Comissão

Está prestes a terminar a longa caminhada da candidatura de Durão Barroso, ou melhor, de José Manuel Barroso, à presidência da Comissão Europeia, sendo a investidura dos comissários por si designados votada no Parlamento Europeu, já na próxima semana.

Ainda continuo a achar que o prestígio (se é que existe) de ter um conterrâneo na presidência da comissão não justifica ou compensa o facto de (e penso eu) se ter escolhido um "mau presidente". Pelo menos a esperança no contrário é pouca, ficaremos cá para ver.

Fora quaisquer dúvidas ou estratégias iniciais o presidente é e será este. O executivo por si escolhido entre as poucas escolhas dadas pelos governos, contra todas as expectativas, é que poderá não ser o entretanto designado. Vejamos os problemas:

Primeiro problema - Sr. Rocco Buttiglione - psicanalista, professor universitário, democrata-cristão e italiano.

Foi uma das propostas do Sr. Berlusconi para a pasta da Justiça, Liberdades e Garantias, a que o nosso conhecido José Manuel Barroso assentiu. Poderíamos passar o facto de o Sr. Buttiglione ser um católico praticante, não fosse o facto de a sua prática ser a mais conservadora do catolicismo. Em pleno período de audições no Parlamento, o Sr. Buttiglione não só professou numa entrevista a homossexualidade como um "pecado", como achou por bem frisar que o papel do casamento é a de permitir às mulheres terem filhos e aos homens protegê-los. Enfim, pensamos que foi um desabafo de momento, mas não, uma semana mais tarde, num colóquio sobre o futuro e os desafios da Europa o Sr. Buttiglione faz não só a confirmação das suas convicções como remata ainda alguns comentários pouco lisonjeadores como "as crianças que só têm uma mãe são filhos de uma mãe não muito boa, enquanto as crianças que só têm um pai não são crianças, porque um homem sozinho pode construir um 'robot' mas não uma criança". À partida seriam opiniões livres como as de qualquer um, acontece que a pasta em causa é a das próprias Liberdades civis, mais ainda, acontece que ao fim de várias horas de reuniões os membros da Comissão de Liberdades Civis, consideraram o Sr. Buttiglione incapaz de pôr em prática políticas incentivadoras do "pecado", chumbando a nomeação do comissário por 28 votos contra 25 a favor da nomeação.

Segundo problema - Sr. László Kovács - ministro dos negócios estrangeiros, socialista e húngaro.

Mais do que socialista, foi vice-presidente da Internacional Socialista (como muitos). A Comissão de Indústria, Investigação e Energia, por sua vez, ficou pouco convencida que o Sr. Kovács tivesse competência profissional no âmbito da energia, designadamente através da falta de conhecimentos especializados no que concerne à fusão nuclear ou ao ciclo do hidrogénio. Para além de estarem pouco convencidos da sua idoneidade nas altas funções a que se propunha e insatisfeitos com o facto de o candidato ter expressado desejar continuar o seu ministério até à data da sua confirmação como comissário.

Acontece que a política é feita de equilíbrios... "aceitem um democrata cristão que nós aceitaremos um socialista", e a comissão na próxima semana passará, embora com dois elementos questionáveis. São as moedas de troca da política, um espinho na entrada desta comissão - a Europa e os Europeus estarão nas suas mãos.

segunda-feira, outubro 11, 2004

...

Paula Rego - The Barn, 1994

Decidi começar a pôr todas as semanas um quadro da pintura contemporânea portuguesa, primeiro porque é uma forma de colorir o blog, depois, e mais importante, arranjo com isso um pretexto para investigar um pouco sobre essa área para mim ainda um pouco desconhecida.

Já repararam que os grandes artistas ainda sentem a necessidade de se exilarem perpetuamente.

Há dias assim!

