domingo, janeiro 23, 2005

Participação Política Directa



Já lá vão os tempos idos da pós-revolução em que nos liceus era leccionada a disciplina de "Introdução à Política", indispensável para um povo que nunca tinha lidado com os mais simples instrumentos democráticos, promovendo a análise crítica das instituições e das doutrinas e procurando estimular a formação e opção política dos jovens. Já lá vai o tempo em que o aumento substancial de candidatos ao ensino superior obrigou a instauração de um Serviço Cívico Estudantil obrigatório como requisito à entrada neste nível de ensino.

Hoje tudo o que é político é tomado como desprezível, dispensável e distante, muitas vezes renegado. Abre-se caminho a uma sociedade individualista onde se espera que os outros é que façam algo por nós e a nós apenas cabe dizer mal deles. Delega-se nos partidos a condução das localidades e do Estado mas desconfiando não encontramos formas alternativas aos seus poderes.

Constituição da República Portuguesa

Artigo 9.º
(Tarefas fundamentais do Estado)
São tarefas fundamentais do Estado: (...)
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais


Artigo 48.º
(Participação na vida pública)

1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.
2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.


É com esses pretextos que procurarei sistematizar, nos próximos tempos, formas alternativas de participação política directa já existentes, mas desconhecidas da grande massa dos portugueses. A democracia existe para além do domingo de eleições. Porque é que ninguém ensina isso na escola?

sábado, janeiro 15, 2005

Titã

“Pequeno Mundo aquele em que vivemos face à imensidão do Universo”

Mundo feito de pequenos nadas, outras vezes daquilo que achamos ser muito importante… um Mundo nosso, que é nada no meio de tudo isto!
Titan é a última descoberta do Homem! Vale a pena acompanhar o assunto. Recomendo o site da ESA: http://www.esa.int/esaCP/index.html ...desfrutem de imagens, sons, histórias! Em português, acompanhem o blog Abrupto, faz uma boa cobertura.
AS

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Medo!!!!

Andava a passear por este Mundo que é a Net e encontrei este texto... desfrutem!

Leiam sem medo!!!

Medo

Era uma palavra... Apenas uma palavra e no entanto os meus lábios selaram anos de inconformismo e dor.
Como se o organismo se recusasse a ser feliz, a fazer as coisas bem...
Sabes que deixar de ser "eu", para ser nós é um processo lento e nem sempre bem sucedido.
A mente é dona de estranhos buracos e armadilhas.
Penso que também sabes isso.
Por isso torna-se inútil dizer-te palavras que conheces e mesmo assim recusas entender.
Dói-me lembrar-te ajoelhado a meus pés a implorar perdão por um pecado que nem sabes que cometes.
Dói-me porque queres apagar as minhas lágrimas com as tuas.
Era apenas uma palavra... uma palavra a negar a estranha necessidade de ser tua sem o ser.
Sabes que quis fugir?
Fugir de ti, fugir do amor que te tenho e me prende as asas...
Fugir de ti e consumir-me nesta infelicidade mórbida.
Ainda assim, agarraste-me com força, as lágrimas a escorrerem-te pela face, a desfazerem-te o coração.
Sabes que sou cobarde? Sim... profundamente cobarde.
Estupidamente cobarde e no entanto amas-me assim. Ou aprendeste a amar-me.
Qual das duas foi, interrogo-me... Mas por muito que o faça nunca vou descobrir.
Porque as tuas mãos se selaram em volta das minhas, os teus braços esmagaram a minha cobardia, o meu medo de amar.
Ser feliz nem sempre é fácil, sabias? Ser feliz às vezes também dói. Porque ter-te a meu lado é toda a minha felicidade, a minha única felicidade e no entanto por vezes parece-me tão distante, tão hercúleo.
Mesmo quando abafas as minhas lágrimas nas tuas.
Já te disse que ficas lindo quando choras? Na infelicidade também existe poesia. Nos teus olhos perfeitos de lágrimas também existe amor. E por isso é belo.
É nas tuas lágrimas que vejo o meu coração. Porque ele está dentro de ti. Numa profundidade que só as lágrimas alcançam.
Sim... é em ti que vivo e no entanto quis fugir de ti, trazendo a morte no regaço. Porquê, perguntas-me tu, e deitas-te em mim, e sufocas-me de beijos e amor.
Porque amar-te é a única coisa que não sei fazer. Porque me surpreendo a cada dia com este amor. Porque ele me ultrapassa e me enche de maresia.
E por isso amor, tenho medo. Medo da grandiosidade. Medo de precisar de ti mais do que precisas de mim. Medo de acordar de um sonho e morrer a recordar os teus lábios...
Medo do medo de amar.
E ainda assim, enlaças-me em ti.
Quero-te, dizes tu. E eu sei, estranhamente, que é verdade. Sei... e assim silencio o medo, apago as lágrimas e adormeço em ti.

