quarta-feira, julho 19, 2006

Portugal 'tem de perder a vergonha' de ser genuíno


Tradição, hospitalidade, diversidade ambiental e pequena dimensão geográfica são algumas das vantagens competitivas de que Portugal dispõe na área turística e que tem de aprender a explorar devidamente. Quem o diz é Edson Athayde, especialista em marketing e publicidade, que considera que o País precisa de criar uma imagem consistente no mundo e, sobretudo, de dizer ao turista aquilo que ele quer ouvir. Coube a Edson Athayde fazer uma análise das campanhas promocionais do turismo português na 3.ª Conferência Internacional em Hotelaria e Turismo, subordinada ao tema "Promoção e Branding dos Destinos Turísticos". Considerando que "a imagem de um país já tem de existir antes de ser criada", este responsável defendeu que Portugal precisa de aprender a comunicar "o que tem de diferenciador e que atrai os turistas", deixando de ter vergonha de se assumir como "um país pequeno, hospitaleiro, com boas praias e que preserva as tradições". A questão, sublinha Edson Athayde, é que ainda está "meio confuso" o que Portugal quer transmitir com as suas campanhas de turismo. "Se o turista gosta de viajar, ficar numa praia agradável onde vê uns pescadores pela manhã e está disposto a gastar alguns milhares de dólares para o fazer, porque não? Não é isso que vai transformar Portugal num país de pescadores", defende. E acrescenta: "É verdade que incomoda as classes mais cultas, que têm dificuldades em conviver com essas caricaturas, mas é isso que vende um destino turístico. As pessoas que viajam para a Jamaica não querem saber se o país cresceu ou não economicamente. Vão atrás de praia, e é um dos destinos que mais crescem no mundo."Para Edson, o turismo é, em si, um tema suficientemente abrangente para ser tratado em exclusivo. "O país enquanto atractivo de investimento, pólo industrial, símbolo de modernidade, tecnologia, etc., é uma questão que um dia será realidade, mas, até lá, o turismo não precisa de ficar à espera", defende. A Espanha, adianta, resolveu muito bem essa questão, na década de 90, construindo a marca da paixão. "E não se preocupou em potenciar um preconceito, um estereótipo, que o resto do planeta tinha em relação à sua história, cultura e presença, tal como a Grécia não se incomoda em se publicitar enquanto destino de ilhas muito interessantes e divertidas, com casinhas brancas e telhados azuis", acrescenta. Portugal deveria recorrer ao clima, hospitalidade, diversidade ambiental e mesmo dimensão geográfica, que permite conhecer muitas coisas em pouco tempo, diz. "Mas isso é tudo o que tem vergonha de dizer. Que é pequeno, que é bom para ir à praia... E por isso diz de forma envergonhada ou por meias palavras, e não tira o devido proveito". Porque, "enquanto fica a meio caminho tentando inventar alguma coisa, ou se reinventar, o tempo vai passando e outros países e destinos vão encontrando a sua lógica".
in Diario de Noticias
PS - numa altura em que muitas vezes sou confrontado com a opiniao dos estrangeiros sobre Portugal, concordo que cada vez mais e necessario projectar Portugal. Estas pequenas coisas que muitas vezes sao vistas como pontos negativos, como causa de vergonha para alguns, sao na verdade a razao pq os estrangeiros gostam de Portugal, a razao pq nos visitam e admiram. Ja para nao falar que sao a razao porque os Portugueses no estrangeiro nunca se esquecem de casa! Ainda esta semana uma grega e uma espanhola (que viveram em Portugal em ERASMUS e trabalho) diziam-me que nos respeitamos a tradicao e um dos exemplos foi comico: "todos os paises tem nas esquinas hamburgueres a venda, voces continuam com as bifanas!" Tirando esta frase de pormenor, foi engracado tambem ver Portugal descrito como um pais tolerante, que consegue representar diferentes culturas sem entrar em choque. Por curiosidade a grega quer voltar a Portugal para viver, quando acabar o Mestrado. Para a Espanhola e indiferente Portugal ou Espanha, sente se em casa e bem tratada em ambos.
Esta sem pontuacao pq estou num PC ingles!

