Podem muitos lamentar esta natureza interesseira dos partidos e dos seus membros. Podem até culpabilizar esta “máfia” do estado a que chegou a democracia. Mas eu não dou razão a nenhum deles. O estado a que chegámos não é culpa dos partidos, muito menos da sua máquina de interesses e posições. É culpa é do cidadão independente que cada dia que passa se desresponsabiliza perante a sua comunidade. É culpa é do cidadão independente que refugiado numa ideia em que só aos partidos cabe o domínio do político se demitiram das suas responsabilidades. E não é só porque deixaram de votar ou porque deixaram de participar nos vários planos que têm ao seu dispor, é porque se bem que exigem aos políticos pouco exigem a eles próprios. A política não é dos partidos, é de todos. Os partidos sabem disso, parece que os outros é que não. Veja-se a questão das presidenciais, que sendo a única eleição em que o acesso está vedado aos partidos, a maioria resignou-se a que fossem esses que lançassem as candidaturas pouco ou nada independentes. Onde ficaram todos aqueles que não são militantes? Demitiram-se e estão felizes com os seus bodes expiatórios.
domingo, setembro 11, 2005
Portugueses e Portuguesas
Podem muitos lamentar esta natureza interesseira dos partidos e dos seus membros. Podem até culpabilizar esta “máfia” do estado a que chegou a democracia. Mas eu não dou razão a nenhum deles. O estado a que chegámos não é culpa dos partidos, muito menos da sua máquina de interesses e posições. É culpa é do cidadão independente que cada dia que passa se desresponsabiliza perante a sua comunidade. É culpa é do cidadão independente que refugiado numa ideia em que só aos partidos cabe o domínio do político se demitiram das suas responsabilidades. E não é só porque deixaram de votar ou porque deixaram de participar nos vários planos que têm ao seu dispor, é porque se bem que exigem aos políticos pouco exigem a eles próprios. A política não é dos partidos, é de todos. Os partidos sabem disso, parece que os outros é que não. Veja-se a questão das presidenciais, que sendo a única eleição em que o acesso está vedado aos partidos, a maioria resignou-se a que fossem esses que lançassem as candidaturas pouco ou nada independentes. Onde ficaram todos aqueles que não são militantes? Demitiram-se e estão felizes com os seus bodes expiatórios.
sexta-feira, setembro 09, 2005
Um crime na Ota
Não se pode esperar que um ministro das Finanças dê a cara pela subida do IVA e do IRS, pelo aumento contínuo dos combustíveis e pelo congelamento de salários e reformas, que defenda em Bruxelas a seriedade da política de combate ao défice do Estado, e que, a seguir, assista em silêncio ao anúncio de uma desbragada política de despesas públicas à medida dos interesses dos caciques eleitorais do PS, da sua clientela e dos seus financiadores.
O afastamento do ministro das Finanças e a sua substituição por um homem do aparelho socialista é mais do que um momento de descredibilização deste Governo, de qualquer Governo.
É pior e mais fundo: é um momento de descrença, quase definitiva, na simples viabilidade deste país. É o momento em que nos foi dito, para quem ainda alimentasse ilusões, que não há políticas nacionais nem patrióticas, não há respeito do Estado pelos contribuintes e pelos portugueses que querem trabalhar, criar riqueza e viver fora da mama dos dinheiros públicos; há, simplesmente, um conúbio indecoroso entre os dependentes do partido e os dependentes do Estado.
Quando oiço o actual ministro das Obras Públicas - um dos vencedores deste sujo episódio - abrir a boca e anunciar em tom displicente os milhões que se prepara para gastar, como se o dinheiro fosse dele, dá-me vontade de me transformar em "off-shore", de desaparecer no cadastro fiscal que eles querem agora tornar devassado, de mudar de país, de regras e de gente.
Há anos que vimos assistindo, num crescendo de expectativas e de perplexidade, ao anunciar desses projectos megalómanos que são o TGV e o aeroporto da Ota. O mesmo país que, paulatinamente e desprezando os avisos avulsos de quem se informou, foi desmantelando as linhas-férreas e o futuro do transporte ferroviário, os mesmos socialistas que, anos atrás, gastaram 120 milhões de contos no projecto falhado dos comboios pendulares, dão-nos agora como solução mágica um mapa de Portugal rasgado de TGV de norte a sul.
Mas a prova de que ninguém estudou seriamente o assunto, de que ninguém sabe ao certo que necessidades serão respondidas pelo TGV, é o facto de que, a cada Governo, a cada ministro que muda, muda igualmente o mapa, o número de linhas e as explicações fornecidas.
E, enquanto o único percurso que é economicamente incontestável - Lisboa-Porto - continua pendente de uma solução global, propõe-nos que concordemos com a urgência de ligar Aveiro a Salamanca ou Faro a Huelva por TGV (quantos passageiros diários haverá em média para irem de Faro a Huelva - três, cinco, sete mais o maquinista?).
Quanto ao aeroporto da Ota, eufemisticamente baptizado de Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, trata-se de um autêntico crime de delapidação de património público, um assalto e um insulto aos pagadores de impostos.
Conforme já foi suficientemente explicado e suficientemente entendido por quem esteja de boa-fé, a Ota é inútil, desnecessário e prejudicial aos utentes do aeroporto de Lisboa.
E, como o embuste já estava a ficar demasiadamente exposto e desmascarado, o Governo Sócrates tratou de o anunciar rapidamente e em definitivo, da forma lapidar explicada pelo ministro das Obras Públicas: está tomada a decisão política, agora vamos realizar os estudos.
Mas tudo aquilo que importa saber já se sabe e resulta de simples senso comum:
- basta olhar para o céu e comparar com outros aeroportos para perceber que a Portela não está saturada, nem se vê quando o venha a estar, tanto mais que o futuro passa não por mais aviões, mas por maiores aviões;
- em complemento à Portela, existe o Montijo e, ao lado dela, existe uma outra pista, já construída, perfeitamente operacional e que é uma extensão natural das pistas da Portela, que é o aeroporto militar de Alverca - para onde podem ser desviadas todas as "low cost", que não querem pagar as taxas da Portela e menos ainda quererão pagar as da Ota;
- porque a Portela não está saturada, aí têm sido gastos rios de dinheiro nos últimos anos e, mesmo agora, anuncia-se, com o maior dos desplantes, que serão investidos mais meio bilião de euros, a título de "assistência a um doente terminal", enquanto a Ota não é feita;
- os "prejuízos ambientais", decorrentes do ruído que, segundo o ministro Mário Lino, afectam a Portela são uma completa demagogia, já que pressupõem não prejuízos actuais, mas sim futuros e resultantes de se permitir a urbanização na zona de protecção do aeroporto;
- a deslocação do aeroporto de Lisboa para cerca de 40 quilómetros de distância retirará à cidade uma vantagem comercial decisiva e acrescentará despesas, consumo de combustíveis, problemas de trânsito na A1 e perda de tempo à esmagadora maioria dos utentes do aeroporto, com o correspondente enriquecimento dos especuladores de terrenos na zona da Ota, empreiteiros de obras públicas e a muito especial confraria dos taxistas do aeroporto.
O negócio do aeroporto é tão obviamente escandaloso que não se percebe que os candidatos à Câmara de Lisboa não façam disso a sua bandeira de combate eleitoral e que, à excepção de Carmona Rodrigues, ainda nem sequer se tenham manifestado contra. Carrilho já se sabe que não pode, sob pena de enfrentar o aparelho socialista e os interesses a ele associados, mas os outros têm obrigação de se manifestarem forte e feio contra esta coisa impensável de uma capital se ver roubada do seu aeroporto para facilitar negócios particulares outorgados pelo Estado.
A Ota e o TGV, que fizeram cair o ministro Campos e Cunha, são um exemplo eloquente daquilo que ele denunciou como os investimentos públicos sem os quais o país fica melhor.
