- Antes de mais quais são as reais dimensões do "arrastão"? Sem qualquer tipo de análise cuidada já o acontecimento era apelidado de arrastão. Segundo a comunicação social registou-se uma única queixa por assalto, foram prestados cuidados de saúde a alguns banhistas e assistimos ás entrevistas de 3 a 4 pessoas, donos dos bares e mais um ou outro adolescente, sempre as mesmas pessoas a testemunhar nos 4 canais, num dia de calor, em que a praia estava repleta de gente. Não ponho em causa a relevância e veracidade do acontecimento, mas os factos levam-se a supor que 500 indíviduos numa praia a movimentarem-se em massa teriam provavelmente criado mais estragos, quer materiais, quer humanos. O acontecimento é preocupante mas deve ser analisado friamente e não lançar o pânico. É preciso reagir, mas saber reagir.
- Perante este cenário, a Assembleia da República, essa instituição de "prestígio", com discussões tão interessantes e sobretudo com tardes de "conversa da treta" decidiu lançar-se na discussão do tema. Pelo que entendi dessa acesa discussão, o alvo da crítica não foram os responsáveis pelo acontecimento. A causa/solução do problema não está na distribuição dos meios de segurança policial na região de Lisboa e muito menos na ausência de planeamento urbano e social das grandes cidades o que leva à criação de autênticos guetos. A discussão centrou-se numa troca de acusações mútuas tão típica dos deputados portugueses. Interessante e de registar!
- Por fim não podia deixar de referir uma notícia do Público: Governo Civil autoriza manifestação contra "arrastão" de Carcavelos. Passo a citar: A auto-intitulada Marcha contra a Criminalidade terá lugar na Praça Martim Moniz e, apesar de o pedido de autorização não referir a Frente Nacional, dois dos seus dirigentes disseram ao PÚBLICO que, para além de participarem na manifestação, querem igualmente desfilar entre o Martim Moniz e o Rossio. Mário Machado, um desses dirigentes, referiu que os cartazes e palavras de ordem andarão à volta de ideias como "Imigração igual a crime". Talvez fosse bom alguém informar o Sr. Mário Machado que a Cova da Moura, a Buraca entre outras zonas problemáticas da região de Lisboa, locais de origem dos responsáveis pelo "arrastão", são zonas localizadas no interior da Região Metropolitana de Lisboa, bem no interior de Portugal Continental e a não ser que a definição de imigrante tenha mudado, talvez um pouco de geografia lhe fizesse bem. Os criminosos são portugueses!
PS - soube bem voltar a escrever para o blog
AS