quinta-feira, julho 13, 2006

Rise: London United

Numa cidade que representa o Mundo, é claramente importante o cultivo da multiculturalidade e da tolerância entre povos, no seio da própria cidade. No fim-de-semana passado fui a um festival num dos parques da cidade. Um ambiente diferente, diverso, com todo o tipo de gente, a incentivar ao convívio. Parece que é um festival que já se tornou hábito "Rise: London United"!Só pecou pelas mensagens políticas que alguns artistas levaram ao palco, completamente descontextualizadas da razão do festival!
A companhia...
... com música de fundo!

Um português em Londres de estômago vazio a sonhar...


Dentro de uma hora vou jantar! Aqui na residencial os jantares são servidos entre as 17h30 e as 19h30, mais ou menos quando comem as galinhas em Portugal. Hábitos ingleses que passados uns dias ficam a ser hábitos dos residentes do International Hall. De qualquer forma, fazendo tradição ao facto de ser do sul da Europa, do cantinho chamado Portugal, faço questão de ir o mais perto possível das 19h30, sempre tendo em conta que não quero ficar com os restos… Perguntam vocês, mas onde quer chegar ele com esta conversa? Bem, só quero partilhar com vocês, algo que já todos sabem, mas faz bem lembrar! A cozinha portuguesa é excelente e até o nosso “estar à mesa” faz-me saudades.
Passando então ás ementas, todos os dias há chicken, aposto que daqui a pouco desço e lá está a chicken. Umas vezes com arroz, outras com massa, às vezes frita e recheada de óleo, outras vezes, quando se lembram, dão com arroz (não estou senil, estejam descansados, repeti duas vezes). Depois, também aposto, o segundo prato é assim um prato vegetariano, que sabe tudo ao mesmo. E agora está tudo a pensar – ok, é o 3º que varia - o 3º poderá ser então a surpresa do dia, mas é a surpresa que raramente toco. Digamos que peixe seco com óleo, ou spaghetti à bolonhesa, em que a carne parece sopa, o famoso fish and chips, ou raramente um belo naco de carne são o 3º prato. A questão, é que o 3º raramente é comestível com os olhos, quanto mais com a boca! Garanto que o pormenor do peixe seco com óleo é divinal, uma francesa no outro dia não conhecia a fama e quando provou, nem imaginam, não tocou mais no prato. A conclusão poderia ser: não sabem cozinhar! Mas realmente não é verdade, o pessoal que vem de outras residências passar o Verão no IH, diz que a comida é melhor aqui. E até acredito, a questão é a ementa, a questão é que realmente o meu estômago não se esquece de Portugal…
Enfim, ontem quando comi procurei imaginar que estava a comer robalo grelhado, batata e couves, assim uma coisa simples. Esqueci-me de um pormenor – com uma pitada de azeite. Não deu resultado! À noite quando fui ver o jogo do SLB a um restaurante tuga, tasca, os portugueses que iam comigo (já batidos nestas andanças e conscientes que uma vez num sítio destes simplesmente não se consegue deixar de comer), pediram o seu bitoque. Quando vi aquele prato tão simples, tão rotineiro em Portugal, com aquele aspecto, não resisti, ainda tentei pedir Polvo à Lagareiro, face à infelicidade do não, tive de pedir o belo do bitoque. Jantei duas vezes, mas simplesmente não podia perder a oportunidade de efectivamente “comer” em Londres. Digamos que o primeiro foi apenas a entrada!
Bem, mas não faço só críticas, gosto dos almoços! Uma sandes daquelas bem compostas, com um sumo de laranja, com fruta, comido num jardim inglês, seguido de uma conversa, sabe muito bem a meio do dia!
De qualquer forma, daqui a uma hora vou jantar e não me sai da cabeça peixe grelhado, polvo, couves, broa, migas…
Bem, chega de lamúrias, se não me despacho chego lá abaixo e é só restos!
Mãe fica a ementa para quando chegar, pode ser? Um belo de um bacalhau grelhado desfiado, com migas à norte, batata à murro, assim uns grelos salteados, um bom vinho tinto, talvez a última garrafa de Herdade Grande que anda no Juncal. Já agora uma salada daquelas de verão, com tomate, salada, pepino, pimento grelhado, com oregões, vinagre e azeite! Para sobremesa, assim bolo de maça e pêra bêbada! Esqueci-me das entradas, sei que não tem nada a ver com o prato principal, mas talvez morcela! Já agora a vossa companhia!Vou ficar a sonhar até lá!

