Pois é o nosso blog fez um aninho e nem os seus participantes se dignaram a soprar um fósforo num queque. Parabéns às "Conversas de canto" pela luta de um ano, atrás da sua sobrevivência. E já agora um excelente 2005 e um obrigado para todos aqueles que ainda perdem o seu tempo a sondar se existe algo de novo!
sexta-feira, janeiro 07, 2005
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Será verdade?
"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores"
Platão
Platão
terça-feira, janeiro 04, 2005
Feliz 2005
terça-feira, dezembro 14, 2004
Tremor de terra
O país vai com tal agitação que até a barraca abana!
5,4 é um aviso... convém não deixar ir mais longe!
5,4 é um aviso... convém não deixar ir mais longe!
sábado, dezembro 11, 2004
Semana 50
1. A novela sampaísta continua
A minha opinião continua no entanto por se definir. Porque vejamos a lógica das coisas: se era, como acho que ainda é (veja-se novamente o caso Bombardier), o XVI Governo o pior governo “desde o tempo de D. Maria”, opinião consensual em todo o país (diga o que a excepção quiser), então o pensamento lógico consequencial que se seguiria seria mude-se então o governo. O Dr. Sampaio não achou isso e resolveu iniciar e prosseguir o processo de dissolução do parlamento, um órgão com uma legislatura das mais estáveis se sempre, sem buffets de limianos ou incoerentes altercações de votos e com alguns processos legislativos que se ouve agora dizer essenciais como a questão do arrendamento, do código da estrada, do tabaco, entre outras talvez de maior importância. E o Governo, ilogicamente, continua, nem sequer em gestão, mas na plena posse de todos os seus poderes. Mais ainda fez-se aprovar um Orçamento para a actividade de um Governo assassinado à partida. O que a preconizar-se uma vitória socialista resultará num orçamento rectificativo já por si a carregar algumas condicionantes do precedente. Pois bem este é o pior Governo mude-se o Parlamento – ilógico. Poderia até fazer sentido mude-se o Parlamento e o Governo, mas não foi assim que o Dr. Sampaio decidiu.
Hoje fui ler melhor a comunicação feita ontem ao país. Diz o Dr. Sampaio 1) que “teve em conta a avaliação que fez do interesse nacional”; 2) que ao contrário do que se tinha garantido como condição para a sua tomada de posse não se “gerou um novo governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do País e de mobilizar os portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos”; 3) que não existiu durante a governação um sinal de “particular lucidez nas políticas e um rigor na gestão governativa”; 4) que existiram casos de falta de “transparência, equidade e imparcialidade no exercício do poder e à prevenção de abusos”; 5) que se assistiram a “uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o País vive”, “sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral”; 6) que “o País, que não pode perder mais tempo nem adiar reformas”; 7) que se “revelou um padrão de comportamento sem qualquer sinal de mudança ou possibilidade de regeneração, entendendo que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência”; 8) entendendo ainda que “se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos”.
Este último ponto é substancial para se dizer “mude-se o Parlamento” mas será realmente verdadeiro? Tenho grandes dúvidas. Num processo lógico não caberia ao Presidente da República demitir o Governo e pedir ao Parlamento a designação de um novo, ao que se avaliando da incapacidade da maioria parlamentar para tal, só então, se partiria para a dissolução desta e do resto dos parlamentares? Tudo bem que existe um factor de tempo e de premência das reformas. Mas e se a coligação ganhar com o Dr. Lopes à cabeça, miraculosamente a maioria ganhará a capacidade de gerar um novo governo, mesmo que igual ao anterior, mesmo que carregado de incapazes?
Uma coisa é certa, vêm aí o único dia em que vivemos em democracia, vamos em Fevereiro a eleições, indubitavelmente “para o bem de todos nós”.
2. Evasões
O senhor revelou-se um autêntico dramaturgo, dando espaço e tempo a algumas deixas dos seus parceiros de cena e tudo, embora notoriamente um pouco atrapalhado por algumas cenas que nunca se ensaiaram; vindo, novamente, a contradizer todos aqueles que viam na figura do Presidente da República uma instituição meramente decorativa.
A minha opinião continua no entanto por se definir. Porque vejamos a lógica das coisas: se era, como acho que ainda é (veja-se novamente o caso Bombardier), o XVI Governo o pior governo “desde o tempo de D. Maria”, opinião consensual em todo o país (diga o que a excepção quiser), então o pensamento lógico consequencial que se seguiria seria mude-se então o governo. O Dr. Sampaio não achou isso e resolveu iniciar e prosseguir o processo de dissolução do parlamento, um órgão com uma legislatura das mais estáveis se sempre, sem buffets de limianos ou incoerentes altercações de votos e com alguns processos legislativos que se ouve agora dizer essenciais como a questão do arrendamento, do código da estrada, do tabaco, entre outras talvez de maior importância. E o Governo, ilogicamente, continua, nem sequer em gestão, mas na plena posse de todos os seus poderes. Mais ainda fez-se aprovar um Orçamento para a actividade de um Governo assassinado à partida. O que a preconizar-se uma vitória socialista resultará num orçamento rectificativo já por si a carregar algumas condicionantes do precedente. Pois bem este é o pior Governo mude-se o Parlamento – ilógico. Poderia até fazer sentido mude-se o Parlamento e o Governo, mas não foi assim que o Dr. Sampaio decidiu.