Há dias assim, diferentes!
Em que sorrimos sozinhos, pelos outros e com os outros... Correm nos sensações estranhas, vivemos momentos iguais aos de ontem, aos de hoje e aos de amanha, mas que hoje especialmente decidimos vive-los!
Coisa estranha, isto que chamam vida! Sentimos cheiros, interpretamos sorrisos, e picanços, no fundo comunicamos com os outros procurando fazer desta vida algo rico. Olho para trás e sinto-me bem! Tenho aproveitado muito o que esta passagem tem de bom. Saber perder e sair derrotado é algo que sempre me foi estranho...hoje nem tanto! Talvez por me aperceber que podemos superar as derrotas, hoje sorrio! Sei que estas sensações são resultado do risco, de opções, de querer sempre mais e de alcançar esse mais também!
Soube bem o dia de hoje! Por ser igual a tantos outros, diferente, mas ao mesmo tempo único! Sabe bem tudo isto...

27-09-2004
AS

sábado, outubro 09, 2004

Ramalho!

Caros leitores,

o Tiago, esse desnaturado que tem a mania que sabe escrever, e que dizem que é dos melhores a escrever cá no canto, faz anos hoje... Parabéns Tiago!

Ramalho para ti!

Abraço

Mac

domingo, setembro 26, 2004

MEDO A QUE NOS LEVAS...

Este fim-de-semana dediquei-me a ver quase de seguida os dois documentários mais conhecidos de Michael Moore - "Bowling for Columbine" e "Fahrenheit 9/11".
Se pude estabelecer um elo comum entre os dois filmes, sem qualquer dúvida é a forma como o realizador demonstra que a causa primeira de qualquer violência, interna ou externa, se baseia no medo. O medo, difundido por meios de comunicação cada vez mais sensacionalistas, leva-nos a obter armas para proteger as nossas casas ou a atacar países para que eles não nos ataquem, mesmo que se viva no bairro mais pacífico, mesmo que o outro país não tenha sequer a intenção do ataque.

Em Bowling for Columbine, Moore, no seguimento do masacre do liceu de Columbine, procura as razões primeiras para a autêntica guerra civil que se vive na América. Será a história violenta que o país tem? Não. Será a violência dos media, cinema e jogos de vídeo? Não. Será o elevado número de armas nos lares? Não. Será a facilidade com que se compra armas e munições? Não. E se uma bala valesse 5000 dol./eur., haveria "balas perdidas"? É através da comparação entre países, designadamente entre o Canadá e os EUA que Moore acha encontrar a razão para qualquer violência - o tal medo.

Em Fahrenheit 9/11, também no seguimento de outros massacres, o medo é outro é o do terrorismo, mesmo que exista paz o que faz dinheiro é a guerra, o que faz dinheiro é o medo. O medo de envelhecer ou ficarmos feios já provou que nos faz consumir. O medo de sermos mortos ou atacados, faz, como absurdamente aconteceu na guerra fria, acabemos por estar numa loja a comprar a máscara de gás tamanho M ou o abrigo nuclear T2.

Mais do que as ligações políticas e económicas que Moore desvenda em ambos os filmes, que servem para pensar - a questão que achei mais importante foi mesmo a forma como os Estados gerem o medo dos seus cidadãos e a forma como isso reflecte-se na nossa forma de viver em sociedade.

Ambos os documentários são realizados com uma miscelânea de desenhos animados, imagens históricas, entrevistas e até mesmo filmes publicitários - são por isso hilariantes, únicos e imperdíveis.

Depois de uma breve pesquisa na Internet encontrei um dos livros de Moore - "Stupid White Man", que se encontra actualmente nas nossas livrarias e já esteve no top norte-americano, a ver se arranjo algum tempo para o ler.

sábado, setembro 25, 2004

Jograis bar

Já que o ambiente das conversas de canto sempre foi rodeado de música e copos deixo uma recomendação porreira: "Jograis Bar", ali perto da Avenida Estados Unidos da América. Bar de porta fechada, música ao vivo do melhor! A APEF andou lá a vadear, cantar e beber ontem...

AS

quarta-feira, setembro 22, 2004

21 de Setembro de 1992

Já nos conhecemos há 12 anos!
Parece estranho o número, parece estranho por parecer tanto, mas também porque temos histórias para encher 15 ou 20...