Publicado por Fairy_morgaine em junho 21


sexta-feira, janeiro 07, 2005

Sobre a Semana 01


1. Figura da Semana: Pôncio Monteiro
Afinal, mesmo depois do Natal, o circo recusa-se a abandonar o país. Pelo que parece a época das artes circences ainda está longe de terminar, como foi visto pelo já tradicional e fantástico número de perícia do lançamento triangular de facas às laranjas (foram-se as maçãs), entre o Sr. Rio a atirar ao Sr. Monteiro e o Sr. Monteiro a atirar ao Sr. Lopes. Parece que mesmo neste ramo também não sobra lá muita competência, porque o Sr. Lopes está farto de se queixar que só lhe acertam nas costas, ele que já tinha tudo planeado para depois do contrato com o Sr. Seabra completar o elenco dos "Donos da Bola".


2. Facto da Semana: Ajudas para a Ásia
Para além de tudo o que se pode dizer ou mais sentir sobre a tragédia, vezes e vezes comercializada e banalizada nos nossos telejornais, esta semana deixou-se de fazer aquela contabilidade em directo do número de mortos, em que não bastava dizer que ainda era cedo para contabilizar o número total, e só faltou o númerozinho no canto do ecrã a crescer permanentemente; substituindo-se a contabilidade pelo valor total das ajudas humanitárias monetárias para as zonas afectadas. Esclarecedora para os próximos 4 anos foi a primeira ajuda lançada pelos Estados Unidos (caramba, era menos que os 40M do Euro-milhões), que atrapalhadamente foi incrementada para os 200M, 1/4 do que o Partido Repúblicano gastou nas últimas eleições.

Sobre o Aniversário do Conversas de Canto

Pois é o nosso blog fez um aninho e nem os seus participantes se dignaram a soprar um fósforo num queque. Parabéns às "Conversas de canto" pela luta de um ano, atrás da sua sobrevivência. E já agora um excelente 2005 e um obrigado para todos aqueles que ainda perdem o seu tempo a sondar se existe algo de novo!

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Será verdade?

"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores"

Platão


terça-feira, janeiro 04, 2005

Feliz 2005

Definitivamente o BLOG parou! Espero que apenas por uns tempos...

De qualquer forma queria desejar um Feliz 2005 a todos.

Abraço

AS

terça-feira, dezembro 14, 2004

Tremor de terra

O país vai com tal agitação que até a barraca abana!
5,4 é um aviso... convém não deixar ir mais longe!



sábado, dezembro 11, 2004

Semana 50

1. A novela sampaísta continua
O senhor revelou-se um autêntico dramaturgo, dando espaço e tempo a algumas deixas dos seus parceiros de cena e tudo, embora notoriamente um pouco atrapalhado por algumas cenas que nunca se ensaiaram; vindo, novamente, a contradizer todos aqueles que viam na figura do Presidente da República uma instituição meramente decorativa.

A minha opinião continua no entanto por se definir. Porque vejamos a lógica das coisas: se era, como acho que ainda é (veja-se novamente o caso Bombardier), o XVI Governo o pior governo “desde o tempo de D. Maria”, opinião consensual em todo o país (diga o que a excepção quiser), então o pensamento lógico consequencial que se seguiria seria mude-se então o governo. O Dr. Sampaio não achou isso e resolveu iniciar e prosseguir o processo de dissolução do parlamento, um órgão com uma legislatura das mais estáveis se sempre, sem buffets de limianos ou incoerentes altercações de votos e com alguns processos legislativos que se ouve agora dizer essenciais como a questão do arrendamento, do código da estrada, do tabaco, entre outras talvez de maior importância. E o Governo, ilogicamente, continua, nem sequer em gestão, mas na plena posse de todos os seus poderes. Mais ainda fez-se aprovar um Orçamento para a actividade de um Governo assassinado à partida. O que a preconizar-se uma vitória socialista resultará num orçamento rectificativo já por si a carregar algumas condicionantes do precedente. Pois bem este é o pior Governo mude-se o Parlamento – ilógico. Poderia até fazer sentido mude-se o Parlamento e o Governo, mas não foi assim que o Dr. Sampaio decidiu.

