terça-feira, junho 21, 2005

É urgente permanecer...

É com grande pesar que nos despedimos deste grande homem. Eugénio de Andrade. Um dos mais conhecidos poetas Portugueses, e com mais obras traduzidas do que outro qualquer poeta nacional, foi um ícone na maneira como descrevia o seu mundo. Se muitos poetas portugueses da nossa época são marcados pelo desencanto, "Eugénio de Andrade vai buscar ao paraíso da infância, à intimidade com a terra, à pura felicidade de se ter um corpo a fulgurante alegria de alguns momentos privilegiados".




Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, junho 20, 2005

F1 - Portugal

Tiago Monteiro 3º lugar no Grande Prémio dos USA!

Podemos encarar este resultado como a consequência de 6 equipas terem desistido e afirmar facilmente: "questão de sorte".

Prefiro "acreditar e defender" tratar-se de um Português que trabalhou para conquistar essa sorte. Espero que o primeiro de muitos prémios!



"A sorte conquista-se!"

domingo, junho 19, 2005

Semana das Manifestações

1. Não deixa de ser bastante redutor a forma como muitos fixaram e fixam apenas a imagem de um Cunhal-democrático. Álvaro Cunhal chega à primavera de Abril já com 61 anos de idade, já na idade da teimosia não da coerência (se um adulto tiver comportamentos infantis não o chamamos de coerente). Com meio século de resistência, prisão, tortura, exílio, Cunhal temeu a democracia e nunca aprendeu a usá-la como instrumento para a sua utopia, que duvidosamente se pôde chamar democrática. A homenagem é em grande parte para o Cunhal-resistente, o Cunhal-mito, símbolo de esperança e luta contra a ditadura. Luta essa que a muitos pretensos democratas faltou a coragem de a encetar.

2. O Governo de Sócrates foi presenteado com a sua primeira grande manifestação de contestação, pondo-se um ponto final ao seu estado de graça. O problema de qualquer contestação da Função Pública é que lesa mais os utentes contribuintes que o próprio Estado. Sempre nos rimos de piadas e anedotas sobre a inércia do tipo de funcionário público, o Governo procede agora a um "ataque à função pública", em parte legitimado por esta descrença generalizada e noutra apertado pela necessidade de reduzir o sr. monstro-déficit. Maximizar a eficácia e eficiência da Administração Pública é essencial, exige-se é flexibilidade negocial dos dois lados, o que não está a acontecer: cada um é a favor que se reduza privilégios exagerados mas que se comece na casa do vizinho.

3. A semana acabou com a manifestação da estupidez nacional. Embora só tenham sido apenas umas centenas a não ter a vergonha de se manifestar, cada vez mais acredito que este tipo de sentimento sempre esteve generalizado pelo país, podendo aquelas centenas serem multiplicadas por muitas mais. Para "descolonizarem" Portugal como pretendem e como "fizeram com os mouros e com os espanhóis" só lhes basta arranjarem um líder carismático, ignorantes que votem neles temos que sobre.

sábado, junho 18, 2005

Donovan Frankenreiter



Um CD para ouvir ao fim do dia...

Obesidade Mental

O Prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito de "Obesidade Mental" para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»

Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.» Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto. As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.

«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental

sexta-feira, junho 17, 2005

Não, não e mais não...

in Diário Digital sobre manifestação dos funcionários públicos

"No documento, os manifestantes dizem «não à redução salarial, não ao aumento dos impostos, não ao congelamento de carreiras, não à implementação do novo sistema de avaliação de desempenho e não à redução das funções sociais do Estado»."

Ocorreu me uma pergunta, será que dizem sim a alguma coisa?

AS

Arrastão...