Hoje fui ler melhor a comunicação feita ontem ao país. Diz o Dr. Sampaio 1) que “teve em conta a avaliação que fez do interesse nacional”; 2) que ao contrário do que se tinha garantido como condição para a sua tomada de posse não se “gerou um novo governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do País e de mobilizar os portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos”; 3) que não existiu durante a governação um sinal de “particular lucidez nas políticas e um rigor na gestão governativa”; 4) que existiram casos de falta de “transparência, equidade e imparcialidade no exercício do poder e à prevenção de abusos”; 5) que se assistiram a “uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o País vive”, “sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral”; 6) que “o País, que não pode perder mais tempo nem adiar reformas”; 7) que se “revelou um padrão de comportamento sem qualquer sinal de mudança ou possibilidade de regeneração, entendendo que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência”; 8) entendendo ainda que “se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos”.
Este último ponto é substancial para se dizer “mude-se o Parlamento” mas será realmente verdadeiro? Tenho grandes dúvidas. Num processo lógico não caberia ao Presidente da República demitir o Governo e pedir ao Parlamento a designação de um novo, ao que se avaliando da incapacidade da maioria parlamentar para tal, só então, se partiria para a dissolução desta e do resto dos parlamentares? Tudo bem que existe um factor de tempo e de premência das reformas. Mas e se a coligação ganhar com o Dr. Lopes à cabeça, miraculosamente a maioria ganhará a capacidade de gerar um novo governo, mesmo que igual ao anterior, mesmo que carregado de incapazes?
Uma coisa é certa, vêm aí o único dia em que vivemos em democracia, vamos em Fevereiro a eleições, indubitavelmente “para o bem de todos nós”.
2. Evasões
Fui esta semana ver a peça que está no teatro da Comuna: "A Cabra ou Quem é Sílvia?" de Edward Albee, vencedora do Tony 2002, com grandes interpretações do Carlos Paulo, João Têmpera e Cucha Carvalheiro. Trata dos limites da tolerância e do amor, mesmo daqueles que se proclamam mais liberais. A tolerância do amor para outra mulher, para o mesmo sexo, para uma cabra, para um pai, para um recém nascido... a tolerância e os seus limites no inconscientemente padronizado. A ver...
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Um artigo com dados interessantes...
O último estudo da OCDE sobre educação confirma como estamos mal - e como pouco fazemos para melhorar
O estudo da OCDE conhecido por PISA, que avalia e compara as competências de jovens de 15 anos nas áreas da leitura, da matemática e das ciências, que divulgámos terça-feira, não trouxe grandes surpresas. Na cauda das tabelas continuam a Turquia e o México, estando Portugal muito próximo e acompanhado quase sempre por países do Sul da Europa (Itália, Grécia e também Espanha). No outro extremo da tabela encontramos, de novo em primeiro lugar, a Finlândia, tendo regra geral lugar de destaque o Japão, a Coreia, a Holanda, o Canadá e a Austrália.
Se o mau lugar de Portugal, sobretudo a ciências, não surpreende, não deixa de ser estranho que o que este estudo revela seja o mesmo que atestavam os anteriores e pouco ou nada tenha sido feito para mudar a situação. Importa por isso olhar para os países com mais sucesso e tentar perceber o que fazem melhor do que nós. Talvez começando pela europeia Finlândia.
Associando o que diz a OCDE, uma intervenção do director do projecto, Andreas Schleicher, no conselho de Lisboa, um ONG sedeada em Bruxelas, e o muito útil e interessante estudo de Manuel Castells (o conhecido sociólogo catalão) sobre os porquês do sucesso finlandês, talvez possamos retirar alguns ensinamentos:
- o sucesso não é um factor directo do dinheiro que se gasta no sistema educativo, nem sequer do que se paga aos professores. Em Portugal, por exemplo, gasta-se mais do que em Espanha e quase o dobro do que despende na República Checa, e ambos os países estão acima de nós nos três "rankings". Por seu turno, os professores finlandeses estão muito longe de serem os mais bem pagos ou de o país ser o que mais investe no ensino secundário;
- o sucesso já tem muito mais a ver com a organização do sistema escolar, com a autonomia - tanto orçamental, como curricular - das escolas e com a sua relação com as comunidades locais, algo que tanto o estudo assinala, como Castells destaca. Um sistema centralizado como o nosso é quase sempre a receita para o desastre;
- o sucesso está também directamente relacionado com a importância social e cultural que se dá à formação e à educação. É por isso sem surpresa que notamos o lugar de destaque obtido pelos asiáticos, cuja cultura valoriza há milénios a educação como forma de progresso social, enquanto na Europa os países da frente são os que têm uma mais forte ética de responsabilização individual. Por outras palavras, os de herança protestante, uma ética que Castells também diz ser um dos segredos por detrás do milagre finlandês;
- o sucesso está por fim relacionado com a flexibilidade do sistema educativo, criando desde muito cedo um sentido de exigência e responsabilidade que desafia os professores, os alunos e as famílias a prepararem-se para formações abertas, que não estreitem o futuro dos jovens e tornem mais fácil que busquem novas oportunidades e novos caminhos, não ficando para trás.