Hoje fui ler melhor a comunicação feita ontem ao país. Diz o Dr. Sampaio 1) que “teve em conta a avaliação que fez do interesse nacional”; 2) que ao contrário do que se tinha garantido como condição para a sua tomada de posse não se “gerou um novo governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do País e de mobilizar os portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos”; 3) que não existiu durante a governação um sinal de “particular lucidez nas políticas e um rigor na gestão governativa”; 4) que existiram casos de falta de “transparência, equidade e imparcialidade no exercício do poder e à prevenção de abusos”; 5) que se assistiram a “uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o País vive”, “sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral”; 6) que “o País, que não pode perder mais tempo nem adiar reformas”; 7) que se “revelou um padrão de comportamento sem qualquer sinal de mudança ou possibilidade de regeneração, entendendo que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência”; 8) entendendo ainda que “se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos”.

Este último ponto é substancial para se dizer “mude-se o Parlamento” mas será realmente verdadeiro? Tenho grandes dúvidas. Num processo lógico não caberia ao Presidente da República demitir o Governo e pedir ao Parlamento a designação de um novo, ao que se avaliando da incapacidade da maioria parlamentar para tal, só então, se partiria para a dissolução desta e do resto dos parlamentares? Tudo bem que existe um factor de tempo e de premência das reformas. Mas e se a coligação ganhar com o Dr. Lopes à cabeça, miraculosamente a maioria ganhará a capacidade de gerar um novo governo, mesmo que igual ao anterior, mesmo que carregado de incapazes?

Uma coisa é certa, vêm aí o único dia em que vivemos em democracia, vamos em Fevereiro a eleições, indubitavelmente “para o bem de todos nós”.

2. Evasões
Fui esta semana ver a peça que está no teatro da Comuna: "A Cabra ou Quem é Sílvia?" de Edward Albee, vencedora do Tony 2002, com grandes interpretações do Carlos Paulo, João Têmpera e Cucha Carvalheiro. Trata dos limites da tolerância e do amor, mesmo daqueles que se proclamam mais liberais. A tolerância do amor para outra mulher, para o mesmo sexo, para uma cabra, para um pai, para um recém nascido... a tolerância e os seus limites no inconscientemente padronizado. A ver...

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Um artigo com dados interessantes...

O último estudo da OCDE sobre educação confirma como estamos mal - e como pouco fazemos para melhorar

O estudo da OCDE conhecido por PISA, que avalia e compara as competências de jovens de 15 anos nas áreas da leitura, da matemática e das ciências, que divulgámos terça-feira, não trouxe grandes surpresas. Na cauda das tabelas continuam a Turquia e o México, estando Portugal muito próximo e acompanhado quase sempre por países do Sul da Europa (Itália, Grécia e também Espanha). No outro extremo da tabela encontramos, de novo em primeiro lugar, a Finlândia, tendo regra geral lugar de destaque o Japão, a Coreia, a Holanda, o Canadá e a Austrália.
Se o mau lugar de Portugal, sobretudo a ciências, não surpreende, não deixa de ser estranho que o que este estudo revela seja o mesmo que atestavam os anteriores e pouco ou nada tenha sido feito para mudar a situação. Importa por isso olhar para os países com mais sucesso e tentar perceber o que fazem melhor do que nós. Talvez começando pela europeia Finlândia.
Associando o que diz a OCDE, uma intervenção do director do projecto, Andreas Schleicher, no conselho de Lisboa, um ONG sedeada em Bruxelas, e o muito útil e interessante estudo de Manuel Castells (o conhecido sociólogo catalão) sobre os porquês do sucesso finlandês, talvez possamos retirar alguns ensinamentos:
- o sucesso não é um factor directo do dinheiro que se gasta no sistema educativo, nem sequer do que se paga aos professores. Em Portugal, por exemplo, gasta-se mais do que em Espanha e quase o dobro do que despende na República Checa, e ambos os países estão acima de nós nos três "rankings". Por seu turno, os professores finlandeses estão muito longe de serem os mais bem pagos ou de o país ser o que mais investe no ensino secundário;
- o sucesso já tem muito mais a ver com a organização do sistema escolar, com a autonomia - tanto orçamental, como curricular - das escolas e com a sua relação com as comunidades locais, algo que tanto o estudo assinala, como Castells destaca. Um sistema centralizado como o nosso é quase sempre a receita para o desastre;
- o sucesso está também directamente relacionado com a importância social e cultural que se dá à formação e à educação. É por isso sem surpresa que notamos o lugar de destaque obtido pelos asiáticos, cuja cultura valoriza há milénios a educação como forma de progresso social, enquanto na Europa os países da frente são os que têm uma mais forte ética de responsabilização individual. Por outras palavras, os de herança protestante, uma ética que Castells também diz ser um dos segredos por detrás do milagre finlandês;
- o sucesso está por fim relacionado com a flexibilidade do sistema educativo, criando desde muito cedo um sentido de exigência e responsabilidade que desafia os professores, os alunos e as famílias a prepararem-se para formações abertas, que não estreitem o futuro dos jovens e tornem mais fácil que busquem novas oportunidades e novos caminhos, não ficando para trás.
Alguns países, como a Polónia, olharam para estes resultados e trataram, com sucesso, de sair dos últimos lugares. Em Portugal temos encolhido os ombros ou feito exactamente o contrário, designadamente ao centralizar ainda mais o sistema, obsessão que este ano se traduziu noutro desastre, o da colocação de professores. Quando será que despertamos e aprendemos com quem faz melhor do que nós?
José Manuel Fernandes