É “fixe” recordar aquele dia, aquelas sensações, aqueles cheiros e aquele despertar! O parecer tudo tão grande, tão novo. Hoje parece tudo tão velho, tão rico, tão pequeno para as recordações. Mais do que o que nos fez conhecer uns aos outros, o CM, hoje penso no que criámos em conjunto... Acredito que por vezes não temos essa noção, limitamo nos a viver os momentos. Acho que por um lado é bom, continuamos com a inocência de sempre, com as brincadeiras à “puto jardim”, com as mães uns dos outros, a lista não pára! Por outro lado as marcas do tempo surgem com a preocupação de “quando defines o teu curso”, já arranjaste trabalho, ou com as apostas de quem se casa primeiro...muito mais vai surgir!

Mais que marcar momentos, comemorá-los ou não, é preciso que isto tudo permaneça, que isso que chamam amizade seja perene, seja de sangue!

Doze anos já lá vão! Que venham mais 100!
ZACATRAZ
AS

terça-feira, setembro 21, 2004

Esta Semana vou ouvir...


Crash
Dave Matthews Band

Novos Compromissos Editoriais

Lembram-se quando a determinada altura do filme Matrix a visão que o escolhido têm do mundo se transforma num código de números em constante mudança. Uma das coisas que o curso me está a fazer mal é que começo a ver uma quantidade absurda e dispensável de normas a nascer no dia a dia e a clamar por serem escritas.
Pois é, as normas nascem dos problemas. E este blog está com problemas à medida que a quantidade de posts mensais começa a tender para zero. Preocupados com isso vamos estabelecer o nosso "contrato social" (hoje estou com pseudo-estupidez jurídica crónica). Assim sendo decidimos estabelecer os nossos mandamentos e compromissos editoriais.

Art.º único
  1. Todos os membros do blogue "Conversas de Canto" comprometem-se a redigir um texto original num número mínimo de dois por quinzena.
  2. A falta ao disposto no número anterior poderá resultar na prescrição do autor como membro do blogue.

"Os fundadores"

Um cheiro para este dia


21 de Setembro de 1992

Depois de termos visitado aqueles muros e paredes era a hora do almoço - O primeiro almoço. Se houve coisa que marcaria a minha memória daquele dia, e sabemos bem que são sempre as pequenas coisas que ficam cá gravadas, é o cheiro que no átrio da camarata, antes da formatura, se fazia sentir intensamente depois de estreadas pelo menos umas 50 latas.

Se por vezes é um momento, uma música ou uma paisagem; aquele momento ficou sempre associado àquele cheiro inicial - o cheiro da Rosette-lar.

segunda-feira, setembro 20, 2004

No meu bairro está tudo rico!

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30% mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).

O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!

O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...

A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.

Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.

E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é presidente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.

E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal. Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!


Nicolau Tolentino in "Expresso"
20 Setembro 2004

sábado, setembro 11, 2004

Fazer ou aprender

Frequentar o Ensino Superior é uma oportunidade, quer para evoluirmos interiormente enquanto pessoas, quer enquanto cidadãos com um conhecimento acima da média. Hoje é também encarado como mais uma etapa da vida. Temos a infância, a adolescência, se quiserem a primária, o secundário, sendo que posteriormente surge sempre a vontade em entrar no mercado de trabalho. Pelo meio situa-se o ensino superior. Por muitos é visto como uma oportunidade única de ganhar maturidade e conhecimento, por outros é uma etapa à qual “pelos outros” não se pode falhar. Poderemos perguntar agora se é esta a ideia habitual de toda a sociedade portuguesa? Podemos ir mais longe e questionar se estes “hábitos” são positivos? Neste momento não vamos reflectir sobre estas respostas, mas apenas na repercussão que esta mentalidade provoca nos estudantes do Ensino Superior, nomeadamente o Universitário!

