segunda-feira, julho 04, 2005

Filme à Segunda

"Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país “o arrastão", um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal. O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs", terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona. “Era uma vez um arrastão” passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal."

Podia estar aqui a falar-vos do belo filme "Mr. & Mrs. Smith", que fui ver e que me estupidificou q.b., após uma época intensa de exames. Decidi porém poupar-vos a uma análise profunda de um filme tão intenso como esse e publicitar o vídeo da Diana Andringa sobre o arrastão de Carcavelos: "era uma vez um arrastão". Tenha ela ou o sr. Rodrigues Guedes de Carvalho razão, o facto é que me alertou uma vez mais para a necessidade de duvidarmos, não só de uma certa propaganda política (como até pode ser este caso), como do próprio relativismo do jornalismo português, por tantos tido como: a verdade do país e do mundo.

sexta-feira, julho 01, 2005

Música à Sexta



Para quem gosta dos sons minimalistas do piano de Wim Mertens ou Michael Nyman recomendo que ouçam o teclar do maestro italiano Ludovico Einaudi, que recentemente, e pela primeira vez, esteve em Portugal a promover o seu novo disco "Una Mattina". Ainda durante este ano voltará para concertos, entretanto, é a sua música que acompanha o último anúncio comercial da BMW. É só um piano, duas mãos e dez dedos...

quinta-feira, junho 30, 2005

Portugal II


Passo a contar um breve episódio que vivi há uns dias! Um professor meu com o qual tenho alguma confiança e muito respeito, tinha na lapela do casaco o escudo de Portugal. Após vários meses de aulas com o mesmo era a primeira vez que reparava no pormenor e sendo eu antigo aluno do Colégio Militar, partilho o hábito de austentar um símbolo ao peito, no meu caso a barretina, senti curiosidade e questionei o professor sobre o significado do símbolo. O professor orgulhosamente partilhou que se tinha proposto a um novo objectivo, procurar elevar a auto-estima dos portugueses. Argumentou que os símbolos e o seu uso são algo associdado sempre ao orgulho de pertencer ou ser e que por isso decidiu seguir a cultura do símbolo relativamente a Portugal, procurando diariamente levantar a auto-estima dos portugueses. Disse-o como que anunciando que ele não desiste, que ele acredita! Falou-me inclusivé em procurar uma estrutura ou criar uma que tivesse esse espírito, mas para já limitava-se diariamente a levar consigo um dos valores em que acredita e vive! Fiquei sensibilizado com a ideia e à minha maneira procurarei levantar essa auto-estima, mesmo que apenas sirva para mudar a mentalidade de um português, para já e aqui no mundo da Blogosfera procurarei divulgar os Portugueses que brilham por esse Mundo fora com prémios, com obra feita, ou escreverei apenas sobre aqueles que anonimamente a meu ver são uma mais valia. Não quero com isto dizer que deixarei de fazer as minhas críticas, longe disso, apenas vou fazer aquilo que sempre defendi, valorizar também o positivo e sobretudo o positivo! Tiago e Gonçalo espero que alinhem!

Esperemos que a chama deste objectivo não se apague!

AS

Portugal I

Vivemos numa época de slogans resultado de quem tem a melhor equipa de marketing por trás, de falta de inicitiava própria, onde muitas vezes falamos não o que pensamos, mas o que a moda impõe. Portugal é claramente um país onde a imaginação, a pró-actividade, a coragem de ir à busca do desconhecido, ou simplesmente os princípios da competividade, de vencer pela qualidade são escassos e raros, o que não significa que não existam. Existem e devem ser anunciados, louvados, devemos segui-los.
Temos uma democracia recente comparativamente à restante Europa. O nível cultural não é elevado e os números anunciam igualmente que os parametros que reflectem o nível educacional do nosso país ficam longe dos da restante Europa da zona Euro (vamos compararmo-nos à zona Euro, pois é por cima que as comparações se fazem quando queremos ser ambiciosos). Estas diferenças talvez possam explicar muitas atitudes. Adquirimos vários direitos há não muito tempo e dessa forma sempre que se fala em mudanças, surge a sombra de os perder, ou surge a ilusão que os direitos são vitalícios e que nada, nem ninguém os pode retirar qualquer que seja a conjuntura. Por outro lado, como já referi, poucos são aqueles dispostos a colmatar a ausência desses "novos" direitos com a imposição de novos desafios, com a capacidade de encontrar soluções por inicitiva própria e em prol dos outros. Este receio resulta talvez do egoísmo pessoal de cada um de nós, do receio do fracasso, da ausência de espírito empreendedor, do sentimento de que os direitos não implicam deveres. Todas estas variáveis podem ser trabalhadas construíndo e promovendo uma mentalidade diferente que acabe de vez com aqueles que dizem e anunciam como se fossem os heróis do novo milénio que "lá fora é que é", que "este país não tem solução", que "Portugal só para férias". Quero com isto dizer que a solução passa por sabermos valorizar o que temos e acreditarmos em nós própios. A solução passa por dar o exemplo! Aprendi este valor no Colégio Militar e procuro segui-lo todos os dias, nem sempre se consegue. O exemplo naquilo que acreditamos no dia a dia.
Todos ambicionamos melhor qualidade de vida, sucesso pessoal e profissional, viver num país civilizado, que respeite o ambiente, que nos permita usufruir das invenções do último século e das inovações do actual. Se queremos um Portugal com os valores que defendemos, deixemos de nos martirizar, de vitimizar! Passemos a pertencer àqueles que reagem, que se mexem, que procurando o sucesso, dão espaço para conquistar o sucesso de Portugal! Nacionalista, conversa fácil e moralista! Se quiserem encarar assim, é uma opção que por certo vos levará a sentirem-se mais leves, aliás com toda a certeza menos problemas terão de resolver! Não disse que este objectivo é fácil, mas cabe a cada um de nós promovê-lo e ir atrás desse sonho!

terça-feira, junho 28, 2005

Porque não?...

Exmo Sr. Primeiro Ministro.


Venho por meio desta comunicação manifestar meu total apoio ao seu esforço de modernização do nosso país. Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é Reforma Tributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais.

Vou explicar:
Na actual legislação, pago na fonte 31% do meu salário (20 para o IRS e 11 para a Segurança Social). Como pode ver, sou um cidadão afortunado. Cada vez que eu, no supermercado, gasto o que o meu patrão me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19% para si (31+19P) Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral. Mas o meu patrão é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75% daquilo que me paga para a Segurança Social. E ainda 33% para o Estado (50+23.75+336.75).

Além disso quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

Minha sugestão, é invertermos os percentuais. A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 100% do meu salário..

Funcionaria assim: Eu fico com 6.75% limpinhos, sem qualquer ónus mas o Governo fica com as contas de:

-Escola,
-Seguro de Saúde,
-Despesas com dentista,
-Remédios,
-Materiais escolares,
-Condomínio,
-Água,
-Luz,
-Telefone,
-Energia,
-Supermercado,
-Gasolina,
-Vestuário,
-Lazer,
-Portagens,
-Cultura,
-Contribuição Autárquica,
-IVA,
-IRS,
-IRC,
-IVVA
-Imposto de Circulação
-Segurança Social,
-Seguro do carro,
-Inspecção Periódica,
-Taxas do Lixo, reciclagem, esgotos e saneamento
-E todas as outras taxas que nos impinge todos os dias.
-Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo E Judiciário.

PS: Podemos até negociar o percentual !!!

segunda-feira, junho 27, 2005

Ridículo


Significado:
1. Cuidado que há aviões por aí!
2. Pare, oiça e olhe!
3. Não se esqueça que tem de procurar no ar!
PS - alusão a uma trágica colisão entre um avião e um carro este fim de semana no norte país!

quinta-feira, junho 23, 2005

listening...


Stina Nordenstam - The World Is Saved

Vamos fechar para obras...



Acho que qualquer Português já compreendeu o estado da (des) organização dos serviços e ministérios que existe actualmente... Não é segredo para ninguém. Qualquer partido que esteja na oposição o diz a alta voz. E culpam sempre os anteriores governos de terem feito um mau trabalho e não terem respondido as promessas eleitorais. De promessas ilusórias e utópicas anda o povo farto. É necessário reestruturar.

Hoje em dia, todos pensam que tudo se faz de um dia para o outro. Políticas novas, planos e estratégias muito elaborados, todos cheios de princípios e valores correctos (pelo menos alguns). A verdade é que estas medidas para terem algum efeito prático levam anos a entrar em vigor. A cultura da mediocridade existente, face à distinção da “qualidade” nos serviços públicos, o aumento dos impostos face à redução da despesa (pergunto-me como é possível continuarem a aumentar o IVA de 19%, que já era uma medida extraordinária, para os 21%... O Reino Unido têm a 17,5%, a Espanha nossa vizinha, a 16%). Será que ainda não compreenderam que esse não é o caminho.. Perguntem a qualquer gestor de uma empresa o que fazer quando a empresa começa a entrar no vermelho?..

Mas o que sofremos hoje, desta desorganização total dos serviços, das contas públicas, não é apenas culpa deste governo. Nem do anterior. É culpa da falta de medidas estruturantes ao longo destes últimos 10, 20 anos de governação (e não vou mais longe no tempo). Se olharmos para outros países que estão numa boa situação económica, financeira e organizacional, percebemos se olharmos um pouco para trás que é em grande parte "culpa" dos governantes que tiveram nestes últimos. O caso da Inglaterra com Margaret Thatcher, as medidas fulcrais tomadas à vinte anos como alavanca para o sucesso de hoje em dia em certos países nórdicos, ou a aposta forte dos países do leste na educação.. Exemplos, há muitos.