terça-feira, julho 11, 2006

Londres à noite - Cores e Luz

Num final de dia, princípio de noite a fazer lembrar Portugal, deixo duas fotos de Londres à noite!

Uma cidade que veste cores magníficas à noite... fazendo questão de olhar-se ao espelho todos os dias no Tamisa!

segunda-feira, julho 10, 2006

Forza Azzurri!

Fui ver o jogo a casa de italianos! A festa foi brutal! Londres virou italiana e posso-vos garantir que eles sabem festejar!
A emoção...


...a festa...

...Londres Italiana...

...a Ibérica (portugueses e espanhóis) a apoiar a Itália!

domingo, julho 09, 2006

Erasmus em Despedida

O blog anda uns dias atrasado face à minha realidade diária! Mas não posso deixar passar ao lado a partida para Portugal da Inês e da Ana, as Londrinas que me deram a conhecer a School, a cidade e os ERASMUS!
A despedida foi no final de Junho! Provavelmente não devem ter dito a ninguém aí em Portugal, mas garanto-vos que a última coisa que elas queriam fazer era voltar! A festa foi em casa da Mariangela! Passo a enumerar a rapaziada aqui na foto: Ana, Leonor, Lea, Mariangela, Salvatore, eu (em baixo); Mafalda, Diana, Sammo, Inês (em cima). Um mistura de português, italiano, holandês e esloveno!


Curiosidade Londrina: Na foto em baixo, o belo do vinho português, engarrado especialmente para a Sainsbury's (tipo Modelo cá do sítio). As portuguesas deram cabo da garrafa!


quarta-feira, julho 05, 2006

Uma viagem para repetir!

Nem todos vão entender esta mensagem, mas é esse o objectivo! Lembram-se uma viagem pela costa alentejana... eram bem mais!

Para finalizar, por hoje, deixo uma imagem da praia! Diferente, mas excelente!

Eastbourne - No meio do nada...

Ao longo destas falésias encontram-se vários bancos tipicamente ingleses! Uma forma útil e original de homenagear pessoas falecidas, ou simplesmente de marcar um local que é especial. Exemplos: por ali ter feito boas pescarias; porque era naquele local que um casal inglês desfrutava a paisagem; porque simplesmente querem lembrar alguém da terra!

Breves - Eastbourne


A Paisagem deslumbrante! Mar, campo, gado, casas...


Breves - Fim de semana 24, 25 de Junho

A disponibilidade que tenho para escrever para o blog tem sido inferior ao que desejava inicialmente, por isso um dos melhores fins de semana que tive no Reino Unido ainda não teve o seu “canto” no blog! Para já deixo algumas fotos da visita a Eastbourne, ao campo inglês! Depois de passear no meio de pastagens e falésias sempre com o Atlântico como fundo, matei saudades do mar com um belo mergulho numa praia inglesa! Aqui ficam algumas fotos de um fim de semana excelente, em paisagens que só tinha imaginado, nunca vivido!
Para já a companhia da viagem! Mesmo no Centro de Eastbourne, no Pier Victoriano!