Alguns países, como a Polónia, olharam para estes resultados e trataram, com sucesso, de sair dos últimos lugares. Em Portugal temos encolhido os ombros ou feito exactamente o contrário, designadamente ao centralizar ainda mais o sistema, obsessão que este ano se traduziu noutro desastre, o da colocação de professores. Quando será que despertamos e aprendemos com quem faz melhor do que nós?
José Manuel Fernandes
O estudo da OCDE conhecido por PISA, que avalia e compara as competências de jovens de 15 anos nas áreas da leitura, da matemática e das ciências, que divulgámos terça-feira, não trouxe grandes surpresas. Na cauda das tabelas continuam a Turquia e o México, estando Portugal muito próximo e acompanhado quase sempre por países do Sul da Europa (Itália, Grécia e também Espanha). No outro extremo da tabela encontramos, de novo em primeiro lugar, a Finlândia, tendo regra geral lugar de destaque o Japão, a Coreia, a Holanda, o Canadá e a Austrália.
Se o mau lugar de Portugal, sobretudo a ciências, não surpreende, não deixa de ser estranho que o que este estudo revela seja o mesmo que atestavam os anteriores e pouco ou nada tenha sido feito para mudar a situação. Importa por isso olhar para os países com mais sucesso e tentar perceber o que fazem melhor do que nós. Talvez começando pela europeia Finlândia.
Associando o que diz a OCDE, uma intervenção do director do projecto, Andreas Schleicher, no conselho de Lisboa, um ONG sedeada em Bruxelas, e o muito útil e interessante estudo de Manuel Castells (o conhecido sociólogo catalão) sobre os porquês do sucesso finlandês, talvez possamos retirar alguns ensinamentos:
- o sucesso não é um factor directo do dinheiro que se gasta no sistema educativo, nem sequer do que se paga aos professores. Em Portugal, por exemplo, gasta-se mais do que em Espanha e quase o dobro do que despende na República Checa, e ambos os países estão acima de nós nos três "rankings". Por seu turno, os professores finlandeses estão muito longe de serem os mais bem pagos ou de o país ser o que mais investe no ensino secundário;
- o sucesso já tem muito mais a ver com a organização do sistema escolar, com a autonomia - tanto orçamental, como curricular - das escolas e com a sua relação com as comunidades locais, algo que tanto o estudo assinala, como Castells destaca. Um sistema centralizado como o nosso é quase sempre a receita para o desastre;
- o sucesso está também directamente relacionado com a importância social e cultural que se dá à formação e à educação. É por isso sem surpresa que notamos o lugar de destaque obtido pelos asiáticos, cuja cultura valoriza há milénios a educação como forma de progresso social, enquanto na Europa os países da frente são os que têm uma mais forte ética de responsabilização individual. Por outras palavras, os de herança protestante, uma ética que Castells também diz ser um dos segredos por detrás do milagre finlandês;
- o sucesso está por fim relacionado com a flexibilidade do sistema educativo, criando desde muito cedo um sentido de exigência e responsabilidade que desafia os professores, os alunos e as famílias a prepararem-se para formações abertas, que não estreitem o futuro dos jovens e tornem mais fácil que busquem novas oportunidades e novos caminhos, não ficando para trás.
Alguns países, como a Polónia, olharam para estes resultados e trataram, com sucesso, de sair dos últimos lugares. Em Portugal temos encolhido os ombros ou feito exactamente o contrário, designadamente ao centralizar ainda mais o sistema, obsessão que este ano se traduziu noutro desastre, o da colocação de professores. Quando será que despertamos e aprendemos com quem faz melhor do que nós?
José Manuel Fernandes
sexta-feira, novembro 26, 2004
Sobre uma Democracia mais participativa
Ontem tornei-me um dos mais de 35.000 portugueses que apresentará na Assembleia da República a primeira "Iniciativa Legislativa de Cidadãos" para uma maior justiça fiscal e abolição do segredo bancário. (www.contasclaras.net)
O Direito de Iniciativa Legislativa está previsto no art.º 167 da Constituição da República Portuguesa (desde 1997) e foi regulado apenas em 2003. Com esta lei veio finalmente criar-se as condições para que o cidadão comum possa ver discutidas e votadas no Parlamento projectos de lei da sua própria autoria sobre matérias que lhe digam respeito. Este direito é livre e gratuito e para ser exercido basta que os cidadãos eleitores se organizem num grupo de pelo menos 35.000 e que apresentem, por escrito, ao Presidente da Assembleia da República um projecto de lei. Abre-se, assim, a porta à possibilidade de grupos de cidadãos exercerem a competência legislativa tradicionalmente restrita a órgãos de soberania, chamando-se, deste modo, homens e mulheres a uma participação activa na vida política do país.