Eu defendo que é necessário uma mudança como todos os Portugueses defendem. E essa mudança não poderá ser apenas uma mudança cosmética ou demagógica. É preciso realmente mudar, e implementar essas medidas. Precisamos de alguém com pulso e garra para levar este País onde todos desejamos. Precisamos de um lider. Faz também a tua parte. Sê lider, acredita em ti e acredita num Portugal melhor...Apenas não sei se chegarei a ver essa mudança tão cedo e "a tempo" porque para o caminho para onde estamos a ir só existe uma solução, fechar para obras...


quarta-feira, junho 22, 2005

Clean hands save lives!

Não consegui resistir a este post! Vinha eu a ouvir a TSF a caminho de casa ao fim de mais um dia de estudo, quando oiço a seguinte afirmação do Ministro Correia de Campos: "há muitas mãos que não são lavadas, quando passam de um doente para o outro. Há luvas que protegem o profissional, mas que transferem a infecção de um paciente para o outro. É ou não é verdade?". A declaração do Ministro pretende justificar a elevada taxa de infecções existententes no Hospital de São João do Porto, um número que atinge o dobro da média nacional.

Em 1847, um médico do Hospital de Viena, obrigou todos os profissionais de saúde que trabalhavam no departamento por si chefiado a desinfectar as mãos, o resultado desta regra consistiu num decréscimo das infecções no ano seguinte, 1848, de 13,1% para 1,3%. Esta pequena viagem ao passado é um exemplo que ajuda a fortalacer uma velha afirmação em Saúde Pública: "os 10 principais tranportadores de microrganismos responsáveis por infecções nosocomiais são os seus 10 dedos". A limpeza e higiene das mãos é uma regra básica de qualquer espaço de saúde em pleno secúlo XXI que se queira moderno, seguro, eficaz e que preste um serviço de qualidade ao cidadão comum.
A acusação já é grave, o facto de ser feita publicamente pelo Ministro da Saúde intensifica a gravidade da mesma! A verificarem-se estes factos é urgente que a nova administração do Hospital São João actue, caso contrário os profissionais de saúde deste Hospital têm toda a razão para contestar as afirmações e o Ministro tem de passar a tomar atenção a afirmações como: «Quando nós damos prioridade a investimentos em estádios de futebol em vez de hospitais, quando temos estádios que estão entre os melhores da Europa e não temos nenhum hospital nessas condições, alguma coisa está mal. É uma doença, mas e do país»

terça-feira, junho 21, 2005

É urgente permanecer...

É com grande pesar que nos despedimos deste grande homem. Eugénio de Andrade. Um dos mais conhecidos poetas Portugueses, e com mais obras traduzidas do que outro qualquer poeta nacional, foi um ícone na maneira como descrevia o seu mundo. Se muitos poetas portugueses da nossa época são marcados pelo desencanto, "Eugénio de Andrade vai buscar ao paraíso da infância, à intimidade com a terra, à pura felicidade de se ter um corpo a fulgurante alegria de alguns momentos privilegiados".




Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, junho 20, 2005

F1 - Portugal

Tiago Monteiro 3º lugar no Grande Prémio dos USA!

Podemos encarar este resultado como a consequência de 6 equipas terem desistido e afirmar facilmente: "questão de sorte".

Prefiro "acreditar e defender" tratar-se de um Português que trabalhou para conquistar essa sorte. Espero que o primeiro de muitos prémios!



"A sorte conquista-se!"

domingo, junho 19, 2005

Semana das Manifestações

1. Não deixa de ser bastante redutor a forma como muitos fixaram e fixam apenas a imagem de um Cunhal-democrático. Álvaro Cunhal chega à primavera de Abril já com 61 anos de idade, já na idade da teimosia não da coerência (se um adulto tiver comportamentos infantis não o chamamos de coerente). Com meio século de resistência, prisão, tortura, exílio, Cunhal temeu a democracia e nunca aprendeu a usá-la como instrumento para a sua utopia, que duvidosamente se pôde chamar democrática. A homenagem é em grande parte para o Cunhal-resistente, o Cunhal-mito, símbolo de esperança e luta contra a ditadura. Luta essa que a muitos pretensos democratas faltou a coragem de a encetar.

2. O Governo de Sócrates foi presenteado com a sua primeira grande manifestação de contestação, pondo-se um ponto final ao seu estado de graça. O problema de qualquer contestação da Função Pública é que lesa mais os utentes contribuintes que o próprio Estado. Sempre nos rimos de piadas e anedotas sobre a inércia do tipo de funcionário público, o Governo procede agora a um "ataque à função pública", em parte legitimado por esta descrença generalizada e noutra apertado pela necessidade de reduzir o sr. monstro-déficit. Maximizar a eficácia e eficiência da Administração Pública é essencial, exige-se é flexibilidade negocial dos dois lados, o que não está a acontecer: cada um é a favor que se reduza privilégios exagerados mas que se comece na casa do vizinho.

3. A semana acabou com a manifestação da estupidez nacional. Embora só tenham sido apenas umas centenas a não ter a vergonha de se manifestar, cada vez mais acredito que este tipo de sentimento sempre esteve generalizado pelo país, podendo aquelas centenas serem multiplicadas por muitas mais. Para "descolonizarem" Portugal como pretendem e como "fizeram com os mouros e com os espanhóis" só lhes basta arranjarem um líder carismático, ignorantes que votem neles temos que sobre.

sábado, junho 18, 2005

Donovan Frankenreiter



Um CD para ouvir ao fim do dia...

Obesidade Mental

O Prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito de "Obesidade Mental" para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»

Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.» Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto. As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.

«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental

sexta-feira, junho 17, 2005

Não, não e mais não...

in Diário Digital sobre manifestação dos funcionários públicos

"No documento, os manifestantes dizem «não à redução salarial, não ao aumento dos impostos, não ao congelamento de carreiras, não à implementação do novo sistema de avaliação de desempenho e não à redução das funções sociais do Estado»."

Ocorreu me uma pergunta, será que dizem sim a alguma coisa?

AS

Arrastão...

É evidente a preocupação que o "arrastão" que ocorrreu na praia de Carcavelos provoca na sociedade. O denominado "arrastão" levanta muitas questões e permitiu a criação de movimentos de carácter duvidoso.
  1. Antes de mais quais são as reais dimensões do "arrastão"? Sem qualquer tipo de análise cuidada já o acontecimento era apelidado de arrastão. Segundo a comunicação social registou-se uma única queixa por assalto, foram prestados cuidados de saúde a alguns banhistas e assistimos ás entrevistas de 3 a 4 pessoas, donos dos bares e mais um ou outro adolescente, sempre as mesmas pessoas a testemunhar nos 4 canais, num dia de calor, em que a praia estava repleta de gente. Não ponho em causa a relevância e veracidade do acontecimento, mas os factos levam-se a supor que 500 indíviduos numa praia a movimentarem-se em massa teriam provavelmente criado mais estragos, quer materiais, quer humanos. O acontecimento é preocupante mas deve ser analisado friamente e não lançar o pânico. É preciso reagir, mas saber reagir.
  2. Perante este cenário, a Assembleia da República, essa instituição de "prestígio", com discussões tão interessantes e sobretudo com tardes de "conversa da treta" decidiu lançar-se na discussão do tema. Pelo que entendi dessa acesa discussão, o alvo da crítica não foram os responsáveis pelo acontecimento. A causa/solução do problema não está na distribuição dos meios de segurança policial na região de Lisboa e muito menos na ausência de planeamento urbano e social das grandes cidades o que leva à criação de autênticos guetos. A discussão centrou-se numa troca de acusações mútuas tão típica dos deputados portugueses. Interessante e de registar!
  3. Por fim não podia deixar de referir uma notícia do Público: Governo Civil autoriza manifestação contra "arrastão" de Carcavelos. Passo a citar: A auto-intitulada Marcha contra a Criminalidade terá lugar na Praça Martim Moniz e, apesar de o pedido de autorização não referir a Frente Nacional, dois dos seus dirigentes disseram ao PÚBLICO que, para além de participarem na manifestação, querem igualmente desfilar entre o Martim Moniz e o Rossio. Mário Machado, um desses dirigentes, referiu que os cartazes e palavras de ordem andarão à volta de ideias como "Imigração igual a crime". Talvez fosse bom alguém informar o Sr. Mário Machado que a Cova da Moura, a Buraca entre outras zonas problemáticas da região de Lisboa, locais de origem dos responsáveis pelo "arrastão", são zonas localizadas no interior da Região Metropolitana de Lisboa, bem no interior de Portugal Continental e a não ser que a definição de imigrante tenha mudado, talvez um pouco de geografia lhe fizesse bem. Os criminosos são portugueses!

PS - soube bem voltar a escrever para o blog

AS

Frágil


quinta-feira, junho 16, 2005

Recuerdos...


Com isto dos anos do Cilha e das fotos deu-me para ir ao
baú das recordações relembrar este bons momentos...


quarta-feira, junho 15, 2005

reencontro

Decidi começar a escrever novamente... preciso de falar com voces, de ter aquelas conversas de canto que tanto sinto falta... E que melhor sítio que o nosso "canto"?!

Bem hoje vou dormir que já se faz tarde, mas amanha encontramo-nos no teu canto para conversarmos mais um pouco.

Até amanha..

Cabecilha

É apenas para desejar os parabéns ao grande Cilha e mandar-lhe aquele abraço




Barcelona


Os 3 grandes...

quinta-feira, junho 02, 2005

Certezas...

Apenas temos…
A certeza de que estamos sempre começando…
A certeza de que precisamos de continuar…
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar…

Adaptado de Fernando Pessoa

terça-feira, abril 12, 2005

domingo, abril 10, 2005

Barcelona - uma cidade do Mundo

Descobrir mais um pouco de Barcelona!
Dali, um génio, um artista, ou um lunático? Talvez seja tudo o mesmo!
A personagem...


AS

sábado, abril 09, 2005

Barcelona - uma cidade do Mundo

Após uma grandiosa visita a Barcelona, visitei a Sagrada Família, obra de Gaudí. Há mais de um século em construcção e com toda a certeza um século de construcção pela frente até ser acabada...