sexta-feira, novembro 26, 2004

Sobre uma Democracia mais participativa

Ontem tornei-me um dos mais de 35.000 portugueses que apresentará na Assembleia da República a primeira "Iniciativa Legislativa de Cidadãos" para uma maior justiça fiscal e abolição do segredo bancário. (www.contasclaras.net)

O Direito de Iniciativa Legislativa está previsto no art.º 167 da Constituição da República Portuguesa (desde 1997) e foi regulado apenas em 2003. Com esta lei veio finalmente criar-se as condições para que o cidadão comum possa ver discutidas e votadas no Parlamento projectos de lei da sua própria autoria sobre matérias que lhe digam respeito. Este direito é livre e gratuito e para ser exercido basta que os cidadãos eleitores se organizem num grupo de pelo menos 35.000 e que apresentem, por escrito, ao Presidente da Assembleia da República um projecto de lei. Abre-se, assim, a porta à possibilidade de grupos de cidadãos exercerem a competência legislativa tradicionalmente restrita a órgãos de soberania, chamando-se, deste modo, homens e mulheres a uma participação activa na vida política do país.

Para além desta relativa ao fim do sigilo bancário, o que sucede na maioria dos países menos na província, sei que existe uma outra iniciativa por parte da Ordem dos Arquitectos, que defende a assinatura de projectos de arquitectura apenas por arquitectos. (http://www.direito-arquitectura.com.pt/)

Sobre a "Democracia"

"Democracia" de Michael Frayn

Ontem fui ver "Democracia" no Teatro aberto, peça altamente recomendável: primeiro, porque tem uma encenação e uma cenografia muito bem conseguida do João Lourenço, algo que ouvi ser um lugar comum no Teatro Aberto; segundo pelas boas representações, que se acentuam pelo facto de a sala vermelha ser a mais intimista do teatro e os actores estarem particamente entre nós; terceiro porque Michael Frayn criou, à semelhança de "Copenhaga" (que não vi) um argumento histórico que nos impulsiona a correr para casa e investigar mais sobre aquela parte da história do SPD e das duas Alemanhas. Brilhante!

"Alemanha Ocidental, 1969. Willy Brandt inicia a sua carreira como chanceler da República Federal. Günter Guillaume é um dos seus assessores, mas também espião da Stasi, a polícia secreta da outra Alemanha, a República Democrática Alemã. A revelação da dupla identidade de Guillaume irá despoletar a demissão do chanceler em 1974. Em "Democracia", tanto Brandt como Guillaume surgem como homens divididos, abalados por profundas contradições, num restrato psicológico que reflecte as tensões que atravessavam o mundo antes da queda do muro de Berlim em 1989."

terça-feira, novembro 23, 2004

Sobre a minha necessidade de ir ao optometrista

Meus amigos, tenho de ir rapidamente actualizar as graduações das minhas lentes... noto que o problema já tem poucos anos mas parece que não consigo ver as coisas com distinção... é que acho impossível ver o PPD/PSD a ter a sua política completamente dominada por um acordo (quem me dera lê-lo) com o CDS/PP... a doença está a agravar-se e a nossa memória lusitana é tão curta que já nem me lembro quem é que teve mais votos nas eleições.