O Ensino Universitário tem de ser encarado como uma possibilidade de nos enriquecermos pessoalmente. Um enriquecimento que tem obrigatoriamente de passar pela componente cientifica, mas também pela componente humana e social. Dentro de cada parâmetro, mais que adquirir conhecimentos é necessário interiorizar comportamentos, usufruir experiências que só nos são possíveis de realizar nesta etapa da vida. Frequentar todo o período universitário não é apenas uma simples tarefa avaliada pela negativa ou positiva, mas uma forma de atingir determinados objectivos, onde cada etapa tem uma razão de ser e cada razão deve ser compreendida.

Perante este panorama há que relacionar a visão da sociedade relativamente ao Ensino Universitário, com as exigências do Ensino Universitário face à sociedade. O resultado desta simbiose é a realidade das Universidades Portuguesas. Podemos encontrar alunos aplicados, dedicados, onde a vertente científica se torna uma paixão. Outros há que se valorizam mais na componente humana e pessoal experimentando oportunidades únicas e enriquecedoras. Por último surge sempre a componente social que para muitos é também um factor sempre presente e até primordial. Qual a visão mais correcta, mais sensata? “No meio está a virtude”. Esta expressão tão sábia quanto antiga pode ser aplicada neste caso. Substitua-se o “meio” pelo “equilíbrio”. Esse equilíbrio está pouco presente nas nossas faculdades, e quando está, apresenta-se como uma minoria.

Vejamos, quantos estudantes fazem cadeiras, e acentue-se a expressão fazer, em prol de aprender conteúdos de cadeiras e apreender mentalidades? Quantos estudantes estudam matérias não para aprender, mas sim para passar cadeiras, acabando com a expressão – “está feita!”. Estaremos na faculdade para aprender cadeiras e não para passar cadeiras? A diferença entre um 16 e um 11 traduz-se em conhecimentos diferentes sempre? Quantos estudantes forjam resultados de laboratório ou simplesmente copiam relatórios? Quantos universitários se integram ao mesmo tempo nas actividades extra-curriculares da Universidade? O desenvolvimento de trabalhos sociais é um prazer para os nossos estudantes ou um sacrifício? Se quiserem, quantos estudantes saem das universidades com a cultura do desporto, indo de encontro à velha máxima, mens sana in corpore sano, um principio de uma sociedade evoluída? Passar pela faculdade, pelas salas de aulas, pelos laboratórios, conhecê-los exaustivamente e não viver a faculdade é criar um cidadão equilibrado? Creio que muitas destas questões são partilhadas por muitos Universitários, antigos estudantes ou simples cidadãos.

De todas estas perguntas, acho que podemos concluir que o equilíbrio não existe actualmente em abundância! Assim sendo há que procurar causas! A primeira, e a maior, reside na atitude dos estudantes. É o sujeito responsável pelas suas atitudes. Por outro lado, acredito que as Universidades se habituaram a estas realidades e desresponsabilizaram-se de tentar invertê-las. Acredito que é altura de se pensar não apenas em reformas curriculares, em fazer evoluir as faculdades para os ideais europeus, mas também em repensar o que de mais antigo há: métodos de ensino; abordagem ao aluno; relação professor/aluno; incentivos ao desporto, à sociabilização, à valorização pessoal; humanizar as faculdades; associar o avaliar ao aprender! Outros haverá com toda a certeza. É aqui que acredito que ainda há muito por fazer. No fundo trata-se de tornar as Universidades, o espaço de um ensino superior por excelência.

AS

Voltei!

Findo mais de um mês, volto ao blog!

Os últimos tempos tem sido de uma intensidade elevada, tive tempo para enriquecer este "canto", mas talvez tenha faltado a disponibilidade mental... Vicissitudes da vida!

Vou procurar voltar à realidade da blogosfera pelo menos semanalmente...há muito que contar!

Bem, acabaram as férias, vamos a isso!

Até já, até logo, ou simplesmente fiquem por aí!

AS

sexta-feira, julho 23, 2004

A curiosidade...