"não deve ser desta"

Finalmente um fim de semana em casa! Posso també dizer que finalmente o blog merece um pouco de atenção!
Não vou dizer "é desta", aliás tenho o prazer de anunciar que "nao deve ser desta" que o blog renasce. Vêm aí uns tempinhos com muito trabalho, mas fica qualquer coisa para aqueles que insistem em visitar-nos... se existem?!

AS

domingo, janeiro 23, 2005

Participação Política Directa



Já lá vão os tempos idos da pós-revolução em que nos liceus era leccionada a disciplina de "Introdução à Política", indispensável para um povo que nunca tinha lidado com os mais simples instrumentos democráticos, promovendo a análise crítica das instituições e das doutrinas e procurando estimular a formação e opção política dos jovens. Já lá vai o tempo em que o aumento substancial de candidatos ao ensino superior obrigou a instauração de um Serviço Cívico Estudantil obrigatório como requisito à entrada neste nível de ensino.

Hoje tudo o que é político é tomado como desprezível, dispensável e distante, muitas vezes renegado. Abre-se caminho a uma sociedade individualista onde se espera que os outros é que façam algo por nós e a nós apenas cabe dizer mal deles. Delega-se nos partidos a condução das localidades e do Estado mas desconfiando não encontramos formas alternativas aos seus poderes.

Constituição da República Portuguesa

Artigo 9.º
(Tarefas fundamentais do Estado)
São tarefas fundamentais do Estado: (...)
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais


Artigo 48.º
(Participação na vida pública)

1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.
2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.


É com esses pretextos que procurarei sistematizar, nos próximos tempos, formas alternativas de participação política directa já existentes, mas desconhecidas da grande massa dos portugueses. A democracia existe para além do domingo de eleições. Porque é que ninguém ensina isso na escola?

sábado, janeiro 15, 2005

Titã

“Pequeno Mundo aquele em que vivemos face à imensidão do Universo”

Mundo feito de pequenos nadas, outras vezes daquilo que achamos ser muito importante… um Mundo nosso, que é nada no meio de tudo isto!
Titan é a última descoberta do Homem! Vale a pena acompanhar o assunto. Recomendo o site da ESA: http://www.esa.int/esaCP/index.html ...desfrutem de imagens, sons, histórias! Em português, acompanhem o blog Abrupto, faz uma boa cobertura.
AS

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Medo!!!!

Andava a passear por este Mundo que é a Net e encontrei este texto... desfrutem!

Leiam sem medo!!!

Medo

Era uma palavra... Apenas uma palavra e no entanto os meus lábios selaram anos de inconformismo e dor.
Como se o organismo se recusasse a ser feliz, a fazer as coisas bem...
Sabes que deixar de ser "eu", para ser nós é um processo lento e nem sempre bem sucedido.
A mente é dona de estranhos buracos e armadilhas.
Penso que também sabes isso.
Por isso torna-se inútil dizer-te palavras que conheces e mesmo assim recusas entender.
Dói-me lembrar-te ajoelhado a meus pés a implorar perdão por um pecado que nem sabes que cometes.
Dói-me porque queres apagar as minhas lágrimas com as tuas.
Era apenas uma palavra... uma palavra a negar a estranha necessidade de ser tua sem o ser.
Sabes que quis fugir?
Fugir de ti, fugir do amor que te tenho e me prende as asas...
Fugir de ti e consumir-me nesta infelicidade mórbida.
Ainda assim, agarraste-me com força, as lágrimas a escorrerem-te pela face, a desfazerem-te o coração.
Sabes que sou cobarde? Sim... profundamente cobarde.
Estupidamente cobarde e no entanto amas-me assim. Ou aprendeste a amar-me.
Qual das duas foi, interrogo-me... Mas por muito que o faça nunca vou descobrir.
Porque as tuas mãos se selaram em volta das minhas, os teus braços esmagaram a minha cobardia, o meu medo de amar.
Ser feliz nem sempre é fácil, sabias? Ser feliz às vezes também dói. Porque ter-te a meu lado é toda a minha felicidade, a minha única felicidade e no entanto por vezes parece-me tão distante, tão hercúleo.
Mesmo quando abafas as minhas lágrimas nas tuas.
Já te disse que ficas lindo quando choras? Na infelicidade também existe poesia. Nos teus olhos perfeitos de lágrimas também existe amor. E por isso é belo.
É nas tuas lágrimas que vejo o meu coração. Porque ele está dentro de ti. Numa profundidade que só as lágrimas alcançam.
Sim... é em ti que vivo e no entanto quis fugir de ti, trazendo a morte no regaço. Porquê, perguntas-me tu, e deitas-te em mim, e sufocas-me de beijos e amor.
Porque amar-te é a única coisa que não sei fazer. Porque me surpreendo a cada dia com este amor. Porque ele me ultrapassa e me enche de maresia.
E por isso amor, tenho medo. Medo da grandiosidade. Medo de precisar de ti mais do que precisas de mim. Medo de acordar de um sonho e morrer a recordar os teus lábios...
Medo do medo de amar.
E ainda assim, enlaças-me em ti.
Quero-te, dizes tu. E eu sei, estranhamente, que é verdade. Sei... e assim silencio o medo, apago as lágrimas e adormeço em ti.

Publicado por Fairy_morgaine em junho 21


sexta-feira, janeiro 07, 2005

Sobre a Semana 01


1. Figura da Semana: Pôncio Monteiro
Afinal, mesmo depois do Natal, o circo recusa-se a abandonar o país. Pelo que parece a época das artes circences ainda está longe de terminar, como foi visto pelo já tradicional e fantástico número de perícia do lançamento triangular de facas às laranjas (foram-se as maçãs), entre o Sr. Rio a atirar ao Sr. Monteiro e o Sr. Monteiro a atirar ao Sr. Lopes. Parece que mesmo neste ramo também não sobra lá muita competência, porque o Sr. Lopes está farto de se queixar que só lhe acertam nas costas, ele que já tinha tudo planeado para depois do contrato com o Sr. Seabra completar o elenco dos "Donos da Bola".


2. Facto da Semana: Ajudas para a Ásia
Para além de tudo o que se pode dizer ou mais sentir sobre a tragédia, vezes e vezes comercializada e banalizada nos nossos telejornais, esta semana deixou-se de fazer aquela contabilidade em directo do número de mortos, em que não bastava dizer que ainda era cedo para contabilizar o número total, e só faltou o númerozinho no canto do ecrã a crescer permanentemente; substituindo-se a contabilidade pelo valor total das ajudas humanitárias monetárias para as zonas afectadas. Esclarecedora para os próximos 4 anos foi a primeira ajuda lançada pelos Estados Unidos (caramba, era menos que os 40M do Euro-milhões), que atrapalhadamente foi incrementada para os 200M, 1/4 do que o Partido Repúblicano gastou nas últimas eleições.

Sobre o Aniversário do Conversas de Canto

Pois é o nosso blog fez um aninho e nem os seus participantes se dignaram a soprar um fósforo num queque. Parabéns às "Conversas de canto" pela luta de um ano, atrás da sua sobrevivência. E já agora um excelente 2005 e um obrigado para todos aqueles que ainda perdem o seu tempo a sondar se existe algo de novo!

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Será verdade?

"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores"

Platão


terça-feira, janeiro 04, 2005

Feliz 2005

Definitivamente o BLOG parou! Espero que apenas por uns tempos...

De qualquer forma queria desejar um Feliz 2005 a todos.

Abraço

AS

terça-feira, dezembro 14, 2004

Tremor de terra

O país vai com tal agitação que até a barraca abana!
5,4 é um aviso... convém não deixar ir mais longe!



sábado, dezembro 11, 2004

Semana 50

1. A novela sampaísta continua
O senhor revelou-se um autêntico dramaturgo, dando espaço e tempo a algumas deixas dos seus parceiros de cena e tudo, embora notoriamente um pouco atrapalhado por algumas cenas que nunca se ensaiaram; vindo, novamente, a contradizer todos aqueles que viam na figura do Presidente da República uma instituição meramente decorativa.

A minha opinião continua no entanto por se definir. Porque vejamos a lógica das coisas: se era, como acho que ainda é (veja-se novamente o caso Bombardier), o XVI Governo o pior governo “desde o tempo de D. Maria”, opinião consensual em todo o país (diga o que a excepção quiser), então o pensamento lógico consequencial que se seguiria seria mude-se então o governo. O Dr. Sampaio não achou isso e resolveu iniciar e prosseguir o processo de dissolução do parlamento, um órgão com uma legislatura das mais estáveis se sempre, sem buffets de limianos ou incoerentes altercações de votos e com alguns processos legislativos que se ouve agora dizer essenciais como a questão do arrendamento, do código da estrada, do tabaco, entre outras talvez de maior importância. E o Governo, ilogicamente, continua, nem sequer em gestão, mas na plena posse de todos os seus poderes. Mais ainda fez-se aprovar um Orçamento para a actividade de um Governo assassinado à partida. O que a preconizar-se uma vitória socialista resultará num orçamento rectificativo já por si a carregar algumas condicionantes do precedente. Pois bem este é o pior Governo mude-se o Parlamento – ilógico. Poderia até fazer sentido mude-se o Parlamento e o Governo, mas não foi assim que o Dr. Sampaio decidiu.

Hoje fui ler melhor a comunicação feita ontem ao país. Diz o Dr. Sampaio 1) que “teve em conta a avaliação que fez do interesse nacional”; 2) que ao contrário do que se tinha garantido como condição para a sua tomada de posse não se “gerou um novo governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do País e de mobilizar os portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos”; 3) que não existiu durante a governação um sinal de “particular lucidez nas políticas e um rigor na gestão governativa”; 4) que existiram casos de falta de “transparência, equidade e imparcialidade no exercício do poder e à prevenção de abusos”; 5) que se assistiram a “uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o País vive”, “sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral”; 6) que “o País, que não pode perder mais tempo nem adiar reformas”; 7) que se “revelou um padrão de comportamento sem qualquer sinal de mudança ou possibilidade de regeneração, entendendo que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência”; 8) entendendo ainda que “se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos”.