segunda-feira, novembro 22, 2004

Sobre o Sampaio

Há coisas que não se percebem, já quase no final do seu mandato o Dr. Sampaio insiste em destruir o pouco que fez neste e no anterior. Quase que chega a ser, na minha opinião, infantil... e se estamos já fartos de infantilidades na política, o presidente de todos nós não quer ficar indiferente a elas.
Tudo bem, nomeou o Dr. Lopes para 1.º Ministro, até concordo que muito mais não podia fazer, aliás só fez, na minha opinião, o que devia fazer. Mas se com o Dr. Lopes começou o "circo" o Dr. Sampaio quis fazer frente com a "palhaçada", nada desde então foi realmente construtivo.
Primeiro aplicou-se numa grande encenação de episódios para que ficássemos com a impressão que o governo deve-se a ele e não os eleitores que votaram na coligação.
Depois surge-nos com birras quando não havia necessidade de as ter e calado quando devia berrar. Veja-se o caso da lei das propinas, da lei do rendimento mínimo, do código do trabalho, até mesmo de alguns orçamentos - ouviu-se algum choro. Eu não ouvi!
Mas agora o governo ponha-se a pau, porque com ele não se faz farinha, nada de criação de organismos do governo, centrais de informação ou novos concelhos porque quem governa deve-o ele.

Sobre Jamie Cullum - Som da Semana


Jamie Cullum - Twentysomething
O puto até se desenrasca bem, parece que escreve as suas letras com o irmão e faz umas adaptações porreiras para jazz, bom na verdade um pop-jazz, que é o que está na moda e é o que vende discos, veja-se Norah Jones e Diana Krall. Já esteve em Portugal mas parece que ninguém deu por ele... resta-nos portanto ouvir no sossego do lar.

sábado, novembro 20, 2004

Sobre os Tempos, as Vontades, as Expectativas...



Ontem através de uma passagem de olhos pelas notícias li a tal: "Mário Soares afirma que se não fosse a União Europeia já teriam existido algumas aventuras militares".

O primeiro pensamento foi logo: já foi, é desta que o velho ficou sem juízo na cabeça (algo que sempre achei iminente depois do seu atentado à vida animal nas Seychelles). Como seria possível existir uma aventura militar no Portugal de 2004, como é que os portugueses se deixariam assaltar por uma onda "sul-americana" de revolta e histerismo nas ruas, invasões a parlamentos, destituições populares, o pensamento já fugia para forquilhas e tochas de fogo quanto o apanhei.

Depois de matutar um pouco comecei, sem ter lido mais do que aquela linha de telejornal, a procurar tentar encontrar aspectos para justificar o sujeito histórico, ele ainda não deve ter perdido a razão toda, deve existir um contexto para esta frase que as primeiras linhas de jornal omitem para nos obrigarem a ficar a ver, a procurar, enfim, a querer consumir mais informação. Está certo que nos diálogos políticos familiares ainda saiem palavras que os meus ouvidos não se acostumaram a ouvir: "patrão", "operários", "monopólios"... fogo, actualizem-se!, ou ainda não, não sei... Mas "aventuras militares", impossível... Começo então a fazer a regressão histórica, o Conselho da Revolução, órgão iminentemente militar, só terminou o seu império em 1982, em grande parte porque estavam em cima da mesa as negociações com a Comunidade Económica Europeia... se não fosse esse factor ainda teríamos os marechais a presidir, e teriam eles convocado ou não eleições - disparates... Heellooo! - estamos em 2004 - O Santana está a governar, as pessoas acham mais ou menos mal, mas não se querem preocupar a achar coisa alguma, nem se quer pensar em fazer. O país está mal mas nunca esteve melhor. São 22h00 depois de um dia de trabalho não praticante, descanso os olhos a olhar para a Quinta que somos...

Hoje procuro encontar o contexto, abro o Público e leio a afirmação feita: "Se é certo que a inserção na União Europeia nos defende de aventuras militares, só a consciência cívica dos portugueses nos ajudará a superar os riscos". Frase missal - é verdade, mas onde será que essa consciência sobrevive...? Onde?

sexta-feira, outubro 22, 2004

Voltei...