segunda-feira, julho 03, 2006

World Cup em Londres



Londres está invadida pelo World Cup! Numa cidade que representa o mundo, as cores são muitas, mas é óbvio que o branco e vermelho está em maioria...
Poderão pensar que é uma perda de tempo estar a escrever sobre este tema, mas digamos que o blog também serve para “gritar”, sobretudo quando quando a paciência começa a esgotar.
O futebol português, apesar da final do Euro 2004, apesar do que tem feito nos últimos anos nos vários europeus, da Liga dos Campeões e da Taça UEFA do Porto, da final do Sporting, da boa campanha do SLB na última época, continua a não ser reconhecido, talvez por a palavra Portugal estar à frente. Com esta realidade convivo bem. Cada um acredita no que quer e para que o mundo nos veja de outra forma, no futebol, na ciência, no mundo empresarial é necessário que os portugueses comecem por acreditar em si próprio.
O que me faz escrever este post, o que irrita, satura, é arrogância à solta, é como que um desprezo… Primeiro os ingleses! De início nao acreditavam que Portugal passava aos oitavos de final, segundo os jornais ingleses, a Inglaterra ou jogaria com a Holanda ou com a Argentina. Como é óbvio na altura sorri, esperei uns dias e voltei a sorrir. Quando ficou definido que íamos jogar com eles, mais uma vez era ponto assente que iam ganhar! Voltei a sorrir! Após a vitória, não andei com a bandeira na rua sem ser em comunidades portuguesas para não ter problemas, apenas com um sorriso estampado no rosto por Londres! Procurei não provocar porque sei o quanto é importante o futebol para eles. Mesmo assim não me livrei das bocas. Estava a ler gordas dos jornais ingleses e uma família inglesa pára ao meu lado e começa a ler. Segundos depois, ouvia insultos, que não vou transcrever para o blog, dirigidos aos jogadores portugueses e no fim aos portugueses. Calmamente, viro a cabeça, admirado e não imaginando eles que era português, pedem-me desculpa pelas asneiras. Respondi com um sorridente: “I’m portuguese!”. Mais vermelhos não conseguiram ficar!
Hoje na School, estava no laboratório e entra um inglês, em vez de um polite congratulations, após conversa de ocasião recebo um: perdemos com uma cheating team, referia-se ao Ronaldo. Tive de responder que realmente o Ronaldo era um aldrabão, mas que sem dúvida que o Rooney era um English Gentleman! A conversa acabou por ali! A realidade é que por todo o lado, nas conversas de rua, nos Pubs, sente-se a frustração inglesa por terem perdido com “os portugueses”!
Bem, passando às meias-finais! No hall costumo ter as refeições com franceses e também alemães! Os franceses informaram-me ontem que já compraram os bilhetes para irem ver a final a Paris! Estão convencidíssimos que a França vai ganhar. O irónico é que há duas semanas, na fase de grupos, era eu que os tentava convencer que tinham uma boa equipa. Já se esqueceram! Parecem parecidos connosco, no futebol também passam de bestas a bestiais num segundo. Hoje vieram dizer-me que estiverem a ver as estatísticas e Portugal nunca ganhou a França... De seguida entra um alemão, com uma vontade de eliminar-me: “Por favor, vocês nunca ganharam um World Cup, acham mesmo que ganham! Bem, mas até gostava que ganhassem, assim jogavam connosco, era mais fácil!”. Como vêm esta gente consegue ser simpática ao jantar! As minhas respostas andam tão tortas que arrisco-me a passar por antipático. Eles acham incrível como acredito que podemos ganhar. Mas o que eu acho ainda mais incrível é que eu afirmo isso, com um calculado: “A França tem boa equipa, mas nas meias-finais tudo é possível e acredito que seja possível!”. E eles esperam ouvir de mim: “estou borrado de medo!” (desculpem a expressão, mas é a que descreve a cara de espanto deles)… Enfim!