Este último ponto é substancial para se dizer “mude-se o Parlamento” mas será realmente verdadeiro? Tenho grandes dúvidas. Num processo lógico não caberia ao Presidente da República demitir o Governo e pedir ao Parlamento a designação de um novo, ao que se avaliando da incapacidade da maioria parlamentar para tal, só então, se partiria para a dissolução desta e do resto dos parlamentares? Tudo bem que existe um factor de tempo e de premência das reformas. Mas e se a coligação ganhar com o Dr. Lopes à cabeça, miraculosamente a maioria ganhará a capacidade de gerar um novo governo, mesmo que igual ao anterior, mesmo que carregado de incapazes?

Uma coisa é certa, vêm aí o único dia em que vivemos em democracia, vamos em Fevereiro a eleições, indubitavelmente “para o bem de todos nós”.

2. Evasões
Fui esta semana ver a peça que está no teatro da Comuna: "A Cabra ou Quem é Sílvia?" de Edward Albee, vencedora do Tony 2002, com grandes interpretações do Carlos Paulo, João Têmpera e Cucha Carvalheiro. Trata dos limites da tolerância e do amor, mesmo daqueles que se proclamam mais liberais. A tolerância do amor para outra mulher, para o mesmo sexo, para uma cabra, para um pai, para um recém nascido... a tolerância e os seus limites no inconscientemente padronizado. A ver...

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Um artigo com dados interessantes...

O último estudo da OCDE sobre educação confirma como estamos mal - e como pouco fazemos para melhorar

O estudo da OCDE conhecido por PISA, que avalia e compara as competências de jovens de 15 anos nas áreas da leitura, da matemática e das ciências, que divulgámos terça-feira, não trouxe grandes surpresas. Na cauda das tabelas continuam a Turquia e o México, estando Portugal muito próximo e acompanhado quase sempre por países do Sul da Europa (Itália, Grécia e também Espanha). No outro extremo da tabela encontramos, de novo em primeiro lugar, a Finlândia, tendo regra geral lugar de destaque o Japão, a Coreia, a Holanda, o Canadá e a Austrália.
Se o mau lugar de Portugal, sobretudo a ciências, não surpreende, não deixa de ser estranho que o que este estudo revela seja o mesmo que atestavam os anteriores e pouco ou nada tenha sido feito para mudar a situação. Importa por isso olhar para os países com mais sucesso e tentar perceber o que fazem melhor do que nós. Talvez começando pela europeia Finlândia.
Associando o que diz a OCDE, uma intervenção do director do projecto, Andreas Schleicher, no conselho de Lisboa, um ONG sedeada em Bruxelas, e o muito útil e interessante estudo de Manuel Castells (o conhecido sociólogo catalão) sobre os porquês do sucesso finlandês, talvez possamos retirar alguns ensinamentos:
- o sucesso não é um factor directo do dinheiro que se gasta no sistema educativo, nem sequer do que se paga aos professores. Em Portugal, por exemplo, gasta-se mais do que em Espanha e quase o dobro do que despende na República Checa, e ambos os países estão acima de nós nos três "rankings". Por seu turno, os professores finlandeses estão muito longe de serem os mais bem pagos ou de o país ser o que mais investe no ensino secundário;
- o sucesso já tem muito mais a ver com a organização do sistema escolar, com a autonomia - tanto orçamental, como curricular - das escolas e com a sua relação com as comunidades locais, algo que tanto o estudo assinala, como Castells destaca. Um sistema centralizado como o nosso é quase sempre a receita para o desastre;
- o sucesso está também directamente relacionado com a importância social e cultural que se dá à formação e à educação. É por isso sem surpresa que notamos o lugar de destaque obtido pelos asiáticos, cuja cultura valoriza há milénios a educação como forma de progresso social, enquanto na Europa os países da frente são os que têm uma mais forte ética de responsabilização individual. Por outras palavras, os de herança protestante, uma ética que Castells também diz ser um dos segredos por detrás do milagre finlandês;
- o sucesso está por fim relacionado com a flexibilidade do sistema educativo, criando desde muito cedo um sentido de exigência e responsabilidade que desafia os professores, os alunos e as famílias a prepararem-se para formações abertas, que não estreitem o futuro dos jovens e tornem mais fácil que busquem novas oportunidades e novos caminhos, não ficando para trás.
Alguns países, como a Polónia, olharam para estes resultados e trataram, com sucesso, de sair dos últimos lugares. Em Portugal temos encolhido os ombros ou feito exactamente o contrário, designadamente ao centralizar ainda mais o sistema, obsessão que este ano se traduziu noutro desastre, o da colocação de professores. Quando será que despertamos e aprendemos com quem faz melhor do que nós?
José Manuel Fernandes

sexta-feira, novembro 26, 2004

Sobre uma Democracia mais participativa

Ontem tornei-me um dos mais de 35.000 portugueses que apresentará na Assembleia da República a primeira "Iniciativa Legislativa de Cidadãos" para uma maior justiça fiscal e abolição do segredo bancário. (www.contasclaras.net)

O Direito de Iniciativa Legislativa está previsto no art.º 167 da Constituição da República Portuguesa (desde 1997) e foi regulado apenas em 2003. Com esta lei veio finalmente criar-se as condições para que o cidadão comum possa ver discutidas e votadas no Parlamento projectos de lei da sua própria autoria sobre matérias que lhe digam respeito. Este direito é livre e gratuito e para ser exercido basta que os cidadãos eleitores se organizem num grupo de pelo menos 35.000 e que apresentem, por escrito, ao Presidente da Assembleia da República um projecto de lei. Abre-se, assim, a porta à possibilidade de grupos de cidadãos exercerem a competência legislativa tradicionalmente restrita a órgãos de soberania, chamando-se, deste modo, homens e mulheres a uma participação activa na vida política do país.

Para além desta relativa ao fim do sigilo bancário, o que sucede na maioria dos países menos na província, sei que existe uma outra iniciativa por parte da Ordem dos Arquitectos, que defende a assinatura de projectos de arquitectura apenas por arquitectos. (http://www.direito-arquitectura.com.pt/)

Sobre a "Democracia"

"Democracia" de Michael Frayn

Ontem fui ver "Democracia" no Teatro aberto, peça altamente recomendável: primeiro, porque tem uma encenação e uma cenografia muito bem conseguida do João Lourenço, algo que ouvi ser um lugar comum no Teatro Aberto; segundo pelas boas representações, que se acentuam pelo facto de a sala vermelha ser a mais intimista do teatro e os actores estarem particamente entre nós; terceiro porque Michael Frayn criou, à semelhança de "Copenhaga" (que não vi) um argumento histórico que nos impulsiona a correr para casa e investigar mais sobre aquela parte da história do SPD e das duas Alemanhas. Brilhante!

"Alemanha Ocidental, 1969. Willy Brandt inicia a sua carreira como chanceler da República Federal. Günter Guillaume é um dos seus assessores, mas também espião da Stasi, a polícia secreta da outra Alemanha, a República Democrática Alemã. A revelação da dupla identidade de Guillaume irá despoletar a demissão do chanceler em 1974. Em "Democracia", tanto Brandt como Guillaume surgem como homens divididos, abalados por profundas contradições, num restrato psicológico que reflecte as tensões que atravessavam o mundo antes da queda do muro de Berlim em 1989."

terça-feira, novembro 23, 2004

Sobre a minha necessidade de ir ao optometrista

Meus amigos, tenho de ir rapidamente actualizar as graduações das minhas lentes... noto que o problema já tem poucos anos mas parece que não consigo ver as coisas com distinção... é que acho impossível ver o PPD/PSD a ter a sua política completamente dominada por um acordo (quem me dera lê-lo) com o CDS/PP... a doença está a agravar-se e a nossa memória lusitana é tão curta que já nem me lembro quem é que teve mais votos nas eleições.

segunda-feira, novembro 22, 2004

Sobre o Sampaio

Há coisas que não se percebem, já quase no final do seu mandato o Dr. Sampaio insiste em destruir o pouco que fez neste e no anterior. Quase que chega a ser, na minha opinião, infantil... e se estamos já fartos de infantilidades na política, o presidente de todos nós não quer ficar indiferente a elas.
Tudo bem, nomeou o Dr. Lopes para 1.º Ministro, até concordo que muito mais não podia fazer, aliás só fez, na minha opinião, o que devia fazer. Mas se com o Dr. Lopes começou o "circo" o Dr. Sampaio quis fazer frente com a "palhaçada", nada desde então foi realmente construtivo.
Primeiro aplicou-se numa grande encenação de episódios para que ficássemos com a impressão que o governo deve-se a ele e não os eleitores que votaram na coligação.
Depois surge-nos com birras quando não havia necessidade de as ter e calado quando devia berrar. Veja-se o caso da lei das propinas, da lei do rendimento mínimo, do código do trabalho, até mesmo de alguns orçamentos - ouviu-se algum choro. Eu não ouvi!
Mas agora o governo ponha-se a pau, porque com ele não se faz farinha, nada de criação de organismos do governo, centrais de informação ou novos concelhos porque quem governa deve-o ele.

Sobre Jamie Cullum - Som da Semana


Jamie Cullum - Twentysomething
O puto até se desenrasca bem, parece que escreve as suas letras com o irmão e faz umas adaptações porreiras para jazz, bom na verdade um pop-jazz, que é o que está na moda e é o que vende discos, veja-se Norah Jones e Diana Krall. Já esteve em Portugal mas parece que ninguém deu por ele... resta-nos portanto ouvir no sossego do lar.

sábado, novembro 20, 2004

Sobre os Tempos, as Vontades, as Expectativas...