Caros leitores,

Realmente voltei a ausentar-me do blog! Não por uma questão de desleixo, mas porque aqui máquina decidiu avariar por uns dias... Já voltei e espero que em força!

Bem, tenho andado envolvido na organização de um Congresso Científico. Hoje, quando olhava para o blog, pensava como era possível ainda não ter falado disso aqui no conversas por isso resolvi arrumar o assunto. É sobre “Farmacogenómica o amanha das Ciências Farmacêuticas”.
Podem encontrar mais informação em http://www.apef.pt/ . Espero que seja do vosso agrado...
Fiquem aqui com o poster!


Continuem a aparecer!
AS

terça-feira, outubro 19, 2004

Um espinho na entrada desta Comissão

Está prestes a terminar a longa caminhada da candidatura de Durão Barroso, ou melhor, de José Manuel Barroso, à presidência da Comissão Europeia, sendo a investidura dos comissários por si designados votada no Parlamento Europeu, já na próxima semana.

Ainda continuo a achar que o prestígio (se é que existe) de ter um conterrâneo na presidência da comissão não justifica ou compensa o facto de (e penso eu) se ter escolhido um "mau presidente". Pelo menos a esperança no contrário é pouca, ficaremos cá para ver.

Fora quaisquer dúvidas ou estratégias iniciais o presidente é e será este. O executivo por si escolhido entre as poucas escolhas dadas pelos governos, contra todas as expectativas, é que poderá não ser o entretanto designado. Vejamos os problemas:

Primeiro problema - Sr. Rocco Buttiglione - psicanalista, professor universitário, democrata-cristão e italiano.

Foi uma das propostas do Sr. Berlusconi para a pasta da Justiça, Liberdades e Garantias, a que o nosso conhecido José Manuel Barroso assentiu. Poderíamos passar o facto de o Sr. Buttiglione ser um católico praticante, não fosse o facto de a sua prática ser a mais conservadora do catolicismo. Em pleno período de audições no Parlamento, o Sr. Buttiglione não só professou numa entrevista a homossexualidade como um "pecado", como achou por bem frisar que o papel do casamento é a de permitir às mulheres terem filhos e aos homens protegê-los. Enfim, pensamos que foi um desabafo de momento, mas não, uma semana mais tarde, num colóquio sobre o futuro e os desafios da Europa o Sr. Buttiglione faz não só a confirmação das suas convicções como remata ainda alguns comentários pouco lisonjeadores como "as crianças que só têm uma mãe são filhos de uma mãe não muito boa, enquanto as crianças que só têm um pai não são crianças, porque um homem sozinho pode construir um 'robot' mas não uma criança". À partida seriam opiniões livres como as de qualquer um, acontece que a pasta em causa é a das próprias Liberdades civis, mais ainda, acontece que ao fim de várias horas de reuniões os membros da Comissão de Liberdades Civis, consideraram o Sr. Buttiglione incapaz de pôr em prática políticas incentivadoras do "pecado", chumbando a nomeação do comissário por 28 votos contra 25 a favor da nomeação.

Segundo problema - Sr. László Kovács - ministro dos negócios estrangeiros, socialista e húngaro.

Mais do que socialista, foi vice-presidente da Internacional Socialista (como muitos). A Comissão de Indústria, Investigação e Energia, por sua vez, ficou pouco convencida que o Sr. Kovács tivesse competência profissional no âmbito da energia, designadamente através da falta de conhecimentos especializados no que concerne à fusão nuclear ou ao ciclo do hidrogénio. Para além de estarem pouco convencidos da sua idoneidade nas altas funções a que se propunha e insatisfeitos com o facto de o candidato ter expressado desejar continuar o seu ministério até à data da sua confirmação como comissário.

Acontece que a política é feita de equilíbrios... "aceitem um democrata cristão que nós aceitaremos um socialista", e a comissão na próxima semana passará, embora com dois elementos questionáveis. São as moedas de troca da política, um espinho na entrada desta comissão - a Europa e os Europeus estarão nas suas mãos.

segunda-feira, outubro 11, 2004

...

Paula Rego - The Barn, 1994

Decidi começar a pôr todas as semanas um quadro da pintura contemporânea portuguesa, primeiro porque é uma forma de colorir o blog, depois, e mais importante, arranjo com isso um pretexto para investigar um pouco sobre essa área para mim ainda um pouco desconhecida.

Já repararam que os grandes artistas ainda sentem a necessidade de se exilarem perpetuamente.