Para além desta relativa ao fim do sigilo bancário, o que sucede na maioria dos países menos na província, sei que existe uma outra iniciativa por parte da Ordem dos Arquitectos, que defende a assinatura de projectos de arquitectura apenas por arquitectos. (http://www.direito-arquitectura.com.pt/)
O Direito de Iniciativa Legislativa está previsto no art.º 167 da Constituição da República Portuguesa (desde 1997) e foi regulado apenas em 2003. Com esta lei veio finalmente criar-se as condições para que o cidadão comum possa ver discutidas e votadas no Parlamento projectos de lei da sua própria autoria sobre matérias que lhe digam respeito. Este direito é livre e gratuito e para ser exercido basta que os cidadãos eleitores se organizem num grupo de pelo menos 35.000 e que apresentem, por escrito, ao Presidente da Assembleia da República um projecto de lei. Abre-se, assim, a porta à possibilidade de grupos de cidadãos exercerem a competência legislativa tradicionalmente restrita a órgãos de soberania, chamando-se, deste modo, homens e mulheres a uma participação activa na vida política do país.
Para além desta relativa ao fim do sigilo bancário, o que sucede na maioria dos países menos na província, sei que existe uma outra iniciativa por parte da Ordem dos Arquitectos, que defende a assinatura de projectos de arquitectura apenas por arquitectos. (http://www.direito-arquitectura.com.pt/)
Sobre a "Democracia"

"Democracia" de Michael Frayn
Ontem fui ver "Democracia" no Teatro aberto, peça altamente recomendável: primeiro, porque tem uma encenação e uma cenografia muito bem conseguida do João Lourenço, algo que ouvi ser um lugar comum no Teatro Aberto; segundo pelas boas representações, que se acentuam pelo facto de a sala vermelha ser a mais intimista do teatro e os actores estarem particamente entre nós; terceiro porque Michael Frayn criou, à semelhança de "Copenhaga" (que não vi) um argumento histórico que nos impulsiona a correr para casa e investigar mais sobre aquela parte da história do SPD e das duas Alemanhas. Brilhante!
"Alemanha Ocidental, 1969. Willy Brandt inicia a sua carreira como chanceler da República Federal. Günter Guillaume é um dos seus assessores, mas também espião da Stasi, a polícia secreta da outra Alemanha, a República Democrática Alemã. A revelação da dupla identidade de Guillaume irá despoletar a demissão do chanceler em 1974. Em "Democracia", tanto Brandt como Guillaume surgem como homens divididos, abalados por profundas contradições, num restrato psicológico que reflecte as tensões que atravessavam o mundo antes da queda do muro de Berlim em 1989."
Ontem fui ver "Democracia" no Teatro aberto, peça altamente recomendável: primeiro, porque tem uma encenação e uma cenografia muito bem conseguida do João Lourenço, algo que ouvi ser um lugar comum no Teatro Aberto; segundo pelas boas representações, que se acentuam pelo facto de a sala vermelha ser a mais intimista do teatro e os actores estarem particamente entre nós; terceiro porque Michael Frayn criou, à semelhança de "Copenhaga" (que não vi) um argumento histórico que nos impulsiona a correr para casa e investigar mais sobre aquela parte da história do SPD e das duas Alemanhas. Brilhante!
"Alemanha Ocidental, 1969. Willy Brandt inicia a sua carreira como chanceler da República Federal. Günter Guillaume é um dos seus assessores, mas também espião da Stasi, a polícia secreta da outra Alemanha, a República Democrática Alemã. A revelação da dupla identidade de Guillaume irá despoletar a demissão do chanceler em 1974. Em "Democracia", tanto Brandt como Guillaume surgem como homens divididos, abalados por profundas contradições, num restrato psicológico que reflecte as tensões que atravessavam o mundo antes da queda do muro de Berlim em 1989."
terça-feira, novembro 23, 2004
Sobre a minha necessidade de ir ao optometrista
Meus amigos, tenho de ir rapidamente actualizar as graduações das minhas lentes... noto que o problema já tem poucos anos mas parece que não consigo ver as coisas com distinção... é que acho impossível ver o PPD/PSD a ter a sua política completamente dominada por um acordo (quem me dera lê-lo) com o CDS/PP... a doença está a agravar-se e a nossa memória lusitana é tão curta que já nem me lembro quem é que teve mais votos nas eleições.
segunda-feira, novembro 22, 2004
Sobre o Sampaio
Há coisas que não se percebem, já quase no final do seu mandato o Dr. Sampaio insiste em destruir o pouco que fez neste e no anterior. Quase que chega a ser, na minha opinião, infantil... e se estamos já fartos de infantilidades na política, o presidente de todos nós não quer ficar indiferente a elas.
Tudo bem, nomeou o Dr. Lopes para 1.º Ministro, até concordo que muito mais não podia fazer, aliás só fez, na minha opinião, o que devia fazer. Mas se com o Dr. Lopes começou o "circo" o Dr. Sampaio quis fazer frente com a "palhaçada", nada desde então foi realmente construtivo.
Primeiro aplicou-se numa grande encenação de episódios para que ficássemos com a impressão que o governo deve-se a ele e não os eleitores que votaram na coligação.
Depois surge-nos com birras quando não havia necessidade de as ter e calado quando devia berrar. Veja-se o caso da lei das propinas, da lei do rendimento mínimo, do código do trabalho, até mesmo de alguns orçamentos - ouviu-se algum choro. Eu não ouvi!
Mas agora o governo ponha-se a pau, porque com ele não se faz farinha, nada de criação de organismos do governo, centrais de informação ou novos concelhos porque quem governa deve-o ele.