Como o Alqueva, à beira de se transformar, como eu sempre previ, num lago para regadio de campos de golfe e urbanizações turísticas, ou os pendulares do ex-ministro João Cravinho, ou os estádios do Euro, esse "desígnio nacional", como lhe chamou Jorge Sampaio, e tão entusiasticamente defendido pelo então ministro José Sócrates. Os piedosos ou os muito bem intencionados dirão que é lamentável que não se aprenda com os erros do passado. Eu, por mim, confesso que já não consigo acreditar nas boas intenções e nos erros de boa-fé. Foi dito, escrito e gritado, que, dos dez estádios do Euro, não mais de três ou quatro teriam ocupação ou justificação futura.
Não quiseram ouvir, chamaram-nos "velhos do Restelo" em luta contra o "progresso". Agora, os mesmos que levaram avante tal "desígnio nacional", olham para os estádios de Braga, Bessa, Aveiro, Coimbra, Leiria e Faro, transformados em desertos de betão e num encargo camarário insustentável, e propõem-nos um TGV de Faro para Huelva e um inútil aeroporto para servir pior os seus utilizadores, e querem que acreditemos que é tudo a bem da nação?
Não, já não dá para acreditar. O pior que vocês imaginam é mesmo aquilo que vêem. Este país não tem saída. Tudo se faz e se repete impunemente, com cada um a tratar de si e dos seus interesses, a defender o seu lobby ou a sua corporação, o seu direito a 60 dias de férias, a reformar-se aos 50 anos ou a sacar do Estado consultorias de milhares de contos ou empreitadas de milhões. E os idiotas que paguem cada vez mais impostos para sustentar tudo
isto.
Chega, é demais!!!
domingo, setembro 04, 2005
O fogo é a mensagem
As televisões passam e repassam as imagens dos fogos até à exaustão. Se o público dá sinais de cansaço, procuram aumentar a intensidade do drama até à próxima desgraça. Depois do caso Casa Pia, o suposto arrastão, enquanto não vem o terrível fascínio das chamas de Verão. É como alguém que para se fazer ouvir grita cada vez mais alto, até que o ruído torna tudo inaudível.
Tem sido objecto de discussão se devem existir limites à hiperabundância de imagens sobre o fogo nas televisões. Do ponto de vista normativo, a ideia de limites é sempre importante quando se trata do poder. Do ponto de vista conceptual, pode ser afirmado que as televisões exercem um poder, um poder fundado no facto de serem "meios de percepção" da realidade. Como meios de percepção da realidade, devem nortear-se por critérios de responsabilidade. No entanto, a tentação de condicionar estes meios de percepção do real é sempre grande, seja para fins políticos, através da propaganda, seja para fins económicos e comerciais.
Sendo grande a responsabilidade dos meios de percepção da realidade, os critérios que as televisões seguem pouco têm a ver com a responsabilidade. Em primeiro lugar, têm a ver com a sua demasiada dependência das técnicas, em particular das técnicas de captação e manipulação das imagens. A televisão é o universo das imagens técnicas, da tecnoimagem, caracterizando-se por manter uma corrente inflacionária de imagens, como se elas fossem a realidade a correr à nossa frente. As televisões vivem da opulência imagética e as tecnologias garantem essa abundância. Mas o público não precisa de tantas imagens, estas é que precisam de público. Nós somos espectadores das imagens que os aparelhos sofisticados nos fornecem. E por detrás desses dispositivos já não estão apenas os homens, mas a programação dos aparelhos. As imagens que as tecnologias nos fornecem são autónomas das nossas necessidades e até, em parte, do nosso controlo. Em grande medida, já nem é possível apagar as imagens. Elas estão nos autocarros, metros, aviões, aeroportos, ruas, locais públicos, por toda a parte.
A televisão serve a televisão, não serve o bem público.Por isso, as televisões passam e repassam as imagens dos fogos até à exaustão. Se o público dá sinais de cansaço, procuram aumentar a intensidade do drama até à próxima desgraça. Depois do caso Casa Pia, o suposto arrastão, enquanto não vem o terrível fascínio das chamas de Verão. É como alguém que para se fazer ouvir grita cada vez mais alto, até que o ruído torna tudo inaudível. É difícil às televisões escaparem a este destino. Estes meios de percepção da realidade condicionam o público, embora este condicionalismo não seja idêntico para todas as pessoas. Há um poder de sugestão que é sempre posto em marcha pelas televisões. Desde finais do século XIX que a imprensa é analisada no âmbito das novas formas de sugestão.
O fenómeno da sugestão é fulcral nos processos da psicologia colectiva. A televisão deixa a sua marca de sugestão no público. Qualquer público pode ser trabalhado por impulsos estranhos, actos excessivos, reacções psíquicas misteriosas.As tecnoimagens não reflectem a realidade, refractam a realidade, quando não a tornam opaca. Desde logo porque nenhuma imagem é a realidade, e depois porque estas podem ocultar as questões principais. Porque é que cada ano há mais fogos? Como é que chegámos a uma situação em que o Estado não consegue impedir que o país arda desta forma? Será hoje Portugal uma comunidade coesa, temos nós algum projecto nacional, capaz de preservar o património biológico, ambiental, histórico, temos nós algum projecto que seja algo mais do que sermos tão consumidores como os cidadãos dos países mais ricos? Em segundo lugar, os critérios das televisões estão subjugados ao mercado, via publicidade. As televisões são não só um negócio, como um poderoso instrumento do mundo comercial e da expansão desse mundo. Quando emitem ao longo da noite e ao fim-de-semana, não o esqueçamos, estão a espalhar o mundo comercial a qualquer hora e dia; o mundo comercial está a penetrar nas nossas casas e na nossa consciência.
O mundo comercial, através das televisões, não nos dá descanso. As televisões estão, portanto, entre os dois ídolos do nosso tempo: a tecnologia e o mercado. Quem ousa questionar o desenvolvimento da tecnologia? Quem tem dúvidas se tal ou tal tecnologias têm consequências nocivas para a comunicação? Se têm consequências nocivas para o ambiente ou para a nossa noção de dignidade humana? A nossa vida é alterada pela tecnologia, o jornalismo é alterado pela tecnologia, e a nós só nos cabe celebrá-la, adaptarmo-nos a ela. A tecnologia aparece como se fosse neutral, dizem-nos que depende de ser bem ou mal usada. Ora, esta é uma noção errada. Até porque hoje a tecnologia e o mercado são interdependentes. Avançam só as tecnologias valorizadas pelo potencial de mercado, com base em expectativas com fundamento ou sem fundamento; ao mesmo tempo o mercado necessita de novas tecnologias para implementar o consumo.
O mercado, hoje, é global e encontra-se desregulado, segundo a doutrina de que a economia de mercado se basta a si própria. Tecnologia e mercado não estão ao serviço das necessidades humanas, as nossas necessidades são ditadas ou muito condicionadas pela tecnologia e pelo mercado. A dificuldade está em limitar poderes que têm estado fora do controlo, fora de um quadro de regulação ético efectivo. O panorama dos media é o de uma informação transformada profundamente pela revolução tecnológica e comercial.
A comunicação social arrisca-se a sair fora da esfera da cultura e do próprio âmbito comunicativo, ao desvincular-se de qualquer valor ético e politicamente relevante. Não é fundamental a concertação entre os três canais. É bom que a RTP avance com esta proposta, mas o essencial é começar a dar o exemplo de contenção, evidentemente com maior imperativo moral no domínio do serviço público. Caso contrário, passa a imperar o esquema imoral de que só seremos éticos se os outros forem. Todavia, é evidente que um acordo entre todos os canais nesta matéria seria uma óptima iniciativa. Tanto mais que os grandes problemas do país, como é o caso, só se enfrentam com posições que pressupõem um projecto de coesão nacional, de desígnio nacional.