Parto este fim de semana de viagem para o lado de lá do Atlântico... A minha colaboração no blog que ultimamente tinha aumentado vai cessar assim um pouco, tendo eu  secreta esperança de conseguir talvez escrever um post de lá, provavelmente sobre o choque de culturas!

Quanto à minha maior curiosidade, nos dias que se aproximam, vai ser com toda a certeza: saber qual a próxima peripécia que o nosso governo vai preparar. Usem da imaginação, penso que tudo é possível!

Vemo-nos por aí!

AS

quarta-feira, julho 14, 2004

Deus

"É uma típica tarde de sexta-feira e estás dirigindo em direcção à tua casa. Sintonizas o rádio.

O noticiário está a falar de coisas de pouca importância.

Numa cidade distante morreram três pessoas com uma gripe até então totalmente desconhecida.

Não prestas muita atenção ao tal acontecimento.

Na segunda-feira, quando acordas, escutas que já não são três, mas 30 mil as pessoas mortas pela tal gripe nas colinas remotas da Índia.

Um grupo do Controle de Doenças dos EUA foi investigar o caso.

Na terça-feira, já a noticia é mais importante, ocupando a primeira página de todos os jornais, porque já não é só na Índia, as também no Paquistão, Irão e Afeganistão.

Enfim, a notícia espalha-se pelo mundo. Chamam a doença de "La Influenza Misteriosa" e todos se perguntam: Que faremos para controlá-la?

Então, uma notícia surpreende a todos: Europa fecha as suas fronteiras. França não recebe mais voos da Índia nem de outros países onde se tenha suspeitas de existência de casos da tal doença.

Devido ao encerramento das fronteiras, estás ligado em todos os meios de comunicação, para te manteres informado da situação e de repente ouves que uma mulher declarou que, num dos hospitais da França, um homem está a morrer pela tal "Influenza Misteriosa".

Começa o pânico na Europa.

As informações dizem que, quando contrais o vírus, é questão de uma semana e nem percebes.

Em seguida tens quatro dias de sintomas horríveis e morres.
A Inglaterra também fecha as suas fronteiras, mas já é tarde.

No dia seguinte o presidente dos EUA fecha também as fronteiras para Europa e Ásia, para evitar a entrada do vírus no país, até que encontrem a cura.

No dia seguinte, as pessoas começam a reunir-se nas igrejas em oração pela descoberta da cura, quando de repente entra alguém na igreja aos gritos:

- Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas mulheres morreram em Nova York!!!

Em questão de horas, parece que a coisa invadiu o mundo inteiro.

Os cientistas continuam a trabalhar na descoberta de um antídoto, mas nada funciona.
De repente, vem a notícia esperada: Conseguiram decifrar o código de ADN do vírus.

É possível fabricar o antídoto!

É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém que não tenha sido infectado pelo vírus.

Corre por todo o mundo a notícia de que as pessoas devem ir aos hospitais fazer a análise de seu sangue e doá-lo para o fabrico do antídoto.

Tu vais voluntariamente com toda tua família, e alguns vizinhos, perguntando-te:
- O que acontecerá?. Será este o final do mundo?

De repente o médico sai a gritar um nome que leu no seu caderno.
O menor dos teus filhos está do teu lado, agarra-se ao teu casaco e diz:
- Pai? Esse é o meu nome!

E antes que possas fazer algo, levam-te o filho e gritas:
- Esperem!

E eles respondem:
- Está tudo bem! O sangue dele está limpo, é sangue puro. Achamos que ele tem o sangue de que precisamos para o antídoto.

Depois de cinco longos minutos, saem os médicos chorando e rindo ao mesmo tempo.
É a primeira vez que vês alguém a rir há uma semana.
O médico mais velho aproxima-se de ti e diz:
- Obrigado senhor! O sangue de seu filho é perfeito, está limpo e puro. O antídoto finalmente poderá ser fabricado!

A noticia espalha-se por todos os lados.

As pessoas estão orando e rindo de felicidade.

Nisto, o médico aproxima-se de ti e da tua esposa e diz:
- Podemos falar um momento? Não sabíamos que o doador seria uma criança e precisamos que o senhor assine uma autorização para usarmos o sangue de seu filho.