Ontem através de uma passagem de olhos pelas notícias li a tal: "Mário Soares afirma que se não fosse a União Europeia já teriam existido algumas aventuras militares".

O primeiro pensamento foi logo: já foi, é desta que o velho ficou sem juízo na cabeça (algo que sempre achei iminente depois do seu atentado à vida animal nas Seychelles). Como seria possível existir uma aventura militar no Portugal de 2004, como é que os portugueses se deixariam assaltar por uma onda "sul-americana" de revolta e histerismo nas ruas, invasões a parlamentos, destituições populares, o pensamento já fugia para forquilhas e tochas de fogo quanto o apanhei.

Depois de matutar um pouco comecei, sem ter lido mais do que aquela linha de telejornal, a procurar tentar encontrar aspectos para justificar o sujeito histórico, ele ainda não deve ter perdido a razão toda, deve existir um contexto para esta frase que as primeiras linhas de jornal omitem para nos obrigarem a ficar a ver, a procurar, enfim, a querer consumir mais informação. Está certo que nos diálogos políticos familiares ainda saiem palavras que os meus ouvidos não se acostumaram a ouvir: "patrão", "operários", "monopólios"... fogo, actualizem-se!, ou ainda não, não sei... Mas "aventuras militares", impossível... Começo então a fazer a regressão histórica, o Conselho da Revolução, órgão iminentemente militar, só terminou o seu império em 1982, em grande parte porque estavam em cima da mesa as negociações com a Comunidade Económica Europeia... se não fosse esse factor ainda teríamos os marechais a presidir, e teriam eles convocado ou não eleições - disparates... Heellooo! - estamos em 2004 - O Santana está a governar, as pessoas acham mais ou menos mal, mas não se querem preocupar a achar coisa alguma, nem se quer pensar em fazer. O país está mal mas nunca esteve melhor. São 22h00 depois de um dia de trabalho não praticante, descanso os olhos a olhar para a Quinta que somos...

Hoje procuro encontar o contexto, abro o Público e leio a afirmação feita: "Se é certo que a inserção na União Europeia nos defende de aventuras militares, só a consciência cívica dos portugueses nos ajudará a superar os riscos". Frase missal - é verdade, mas onde será que essa consciência sobrevive...? Onde?

sexta-feira, outubro 22, 2004

Voltei...

Caros leitores,

Realmente voltei a ausentar-me do blog! Não por uma questão de desleixo, mas porque aqui máquina decidiu avariar por uns dias... Já voltei e espero que em força!

Bem, tenho andado envolvido na organização de um Congresso Científico. Hoje, quando olhava para o blog, pensava como era possível ainda não ter falado disso aqui no conversas por isso resolvi arrumar o assunto. É sobre “Farmacogenómica o amanha das Ciências Farmacêuticas”.
Podem encontrar mais informação em http://www.apef.pt/ . Espero que seja do vosso agrado...
Fiquem aqui com o poster!


Continuem a aparecer!
AS

terça-feira, outubro 19, 2004

Um espinho na entrada desta Comissão

Está prestes a terminar a longa caminhada da candidatura de Durão Barroso, ou melhor, de José Manuel Barroso, à presidência da Comissão Europeia, sendo a investidura dos comissários por si designados votada no Parlamento Europeu, já na próxima semana.

Ainda continuo a achar que o prestígio (se é que existe) de ter um conterrâneo na presidência da comissão não justifica ou compensa o facto de (e penso eu) se ter escolhido um "mau presidente". Pelo menos a esperança no contrário é pouca, ficaremos cá para ver.

Fora quaisquer dúvidas ou estratégias iniciais o presidente é e será este. O executivo por si escolhido entre as poucas escolhas dadas pelos governos, contra todas as expectativas, é que poderá não ser o entretanto designado. Vejamos os problemas:

Primeiro problema - Sr. Rocco Buttiglione - psicanalista, professor universitário, democrata-cristão e italiano.

Foi uma das propostas do Sr. Berlusconi para a pasta da Justiça, Liberdades e Garantias, a que o nosso conhecido José Manuel Barroso assentiu. Poderíamos passar o facto de o Sr. Buttiglione ser um católico praticante, não fosse o facto de a sua prática ser a mais conservadora do catolicismo. Em pleno período de audições no Parlamento, o Sr. Buttiglione não só professou numa entrevista a homossexualidade como um "pecado", como achou por bem frisar que o papel do casamento é a de permitir às mulheres terem filhos e aos homens protegê-los. Enfim, pensamos que foi um desabafo de momento, mas não, uma semana mais tarde, num colóquio sobre o futuro e os desafios da Europa o Sr. Buttiglione faz não só a confirmação das suas convicções como remata ainda alguns comentários pouco lisonjeadores como "as crianças que só têm uma mãe são filhos de uma mãe não muito boa, enquanto as crianças que só têm um pai não são crianças, porque um homem sozinho pode construir um 'robot' mas não uma criança". À partida seriam opiniões livres como as de qualquer um, acontece que a pasta em causa é a das próprias Liberdades civis, mais ainda, acontece que ao fim de várias horas de reuniões os membros da Comissão de Liberdades Civis, consideraram o Sr. Buttiglione incapaz de pôr em prática políticas incentivadoras do "pecado", chumbando a nomeação do comissário por 28 votos contra 25 a favor da nomeação.

Segundo problema - Sr. László Kovács - ministro dos negócios estrangeiros, socialista e húngaro.

Mais do que socialista, foi vice-presidente da Internacional Socialista (como muitos). A Comissão de Indústria, Investigação e Energia, por sua vez, ficou pouco convencida que o Sr. Kovács tivesse competência profissional no âmbito da energia, designadamente através da falta de conhecimentos especializados no que concerne à fusão nuclear ou ao ciclo do hidrogénio. Para além de estarem pouco convencidos da sua idoneidade nas altas funções a que se propunha e insatisfeitos com o facto de o candidato ter expressado desejar continuar o seu ministério até à data da sua confirmação como comissário.

Acontece que a política é feita de equilíbrios... "aceitem um democrata cristão que nós aceitaremos um socialista", e a comissão na próxima semana passará, embora com dois elementos questionáveis. São as moedas de troca da política, um espinho na entrada desta comissão - a Europa e os Europeus estarão nas suas mãos.

segunda-feira, outubro 11, 2004

...

Paula Rego - The Barn, 1994

Decidi começar a pôr todas as semanas um quadro da pintura contemporânea portuguesa, primeiro porque é uma forma de colorir o blog, depois, e mais importante, arranjo com isso um pretexto para investigar um pouco sobre essa área para mim ainda um pouco desconhecida.

Já repararam que os grandes artistas ainda sentem a necessidade de se exilarem perpetuamente.

Há dias assim!

Há dias assim, diferentes!
Em que sorrimos sozinhos, pelos outros e com os outros... Correm nos sensações estranhas, vivemos momentos iguais aos de ontem, aos de hoje e aos de amanha, mas que hoje especialmente decidimos vive-los!
Coisa estranha, isto que chamam vida! Sentimos cheiros, interpretamos sorrisos, e picanços, no fundo comunicamos com os outros procurando fazer desta vida algo rico. Olho para trás e sinto-me bem! Tenho aproveitado muito o que esta passagem tem de bom. Saber perder e sair derrotado é algo que sempre me foi estranho...hoje nem tanto! Talvez por me aperceber que podemos superar as derrotas, hoje sorrio! Sei que estas sensações são resultado do risco, de opções, de querer sempre mais e de alcançar esse mais também!
Soube bem o dia de hoje! Por ser igual a tantos outros, diferente, mas ao mesmo tempo único! Sabe bem tudo isto...

27-09-2004
AS

sábado, outubro 09, 2004

Ramalho!

Caros leitores,

o Tiago, esse desnaturado que tem a mania que sabe escrever, e que dizem que é dos melhores a escrever cá no canto, faz anos hoje... Parabéns Tiago!

Ramalho para ti!

Abraço

Mac

domingo, setembro 26, 2004

MEDO A QUE NOS LEVAS...

Este fim-de-semana dediquei-me a ver quase de seguida os dois documentários mais conhecidos de Michael Moore - "Bowling for Columbine" e "Fahrenheit 9/11".
Se pude estabelecer um elo comum entre os dois filmes, sem qualquer dúvida é a forma como o realizador demonstra que a causa primeira de qualquer violência, interna ou externa, se baseia no medo. O medo, difundido por meios de comunicação cada vez mais sensacionalistas, leva-nos a obter armas para proteger as nossas casas ou a atacar países para que eles não nos ataquem, mesmo que se viva no bairro mais pacífico, mesmo que o outro país não tenha sequer a intenção do ataque.

Em Bowling for Columbine, Moore, no seguimento do masacre do liceu de Columbine, procura as razões primeiras para a autêntica guerra civil que se vive na América. Será a história violenta que o país tem? Não. Será a violência dos media, cinema e jogos de vídeo? Não. Será o elevado número de armas nos lares? Não. Será a facilidade com que se compra armas e munições? Não. E se uma bala valesse 5000 dol./eur., haveria "balas perdidas"? É através da comparação entre países, designadamente entre o Canadá e os EUA que Moore acha encontrar a razão para qualquer violência - o tal medo.

Em Fahrenheit 9/11, também no seguimento de outros massacres, o medo é outro é o do terrorismo, mesmo que exista paz o que faz dinheiro é a guerra, o que faz dinheiro é o medo. O medo de envelhecer ou ficarmos feios já provou que nos faz consumir. O medo de sermos mortos ou atacados, faz, como absurdamente aconteceu na guerra fria, acabemos por estar numa loja a comprar a máscara de gás tamanho M ou o abrigo nuclear T2.

Mais do que as ligações políticas e económicas que Moore desvenda em ambos os filmes, que servem para pensar - a questão que achei mais importante foi mesmo a forma como os Estados gerem o medo dos seus cidadãos e a forma como isso reflecte-se na nossa forma de viver em sociedade.