José Luís Garcia - Investigador no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa
in Público 03/09/2005
sexta-feira, agosto 26, 2005
Mais um belo dia de Verão na Baviera
quinta-feira, agosto 18, 2005
terça-feira, agosto 16, 2005
Férias
Aceitamos convidados...
AS
sexta-feira, agosto 12, 2005
terça-feira, julho 26, 2005
Próxima paragem: Londres
Amanha vou para Londres! Pela primeira vez vou a uma Capital Europeia, logo sozinho, e estou contente com a ideia. Uma viagem a um Congresso Internacional de Ciência, com estudantes de todo o Mundo de várias áreas académicas! Espero conseguir escrever no blog para poder partilhar as sensações de visitar Londres! Estou entusiasmado!See you soon!
AS
quarta-feira, julho 20, 2005
Projecto Ulysses
Tinha já há algum tempo marcado para estas férias a grande jornada que é ler o "Ulisses" de James Joyce, aquela que muitos consideram a obra cimeira de toda a literatura moderna universal. É um senhor livro com as suas 848 páginas e quase um quilo de peso, físico esse que se complementa com um conteúdo, dizem alguns, igualmente pesado. Como não quero ler apenas as primeiras 100 páginas, e remeter o livro para a terceira prateleira da minha estante; como julgo que outros existem, que vivem este dilema de o quererem ler, mas com o medo de lhes faltar a coragem e a paciência de o aguentar até ao fim (neste caso ao fim do único dia ficcionado); julgo que devemos seguir o lema de a "união fazer a força" e copiar a técnica de leitura partilhada.sábado, julho 16, 2005
John Mayer
segunda-feira, julho 11, 2005
Vê se podeis comungar...
sábado, julho 09, 2005
quinta-feira, julho 07, 2005
Londres
segunda-feira, julho 04, 2005
Filme à Segunda
"Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país “o arrastão", um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal. O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs", terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona. “Era uma vez um arrastão” passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal."
sábado, julho 02, 2005
sexta-feira, julho 01, 2005
Música à Sexta

Para quem gosta dos sons minimalistas do piano de Wim Mertens ou Michael Nyman recomendo que ouçam o teclar do maestro italiano Ludovico Einaudi, que recentemente, e pela primeira vez, esteve em Portugal a promover o seu novo disco "Una Mattina". Ainda durante este ano voltará para concertos, entretanto, é a sua música que acompanha o último anúncio comercial da BMW. É só um piano, duas mãos e dez dedos...
quinta-feira, junho 30, 2005
Portugal II

Passo a contar um breve episódio que vivi há uns dias! Um professor meu com o qual tenho alguma confiança e muito respeito, tinha na lapela do casaco o escudo de Portugal. Após vários meses de aulas com o mesmo era a primeira vez que reparava no pormenor e sendo eu antigo aluno do Colégio Militar, partilho o hábito de austentar um símbolo ao peito, no meu caso a barretina, senti curiosidade e questionei o professor sobre o significado do símbolo. O professor orgulhosamente partilhou que se tinha proposto a um novo objectivo, procurar elevar a auto-estima dos portugueses. Argumentou que os símbolos e o seu uso são algo associdado sempre ao orgulho de pertencer ou ser e que por isso decidiu seguir a cultura do símbolo relativamente a Portugal, procurando diariamente levantar a auto-estima dos portugueses. Disse-o como que anunciando que ele não desiste, que ele acredita! Falou-me inclusivé em procurar uma estrutura ou criar uma que tivesse esse espírito, mas para já limitava-se diariamente a levar consigo um dos valores em que acredita e vive! Fiquei sensibilizado com a ideia e à minha maneira procurarei levantar essa auto-estima, mesmo que apenas sirva para mudar a mentalidade de um português, para já e aqui no mundo da Blogosfera procurarei divulgar os Portugueses que brilham por esse Mundo fora com prémios, com obra feita, ou escreverei apenas sobre aqueles que anonimamente a meu ver são uma mais valia. Não quero com isto dizer que deixarei de fazer as minhas críticas, longe disso, apenas vou fazer aquilo que sempre defendi, valorizar também o positivo e sobretudo o positivo! Tiago e Gonçalo espero que alinhem!
Esperemos que a chama deste objectivo não se apague!
AS
Portugal I
Temos uma democracia recente comparativamente à restante Europa. O nível cultural não é elevado e os números anunciam igualmente que os parametros que reflectem o nível educacional do nosso país ficam longe dos da restante Europa da zona Euro (vamos compararmo-nos à zona Euro, pois é por cima que as comparações se fazem quando queremos ser ambiciosos). Estas diferenças talvez possam explicar muitas atitudes. Adquirimos vários direitos há não muito tempo e dessa forma sempre que se fala em mudanças, surge a sombra de os perder, ou surge a ilusão que os direitos são vitalícios e que nada, nem ninguém os pode retirar qualquer que seja a conjuntura. Por outro lado, como já referi, poucos são aqueles dispostos a colmatar a ausência desses "novos" direitos com a imposição de novos desafios, com a capacidade de encontrar soluções por inicitiva própria e em prol dos outros. Este receio resulta talvez do egoísmo pessoal de cada um de nós, do receio do fracasso, da ausência de espírito empreendedor, do sentimento de que os direitos não implicam deveres. Todas estas variáveis podem ser trabalhadas construíndo e promovendo uma mentalidade diferente que acabe de vez com aqueles que dizem e anunciam como se fossem os heróis do novo milénio que "lá fora é que é", que "este país não tem solução", que "Portugal só para férias". Quero com isto dizer que a solução passa por sabermos valorizar o que temos e acreditarmos em nós própios. A solução passa por dar o exemplo! Aprendi este valor no Colégio Militar e procuro segui-lo todos os dias, nem sempre se consegue. O exemplo naquilo que acreditamos no dia a dia.
Todos ambicionamos melhor qualidade de vida, sucesso pessoal e profissional, viver num país civilizado, que respeite o ambiente, que nos permita usufruir das invenções do último século e das inovações do actual. Se queremos um Portugal com os valores que defendemos, deixemos de nos martirizar, de vitimizar! Passemos a pertencer àqueles que reagem, que se mexem, que procurando o sucesso, dão espaço para conquistar o sucesso de Portugal! Nacionalista, conversa fácil e moralista! Se quiserem encarar assim, é uma opção que por certo vos levará a sentirem-se mais leves, aliás com toda a certeza menos problemas terão de resolver! Não disse que este objectivo é fácil, mas cabe a cada um de nós promovê-lo e ir atrás desse sonho!
quarta-feira, junho 29, 2005
terça-feira, junho 28, 2005
Porque não?...
Venho por meio desta comunicação manifestar meu total apoio ao seu esforço de modernização do nosso país. Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é Reforma Tributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais.
Vou explicar:
Na actual legislação, pago na fonte 31% do meu salário (20 para o IRS e 11 para a Segurança Social). Como pode ver, sou um cidadão afortunado. Cada vez que eu, no supermercado, gasto o que o meu patrão me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19% para si (31+19P) Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral. Mas o meu patrão é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75% daquilo que me paga para a Segurança Social. E ainda 33% para o Estado (50+23.75+336.75).
Além disso quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.
Minha sugestão, é invertermos os percentuais. A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 100% do meu salário..
Funcionaria assim: Eu fico com 6.75% limpinhos, sem qualquer ónus mas o Governo fica com as contas de:
-Escola,
-Seguro de Saúde,
-Despesas com dentista,
-Remédios,
-Materiais escolares,
-Condomínio,
-Água,
-Luz,
-Telefone,
-Energia,
-Supermercado,
-Gasolina,
-Vestuário,
-Lazer,
-Portagens,
-Cultura,
-Contribuição Autárquica,
-IVA,
-IRS,
-IRC,
-IVVA
-Imposto de Circulação
-Segurança Social,
-Seguro do carro,
-Inspecção Periódica,
-Taxas do Lixo, reciclagem, esgotos e saneamento
-E todas as outras taxas que nos impinge todos os dias.
-Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo E Judiciário.
PS: Podemos até negociar o percentual !!!
segunda-feira, junho 27, 2005
Ridículo

Significado:
1. Cuidado que há aviões por aí!
sexta-feira, junho 24, 2005
quinta-feira, junho 23, 2005
Vamos fechar para obras...

Acho que qualquer Português já compreendeu o estado da (des) organização dos serviços e ministérios que existe actualmente... Não é segredo para ninguém. Qualquer partido que esteja na oposição o diz a alta voz. E culpam sempre os anteriores governos de terem feito um mau trabalho e não terem respondido as promessas eleitorais. De promessas ilusórias e utópicas anda o povo farto. É necessário reestruturar.
Hoje em dia, todos pensam que tudo se faz de um dia para o outro. Políticas novas, planos e estratégias muito elaborados, todos cheios de princípios e valores correctos (pelo menos alguns). A verdade é que estas medidas para terem algum efeito prático levam anos a entrar em vigor. A cultura da mediocridade existente, face à distinção da “qualidade” nos serviços públicos, o aumento dos impostos face à redução da despesa (pergunto-me como é possível continuarem a aumentar o IVA de 19%, que já era uma medida extraordinária, para os 21%... O Reino Unido têm a 17,5%, a Espanha nossa vizinha, a 16%). Será que ainda não compreenderam que esse não é o caminho.. Perguntem a qualquer gestor de uma empresa o que fazer quando a empresa começa a entrar no vermelho?..
Mas o que sofremos hoje, desta desorganização total dos serviços, das contas públicas, não é apenas culpa deste governo. Nem do anterior. É culpa da falta de medidas estruturantes ao longo destes últimos 10, 20 anos de governação (e não vou mais longe no tempo). Se olharmos para outros países que estão numa boa situação económica, financeira e organizacional, percebemos se olharmos um pouco para trás que é em grande parte "culpa" dos governantes que tiveram nestes últimos. O caso da Inglaterra com Margaret Thatcher, as medidas fulcrais tomadas à vinte anos como alavanca para o sucesso de hoje em dia em certos países nórdicos, ou a aposta forte dos países do leste na educação.. Exemplos, há muitos.
Eu defendo que é necessário uma mudança como todos os Portugueses defendem. E essa mudança não poderá ser apenas uma mudança cosmética ou demagógica. É preciso realmente mudar, e implementar essas medidas. Precisamos de alguém com pulso e garra para levar este País onde todos desejamos. Precisamos de um lider. Faz também a tua parte. Sê lider, acredita em ti e acredita num Portugal melhor...Apenas não sei se chegarei a ver essa mudança tão cedo e "a tempo" porque para o caminho para onde estamos a ir só existe uma solução, fechar para obras...
quarta-feira, junho 22, 2005
Clean hands save lives!
terça-feira, junho 21, 2005
É urgente permanecer...
Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, junho 20, 2005
F1 - Portugal
Podemos encarar este resultado como a consequência de 6 equipas terem desistido e afirmar facilmente: "questão de sorte".
Prefiro "acreditar e defender" tratar-se de um Português que trabalhou para conquistar essa sorte. Espero que o primeiro de muitos prémios!

"A sorte conquista-se!"
domingo, junho 19, 2005
Semana das Manifestações



sábado, junho 18, 2005
Obesidade Mental
O Prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito de "Obesidade Mental" para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.» Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto. As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental
sexta-feira, junho 17, 2005
Não, não e mais não...
"No documento, os manifestantes dizem «não à redução salarial, não ao aumento dos impostos, não ao congelamento de carreiras, não à implementação do novo sistema de avaliação de desempenho e não à redução das funções sociais do Estado»."
Ocorreu me uma pergunta, será que dizem sim a alguma coisa?
AS
Arrastão...
- Antes de mais quais são as reais dimensões do "arrastão"? Sem qualquer tipo de análise cuidada já o acontecimento era apelidado de arrastão. Segundo a comunicação social registou-se uma única queixa por assalto, foram prestados cuidados de saúde a alguns banhistas e assistimos ás entrevistas de 3 a 4 pessoas, donos dos bares e mais um ou outro adolescente, sempre as mesmas pessoas a testemunhar nos 4 canais, num dia de calor, em que a praia estava repleta de gente. Não ponho em causa a relevância e veracidade do acontecimento, mas os factos levam-se a supor que 500 indíviduos numa praia a movimentarem-se em massa teriam provavelmente criado mais estragos, quer materiais, quer humanos. O acontecimento é preocupante mas deve ser analisado friamente e não lançar o pânico. É preciso reagir, mas saber reagir.
- Perante este cenário, a Assembleia da República, essa instituição de "prestígio", com discussões tão interessantes e sobretudo com tardes de "conversa da treta" decidiu lançar-se na discussão do tema. Pelo que entendi dessa acesa discussão, o alvo da crítica não foram os responsáveis pelo acontecimento. A causa/solução do problema não está na distribuição dos meios de segurança policial na região de Lisboa e muito menos na ausência de planeamento urbano e social das grandes cidades o que leva à criação de autênticos guetos. A discussão centrou-se numa troca de acusações mútuas tão típica dos deputados portugueses. Interessante e de registar!
- Por fim não podia deixar de referir uma notícia do Público: Governo Civil autoriza manifestação contra "arrastão" de Carcavelos. Passo a citar: A auto-intitulada Marcha contra a Criminalidade terá lugar na Praça Martim Moniz e, apesar de o pedido de autorização não referir a Frente Nacional, dois dos seus dirigentes disseram ao PÚBLICO que, para além de participarem na manifestação, querem igualmente desfilar entre o Martim Moniz e o Rossio. Mário Machado, um desses dirigentes, referiu que os cartazes e palavras de ordem andarão à volta de ideias como "Imigração igual a crime". Talvez fosse bom alguém informar o Sr. Mário Machado que a Cova da Moura, a Buraca entre outras zonas problemáticas da região de Lisboa, locais de origem dos responsáveis pelo "arrastão", são zonas localizadas no interior da Região Metropolitana de Lisboa, bem no interior de Portugal Continental e a não ser que a definição de imigrante tenha mudado, talvez um pouco de geografia lhe fizesse bem. Os criminosos são portugueses!
PS - soube bem voltar a escrever para o blog
AS
quinta-feira, junho 16, 2005
Recuerdos...
baú das recordações relembrar este bons momentos...
quarta-feira, junho 15, 2005
reencontro
Bem hoje vou dormir que já se faz tarde, mas amanha encontramo-nos no teu canto para conversarmos mais um pouco.
Até amanha..
quinta-feira, junho 02, 2005
Certezas...
A certeza de que estamos sempre começando…
A certeza de que precisamos de continuar…
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar…
Adaptado de Fernando Pessoa
terça-feira, abril 12, 2005
domingo, abril 10, 2005
Barcelona - uma cidade do Mundo
Dali, um génio, um artista, ou um lunático? Talvez seja tudo o mesmo!
A personagem...

AS
sábado, abril 09, 2005
Barcelona - uma cidade do Mundo
"não deve ser desta"
Não vou dizer "é desta", aliás tenho o prazer de anunciar que "nao deve ser desta" que o blog renasce. Vêm aí uns tempinhos com muito trabalho, mas fica qualquer coisa para aqueles que insistem em visitar-nos... se existem?!
AS
domingo, janeiro 23, 2005
Participação Política Directa
Hoje tudo o que é político é tomado como desprezível, dispensável e distante, muitas vezes renegado. Abre-se caminho a uma sociedade individualista onde se espera que os outros é que façam algo por nós e a nós apenas cabe dizer mal deles. Delega-se nos partidos a condução das localidades e do Estado mas desconfiando não encontramos formas alternativas aos seus poderes.