Quando estás a ler, percebes que não colocaram a quantidade de sangue que
vão usar e perguntas:
- Qual a quantidade de sangue que vão usar?

O sorriso do médico desaparece e ele responde:
- Não pensávamos que fosse uma criança. Não estávamos preparados, precisamos de todo o sangue do seu filho.

Não podes acreditar no que ouves e...tratas de contestar:
- Mas... mas...

O médico insiste:
- O Senhor não compreende? Estamos a falar da cura para o mundo inteiro!!
Por favor, assine! Nós precisamos de todo o sangue.

Tu, então, perguntas:
- Mas não podem fazer-lhe uma transfusão?

E vem a resposta:
- Se tivéssemos sangue puro, poderíamos. Assine! Por favor, assine!

Em silêncio, e sem sentir a caneta na mão, tu assinas.

Perguntam-te:
- Quer ver o seu filho?

Caminhas na direcção da sala de emergência onde se encontra a criança
sentada na cama dizendo:
- Pai?! Mãe?! O que está acontecer?

- Filho, a tua mãe e eu amamos-te muito e jamais permitiríamos que te acontecesse algo que não fosse necessário, entendes?

O médico regressa e diz-te:
- Sinto muito senhor, precisamos de começar. Gente do mundo inteiro está a morrer.

Podes sair? Podes virar as costas ao teu filho e deixá-lo ali?

O teu filho diz:
- Pai?! Mãe?! Por que é que me estão a abandonar?

E, na semana seguinte, quando fazem uma cerimónia para honrar o teu filho, algumas pessoas ficam em casa a dormir, outras não vêm, porque preferem fazer um passeio ou assistir a um jogo de futebol na TV e outras vêm com um sorriso falso. Tens vontade de parar e gritar:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SE IMPORTAM COM ISSO?


Talvez seja isso o que DEUS quer dizer:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SABEM O QUANTO VOS AMO!!!

É curioso, o simples que é para as pessoas dizer mal de Deus e dizer que não entendem como o mundo vai de mal a pior.
É curioso como acreditamos em tudo aquilo que lemos nos jornais, mas questionamos as palavras de Deus.

É curioso como todos querem ir para o Céu, mas nada fazem para merecê-lo.

É curioso como as pessoas dizem:
- "Eu creio em Deus!" - mas, com suas acções, mostram totalmente o contrário.

É curioso como consegues enviar centenas de piadas através de um correio electrónico (e-mail), mas quando recebes uma mensagem a respeito de Deus, pensas duas vezes antes de compartilhá-las com outros.

É curioso como a luxúria, crua, vulgar e obscena passa livremente através do espaço, mas a discussão pública de DEUS, é suprimida nas escolas e locais de trabalho.

É CURIOSO, NÃO É?

Mais curioso ainda é ver como se pode estar tão crente em DEUS ao domingo, e ser um cristão invisível no resto da semana.

É curioso que quando terminares de ler esta mensagem, não a enviarás a muitos da tua lista de amigos, porque não estás
certo daquilo que eles crêem e do que eles vão pensar..."

terça-feira, julho 13, 2004

Sophia

Imortalizou-se em vida...



Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos foram gestos de bruxedo.
Foram os gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra dos canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entre a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo.
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou pesado e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, julho 06, 2004

Animais! Quem?

O Animal e o Homem!