Ambos os documentários são realizados com uma miscelânea de desenhos animados, imagens históricas, entrevistas e até mesmo filmes publicitários - são por isso hilariantes, únicos e imperdíveis.

Depois de uma breve pesquisa na Internet encontrei um dos livros de Moore - "Stupid White Man", que se encontra actualmente nas nossas livrarias e já esteve no top norte-americano, a ver se arranjo algum tempo para o ler.

sábado, setembro 25, 2004

Jograis bar

Já que o ambiente das conversas de canto sempre foi rodeado de música e copos deixo uma recomendação porreira: "Jograis Bar", ali perto da Avenida Estados Unidos da América. Bar de porta fechada, música ao vivo do melhor! A APEF andou lá a vadear, cantar e beber ontem...

AS

quarta-feira, setembro 22, 2004

21 de Setembro de 1992

Já nos conhecemos há 12 anos!
Parece estranho o número, parece estranho por parecer tanto, mas também porque temos histórias para encher 15 ou 20...

É “fixe” recordar aquele dia, aquelas sensações, aqueles cheiros e aquele despertar! O parecer tudo tão grande, tão novo. Hoje parece tudo tão velho, tão rico, tão pequeno para as recordações. Mais do que o que nos fez conhecer uns aos outros, o CM, hoje penso no que criámos em conjunto... Acredito que por vezes não temos essa noção, limitamo nos a viver os momentos. Acho que por um lado é bom, continuamos com a inocência de sempre, com as brincadeiras à “puto jardim”, com as mães uns dos outros, a lista não pára! Por outro lado as marcas do tempo surgem com a preocupação de “quando defines o teu curso”, já arranjaste trabalho, ou com as apostas de quem se casa primeiro...muito mais vai surgir!

Mais que marcar momentos, comemorá-los ou não, é preciso que isto tudo permaneça, que isso que chamam amizade seja perene, seja de sangue!

Doze anos já lá vão! Que venham mais 100!
ZACATRAZ
AS

terça-feira, setembro 21, 2004

Esta Semana vou ouvir...


Crash
Dave Matthews Band

Novos Compromissos Editoriais

Lembram-se quando a determinada altura do filme Matrix a visão que o escolhido têm do mundo se transforma num código de números em constante mudança. Uma das coisas que o curso me está a fazer mal é que começo a ver uma quantidade absurda e dispensável de normas a nascer no dia a dia e a clamar por serem escritas.
Pois é, as normas nascem dos problemas. E este blog está com problemas à medida que a quantidade de posts mensais começa a tender para zero. Preocupados com isso vamos estabelecer o nosso "contrato social" (hoje estou com pseudo-estupidez jurídica crónica). Assim sendo decidimos estabelecer os nossos mandamentos e compromissos editoriais.

Art.º único
  1. Todos os membros do blogue "Conversas de Canto" comprometem-se a redigir um texto original num número mínimo de dois por quinzena.
  2. A falta ao disposto no número anterior poderá resultar na prescrição do autor como membro do blogue.

"Os fundadores"

Um cheiro para este dia


21 de Setembro de 1992

Depois de termos visitado aqueles muros e paredes era a hora do almoço - O primeiro almoço. Se houve coisa que marcaria a minha memória daquele dia, e sabemos bem que são sempre as pequenas coisas que ficam cá gravadas, é o cheiro que no átrio da camarata, antes da formatura, se fazia sentir intensamente depois de estreadas pelo menos umas 50 latas.

Se por vezes é um momento, uma música ou uma paisagem; aquele momento ficou sempre associado àquele cheiro inicial - o cheiro da Rosette-lar.

segunda-feira, setembro 20, 2004

No meu bairro está tudo rico!

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30% mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).

O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!

O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...

A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.

Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.

E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é presidente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.

E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal. Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!


Nicolau Tolentino in "Expresso"
20 Setembro 2004

sábado, setembro 11, 2004

Fazer ou aprender

Frequentar o Ensino Superior é uma oportunidade, quer para evoluirmos interiormente enquanto pessoas, quer enquanto cidadãos com um conhecimento acima da média. Hoje é também encarado como mais uma etapa da vida. Temos a infância, a adolescência, se quiserem a primária, o secundário, sendo que posteriormente surge sempre a vontade em entrar no mercado de trabalho. Pelo meio situa-se o ensino superior. Por muitos é visto como uma oportunidade única de ganhar maturidade e conhecimento, por outros é uma etapa à qual “pelos outros” não se pode falhar. Poderemos perguntar agora se é esta a ideia habitual de toda a sociedade portuguesa? Podemos ir mais longe e questionar se estes “hábitos” são positivos? Neste momento não vamos reflectir sobre estas respostas, mas apenas na repercussão que esta mentalidade provoca nos estudantes do Ensino Superior, nomeadamente o Universitário!

O Ensino Universitário tem de ser encarado como uma possibilidade de nos enriquecermos pessoalmente. Um enriquecimento que tem obrigatoriamente de passar pela componente cientifica, mas também pela componente humana e social. Dentro de cada parâmetro, mais que adquirir conhecimentos é necessário interiorizar comportamentos, usufruir experiências que só nos são possíveis de realizar nesta etapa da vida. Frequentar todo o período universitário não é apenas uma simples tarefa avaliada pela negativa ou positiva, mas uma forma de atingir determinados objectivos, onde cada etapa tem uma razão de ser e cada razão deve ser compreendida.

Perante este panorama há que relacionar a visão da sociedade relativamente ao Ensino Universitário, com as exigências do Ensino Universitário face à sociedade. O resultado desta simbiose é a realidade das Universidades Portuguesas. Podemos encontrar alunos aplicados, dedicados, onde a vertente científica se torna uma paixão. Outros há que se valorizam mais na componente humana e pessoal experimentando oportunidades únicas e enriquecedoras. Por último surge sempre a componente social que para muitos é também um factor sempre presente e até primordial. Qual a visão mais correcta, mais sensata? “No meio está a virtude”. Esta expressão tão sábia quanto antiga pode ser aplicada neste caso. Substitua-se o “meio” pelo “equilíbrio”. Esse equilíbrio está pouco presente nas nossas faculdades, e quando está, apresenta-se como uma minoria.

Vejamos, quantos estudantes fazem cadeiras, e acentue-se a expressão fazer, em prol de aprender conteúdos de cadeiras e apreender mentalidades? Quantos estudantes estudam matérias não para aprender, mas sim para passar cadeiras, acabando com a expressão – “está feita!”. Estaremos na faculdade para aprender cadeiras e não para passar cadeiras? A diferença entre um 16 e um 11 traduz-se em conhecimentos diferentes sempre? Quantos estudantes forjam resultados de laboratório ou simplesmente copiam relatórios? Quantos universitários se integram ao mesmo tempo nas actividades extra-curriculares da Universidade? O desenvolvimento de trabalhos sociais é um prazer para os nossos estudantes ou um sacrifício? Se quiserem, quantos estudantes saem das universidades com a cultura do desporto, indo de encontro à velha máxima, mens sana in corpore sano, um principio de uma sociedade evoluída? Passar pela faculdade, pelas salas de aulas, pelos laboratórios, conhecê-los exaustivamente e não viver a faculdade é criar um cidadão equilibrado? Creio que muitas destas questões são partilhadas por muitos Universitários, antigos estudantes ou simples cidadãos.

De todas estas perguntas, acho que podemos concluir que o equilíbrio não existe actualmente em abundância! Assim sendo há que procurar causas! A primeira, e a maior, reside na atitude dos estudantes. É o sujeito responsável pelas suas atitudes. Por outro lado, acredito que as Universidades se habituaram a estas realidades e desresponsabilizaram-se de tentar invertê-las. Acredito que é altura de se pensar não apenas em reformas curriculares, em fazer evoluir as faculdades para os ideais europeus, mas também em repensar o que de mais antigo há: métodos de ensino; abordagem ao aluno; relação professor/aluno; incentivos ao desporto, à sociabilização, à valorização pessoal; humanizar as faculdades; associar o avaliar ao aprender! Outros haverá com toda a certeza. É aqui que acredito que ainda há muito por fazer. No fundo trata-se de tornar as Universidades, o espaço de um ensino superior por excelência.

AS

Voltei!

Findo mais de um mês, volto ao blog!

Os últimos tempos tem sido de uma intensidade elevada, tive tempo para enriquecer este "canto", mas talvez tenha faltado a disponibilidade mental... Vicissitudes da vida!

Vou procurar voltar à realidade da blogosfera pelo menos semanalmente...há muito que contar!

Bem, acabaram as férias, vamos a isso!

Até já, até logo, ou simplesmente fiquem por aí!

AS

sexta-feira, julho 23, 2004

A curiosidade...

Parto este fim de semana de viagem para o lado de lá do Atlântico... A minha colaboração no blog que ultimamente tinha aumentado vai cessar assim um pouco, tendo eu  secreta esperança de conseguir talvez escrever um post de lá, provavelmente sobre o choque de culturas!

Quanto à minha maior curiosidade, nos dias que se aproximam, vai ser com toda a certeza: saber qual a próxima peripécia que o nosso governo vai preparar. Usem da imaginação, penso que tudo é possível!

Vemo-nos por aí!

AS

quarta-feira, julho 14, 2004

Deus

"É uma típica tarde de sexta-feira e estás dirigindo em direcção à tua casa. Sintonizas o rádio.

O noticiário está a falar de coisas de pouca importância.

Numa cidade distante morreram três pessoas com uma gripe até então totalmente desconhecida.

Não prestas muita atenção ao tal acontecimento.

Na segunda-feira, quando acordas, escutas que já não são três, mas 30 mil as pessoas mortas pela tal gripe nas colinas remotas da Índia.

Um grupo do Controle de Doenças dos EUA foi investigar o caso.

Na terça-feira, já a noticia é mais importante, ocupando a primeira página de todos os jornais, porque já não é só na Índia, as também no Paquistão, Irão e Afeganistão.