Constituição da República Portuguesa
Artigo 9.º
(Tarefas fundamentais do Estado)
São tarefas fundamentais do Estado: (...)
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais
Artigo 48.º
(Participação na vida pública)
1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.
2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.
É com esses pretextos que procurarei sistematizar, nos próximos tempos, formas alternativas de participação política directa já existentes, mas desconhecidas da grande massa dos portugueses. A democracia existe para além do domingo de eleições. Porque é que ninguém ensina isso na escola?
sábado, janeiro 15, 2005
Titã

Mundo feito de pequenos nadas, outras vezes daquilo que achamos ser muito importante… um Mundo nosso, que é nada no meio de tudo isto!
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Medo!!!!
Leiam sem medo!!!
Medo
Era uma palavra... Apenas uma palavra e no entanto os meus lábios selaram anos de inconformismo e dor.
Como se o organismo se recusasse a ser feliz, a fazer as coisas bem...
Sabes que deixar de ser "eu", para ser nós é um processo lento e nem sempre bem sucedido.
A mente é dona de estranhos buracos e armadilhas.
Penso que também sabes isso.
Por isso torna-se inútil dizer-te palavras que conheces e mesmo assim recusas entender.
Dói-me lembrar-te ajoelhado a meus pés a implorar perdão por um pecado que nem sabes que cometes.
Dói-me porque queres apagar as minhas lágrimas com as tuas.
Era apenas uma palavra... uma palavra a negar a estranha necessidade de ser tua sem o ser.
Sabes que quis fugir?
Fugir de ti, fugir do amor que te tenho e me prende as asas...
Fugir de ti e consumir-me nesta infelicidade mórbida.
Ainda assim, agarraste-me com força, as lágrimas a escorrerem-te pela face, a desfazerem-te o coração.
Sabes que sou cobarde? Sim... profundamente cobarde.
Estupidamente cobarde e no entanto amas-me assim. Ou aprendeste a amar-me.
Qual das duas foi, interrogo-me... Mas por muito que o faça nunca vou descobrir.
Porque as tuas mãos se selaram em volta das minhas, os teus braços esmagaram a minha cobardia, o meu medo de amar.
Ser feliz nem sempre é fácil, sabias? Ser feliz às vezes também dói. Porque ter-te a meu lado é toda a minha felicidade, a minha única felicidade e no entanto por vezes parece-me tão distante, tão hercúleo.
Mesmo quando abafas as minhas lágrimas nas tuas.
Já te disse que ficas lindo quando choras? Na infelicidade também existe poesia. Nos teus olhos perfeitos de lágrimas também existe amor. E por isso é belo.
É nas tuas lágrimas que vejo o meu coração. Porque ele está dentro de ti. Numa profundidade que só as lágrimas alcançam.
Sim... é em ti que vivo e no entanto quis fugir de ti, trazendo a morte no regaço. Porquê, perguntas-me tu, e deitas-te em mim, e sufocas-me de beijos e amor.
Porque amar-te é a única coisa que não sei fazer. Porque me surpreendo a cada dia com este amor. Porque ele me ultrapassa e me enche de maresia.
E por isso amor, tenho medo. Medo da grandiosidade. Medo de precisar de ti mais do que precisas de mim. Medo de acordar de um sonho e morrer a recordar os teus lábios...
Medo do medo de amar.
E ainda assim, enlaças-me em ti.
Quero-te, dizes tu. E eu sei, estranhamente, que é verdade. Sei... e assim silencio o medo, apago as lágrimas e adormeço em ti.
Publicado por Fairy_morgaine em junho 21
sexta-feira, janeiro 07, 2005
Sobre a Semana 01
1. Figura da Semana: Pôncio Monteiro
Afinal, mesmo depois do Natal, o circo recusa-se a abandonar o país. Pelo que parece a época das artes circences ainda está longe de terminar, como foi visto pelo já tradicional e fantástico número de perícia do lançamento triangular de facas às laranjas (foram-se as maçãs), entre o Sr. Rio a atirar ao Sr. Monteiro e o Sr. Monteiro a atirar ao Sr. Lopes. Parece que mesmo neste ramo também não sobra lá muita competência, porque o Sr. Lopes está farto de se queixar que só lhe acertam nas costas, ele que já tinha tudo planeado para depois do contrato com o Sr. Seabra completar o elenco dos "Donos da Bola".
2. Facto da Semana: Ajudas para a Ásia
Para além de tudo o que se pode dizer ou mais sentir sobre a tragédia, vezes e vezes comercializada e banalizada nos nossos telejornais, esta semana deixou-se de fazer aquela contabilidade em directo do número de mortos, em que não bastava dizer que ainda era cedo para contabilizar o número total, e só faltou o númerozinho no canto do ecrã a crescer permanentemente; substituindo-se a contabilidade pelo valor total das ajudas humanitárias monetárias para as zonas afectadas. Esclarecedora para os próximos 4 anos foi a primeira ajuda lançada pelos Estados Unidos (caramba, era menos que os 40M do Euro-milhões), que atrapalhadamente foi incrementada para os 200M, 1/4 do que o Partido Repúblicano gastou nas últimas eleições.
Sobre o Aniversário do Conversas de Canto
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Será verdade?
Platão
terça-feira, janeiro 04, 2005
Feliz 2005
terça-feira, dezembro 14, 2004
Tremor de terra
5,4 é um aviso... convém não deixar ir mais longe!
sábado, dezembro 11, 2004
Semana 50
A minha opinião continua no entanto por se definir. Porque vejamos a lógica das coisas: se era, como acho que ainda é (veja-se novamente o caso Bombardier), o XVI Governo o pior governo “desde o tempo de D. Maria”, opinião consensual em todo o país (diga o que a excepção quiser), então o pensamento lógico consequencial que se seguiria seria mude-se então o governo. O Dr. Sampaio não achou isso e resolveu iniciar e prosseguir o processo de dissolução do parlamento, um órgão com uma legislatura das mais estáveis se sempre, sem buffets de limianos ou incoerentes altercações de votos e com alguns processos legislativos que se ouve agora dizer essenciais como a questão do arrendamento, do código da estrada, do tabaco, entre outras talvez de maior importância. E o Governo, ilogicamente, continua, nem sequer em gestão, mas na plena posse de todos os seus poderes. Mais ainda fez-se aprovar um Orçamento para a actividade de um Governo assassinado à partida. O que a preconizar-se uma vitória socialista resultará num orçamento rectificativo já por si a carregar algumas condicionantes do precedente. Pois bem este é o pior Governo mude-se o Parlamento – ilógico. Poderia até fazer sentido mude-se o Parlamento e o Governo, mas não foi assim que o Dr. Sampaio decidiu.
Hoje fui ler melhor a comunicação feita ontem ao país. Diz o Dr. Sampaio 1) que “teve em conta a avaliação que fez do interesse nacional”; 2) que ao contrário do que se tinha garantido como condição para a sua tomada de posse não se “gerou um novo governo estável, consistente e credível, que cumprisse o programa apresentado para a legislatura e fosse capaz de merecer a confiança do País e de mobilizar os portugueses para vencer os desafios inadiáveis que enfrentamos”; 3) que não existiu durante a governação um sinal de “particular lucidez nas políticas e um rigor na gestão governativa”; 4) que existiram casos de falta de “transparência, equidade e imparcialidade no exercício do poder e à prevenção de abusos”; 5) que se assistiram a “uma série de episódios que ensombrou decisivamente a credibilidade do Governo e a sua capacidade para enfrentar a crise que o País vive”, “sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral”; 6) que “o País, que não pode perder mais tempo nem adiar reformas”; 7) que se “revelou um padrão de comportamento sem qualquer sinal de mudança ou possibilidade de regeneração, entendendo que a manutenção em funções do Governo significaria a manutenção da instabilidade e da inconsistência”; 8) entendendo ainda que “se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos”.