Mas como é óbvio Portugal tem os seus apoios! Os holandeses mesmo depois de uma batalha em campo, souberam estar, felicitar-nos, e apoiam Portugal. Os Espanhóis esperam de Portugal uma vingança ibérica! Os italianos vibraram com a vitória de Portugal perante os ingleses, gostam de nós e fazem votos para nos encontrar na final. Eu também! Pelos ERASMUS seria uma final entre amigos!

Isto é um resumo das situações com que tenho deparado! Existem outras para contar numa “conversa de canto” num café em Lisboa.
Para já, só fica a vontade de voltar a sorrir, enrolado na bandeira de Portugal!

domingo, julho 02, 2006

O charme britânico

Incidentes em Inglaterra atingem adeptos portugueses

Os portugueses que vivem em Inglaterra foram vítimas de alguns ataques xenófobos depois de ter terminado a partida entre as duas selecções, que Portugal venceu nos penalties. Os incidentes registaram-se em vários pontos distintos do país.
O caso mais grave aconteceu em Warwickshire, onde os adeptos ingleses arremessaram garrafas contra o restaurante A casa portuguesa, em Catle Steeet, partindo as janelas do estabelecimento.
O inspector da polícia, Rob Calvert, garantiu que os acontecimentos vão ser investigados: «Não toleramos qualquer ataque racial contra membros da nossa comunidade. Cada incidente vai ser investigado a fundo.» As autoridades prenderam 18 pessoas envolvidas.
O centro de Wolverhampton esteve fechado durante cerca de uma hora, devido aos confrontos entre uma centena de adeptos, que começaram assim que o árbitro terminou a partida. 25 pessoas foram detidas pela polícia.
Phil Wright, da polícia de West Midlands, garantiu que os acontecimentos estavam controlados: «Foi o resultado da frustração e do desapontamento, misturado com o álcool e o calor. A multidão dispersou ao fim de pouco tempo. Os incidentes foram mais dispersos que o normal, em áreas que não costumam acontecer coisas do género. Mas foram situações simples de desordem.»
Em Stratford, Staffordshire e Leamington também se registaram alguns ataques contra emigrantes portugueses, mas não aconteceram situações graves.

in www.maisfutebol.iol.pt

PS - espero vir a fazer um post sobre este tema, "The english style", o charme britânico o que quiserem chamar! Ainda existe, mas não acredito que por muito tempo... para os mais pessimistas já o ouvi descrever como sendo "podes fazer tudo, ninguém pode é saber"!

sábado, julho 01, 2006

sexta-feira, junho 30, 2006

quinta-feira, junho 22, 2006

Breves - Record de 8h!


Hoje foram nada menos, nada mais que 8h a trabalhar na câmara de fluxo laminar vertical! Começar ás 10h, sair ás 19h, com uma hora de almoço! A companhia, para além do pessoal do laboratório, foram estas amiguinhas que vêm aqui na imagem.Não se portaram bem, resultado tive de lhes espetar com mais droga em cima...

De qualquer forma as coisas tem corrido bem!Uma contaminação em perto de 100 frascos que já devo ter usado, ainda por cima na primeira semana, para mim está bom, afinal não punha as mãos num laboratório há 1 ano... de resto há o stress dos microlitros no que sobra, que aqui tem de estar certinhos, caso contrário não há reagente para a próxima!

Bem, quando puder dar mais dicas sobre o que faço no lab volto!

AS

terça-feira, junho 20, 2006

Breves - Cambridge



Breves - Domingo em Cambridge


Domingo fiz uma visita relâmpago a Cambridge para visitar o Ricardo! O facto de ele ser estudante e estar associado a um College permitiu-me entrar em vários Colégios sempre sem pagar, ou simplesmente passar à frente dos turistas para visitar capelas que são simplesmente fenomenais... Os estudantes de Cambridge são claramente bem tratados pela Universidade! Excelentes condições para que a exigência nos estudos leve também à excelência! Fiquei fascinado pela tradição, pelo ambiente, pela convivência, por conseguirem preservar a tradição quer arquitectónica, quer a magia do lugar, com estudantes, com espaços úteis, com um local de ensino! Desde um refeitório a fazer lembrar o do Harry Potter, que é usado diariamente como é o nosso da Cidade Universitária, a Residenciais em edifícios que tem tanto de antigo como de belo! Bem isto é um breve, porque há mais a fazer por isso vou acabar! Fica só um obrigado aos portugueses em Cambridge (amigos do Ricardo) que ofereceram me um belo arroz de pato português em plenas Terras Britânicas!