É evidente a preocupação que o "arrastão" que ocorrreu na praia de Carcavelos provoca na sociedade. O denominado "arrastão" levanta muitas questões e permitiu a criação de movimentos de carácter duvidoso.
  1. Antes de mais quais são as reais dimensões do "arrastão"? Sem qualquer tipo de análise cuidada já o acontecimento era apelidado de arrastão. Segundo a comunicação social registou-se uma única queixa por assalto, foram prestados cuidados de saúde a alguns banhistas e assistimos ás entrevistas de 3 a 4 pessoas, donos dos bares e mais um ou outro adolescente, sempre as mesmas pessoas a testemunhar nos 4 canais, num dia de calor, em que a praia estava repleta de gente. Não ponho em causa a relevância e veracidade do acontecimento, mas os factos levam-se a supor que 500 indíviduos numa praia a movimentarem-se em massa teriam provavelmente criado mais estragos, quer materiais, quer humanos. O acontecimento é preocupante mas deve ser analisado friamente e não lançar o pânico. É preciso reagir, mas saber reagir.
  2. Perante este cenário, a Assembleia da República, essa instituição de "prestígio", com discussões tão interessantes e sobretudo com tardes de "conversa da treta" decidiu lançar-se na discussão do tema. Pelo que entendi dessa acesa discussão, o alvo da crítica não foram os responsáveis pelo acontecimento. A causa/solução do problema não está na distribuição dos meios de segurança policial na região de Lisboa e muito menos na ausência de planeamento urbano e social das grandes cidades o que leva à criação de autênticos guetos. A discussão centrou-se numa troca de acusações mútuas tão típica dos deputados portugueses. Interessante e de registar!
  3. Por fim não podia deixar de referir uma notícia do Público: Governo Civil autoriza manifestação contra "arrastão" de Carcavelos. Passo a citar: A auto-intitulada Marcha contra a Criminalidade terá lugar na Praça Martim Moniz e, apesar de o pedido de autorização não referir a Frente Nacional, dois dos seus dirigentes disseram ao PÚBLICO que, para além de participarem na manifestação, querem igualmente desfilar entre o Martim Moniz e o Rossio. Mário Machado, um desses dirigentes, referiu que os cartazes e palavras de ordem andarão à volta de ideias como "Imigração igual a crime". Talvez fosse bom alguém informar o Sr. Mário Machado que a Cova da Moura, a Buraca entre outras zonas problemáticas da região de Lisboa, locais de origem dos responsáveis pelo "arrastão", são zonas localizadas no interior da Região Metropolitana de Lisboa, bem no interior de Portugal Continental e a não ser que a definição de imigrante tenha mudado, talvez um pouco de geografia lhe fizesse bem. Os criminosos são portugueses!

PS - soube bem voltar a escrever para o blog

AS

Frágil


quinta-feira, junho 16, 2005

Recuerdos...


Com isto dos anos do Cilha e das fotos deu-me para ir ao
baú das recordações relembrar este bons momentos...


quarta-feira, junho 15, 2005

reencontro

Decidi começar a escrever novamente... preciso de falar com voces, de ter aquelas conversas de canto que tanto sinto falta... E que melhor sítio que o nosso "canto"?!

Bem hoje vou dormir que já se faz tarde, mas amanha encontramo-nos no teu canto para conversarmos mais um pouco.

Até amanha..

Cabecilha

É apenas para desejar os parabéns ao grande Cilha e mandar-lhe aquele abraço




Barcelona


Os 3 grandes...

quinta-feira, junho 02, 2005

Certezas...

Apenas temos…
A certeza de que estamos sempre começando…
A certeza de que precisamos de continuar…
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar…

Adaptado de Fernando Pessoa

terça-feira, abril 12, 2005

domingo, abril 10, 2005

Barcelona - uma cidade do Mundo

Descobrir mais um pouco de Barcelona!
Dali, um génio, um artista, ou um lunático? Talvez seja tudo o mesmo!
A personagem...


AS

sábado, abril 09, 2005

Barcelona - uma cidade do Mundo

Após uma grandiosa visita a Barcelona, visitei a Sagrada Família, obra de Gaudí. Há mais de um século em construcção e com toda a certeza um século de construcção pela frente até ser acabada...

"não deve ser desta"

Finalmente um fim de semana em casa! Posso també dizer que finalmente o blog merece um pouco de atenção!
Não vou dizer "é desta", aliás tenho o prazer de anunciar que "nao deve ser desta" que o blog renasce. Vêm aí uns tempinhos com muito trabalho, mas fica qualquer coisa para aqueles que insistem em visitar-nos... se existem?!

AS

domingo, janeiro 23, 2005

Participação Política Directa



Já lá vão os tempos idos da pós-revolução em que nos liceus era leccionada a disciplina de "Introdução à Política", indispensável para um povo que nunca tinha lidado com os mais simples instrumentos democráticos, promovendo a análise crítica das instituições e das doutrinas e procurando estimular a formação e opção política dos jovens. Já lá vai o tempo em que o aumento substancial de candidatos ao ensino superior obrigou a instauração de um Serviço Cívico Estudantil obrigatório como requisito à entrada neste nível de ensino.