Tudo bem, nomeou o Dr. Lopes para 1.º Ministro, até concordo que muito mais não podia fazer, aliás só fez, na minha opinião, o que devia fazer. Mas se com o Dr. Lopes começou o "circo" o Dr. Sampaio quis fazer frente com a "palhaçada", nada desde então foi realmente construtivo.
Primeiro aplicou-se numa grande encenação de episódios para que ficássemos com a impressão que o governo deve-se a ele e não os eleitores que votaram na coligação.
Depois surge-nos com birras quando não havia necessidade de as ter e calado quando devia berrar. Veja-se o caso da lei das propinas, da lei do rendimento mínimo, do código do trabalho, até mesmo de alguns orçamentos - ouviu-se algum choro. Eu não ouvi!
Mas agora o governo ponha-se a pau, porque com ele não se faz farinha, nada de criação de organismos do governo, centrais de informação ou novos concelhos porque quem governa deve-o ele.
Sobre Jamie Cullum - Som da Semana
Jamie Cullum - Twentysomething
O puto até se desenrasca bem, parece que escreve as suas letras com o irmão e faz umas adaptações porreiras para jazz, bom na verdade um pop-jazz, que é o que está na moda e é o que vende discos, veja-se Norah Jones e Diana Krall. Já esteve em Portugal mas parece que ninguém deu por ele... resta-nos portanto ouvir no sossego do lar.
sábado, novembro 20, 2004
Sobre os Tempos, as Vontades, as Expectativas...
Ontem através de uma passagem de olhos pelas notícias li a tal: "Mário Soares afirma que se não fosse a União Europeia já teriam existido algumas aventuras militares".
O primeiro pensamento foi logo: já foi, é desta que o velho ficou sem juízo na cabeça (algo que sempre achei iminente depois do seu atentado à vida animal nas Seychelles). Como seria possível existir uma aventura militar no Portugal de 2004, como é que os portugueses se deixariam assaltar por uma onda "sul-americana" de revolta e histerismo nas ruas, invasões a parlamentos, destituições populares, o pensamento já fugia para forquilhas e tochas de fogo quanto o apanhei.
Depois de matutar um pouco comecei, sem ter lido mais do que aquela linha de telejornal, a procurar tentar encontrar aspectos para justificar o sujeito histórico, ele ainda não deve ter perdido a razão toda, deve existir um contexto para esta frase que as primeiras linhas de jornal omitem para nos obrigarem a ficar a ver, a procurar, enfim, a querer consumir mais informação. Está certo que nos diálogos políticos familiares ainda saiem palavras que os meus ouvidos não se acostumaram a ouvir: "patrão", "operários", "monopólios"... fogo, actualizem-se!, ou ainda não, não sei... Mas "aventuras militares", impossível... Começo então a fazer a regressão histórica, o Conselho da Revolução, órgão iminentemente militar, só terminou o seu império em 1982, em grande parte porque estavam em cima da mesa as negociações com a Comunidade Económica Europeia... se não fosse esse factor ainda teríamos os marechais a presidir, e teriam eles convocado ou não eleições - disparates... Heellooo! - estamos em 2004 - O Santana está a governar, as pessoas acham mais ou menos mal, mas não se querem preocupar a achar coisa alguma, nem se quer pensar em fazer. O país está mal mas nunca esteve melhor. São 22h00 depois de um dia de trabalho não praticante, descanso os olhos a olhar para a Quinta que somos...
Hoje procuro encontar o contexto, abro o Público e leio a afirmação feita: "Se é certo que a inserção na União Europeia nos defende de aventuras militares, só a consciência cívica dos portugueses nos ajudará a superar os riscos". Frase missal - é verdade, mas onde será que essa consciência sobrevive...? Onde?
O primeiro pensamento foi logo: já foi, é desta que o velho ficou sem juízo na cabeça (algo que sempre achei iminente depois do seu atentado à vida animal nas Seychelles). Como seria possível existir uma aventura militar no Portugal de 2004, como é que os portugueses se deixariam assaltar por uma onda "sul-americana" de revolta e histerismo nas ruas, invasões a parlamentos, destituições populares, o pensamento já fugia para forquilhas e tochas de fogo quanto o apanhei.
Depois de matutar um pouco comecei, sem ter lido mais do que aquela linha de telejornal, a procurar tentar encontrar aspectos para justificar o sujeito histórico, ele ainda não deve ter perdido a razão toda, deve existir um contexto para esta frase que as primeiras linhas de jornal omitem para nos obrigarem a ficar a ver, a procurar, enfim, a querer consumir mais informação. Está certo que nos diálogos políticos familiares ainda saiem palavras que os meus ouvidos não se acostumaram a ouvir: "patrão", "operários", "monopólios"... fogo, actualizem-se!, ou ainda não, não sei... Mas "aventuras militares", impossível... Começo então a fazer a regressão histórica, o Conselho da Revolução, órgão iminentemente militar, só terminou o seu império em 1982, em grande parte porque estavam em cima da mesa as negociações com a Comunidade Económica Europeia... se não fosse esse factor ainda teríamos os marechais a presidir, e teriam eles convocado ou não eleições - disparates... Heellooo! - estamos em 2004 - O Santana está a governar, as pessoas acham mais ou menos mal, mas não se querem preocupar a achar coisa alguma, nem se quer pensar em fazer. O país está mal mas nunca esteve melhor. São 22h00 depois de um dia de trabalho não praticante, descanso os olhos a olhar para a Quinta que somos...