segunda-feira, junho 19, 2006

Breves - Noite de Londres

Para os FFULianos habituais frequentadores dos encontros internacionais, aqui fica uma fotografia com dois velhos conhecidos da Eslovenia, a Lea e o Sammo (á direita)! Estão em Erasmus na SOP e tem sido companhia habitual por Londres. Desta vez num Pub em Carnaby Street, mais um, em que à 1h da manha temos a infeliz noticia que a noite acabou! Em Londres, os Pubs fecham todos entre as 23h e a 01h, com alguma sorte existem Clubs abertos ate as 3h, mas e como disse com alguma sorte! De qualquer forma a noite deles comeca as 19h, o que faz com que a 1h da manha ja nao haja muitos ingleses capazes de aguentarem mais umas horas... diria mesmo que contam-se pelos dedos das maos!

PS - quando nao escrevo no meu portatil nao posso por acentos

sábado, junho 17, 2006

Stockwell e os jogos da seleção

Os Portugueses da School Of Pharmacy a invadirem Stockwell, onde existe uma grande comunidade portuguesa, para assistir ao Portugal-Irão. A festa repetiu-se no fim!

Já agora Stockwell é conhecida por ser uma zona perigosa, de assaltos, tráfico de droga e afins... De qualquer forma levamos os símbolos de Portugal bem à vista e queremos acreditar que isso nos evita problemas... Os cafés tem cerveja portuguesa, petiscos portugueses e sinceramente não me sinto inseguro lá! Encontra-se todo o tipo de portugueses, do mais castiço aos estudantes...

Breves - visita a Windsor

Eu, a MariAngela (Italiana), Inês e Ana (FFUL) em Windsor...
... a visitar um dos castelos preferidos da única Rainha Inglesa de Nacionalidade Portuguesa, a Duquesa de Bragança!

terça-feira, junho 13, 2006

Uma outra visão do post do Tiago

Gostei do pormenor que nos deste do "defeito profissional"!
Não haja dúvida que seria positivo fomentar em Portugal a discussão do que é "ser português", caracterizar esta maneira de ser e de uma vez por todas valorizá-la e promovê-la.
Numa das muitas reflexões que londres me tem suscitado, ocorreu-me pensar, pq vivem tanto os emigrantes a vitoria de um jogo de futebol (caso nao se lembrem da minha posição, trata-se de uma oportunidade de se afirmar publicamente que se é português)?
Aos emigrantes não é dada a possibilidade de ostentarem outros símbolos, temos bons vinhos é verdade, mas não os vemos nos supermercados (o Porto e o Madeira são portugueses mas talvez falte a associação ao país). Temos excelente comida, mas não existem restaurantes ao virar da esquina a ostentarem "comida portuguesa", mas já há a italiana, a indiana, a chinesa, a americana. Temos musica de qualidade, mas face à pergunta conhecem a nossa música, ouvimos "Fado", face à pergunta "querem ouvir", ouvimos um redondo "não", pq é lhe associada a imagem do "atraso português". Na língua, essa riqueza de enorme potencial, temos um Instituto Camões com que capacidade de intervenção? No Reino Unido todos sabem quem é o British Council, em Espanha todos conhecem o Instituto Cervantes, em Portugal quantos sabem quem promove a língua portuguesa no Mundo? Escritores portugueses conhecem? Face a esta pergunta vem um sorriso e a resposta de "Paulo Coelho grande escritor"! Na área da ciência, os portugueses estão espalhados pelos quatro cantos do Mundo ao serviço dos outros (na School of Pharmacy é provável que a língua mais falada entre alunos Phd seja o português, senão pelo menos é equiparada ao inglês), quem o sabe?
É necessário aplicar em Portugal uma das ciências do séc. XX, o Marketing, mas antes é preciso reflectir, agir. Sinceramente acredito que temos potencial para isso! Até lá, quando falarmos a um estrangeiro de Portugal, a resposta continuará a ser, Figo, Algarve e agora Mourinho! Que nos honrem estes então!