Este último ponto é substancial para se dizer “mude-se o Parlamento” mas será realmente verdadeiro? Tenho grandes dúvidas. Num processo lógico não caberia ao Presidente da República demitir o Governo e pedir ao Parlamento a designação de um novo, ao que se avaliando da incapacidade da maioria parlamentar para tal, só então, se partiria para a dissolução desta e do resto dos parlamentares? Tudo bem que existe um factor de tempo e de premência das reformas. Mas e se a coligação ganhar com o Dr. Lopes à cabeça, miraculosamente a maioria ganhará a capacidade de gerar um novo governo, mesmo que igual ao anterior, mesmo que carregado de incapazes?
Uma coisa é certa, vêm aí o único dia em que vivemos em democracia, vamos em Fevereiro a eleições, indubitavelmente “para o bem de todos nós”.
2. Evasões
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Um artigo com dados interessantes...
O estudo da OCDE conhecido por PISA, que avalia e compara as competências de jovens de 15 anos nas áreas da leitura, da matemática e das ciências, que divulgámos terça-feira, não trouxe grandes surpresas. Na cauda das tabelas continuam a Turquia e o México, estando Portugal muito próximo e acompanhado quase sempre por países do Sul da Europa (Itália, Grécia e também Espanha). No outro extremo da tabela encontramos, de novo em primeiro lugar, a Finlândia, tendo regra geral lugar de destaque o Japão, a Coreia, a Holanda, o Canadá e a Austrália.
Se o mau lugar de Portugal, sobretudo a ciências, não surpreende, não deixa de ser estranho que o que este estudo revela seja o mesmo que atestavam os anteriores e pouco ou nada tenha sido feito para mudar a situação. Importa por isso olhar para os países com mais sucesso e tentar perceber o que fazem melhor do que nós. Talvez começando pela europeia Finlândia.
Associando o que diz a OCDE, uma intervenção do director do projecto, Andreas Schleicher, no conselho de Lisboa, um ONG sedeada em Bruxelas, e o muito útil e interessante estudo de Manuel Castells (o conhecido sociólogo catalão) sobre os porquês do sucesso finlandês, talvez possamos retirar alguns ensinamentos:
- o sucesso não é um factor directo do dinheiro que se gasta no sistema educativo, nem sequer do que se paga aos professores. Em Portugal, por exemplo, gasta-se mais do que em Espanha e quase o dobro do que despende na República Checa, e ambos os países estão acima de nós nos três "rankings". Por seu turno, os professores finlandeses estão muito longe de serem os mais bem pagos ou de o país ser o que mais investe no ensino secundário;
- o sucesso já tem muito mais a ver com a organização do sistema escolar, com a autonomia - tanto orçamental, como curricular - das escolas e com a sua relação com as comunidades locais, algo que tanto o estudo assinala, como Castells destaca. Um sistema centralizado como o nosso é quase sempre a receita para o desastre;
- o sucesso está também directamente relacionado com a importância social e cultural que se dá à formação e à educação. É por isso sem surpresa que notamos o lugar de destaque obtido pelos asiáticos, cuja cultura valoriza há milénios a educação como forma de progresso social, enquanto na Europa os países da frente são os que têm uma mais forte ética de responsabilização individual. Por outras palavras, os de herança protestante, uma ética que Castells também diz ser um dos segredos por detrás do milagre finlandês;
- o sucesso está por fim relacionado com a flexibilidade do sistema educativo, criando desde muito cedo um sentido de exigência e responsabilidade que desafia os professores, os alunos e as famílias a prepararem-se para formações abertas, que não estreitem o futuro dos jovens e tornem mais fácil que busquem novas oportunidades e novos caminhos, não ficando para trás.
Alguns países, como a Polónia, olharam para estes resultados e trataram, com sucesso, de sair dos últimos lugares. Em Portugal temos encolhido os ombros ou feito exactamente o contrário, designadamente ao centralizar ainda mais o sistema, obsessão que este ano se traduziu noutro desastre, o da colocação de professores. Quando será que despertamos e aprendemos com quem faz melhor do que nós?
José Manuel Fernandes
sexta-feira, novembro 26, 2004
Sobre uma Democracia mais participativa
O Direito de Iniciativa Legislativa está previsto no art.º 167 da Constituição da República Portuguesa (desde 1997) e foi regulado apenas em 2003. Com esta lei veio finalmente criar-se as condições para que o cidadão comum possa ver discutidas e votadas no Parlamento projectos de lei da sua própria autoria sobre matérias que lhe digam respeito. Este direito é livre e gratuito e para ser exercido basta que os cidadãos eleitores se organizem num grupo de pelo menos 35.000 e que apresentem, por escrito, ao Presidente da Assembleia da República um projecto de lei. Abre-se, assim, a porta à possibilidade de grupos de cidadãos exercerem a competência legislativa tradicionalmente restrita a órgãos de soberania, chamando-se, deste modo, homens e mulheres a uma participação activa na vida política do país.
Para além desta relativa ao fim do sigilo bancário, o que sucede na maioria dos países menos na província, sei que existe uma outra iniciativa por parte da Ordem dos Arquitectos, que defende a assinatura de projectos de arquitectura apenas por arquitectos. (http://www.direito-arquitectura.com.pt/)
Sobre a "Democracia"

Ontem fui ver "Democracia" no Teatro aberto, peça altamente recomendável: primeiro, porque tem uma encenação e uma cenografia muito bem conseguida do João Lourenço, algo que ouvi ser um lugar comum no Teatro Aberto; segundo pelas boas representações, que se acentuam pelo facto de a sala vermelha ser a mais intimista do teatro e os actores estarem particamente entre nós; terceiro porque Michael Frayn criou, à semelhança de "Copenhaga" (que não vi) um argumento histórico que nos impulsiona a correr para casa e investigar mais sobre aquela parte da história do SPD e das duas Alemanhas. Brilhante!
"Alemanha Ocidental, 1969. Willy Brandt inicia a sua carreira como chanceler da República Federal. Günter Guillaume é um dos seus assessores, mas também espião da Stasi, a polícia secreta da outra Alemanha, a República Democrática Alemã. A revelação da dupla identidade de Guillaume irá despoletar a demissão do chanceler em 1974. Em "Democracia", tanto Brandt como Guillaume surgem como homens divididos, abalados por profundas contradições, num restrato psicológico que reflecte as tensões que atravessavam o mundo antes da queda do muro de Berlim em 1989."
terça-feira, novembro 23, 2004
Sobre a minha necessidade de ir ao optometrista
segunda-feira, novembro 22, 2004
Sobre o Sampaio
Tudo bem, nomeou o Dr. Lopes para 1.º Ministro, até concordo que muito mais não podia fazer, aliás só fez, na minha opinião, o que devia fazer. Mas se com o Dr. Lopes começou o "circo" o Dr. Sampaio quis fazer frente com a "palhaçada", nada desde então foi realmente construtivo.
Primeiro aplicou-se numa grande encenação de episódios para que ficássemos com a impressão que o governo deve-se a ele e não os eleitores que votaram na coligação.
Depois surge-nos com birras quando não havia necessidade de as ter e calado quando devia berrar. Veja-se o caso da lei das propinas, da lei do rendimento mínimo, do código do trabalho, até mesmo de alguns orçamentos - ouviu-se algum choro. Eu não ouvi!
Mas agora o governo ponha-se a pau, porque com ele não se faz farinha, nada de criação de organismos do governo, centrais de informação ou novos concelhos porque quem governa deve-o ele.
Sobre Jamie Cullum - Som da Semana
Jamie Cullum - Twentysomething
O puto até se desenrasca bem, parece que escreve as suas letras com o irmão e faz umas adaptações porreiras para jazz, bom na verdade um pop-jazz, que é o que está na moda e é o que vende discos, veja-se Norah Jones e Diana Krall. Já esteve em Portugal mas parece que ninguém deu por ele... resta-nos portanto ouvir no sossego do lar.
sábado, novembro 20, 2004
Sobre os Tempos, as Vontades, as Expectativas...