Hoje procuro encontar o contexto, abro o Público e leio a afirmação feita: "Se é certo que a inserção na União Europeia nos defende de aventuras militares, só a consciência cívica dos portugueses nos ajudará a superar os riscos". Frase missal - é verdade, mas onde será que essa consciência sobrevive...? Onde?
segunda-feira, outubro 25, 2004
sexta-feira, outubro 22, 2004
Voltei...
Caros leitores,
Realmente voltei a ausentar-me do blog! Não por uma questão de desleixo, mas porque aqui máquina decidiu avariar por uns dias... Já voltei e espero que em força!
Bem, tenho andado envolvido na organização de um Congresso Científico. Hoje, quando olhava para o blog, pensava como era possível ainda não ter falado disso aqui no conversas por isso resolvi arrumar o assunto. É sobre “Farmacogenómica o amanha das Ciências Farmacêuticas”.
Realmente voltei a ausentar-me do blog! Não por uma questão de desleixo, mas porque aqui máquina decidiu avariar por uns dias... Já voltei e espero que em força!
Bem, tenho andado envolvido na organização de um Congresso Científico. Hoje, quando olhava para o blog, pensava como era possível ainda não ter falado disso aqui no conversas por isso resolvi arrumar o assunto. É sobre “Farmacogenómica o amanha das Ciências Farmacêuticas”.
Podem encontrar mais informação em http://www.apef.pt/ . Espero que seja do vosso agrado...
Fiquem aqui com o poster!
Fiquem aqui com o poster!

Continuem a aparecer!
AS
terça-feira, outubro 19, 2004
Um espinho na entrada desta Comissão

Está prestes a terminar a longa caminhada da candidatura de Durão Barroso, ou melhor, de José Manuel Barroso, à presidência da Comissão Europeia, sendo a investidura dos comissários por si designados votada no Parlamento Europeu, já na próxima semana.
Ainda continuo a achar que o prestígio (se é que existe) de ter um conterrâneo na presidência da comissão não justifica ou compensa o facto de (e penso eu) se ter escolhido um "mau presidente". Pelo menos a esperança no contrário é pouca, ficaremos cá para ver.
Fora quaisquer dúvidas ou estratégias iniciais o presidente é e será este. O executivo por si escolhido entre as poucas escolhas dadas pelos governos, contra todas as expectativas, é que poderá não ser o entretanto designado. Vejamos os problemas:
Primeiro problema - Sr. Rocco Buttiglione - psicanalista, professor universitário, democrata-cristão e italiano.
Foi uma das propostas do Sr. Berlusconi para a pasta da Justiça, Liberdades e Garantias, a que o nosso conhecido José Manuel Barroso assentiu. Poderíamos passar o facto de o Sr. Buttiglione ser um católico praticante, não fosse o facto de a sua prática ser a mais conservadora do catolicismo. Em pleno período de audições no Parlamento, o Sr. Buttiglione não só professou numa entrevista a homossexualidade como um "pecado", como achou por bem frisar que o papel do casamento é a de permitir às mulheres terem filhos e aos homens protegê-los. Enfim, pensamos que foi um desabafo de momento, mas não, uma semana mais tarde, num colóquio sobre o futuro e os desafios da Europa o Sr. Buttiglione faz não só a confirmação das suas convicções como remata ainda alguns comentários pouco lisonjeadores como "as crianças que só têm uma mãe são filhos de uma mãe não muito boa, enquanto as crianças que só têm um pai não são crianças, porque um homem sozinho pode construir um 'robot' mas não uma criança". À partida seriam opiniões livres como as de qualquer um, acontece que a pasta em causa é a das próprias Liberdades civis, mais ainda, acontece que ao fim de várias horas de reuniões os membros da Comissão de Liberdades Civis, consideraram o Sr. Buttiglione incapaz de pôr em prática políticas incentivadoras do "pecado", chumbando a nomeação do comissário por 28 votos contra 25 a favor da nomeação.
Segundo problema - Sr. László Kovács - ministro dos negócios estrangeiros, socialista e húngaro.
Mais do que socialista, foi vice-presidente da Internacional Socialista (como muitos). A Comissão de Indústria, Investigação e Energia, por sua vez, ficou pouco convencida que o Sr. Kovács tivesse competência profissional no âmbito da energia, designadamente através da falta de conhecimentos especializados no que concerne à fusão nuclear ou ao ciclo do hidrogénio. Para além de estarem pouco convencidos da sua idoneidade nas altas funções a que se propunha e insatisfeitos com o facto de o candidato ter expressado desejar continuar o seu ministério até à data da sua confirmação como comissário.
Acontece que a política é feita de equilíbrios... "aceitem um democrata cristão que nós aceitaremos um socialista", e a comissão na próxima semana passará, embora com dois elementos questionáveis. São as moedas de troca da política, um espinho na entrada desta comissão - a Europa e os Europeus estarão nas suas mãos.