Ser-se português

A transferência de parturientes para Espanha, o ressurgimento em força da extrema-direita em Portugal, o Mundial de Futebol, a entrada em vigor da nova lei da emigração, o aniversário do pseudo-arrastão, brasileiros em Vila de Rei – os últimos tempos tem tido em vários aspectos a dominante comum de se discutir o ser-se português, nacionalista, patriota, migrante, ou qualquer coisa entre estes e coisa nenhuma.
Quanto ao arrastão nada de mal faz relembrar a reacção típica que a maioria de nós tivemos ao ver em cada “preto” naquela praia um potencial ladrão, manipulados por um excesso de fantasia na exposição mediática do acontecimento, bem desarmada pela tese de Diana Andringa: “Era uma vez um arrastão”.
É essa manipulação de sentimentos que faz crescer um movimento de ódio que se tem instalado por todo o país, em claques de clubes de futebol de pequena e média dimensão e grupos de jovens motares, aptos para desencobrir aquele sentimento que infelizmente se encontra escondido na mente de mais de metade dos portugueses. “Portugueses armados prontos para sair à rua quando tal for necessário”. Note-se o desleixo com que os vários poderes da nação atentam esta matéria, a suavidade que um centro-direita moderado se desliga destas movimentações, um sentimento de “não tenho nada a ver com este campeonato” que é partilhado pelos demais espectadores desta evolução.
Na desmistificação da realidade imigrante em Portugal não percam a exibição do brilhante “Lisboetas”, documentário do brasileiro Sérgio Tréfaut, cujo título nos faz relembrar que essa condição de lisboetas não é exclusiva de portugueses e que Lisboa sempre se compôs de personagens exteriores. Como vivem hoje? Quem são? Como se relacionam com os originários da terra? Não será hoje Lisboa de muito poucos que lá nasceram?
Nascer na nossa terra não será então um direito? Acho que sim, mas esse direito não me parece ser oprimido pelo fecho das maternidades desnecessárias ou inseguras. Porque é que eu não organizo agora uma manifestação em Odivelas pelo direito de nascer na minha terra? Porque é que me obrigam a ser mais um “lisboeta”? Não poderá uma mãe ter o seu filho em Odivelas se assim o quiser? Pagando do seu bolso é certo. O Estado deve responder à sua função maximizadora do bem-estar dos cidadãos trabalhando apenas com os recursos que por natureza são limitados. Os 35 minutos entre Loures e o centro de Lisboa são completamente esquecidos em relação aos 15 minutos entre Mirandela e Bragança. Não será a segurança do parto e a boa gestão dos nossos recursos bens superiores ao facto de nascer num determinado lugar.
Se é tão importante nascer num lugar para se ser português (ius soli), como defendem os Elvenses, porque é que continuamos a olhar com desconfiança a atribuição da qualidade de portugueses àqueles que nasceram cá e que não conhecem outra terra que não esta, apenas porque não lhes está no sangue a nacionalidade (ius sanguini)? Não estaremos numa sociedade marcada por inúmeras contrariedades.
O que é ser português? Quais as condições que nos fazem sentir isso? Ser filho de portugueses basta para tal. Mas porque não bastará o facto de nascer cá também?
Como estas divagações que já vão longas, concluo apenas com mais um pequeno apontamento de cariz jurídico por defeito profissional. Atentem a um recentíssimo acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, sobre a atribuição de nacionalidade portuguesa a uma cidadã indiana, que não bastando estar há nove anos casada com um cidadão nacional e já ter dois filhos também portugueses, dominando o português de forma perfeita, vê negada a atribuição da nacionalidade portuguesa, fundamentada pelo Tribunal com o desconhecimento que demonstrava em relação à história e cultura portuguesa, esse agravado ainda pela ignorância que demonstrou sobre a música e letra do hino nacional.
Não fosse o Mundial de Futebol e o hino nacional retransformado em cântico de guerra, quantos portugueses teriam de o deixar de ser?