Enfim, a notícia espalha-se pelo mundo. Chamam a doença de "La Influenza Misteriosa" e todos se perguntam: Que faremos para controlá-la?

Então, uma notícia surpreende a todos: Europa fecha as suas fronteiras. França não recebe mais voos da Índia nem de outros países onde se tenha suspeitas de existência de casos da tal doença.

Devido ao encerramento das fronteiras, estás ligado em todos os meios de comunicação, para te manteres informado da situação e de repente ouves que uma mulher declarou que, num dos hospitais da França, um homem está a morrer pela tal "Influenza Misteriosa".

Começa o pânico na Europa.

As informações dizem que, quando contrais o vírus, é questão de uma semana e nem percebes.

Em seguida tens quatro dias de sintomas horríveis e morres.
A Inglaterra também fecha as suas fronteiras, mas já é tarde.

No dia seguinte o presidente dos EUA fecha também as fronteiras para Europa e Ásia, para evitar a entrada do vírus no país, até que encontrem a cura.

No dia seguinte, as pessoas começam a reunir-se nas igrejas em oração pela descoberta da cura, quando de repente entra alguém na igreja aos gritos:

- Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas mulheres morreram em Nova York!!!

Em questão de horas, parece que a coisa invadiu o mundo inteiro.

Os cientistas continuam a trabalhar na descoberta de um antídoto, mas nada funciona.
De repente, vem a notícia esperada: Conseguiram decifrar o código de ADN do vírus.

É possível fabricar o antídoto!

É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém que não tenha sido infectado pelo vírus.

Corre por todo o mundo a notícia de que as pessoas devem ir aos hospitais fazer a análise de seu sangue e doá-lo para o fabrico do antídoto.

Tu vais voluntariamente com toda tua família, e alguns vizinhos, perguntando-te:
- O que acontecerá?. Será este o final do mundo?

De repente o médico sai a gritar um nome que leu no seu caderno.
O menor dos teus filhos está do teu lado, agarra-se ao teu casaco e diz:
- Pai? Esse é o meu nome!

E antes que possas fazer algo, levam-te o filho e gritas:
- Esperem!

E eles respondem:
- Está tudo bem! O sangue dele está limpo, é sangue puro. Achamos que ele tem o sangue de que precisamos para o antídoto.

Depois de cinco longos minutos, saem os médicos chorando e rindo ao mesmo tempo.
É a primeira vez que vês alguém a rir há uma semana.
O médico mais velho aproxima-se de ti e diz:
- Obrigado senhor! O sangue de seu filho é perfeito, está limpo e puro. O antídoto finalmente poderá ser fabricado!

A noticia espalha-se por todos os lados.

As pessoas estão orando e rindo de felicidade.

Nisto, o médico aproxima-se de ti e da tua esposa e diz:
- Podemos falar um momento? Não sabíamos que o doador seria uma criança e precisamos que o senhor assine uma autorização para usarmos o sangue de seu filho.

Quando estás a ler, percebes que não colocaram a quantidade de sangue que
vão usar e perguntas:
- Qual a quantidade de sangue que vão usar?

O sorriso do médico desaparece e ele responde:
- Não pensávamos que fosse uma criança. Não estávamos preparados, precisamos de todo o sangue do seu filho.

Não podes acreditar no que ouves e...tratas de contestar:
- Mas... mas...

O médico insiste:
- O Senhor não compreende? Estamos a falar da cura para o mundo inteiro!!
Por favor, assine! Nós precisamos de todo o sangue.

Tu, então, perguntas:
- Mas não podem fazer-lhe uma transfusão?

E vem a resposta:
- Se tivéssemos sangue puro, poderíamos. Assine! Por favor, assine!

Em silêncio, e sem sentir a caneta na mão, tu assinas.

Perguntam-te:
- Quer ver o seu filho?

Caminhas na direcção da sala de emergência onde se encontra a criança
sentada na cama dizendo:
- Pai?! Mãe?! O que está acontecer?

- Filho, a tua mãe e eu amamos-te muito e jamais permitiríamos que te acontecesse algo que não fosse necessário, entendes?

O médico regressa e diz-te:
- Sinto muito senhor, precisamos de começar. Gente do mundo inteiro está a morrer.

Podes sair? Podes virar as costas ao teu filho e deixá-lo ali?

O teu filho diz:
- Pai?! Mãe?! Por que é que me estão a abandonar?

E, na semana seguinte, quando fazem uma cerimónia para honrar o teu filho, algumas pessoas ficam em casa a dormir, outras não vêm, porque preferem fazer um passeio ou assistir a um jogo de futebol na TV e outras vêm com um sorriso falso. Tens vontade de parar e gritar:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SE IMPORTAM COM ISSO?


Talvez seja isso o que DEUS quer dizer:
- O MEU FILHO MORREU POR VOCÊS!!! NÃO SABEM O QUANTO VOS AMO!!!

É curioso, o simples que é para as pessoas dizer mal de Deus e dizer que não entendem como o mundo vai de mal a pior.
É curioso como acreditamos em tudo aquilo que lemos nos jornais, mas questionamos as palavras de Deus.

É curioso como todos querem ir para o Céu, mas nada fazem para merecê-lo.

É curioso como as pessoas dizem:
- "Eu creio em Deus!" - mas, com suas acções, mostram totalmente o contrário.

É curioso como consegues enviar centenas de piadas através de um correio electrónico (e-mail), mas quando recebes uma mensagem a respeito de Deus, pensas duas vezes antes de compartilhá-las com outros.

É curioso como a luxúria, crua, vulgar e obscena passa livremente através do espaço, mas a discussão pública de DEUS, é suprimida nas escolas e locais de trabalho.

É CURIOSO, NÃO É?

Mais curioso ainda é ver como se pode estar tão crente em DEUS ao domingo, e ser um cristão invisível no resto da semana.

É curioso que quando terminares de ler esta mensagem, não a enviarás a muitos da tua lista de amigos, porque não estás
certo daquilo que eles crêem e do que eles vão pensar..."

terça-feira, julho 13, 2004

Sophia

Imortalizou-se em vida...



Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos foram gestos de bruxedo.
Foram os gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra dos canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
Calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entre a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e inatingível
Sem me deixar penetrar no seu segredo.
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou pesado e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, julho 06, 2004

Animais! Quem?

O Animal e o Homem!

As vivências fazem-nos evoluir, ou simplesmente mudam a nossa maneira de encarar o mundo e os seus pequenos nadas! Comecei com o Animal e o Homem! Letras maiúsculas leia-se!
Por volta de 12 de Novembro de 2002 (um pouco mais tarde talvez) tive a felicidade de receber juntamente com a minha família um cachorrito. Um Serra da Estrela puro, uma autêntica bola de pelo na altura! A junção de um sonho de infância com um ídolo de infância fez com que aquela autêntica bola de pelo se chamasse Figo. Coincidência das coincidências era viciado em jogar à bola, ou não fosse ele um cão, mas com a particularidade de só andar de voltas das bolas quando não era ele que a tinha! O nome vinha assim do meu ídolo de infância, da bola de que tanto gostava e de um pormenor engraçado: adorava figos, tinham era de ser abertos!
Lá em casa ganhámos lhe afeição! Sempre prezámos por tratá-lo da melhor forma. Espaço para correr foi algo que sempre abundou. O meu pai teimava em arranjar uma casota, em abrir lhe as portas das boxes, para que tivesse um sítio onde se abrigar da chuva se assim quisesse. Ele sempre teimou em andar à chuva! Tinha os seus brinquedos, dados nos anos, ou no Natal, sempre pela minha irmã, que se dava ao trabalho de embrulhar os mesmos. Tinha direito as umas valentes sopas, feitas de propósito pela minha mãe para ele, de resto era só ração do melhor. Muitas horas passámos a penteá-lo, a escová-lo, era uma bola que por mais que quiséssemos tinha sempre pelo. Adorava banhos quentes de mangueira, e se ele tomava banho, todos tinham de tomar banho. Banho era sinónimo de eu ir de chinelos e calções e sair de lá pingado...
Porque tudo isto? Se calhar perguntam com razão! A resposta é simples! Não se limitava a ser um cão. Era a companhia do meu pai durante a semana quando estava na terra. O meu companheiro da bola. Aquele que mantinha a pata no pé da minha mãe quando a minha mãe estava sentada, como que dizendo está guardada. O aconchego da minha irmã, que apesar da sua brutidão de cão(pesava 50/60kg), também sabia deixar que ela o agarrasse e tal como era capaz de saltar para brincar com ela, era capaz de ficar ali parado só a receber mimos. O guarda na nossa casa, da dos vizinhos, da ourivesaria, acho que posso dizer da rua! Sim da rua! Quando o levávamos a passear ao café, ao fundo da rua, os Velhos do Restelo tinham sempre as mesmas afirmações: “Cuidado com o bicho”, “Mete respeito”, “Aquilo puxava uma carroça”. As crianças por seu lado ficavam boquiabertas, aproximavam-se e perguntavam posso dar uma festa? Não tenho registos de uma que se tenha queixado! Se aleijou alguém, não foi criança e foi pela vontade do Figo em brincar...