Ainda continuo a achar que o prestígio (se é que existe) de ter um conterrâneo na presidência da comissão não justifica ou compensa o facto de (e penso eu) se ter escolhido um "mau presidente". Pelo menos a esperança no contrário é pouca, ficaremos cá para ver.
Fora quaisquer dúvidas ou estratégias iniciais o presidente é e será este. O executivo por si escolhido entre as poucas escolhas dadas pelos governos, contra todas as expectativas, é que poderá não ser o entretanto designado. Vejamos os problemas:
Primeiro problema - Sr. Rocco Buttiglione - psicanalista, professor universitário, democrata-cristão e italiano.
Foi uma das propostas do Sr. Berlusconi para a pasta da Justiça, Liberdades e Garantias, a que o nosso conhecido José Manuel Barroso assentiu. Poderíamos passar o facto de o Sr. Buttiglione ser um católico praticante, não fosse o facto de a sua prática ser a mais conservadora do catolicismo. Em pleno período de audições no Parlamento, o Sr. Buttiglione não só professou numa entrevista a homossexualidade como um "pecado", como achou por bem frisar que o papel do casamento é a de permitir às mulheres terem filhos e aos homens protegê-los. Enfim, pensamos que foi um desabafo de momento, mas não, uma semana mais tarde, num colóquio sobre o futuro e os desafios da Europa o Sr. Buttiglione faz não só a confirmação das suas convicções como remata ainda alguns comentários pouco lisonjeadores como "as crianças que só têm uma mãe são filhos de uma mãe não muito boa, enquanto as crianças que só têm um pai não são crianças, porque um homem sozinho pode construir um 'robot' mas não uma criança". À partida seriam opiniões livres como as de qualquer um, acontece que a pasta em causa é a das próprias Liberdades civis, mais ainda, acontece que ao fim de várias horas de reuniões os membros da Comissão de Liberdades Civis, consideraram o Sr. Buttiglione incapaz de pôr em prática políticas incentivadoras do "pecado", chumbando a nomeação do comissário por 28 votos contra 25 a favor da nomeação.
Segundo problema - Sr. László Kovács - ministro dos negócios estrangeiros, socialista e húngaro.
Mais do que socialista, foi vice-presidente da Internacional Socialista (como muitos). A Comissão de Indústria, Investigação e Energia, por sua vez, ficou pouco convencida que o Sr. Kovács tivesse competência profissional no âmbito da energia, designadamente através da falta de conhecimentos especializados no que concerne à fusão nuclear ou ao ciclo do hidrogénio. Para além de estarem pouco convencidos da sua idoneidade nas altas funções a que se propunha e insatisfeitos com o facto de o candidato ter expressado desejar continuar o seu ministério até à data da sua confirmação como comissário.
Acontece que a política é feita de equilíbrios... "aceitem um democrata cristão que nós aceitaremos um socialista", e a comissão na próxima semana passará, embora com dois elementos questionáveis. São as moedas de troca da política, um espinho na entrada desta comissão - a Europa e os Europeus estarão nas suas mãos.
segunda-feira, outubro 11, 2004
...

Paula Rego - The Barn, 1994
Decidi começar a pôr todas as semanas um quadro da pintura contemporânea portuguesa, primeiro porque é uma forma de colorir o blog, depois, e mais importante, arranjo com isso um pretexto para investigar um pouco sobre essa área para mim ainda um pouco desconhecida.
Já repararam que os grandes artistas ainda sentem a necessidade de se exilarem perpetuamente.
Há dias assim!
Há dias assim, diferentes!
Em que sorrimos sozinhos, pelos outros e com os outros... Correm nos sensações estranhas, vivemos momentos iguais aos de ontem, aos de hoje e aos de amanha, mas que hoje especialmente decidimos vive-los!
Coisa estranha, isto que chamam vida! Sentimos cheiros, interpretamos sorrisos, e picanços, no fundo comunicamos com os outros procurando fazer desta vida algo rico. Olho para trás e sinto-me bem! Tenho aproveitado muito o que esta passagem tem de bom. Saber perder e sair derrotado é algo que sempre me foi estranho...hoje nem tanto! Talvez por me aperceber que podemos superar as derrotas, hoje sorrio! Sei que estas sensações são resultado do risco, de opções, de querer sempre mais e de alcançar esse mais também!
Soube bem o dia de hoje! Por ser igual a tantos outros, diferente, mas ao mesmo tempo único! Sabe bem tudo isto...
27-09-2004
AS
Em que sorrimos sozinhos, pelos outros e com os outros... Correm nos sensações estranhas, vivemos momentos iguais aos de ontem, aos de hoje e aos de amanha, mas que hoje especialmente decidimos vive-los!
Coisa estranha, isto que chamam vida! Sentimos cheiros, interpretamos sorrisos, e picanços, no fundo comunicamos com os outros procurando fazer desta vida algo rico. Olho para trás e sinto-me bem! Tenho aproveitado muito o que esta passagem tem de bom. Saber perder e sair derrotado é algo que sempre me foi estranho...hoje nem tanto! Talvez por me aperceber que podemos superar as derrotas, hoje sorrio! Sei que estas sensações são resultado do risco, de opções, de querer sempre mais e de alcançar esse mais também!