As vivências fazem-nos evoluir, ou simplesmente mudam a nossa maneira de encarar o mundo e os seus pequenos nadas! Comecei com o Animal e o Homem! Letras maiúsculas leia-se!
Por volta de 12 de Novembro de 2002 (um pouco mais tarde talvez) tive a felicidade de receber juntamente com a minha família um cachorrito. Um Serra da Estrela puro, uma autêntica bola de pelo na altura! A junção de um sonho de infância com um ídolo de infância fez com que aquela autêntica bola de pelo se chamasse Figo. Coincidência das coincidências era viciado em jogar à bola, ou não fosse ele um cão, mas com a particularidade de só andar de voltas das bolas quando não era ele que a tinha! O nome vinha assim do meu ídolo de infância, da bola de que tanto gostava e de um pormenor engraçado: adorava figos, tinham era de ser abertos!
Lá em casa ganhámos lhe afeição! Sempre prezámos por tratá-lo da melhor forma. Espaço para correr foi algo que sempre abundou. O meu pai teimava em arranjar uma casota, em abrir lhe as portas das boxes, para que tivesse um sítio onde se abrigar da chuva se assim quisesse. Ele sempre teimou em andar à chuva! Tinha os seus brinquedos, dados nos anos, ou no Natal, sempre pela minha irmã, que se dava ao trabalho de embrulhar os mesmos. Tinha direito as umas valentes sopas, feitas de propósito pela minha mãe para ele, de resto era só ração do melhor. Muitas horas passámos a penteá-lo, a escová-lo, era uma bola que por mais que quiséssemos tinha sempre pelo. Adorava banhos quentes de mangueira, e se ele tomava banho, todos tinham de tomar banho. Banho era sinónimo de eu ir de chinelos e calções e sair de lá pingado...
Porque tudo isto? Se calhar perguntam com razão! A resposta é simples! Não se limitava a ser um cão. Era a companhia do meu pai durante a semana quando estava na terra. O meu companheiro da bola. Aquele que mantinha a pata no pé da minha mãe quando a minha mãe estava sentada, como que dizendo está guardada. O aconchego da minha irmã, que apesar da sua brutidão de cão(pesava 50/60kg), também sabia deixar que ela o agarrasse e tal como era capaz de saltar para brincar com ela, era capaz de ficar ali parado só a receber mimos. O guarda na nossa casa, da dos vizinhos, da ourivesaria, acho que posso dizer da rua! Sim da rua! Quando o levávamos a passear ao café, ao fundo da rua, os Velhos do Restelo tinham sempre as mesmas afirmações: “Cuidado com o bicho”, “Mete respeito”, “Aquilo puxava uma carroça”. As crianças por seu lado ficavam boquiabertas, aproximavam-se e perguntavam posso dar uma festa? Não tenho registos de uma que se tenha queixado! Se aleijou alguém, não foi criança e foi pela vontade do Figo em brincar...

Passou a fazer parte da família! Fazia de tudo: lambia os pratos do bife; entrava de fugido em casa, ia ao meu quarto e enrolava-se na cama até acordar-me; fazia autênticos raides pela casa a fugir do jornal que o meu pai tinha na mão por ter sujado o sofá; ladrava ao mínimo estranho que passava nas redondezas, ao mínimo bicho que rondava a casa, fosse ele um rato ou uma cobra; perdia a imponência num canto escondido quando é a altura das festas com medo dos foguetes; adorava massa de merendeiras... Acho que passava aqui o resto da noite a contar histórias! Surgiu-me uma última! Era um mimado do piorio, chegava ao cúmulo de com o focinho balançar a minha mão, até que ela saísse do bolso e lhe caísse em cima da cabeça e começasse a termideira que ele tanto gostava.
Já se perguntam, espero, porque terei escrito tal descrição, porque falo hoje pela primeira vez que tenho um cão? A resposta é simples, porque foi hoje que ele morreu com 1 anos e oito meses...
Espero que pela vossa cabeça passem agora as perguntas: como? porquê?
Porque alguém o envenenou! Porque alguém o envenenou! Porque simplesmente nunca conseguiram destrui-lo por fora! Aquele pelo e aquela imponência eram intransponíveis! Tiveram de corroe-lo por dentro! Tiveram de destrui-lo por dentro, com a cobardia de ao longe lhe atirarem algo. Por muitos dias se aguentou, levantando-se sempre que os estranhos por ali andaram, e deitando-se de seguida...esteve lá até ao fim e a pose sempre presente! Porque no fim de tudo isto não é o Animal e o Homem, como erradamente anunciei, porque afinal, Animais, somos todos!
O próximo Figo vem aí!
AS