O primeiro pensamento foi logo: já foi, é desta que o velho ficou sem juízo na cabeça (algo que sempre achei iminente depois do seu atentado à vida animal nas Seychelles). Como seria possível existir uma aventura militar no Portugal de 2004, como é que os portugueses se deixariam assaltar por uma onda "sul-americana" de revolta e histerismo nas ruas, invasões a parlamentos, destituições populares, o pensamento já fugia para forquilhas e tochas de fogo quanto o apanhei.
Depois de matutar um pouco comecei, sem ter lido mais do que aquela linha de telejornal, a procurar tentar encontrar aspectos para justificar o sujeito histórico, ele ainda não deve ter perdido a razão toda, deve existir um contexto para esta frase que as primeiras linhas de jornal omitem para nos obrigarem a ficar a ver, a procurar, enfim, a querer consumir mais informação. Está certo que nos diálogos políticos familiares ainda saiem palavras que os meus ouvidos não se acostumaram a ouvir: "patrão", "operários", "monopólios"... fogo, actualizem-se!, ou ainda não, não sei... Mas "aventuras militares", impossível... Começo então a fazer a regressão histórica, o Conselho da Revolução, órgão iminentemente militar, só terminou o seu império em 1982, em grande parte porque estavam em cima da mesa as negociações com a Comunidade Económica Europeia... se não fosse esse factor ainda teríamos os marechais a presidir, e teriam eles convocado ou não eleições - disparates... Heellooo! - estamos em 2004 - O Santana está a governar, as pessoas acham mais ou menos mal, mas não se querem preocupar a achar coisa alguma, nem se quer pensar em fazer. O país está mal mas nunca esteve melhor. São 22h00 depois de um dia de trabalho não praticante, descanso os olhos a olhar para a Quinta que somos...
Hoje procuro encontar o contexto, abro o Público e leio a afirmação feita: "Se é certo que a inserção na União Europeia nos defende de aventuras militares, só a consciência cívica dos portugueses nos ajudará a superar os riscos". Frase missal - é verdade, mas onde será que essa consciência sobrevive...? Onde?
segunda-feira, outubro 25, 2004
sexta-feira, outubro 22, 2004
Voltei...
Realmente voltei a ausentar-me do blog! Não por uma questão de desleixo, mas porque aqui máquina decidiu avariar por uns dias... Já voltei e espero que em força!
Bem, tenho andado envolvido na organização de um Congresso Científico. Hoje, quando olhava para o blog, pensava como era possível ainda não ter falado disso aqui no conversas por isso resolvi arrumar o assunto. É sobre “Farmacogenómica o amanha das Ciências Farmacêuticas”.
Fiquem aqui com o poster!

Continuem a aparecer!
AS
terça-feira, outubro 19, 2004
Um espinho na entrada desta Comissão

Ainda continuo a achar que o prestígio (se é que existe) de ter um conterrâneo na presidência da comissão não justifica ou compensa o facto de (e penso eu) se ter escolhido um "mau presidente". Pelo menos a esperança no contrário é pouca, ficaremos cá para ver.
Fora quaisquer dúvidas ou estratégias iniciais o presidente é e será este. O executivo por si escolhido entre as poucas escolhas dadas pelos governos, contra todas as expectativas, é que poderá não ser o entretanto designado. Vejamos os problemas:
Primeiro problema - Sr. Rocco Buttiglione - psicanalista, professor universitário, democrata-cristão e italiano.
Foi uma das propostas do Sr. Berlusconi para a pasta da Justiça, Liberdades e Garantias, a que o nosso conhecido José Manuel Barroso assentiu. Poderíamos passar o facto de o Sr. Buttiglione ser um católico praticante, não fosse o facto de a sua prática ser a mais conservadora do catolicismo. Em pleno período de audições no Parlamento, o Sr. Buttiglione não só professou numa entrevista a homossexualidade como um "pecado", como achou por bem frisar que o papel do casamento é a de permitir às mulheres terem filhos e aos homens protegê-los. Enfim, pensamos que foi um desabafo de momento, mas não, uma semana mais tarde, num colóquio sobre o futuro e os desafios da Europa o Sr. Buttiglione faz não só a confirmação das suas convicções como remata ainda alguns comentários pouco lisonjeadores como "as crianças que só têm uma mãe são filhos de uma mãe não muito boa, enquanto as crianças que só têm um pai não são crianças, porque um homem sozinho pode construir um 'robot' mas não uma criança". À partida seriam opiniões livres como as de qualquer um, acontece que a pasta em causa é a das próprias Liberdades civis, mais ainda, acontece que ao fim de várias horas de reuniões os membros da Comissão de Liberdades Civis, consideraram o Sr. Buttiglione incapaz de pôr em prática políticas incentivadoras do "pecado", chumbando a nomeação do comissário por 28 votos contra 25 a favor da nomeação.
Segundo problema - Sr. László Kovács - ministro dos negócios estrangeiros, socialista e húngaro.
Mais do que socialista, foi vice-presidente da Internacional Socialista (como muitos). A Comissão de Indústria, Investigação e Energia, por sua vez, ficou pouco convencida que o Sr. Kovács tivesse competência profissional no âmbito da energia, designadamente através da falta de conhecimentos especializados no que concerne à fusão nuclear ou ao ciclo do hidrogénio. Para além de estarem pouco convencidos da sua idoneidade nas altas funções a que se propunha e insatisfeitos com o facto de o candidato ter expressado desejar continuar o seu ministério até à data da sua confirmação como comissário.
Acontece que a política é feita de equilíbrios... "aceitem um democrata cristão que nós aceitaremos um socialista", e a comissão na próxima semana passará, embora com dois elementos questionáveis. São as moedas de troca da política, um espinho na entrada desta comissão - a Europa e os Europeus estarão nas suas mãos.
segunda-feira, outubro 11, 2004
...

Paula Rego - The Barn, 1994
Decidi começar a pôr todas as semanas um quadro da pintura contemporânea portuguesa, primeiro porque é uma forma de colorir o blog, depois, e mais importante, arranjo com isso um pretexto para investigar um pouco sobre essa área para mim ainda um pouco desconhecida.
Já repararam que os grandes artistas ainda sentem a necessidade de se exilarem perpetuamente.
Há dias assim!
Em que sorrimos sozinhos, pelos outros e com os outros... Correm nos sensações estranhas, vivemos momentos iguais aos de ontem, aos de hoje e aos de amanha, mas que hoje especialmente decidimos vive-los!
Coisa estranha, isto que chamam vida! Sentimos cheiros, interpretamos sorrisos, e picanços, no fundo comunicamos com os outros procurando fazer desta vida algo rico. Olho para trás e sinto-me bem! Tenho aproveitado muito o que esta passagem tem de bom. Saber perder e sair derrotado é algo que sempre me foi estranho...hoje nem tanto! Talvez por me aperceber que podemos superar as derrotas, hoje sorrio! Sei que estas sensações são resultado do risco, de opções, de querer sempre mais e de alcançar esse mais também!
Soube bem o dia de hoje! Por ser igual a tantos outros, diferente, mas ao mesmo tempo único! Sabe bem tudo isto...
27-09-2004
AS
sábado, outubro 09, 2004
Ramalho!
o Tiago, esse desnaturado que tem a mania que sabe escrever, e que dizem que é dos melhores a escrever cá no canto, faz anos hoje... Parabéns Tiago!
Ramalho para ti!
Abraço
Mac
domingo, setembro 26, 2004
MEDO A QUE NOS LEVAS...