Hoje tudo o que é político é tomado como desprezível, dispensável e distante, muitas vezes renegado. Abre-se caminho a uma sociedade individualista onde se espera que os outros é que façam algo por nós e a nós apenas cabe dizer mal deles. Delega-se nos partidos a condução das localidades e do Estado mas desconfiando não encontramos formas alternativas aos seus poderes.

Constituição da República Portuguesa

Artigo 9.º
(Tarefas fundamentais do Estado)
São tarefas fundamentais do Estado: (...)
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais


Artigo 48.º
(Participação na vida pública)

1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.
2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.


É com esses pretextos que procurarei sistematizar, nos próximos tempos, formas alternativas de participação política directa já existentes, mas desconhecidas da grande massa dos portugueses. A democracia existe para além do domingo de eleições. Porque é que ninguém ensina isso na escola?

sábado, janeiro 15, 2005

Titã

“Pequeno Mundo aquele em que vivemos face à imensidão do Universo”

Mundo feito de pequenos nadas, outras vezes daquilo que achamos ser muito importante… um Mundo nosso, que é nada no meio de tudo isto!
Titan é a última descoberta do Homem! Vale a pena acompanhar o assunto. Recomendo o site da ESA: http://www.esa.int/esaCP/index.html ...desfrutem de imagens, sons, histórias! Em português, acompanhem o blog Abrupto, faz uma boa cobertura.
AS

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Medo!!!!

Andava a passear por este Mundo que é a Net e encontrei este texto... desfrutem!

Leiam sem medo!!!

Medo

Era uma palavra... Apenas uma palavra e no entanto os meus lábios selaram anos de inconformismo e dor.
Como se o organismo se recusasse a ser feliz, a fazer as coisas bem...
Sabes que deixar de ser "eu", para ser nós é um processo lento e nem sempre bem sucedido.
A mente é dona de estranhos buracos e armadilhas.
Penso que também sabes isso.
Por isso torna-se inútil dizer-te palavras que conheces e mesmo assim recusas entender.
Dói-me lembrar-te ajoelhado a meus pés a implorar perdão por um pecado que nem sabes que cometes.
Dói-me porque queres apagar as minhas lágrimas com as tuas.
Era apenas uma palavra... uma palavra a negar a estranha necessidade de ser tua sem o ser.
Sabes que quis fugir?
Fugir de ti, fugir do amor que te tenho e me prende as asas...
Fugir de ti e consumir-me nesta infelicidade mórbida.
Ainda assim, agarraste-me com força, as lágrimas a escorrerem-te pela face, a desfazerem-te o coração.
Sabes que sou cobarde? Sim... profundamente cobarde.
Estupidamente cobarde e no entanto amas-me assim. Ou aprendeste a amar-me.
Qual das duas foi, interrogo-me... Mas por muito que o faça nunca vou descobrir.
Porque as tuas mãos se selaram em volta das minhas, os teus braços esmagaram a minha cobardia, o meu medo de amar.
Ser feliz nem sempre é fácil, sabias? Ser feliz às vezes também dói. Porque ter-te a meu lado é toda a minha felicidade, a minha única felicidade e no entanto por vezes parece-me tão distante, tão hercúleo.
Mesmo quando abafas as minhas lágrimas nas tuas.
Já te disse que ficas lindo quando choras? Na infelicidade também existe poesia. Nos teus olhos perfeitos de lágrimas também existe amor. E por isso é belo.
É nas tuas lágrimas que vejo o meu coração. Porque ele está dentro de ti. Numa profundidade que só as lágrimas alcançam.
Sim... é em ti que vivo e no entanto quis fugir de ti, trazendo a morte no regaço. Porquê, perguntas-me tu, e deitas-te em mim, e sufocas-me de beijos e amor.
Porque amar-te é a única coisa que não sei fazer. Porque me surpreendo a cada dia com este amor. Porque ele me ultrapassa e me enche de maresia.
E por isso amor, tenho medo. Medo da grandiosidade. Medo de precisar de ti mais do que precisas de mim. Medo de acordar de um sonho e morrer a recordar os teus lábios...
Medo do medo de amar.
E ainda assim, enlaças-me em ti.
Quero-te, dizes tu. E eu sei, estranhamente, que é verdade. Sei... e assim silencio o medo, apago as lágrimas e adormeço em ti.

Publicado por Fairy_morgaine em junho 21