Soube bem o dia de hoje! Por ser igual a tantos outros, diferente, mas ao mesmo tempo único! Sabe bem tudo isto...
27-09-2004
AS
sábado, outubro 09, 2004
Ramalho!
Caros leitores,
o Tiago, esse desnaturado que tem a mania que sabe escrever, e que dizem que é dos melhores a escrever cá no canto, faz anos hoje... Parabéns Tiago!
Ramalho para ti!
Abraço
Mac
o Tiago, esse desnaturado que tem a mania que sabe escrever, e que dizem que é dos melhores a escrever cá no canto, faz anos hoje... Parabéns Tiago!
Ramalho para ti!
Abraço
Mac
domingo, setembro 26, 2004
MEDO A QUE NOS LEVAS...
Este fim-de-semana dediquei-me a ver quase de seguida os dois documentários mais conhecidos de Michael Moore - "Bowling for Columbine" e "Fahrenheit 9/11".
Se pude estabelecer um elo comum entre os dois filmes, sem qualquer dúvida é a forma como o realizador demonstra que a causa primeira de qualquer violência, interna ou externa, se baseia no medo. O medo, difundido por meios de comunicação cada vez mais sensacionalistas, leva-nos a obter armas para proteger as nossas casas ou a atacar países para que eles não nos ataquem, mesmo que se viva no bairro mais pacífico, mesmo que o outro país não tenha sequer a intenção do ataque.
Em Bowling for Columbine, Moore, no seguimento do masacre do liceu de Columbine, procura as razões primeiras para a autêntica guerra civil que se vive na América. Será a história violenta que o país tem? Não. Será a violência dos media, cinema e jogos de vídeo? Não. Será o elevado número de armas nos lares? Não. Será a facilidade com que se compra armas e munições? Não. E se uma bala valesse 5000 dol./eur., haveria "balas perdidas"? É através da comparação entre países, designadamente entre o Canadá e os EUA que Moore acha encontrar a razão para qualquer violência - o tal medo.
Em Fahrenheit 9/11, também no seguimento de outros massacres, o medo é outro é o do terrorismo, mesmo que exista paz o que faz dinheiro é a guerra, o que faz dinheiro é o medo. O medo de envelhecer ou ficarmos feios já provou que nos faz consumir. O medo de sermos mortos ou atacados, faz, como absurdamente aconteceu na guerra fria, acabemos por estar numa loja a comprar a máscara de gás tamanho M ou o abrigo nuclear T2.
Mais do que as ligações políticas e económicas que Moore desvenda em ambos os filmes, que servem para pensar - a questão que achei mais importante foi mesmo a forma como os Estados gerem o medo dos seus cidadãos e a forma como isso reflecte-se na nossa forma de viver em sociedade.
Ambos os documentários são realizados com uma miscelânea de desenhos animados, imagens históricas, entrevistas e até mesmo filmes publicitários - são por isso hilariantes, únicos e imperdíveis.
Depois de uma breve pesquisa na Internet encontrei um dos livros de Moore - "Stupid White Man", que se encontra actualmente nas nossas livrarias e já esteve no top norte-americano, a ver se arranjo algum tempo para o ler.
Em Bowling for Columbine, Moore, no seguimento do masacre do liceu de Columbine, procura as razões primeiras para a autêntica guerra civil que se vive na América. Será a história violenta que o país tem? Não. Será a violência dos media, cinema e jogos de vídeo? Não. Será o elevado número de armas nos lares? Não. Será a facilidade com que se compra armas e munições? Não. E se uma bala valesse 5000 dol./eur., haveria "balas perdidas"? É através da comparação entre países, designadamente entre o Canadá e os EUA que Moore acha encontrar a razão para qualquer violência - o tal medo.
Em Fahrenheit 9/11, também no seguimento de outros massacres, o medo é outro é o do terrorismo, mesmo que exista paz o que faz dinheiro é a guerra, o que faz dinheiro é o medo. O medo de envelhecer ou ficarmos feios já provou que nos faz consumir. O medo de sermos mortos ou atacados, faz, como absurdamente aconteceu na guerra fria, acabemos por estar numa loja a comprar a máscara de gás tamanho M ou o abrigo nuclear T2.
Mais do que as ligações políticas e económicas que Moore desvenda em ambos os filmes, que servem para pensar - a questão que achei mais importante foi mesmo a forma como os Estados gerem o medo dos seus cidadãos e a forma como isso reflecte-se na nossa forma de viver em sociedade.
Ambos os documentários são realizados com uma miscelânea de desenhos animados, imagens históricas, entrevistas e até mesmo filmes publicitários - são por isso hilariantes, únicos e imperdíveis.
Depois de uma breve pesquisa na Internet encontrei um dos livros de Moore - "Stupid White Man", que se encontra actualmente nas nossas livrarias e já esteve no top norte-americano, a ver se arranjo algum tempo para o ler.
sábado, setembro 25, 2004
Jograis bar
Já que o ambiente das conversas de canto sempre foi rodeado de música e copos deixo uma recomendação porreira: "Jograis Bar", ali perto da Avenida Estados Unidos da América. Bar de porta fechada, música ao vivo do melhor! A APEF andou lá a vadear, cantar e beber ontem...
AS
AS
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