Passou a fazer parte da família! Fazia de tudo: lambia os pratos do bife; entrava de fugido em casa, ia ao meu quarto e enrolava-se na cama até acordar-me; fazia autênticos raides pela casa a fugir do jornal que o meu pai tinha na mão por ter sujado o sofá; ladrava ao mínimo estranho que passava nas redondezas, ao mínimo bicho que rondava a casa, fosse ele um rato ou uma cobra; perdia a imponência num canto escondido quando é a altura das festas com medo dos foguetes; adorava massa de merendeiras... Acho que passava aqui o resto da noite a contar histórias! Surgiu-me uma última! Era um mimado do piorio, chegava ao cúmulo de com o focinho balançar a minha mão, até que ela saísse do bolso e lhe caísse em cima da cabeça e começasse a termideira que ele tanto gostava.
Já se perguntam, espero, porque terei escrito tal descrição, porque falo hoje pela primeira vez que tenho um cão? A resposta é simples, porque foi hoje que ele morreu com 1 anos e oito meses...
Espero que pela vossa cabeça passem agora as perguntas: como? porquê?
Porque alguém o envenenou! Porque alguém o envenenou! Porque simplesmente nunca conseguiram destrui-lo por fora! Aquele pelo e aquela imponência eram intransponíveis! Tiveram de corroe-lo por dentro! Tiveram de destrui-lo por dentro, com a cobardia de ao longe lhe atirarem algo. Por muitos dias se aguentou, levantando-se sempre que os estranhos por ali andaram, e deitando-se de seguida...esteve lá até ao fim e a pose sempre presente! Porque no fim de tudo isto não é o Animal e o Homem, como erradamente anunciei, porque afinal, Animais, somos todos!
O próximo Figo vem aí!
AS

sexta-feira, julho 02, 2004

A Portuguesa e a Bandeira

Muito se tem discutido como é ou não é!
A Portuguesa donde se retirou o Hino Nacional e uma Bandeira Nacional Portuguesa

A bandeira é rectangular (2:3), tal como as suas antecessoras, e bipartida de verde e vermelho, ocupando o verde dois quintos da largura e o vermelho os restantes três. Centrada na divisão, o brasão da República, constituído pelo escudo (de novo em formato "português") sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro é igual a metade da altura da bandeira.



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Música: Alfredo Keil
Letra: Henrique Lopes de Mendonça

terça-feira, junho 29, 2004

Votámos em quem?!


A semana é propícia a inúmeras reflexões políticas tal não fosse este um momento inédito na história da nossa democracia portuguesa. Ela irá abrir-nos os olhos para algumas das falácias do nosso regime democrático.
Primeiro há que distinguir que uma coisa é o que queremos dos acontecimentos e outra é o que os acontecimentos realmente são e geram. Ao contrário do que muitos querem, e bem na minha opinião, na nossa democracia, em boa verdade, na maioria dos cargos ditos democráticos, não existe a escolha directa de ninguém.
Na escolha da qualidade, competência ou identidade dos nossos representantes o normal do cidadão não é tido nem achado não estando essa selecção dependente da sua boa vontade ou do seu bom critério mas da vontade ou dos jogos de poder internos dentro das forças partidárias que se candidatam. Os portugueses nunca escolherão directamente o Dr. Santana Lopes da mesma forma como nunca escolheram o Dr. Durão Barroso para ser nosso 1.º Ministro.
Está certo que existem tradições políticas que nos fazem confiar que quando vamos à urna votar é nele ou naquele que votamos, mas o facto é que sempre votámos em siglas para nos representarem e não cidadãos como nós.
Os partidos não só reflectem uma ideologia (ou não) mas também reflectem a nossa preguiça de saber quem é o mais certo para determinado lugar. Eles tratam disso entre eles, aliás, eles negoceiam isso entre eles.
Da mesma forma não serão os cidadãos que escolherão amanhã se o próximo 1.º Ministro será o Ferro, o Soares, o Sócrates, o Vitorino, ou nenhum destes que estes já podem ser maus. Não são os cidadãos que escolherão se um militante de fim de lista é mais competente que um cabeça de lista.
E agora apercebemo-nos que afinal o 1.º Ministro pode ser outro, que nunca escolhemos os nossos ministros, que nunca escolhemos os nossos deputados, que nunca conhecemos o programa deles. Apenas confiámos em duas ou três letras e nas ideias pouco transparentes que uns têm ou não têm. Uma confiança que atinge os seus limites quanto maior é a abstenção.
Além disso as eleições são legislativas não executivas. A Constituição sugere que o Presidente da República convide o presidente do partido vencedor a formar governo. A tradição faz que ele seja, dessa forma, 1º Ministro, mas ele poderá recusar esse cargo e apresentar com o partido outro candidato ao cargo que os portugueses nunca viram pintado. Uma possibilidade que não está claro nem nos eleitores nem em militantes. O costume protege-nos contudo.
Assim quem ganhou foi o PSD não o Dr. Durão Barroso. É o PSD que no parlamento suporta um governo. Aliás o único cargo em que existe uma eleição pessoal é o de Presidente da República, é só para esse que escolhemos a identidade do indivíduo.
E embora fique satisfeito que existam eleições porque não acredito no caminho que o país toma, acho que nesta situação não é o partido que venceu as eleições que tem de ser responsabilizado são os portugueses que votaram num projecto de quatro anos e agora arrependeram-se.
Para terminar, falacioso é também o argumento que "o partido perdeu nas eleições europeias" e como tal perdeu a legitimidade democrática, falacioso porque o programa do governo até pode ser contrário ao programa eleitoral dos eurodeputados (claro que nunca é!), falacioso porque sempre que os resultados de outra eleição fossem abaixos dos obtidos nas legislativas, teríamos sempre uma legitimidade perdida e toca a fazer eleições. Era a impossibilidade de tomar medidas impopulares, era o caos.
É o nosso regime que propicia a partidarização. E embora isso, são capazes de serem convocadas eleições, não deviam, mas para nós ainda bem!

Bestial a Besta! Quem diria?

Pois é meus senhores, começam a evidenciar-se as parecenças entre o futebol e a política.
É comum ouvirmos a expressão "de bestial a besta". Quantas vezes no mundo do desporto, sobretudo no futebol, um jogador dança de um lado para o outro sem nada ter feito. Na política, mais propriamente no interior dos partidos, os militantes do partido maioritário elegeram agora uma nova dançarina. Após, no último congresso do partido do governo, a mulher mão de ferro das finanças portuguesas ter sido unanimemente saudada pelos seus colegas militantes, hoje, a senhora trocou de mão e teve de rodopiar para o outro extremo. Parece que o João Jardim e o Luís Filipe Menezes deram o mote à dança...

Vamos ver onde estas guerras pelo assento de São Bento vão parar! Para já, a verdade é que oficialmente não há um candidato assumido. Mau ou bom presságio?
As gaivotas andam em terra, indicia tempestade no mar e não há comandante para a nau...
Maus ventos se aproximam!

AS

sexta-feira, junho 25, 2004

Do futebol à Europa

Portugal mergulhou no "Mundo do Futebol" desde há uns dias e desde ai tem-se vivido uma euforia desmedida. A conquista das meias-finais colocou os portugueses na rua a festejar uma vitória, mas todos sabem que não se trata apenas de mais uma. O que tem de especial? Sinceramente não sei explicar! Sei que não foi por apenas termos ganho um jogo que todos descemos à rua na passada noite...

Apesar de esta loucura colectiva é preciso não esquecer que tudo isto é efemero, que dentro de dias o Euro2004 acaba. Não podemos esquecer tudo isso! É preciso saber viver este campeonato e saber continuar a viver a vida de todos os dias, preparando o futuro. Desçamos à terra então:

1. O Primeiro Ministro vai mesmo candidatar-se à Presidência da Comissão Europeia?
2. Esta não é uma questão do PSD, do Governo, ou do Durão, mas sim uma questão Nacional. Uma questão que sugere outras tantas.
3. Quem o sucederá? Santana Lopes por dinastia? Sucessão dinástica em Democracia, nunca ouvi falar?
4. Uma pergunta que oiço poucos fazerem, mas que enquanto Europeu me surgiu. Será Durão Barroso um bom Presidente para a Comissão Europeia? Para Portugal seria bom haver um Presidente da União Europeia Português, poucas dúvidas tenho, mas e para a Europa? Não deveríamos discutir isso...
5. Quando o país atravessa uma crise de confiança, com a economia ainda sem força, com os Portugueses desmoralizados, onde só o futebol os revitaliza, sair a meio de uma guerra que foi iniciada por este governo há dois anos e onde não se vislumbra vencedor, é justo o líder sair, mais, é este o exemplo de um líder?
6. Não sei precisar qual o Primeiro Ministro, mas ainda ontem ouvi na SICnotícias que uma das possibilidades mais apetecidas pelos diferentes países, não aceitava pelo compromisso que tinha para com o seu país. Será isso o exemplo de um líder?
7. Atenção, não digo que um Primeiro Ministro não possa abdicar pela Europa. Esse outro sonho que comunhamos também merece esforço, mas há que saber doseá-lo! E a nossa dose era o Vitorino, que foi recusada.
8. Limitei-me a fazer perguntas para as quais ainda não tenho resposta!
9. No meio disto tudo continuam as greves da Carris sem fim à vista; os Professores a constestarem mais uma vez as colocações (que música para os meus ouvidos); os atentados no Iraque; umas eleições europeias sem uma campanha digna desse nome e onde os Portugueses não souberam preservar um direito seu; um país que teima em querer crescer na mente de alguns mas que precisa que os seus líderes também queiram...
10. Acredito na nossa capacidade de trabalho, na nossa dedicação e empenho. Apenas continuo à espera que haja uma oportunidade para que o demonstremos. Apenas...

AS

domingo, junho 20, 2004

Há muito que não escrevo para o BLOG!
Direi mais, provavelmente todo o trabalho de fazer deste blog algo dinâmico dissipou-se, agora com o desleixo a que sujeitámos o canto... Procurarei sempre que possível voltar, consciente que não há desculpas para o desleixo!

Hoje, 20 de Junho de 2004, a Seleção Nacional joga o seu futuro no Euro 2004. Enquanto português sinto me realizado com este Euro. A organização está a superar as minhas expectativas... Não deixo no entanto que isso me reconforte a alma e espero mais, sobretudo da seleção, espero que deixem tudo naquele campo e que reforcem o meu orgulho neste Euro 2004!

Quanto ao meu orgulho em ser Português, esse está sólido, esse é eterno, esse está no meu sangue...

Amanha, como diriam os Madredeus, "Haja o que houver", a minha bandeira estará à janela!

Abraço