Em Bowling for Columbine, Moore, no seguimento do masacre do liceu de Columbine, procura as razões primeiras para a autêntica guerra civil que se vive na América. Será a história violenta que o país tem? Não. Será a violência dos media, cinema e jogos de vídeo? Não. Será o elevado número de armas nos lares? Não. Será a facilidade com que se compra armas e munições? Não. E se uma bala valesse 5000 dol./eur., haveria "balas perdidas"? É através da comparação entre países, designadamente entre o Canadá e os EUA que Moore acha encontrar a razão para qualquer violência - o tal medo.
Em Fahrenheit 9/11, também no seguimento de outros massacres, o medo é outro é o do terrorismo, mesmo que exista paz o que faz dinheiro é a guerra, o que faz dinheiro é o medo. O medo de envelhecer ou ficarmos feios já provou que nos faz consumir. O medo de sermos mortos ou atacados, faz, como absurdamente aconteceu na guerra fria, acabemos por estar numa loja a comprar a máscara de gás tamanho M ou o abrigo nuclear T2.
Mais do que as ligações políticas e económicas que Moore desvenda em ambos os filmes, que servem para pensar - a questão que achei mais importante foi mesmo a forma como os Estados gerem o medo dos seus cidadãos e a forma como isso reflecte-se na nossa forma de viver em sociedade.
Ambos os documentários são realizados com uma miscelânea de desenhos animados, imagens históricas, entrevistas e até mesmo filmes publicitários - são por isso hilariantes, únicos e imperdíveis.
Depois de uma breve pesquisa na Internet encontrei um dos livros de Moore - "Stupid White Man", que se encontra actualmente nas nossas livrarias e já esteve no top norte-americano, a ver se arranjo algum tempo para o ler.
sábado, setembro 25, 2004
Jograis bar
AS
quarta-feira, setembro 22, 2004
21 de Setembro de 1992
É “fixe” recordar aquele dia, aquelas sensações, aqueles cheiros e aquele despertar! O parecer tudo tão grande, tão novo. Hoje parece tudo tão velho, tão rico, tão pequeno para as recordações. Mais do que o que nos fez conhecer uns aos outros, o CM, hoje penso no que criámos em conjunto... Acredito que por vezes não temos essa noção, limitamo nos a viver os momentos. Acho que por um lado é bom, continuamos com a inocência de sempre, com as brincadeiras à “puto jardim”, com as mães uns dos outros, a lista não pára! Por outro lado as marcas do tempo surgem com a preocupação de “quando defines o teu curso”, já arranjaste trabalho, ou com as apostas de quem se casa primeiro...muito mais vai surgir!
Mais que marcar momentos, comemorá-los ou não, é preciso que isto tudo permaneça, que isso que chamam amizade seja perene, seja de sangue!
Doze anos já lá vão! Que venham mais 100!
ZACATRAZ
terça-feira, setembro 21, 2004
Novos Compromissos Editoriais
- Todos os membros do blogue "Conversas de Canto" comprometem-se a redigir um texto original num número mínimo de dois por quinzena.
- A falta ao disposto no número anterior poderá resultar na prescrição do autor como membro do blogue.
"Os fundadores"
Um cheiro para este dia
21 de Setembro de 1992
Depois de termos visitado aqueles muros e paredes era a hora do almoço - O primeiro almoço. Se houve coisa que marcaria a minha memória daquele dia, e sabemos bem que são sempre as pequenas coisas que ficam cá gravadas, é o cheiro que no átrio da camarata, antes da formatura, se fazia sentir intensamente depois de estreadas pelo menos umas 50 latas.
Se por vezes é um momento, uma música ou uma paisagem; aquele momento ficou sempre associado àquele cheiro inicial - o cheiro da Rosette-lar.
segunda-feira, setembro 20, 2004
No meu bairro está tudo rico!
O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!
O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...
A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.
Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.
E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é presidente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.
E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal. Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!
Nicolau Tolentino in "Expresso"
20 Setembro 2004
sábado, setembro 11, 2004
Fazer ou aprender
O Ensino Universitário tem de ser encarado como uma possibilidade de nos enriquecermos pessoalmente. Um enriquecimento que tem obrigatoriamente de passar pela componente cientifica, mas também pela componente humana e social. Dentro de cada parâmetro, mais que adquirir conhecimentos é necessário interiorizar comportamentos, usufruir experiências que só nos são possíveis de realizar nesta etapa da vida. Frequentar todo o período universitário não é apenas uma simples tarefa avaliada pela negativa ou positiva, mas uma forma de atingir determinados objectivos, onde cada etapa tem uma razão de ser e cada razão deve ser compreendida.
Perante este panorama há que relacionar a visão da sociedade relativamente ao Ensino Universitário, com as exigências do Ensino Universitário face à sociedade. O resultado desta simbiose é a realidade das Universidades Portuguesas. Podemos encontrar alunos aplicados, dedicados, onde a vertente científica se torna uma paixão. Outros há que se valorizam mais na componente humana e pessoal experimentando oportunidades únicas e enriquecedoras. Por último surge sempre a componente social que para muitos é também um factor sempre presente e até primordial. Qual a visão mais correcta, mais sensata? “No meio está a virtude”. Esta expressão tão sábia quanto antiga pode ser aplicada neste caso. Substitua-se o “meio” pelo “equilíbrio”. Esse equilíbrio está pouco presente nas nossas faculdades, e quando está, apresenta-se como uma minoria.
Vejamos, quantos estudantes fazem cadeiras, e acentue-se a expressão fazer, em prol de aprender conteúdos de cadeiras e apreender mentalidades? Quantos estudantes estudam matérias não para aprender, mas sim para passar cadeiras, acabando com a expressão – “está feita!”. Estaremos na faculdade para aprender cadeiras e não para passar cadeiras? A diferença entre um 16 e um 11 traduz-se em conhecimentos diferentes sempre? Quantos estudantes forjam resultados de laboratório ou simplesmente copiam relatórios? Quantos universitários se integram ao mesmo tempo nas actividades extra-curriculares da Universidade? O desenvolvimento de trabalhos sociais é um prazer para os nossos estudantes ou um sacrifício? Se quiserem, quantos estudantes saem das universidades com a cultura do desporto, indo de encontro à velha máxima, mens sana in corpore sano, um principio de uma sociedade evoluída? Passar pela faculdade, pelas salas de aulas, pelos laboratórios, conhecê-los exaustivamente e não viver a faculdade é criar um cidadão equilibrado? Creio que muitas destas questões são partilhadas por muitos Universitários, antigos estudantes ou simples cidadãos.
De todas estas perguntas, acho que podemos concluir que o equilíbrio não existe actualmente em abundância! Assim sendo há que procurar causas! A primeira, e a maior, reside na atitude dos estudantes. É o sujeito responsável pelas suas atitudes. Por outro lado, acredito que as Universidades se habituaram a estas realidades e desresponsabilizaram-se de tentar invertê-las. Acredito que é altura de se pensar não apenas em reformas curriculares, em fazer evoluir as faculdades para os ideais europeus, mas também em repensar o que de mais antigo há: métodos de ensino; abordagem ao aluno; relação professor/aluno; incentivos ao desporto, à sociabilização, à valorização pessoal; humanizar as faculdades; associar o avaliar ao aprender! Outros haverá com toda a certeza. É aqui que acredito que ainda há muito por fazer. No fundo trata-se de tornar as Universidades, o espaço de um ensino superior por excelência.
AS
Voltei!
Os últimos tempos tem sido de uma intensidade elevada, tive tempo para enriquecer este "canto", mas talvez tenha faltado a disponibilidade mental... Vicissitudes da vida!
Vou procurar voltar à realidade da blogosfera pelo menos semanalmente...há muito que contar!
Bem, acabaram as férias, vamos a isso!
Até já, até logo, ou simplesmente fiquem por aí!
AS








10 concerts, 100 artists, a million spectators, 2 billion viewers, and 1 message... To get those 8 men, in that 1 room, to stop 30,000 children dying every single day of extreme poverty. 