Aconteceu!


Tenho de partilhar! Por muito estupido que pareça não me lembro de ter feito uma máquina de roupa nos meus 23 anos de vida!!! Pois bem esse pesadelo/milagre aconteceu hoje! Acho que sobrevivi!

AS

School of Pharmacy, University of London

O tão esperado ERASMUS chegou e nada melhor que o realizar onde queria, Londres.

Após alguns meses de complicações para arranjar a minha colocação, fiquei no Cancer Research UK, por sorte parece-me ser um dos Departamentos com melhores condições. Este grupo da SOP tem 3 grandes subgrupos, um de simples trabalho teórico em estruturas, desenvolvimento de possíveis agentes antineoplásicos (tudo feito em computador); depois entramos no departamento de síntese desses compostos (síntese química) e por fim na experimentação dos compostos em diferentes linhagens celulares consoante a droga. Esta ultima parte é onde trabalho. O meu papel é optimizar o sinergismo entre dois compostos em células cancerígenas do cancro da mama. Não vale a pena definir quais, porque são um conjunto de letras e números que no primeiro dia me fizeram ficar com os cabelos em pé... Já tenho alguns montes para estudar, mas de qualquer forma qualquer duvida a equipa do laboratório ajuda. Trabalho num laboratório, com duas espanholas, um italiano, um indiano e a minha chefe e Inglesa. São Phd, Masters, PosDocs, ou simples Research Assistants e depois eu, ERASMUS claro! Cada um tem objectivos independentes, trabalhamos com agentes e células comuns, cujos resultados depois serão avaliados pelos chefes do Departamento em conjunto, mas no laboratório cada um tem o seu papel e é responsável pelo que faz. É giro, sobretudo por nunca ter experimentado este tipo de funções na faculdade, Investigação, em que o que se faz não e para mandar fora, mas para funcionar como fonte de informação.

De resto as condições e o ambiente são excepcionais! Tenho um computador só para mim no Departamento, o laboratório é muito bem equipado... Ás vezes é um caos, pelo espaço, pelas línguas que se cruzam, ou simplesmente porque os Ingleses nunca pensaram no aquecimento global e tudo é feito para conservar o calor, resultado, numa onde de calor como nos últimos dias, o laboratório e um forno, em que se sai de lá encharcado em água (só para verem o metro não tem sistema de refrigeração e eles são obrigados a fechar estações, a alugar tubagens para refrigerar os carris etc)...

Outro pormenor importante, a SOP tem dezenas de portugueses, estão espalhados por todo o lado e é comum acontecer estar a falar inglês com alguém e a noite na festa descobrir, a afinal é português...

Bem chega por hoje!
AS

segunda-feira, junho 12, 2006

A loucura portuguesa em Londres



Depois de uma semana muito preenchida, que espero vir a ter tempo para vos contar, deixo a imagem da festa portuguesa por uma simples vitória frente a Angola...

Pelo que vi, se Portugal chegar longe no Mundial, Trafalgar será nossa.

Acredito que não era a euforia de uma vitória, simplesmente um argumento para afirmar publicamente a euforia por ser Português!

See you soon I hope!

AS

domingo, junho 04, 2006

ERASMUS - London


O ERASMUS começou! Uma cidade gigante, um caldeirão de culturas, preços exorbitantes, milhares de pessoas, milhares de estilos, a melhor palavra para descrever talvez seja mesmo "London".

segunda-feira, maio 29, 2006

São mais os olhos que as barrigas

Realmente concordo que o enfoque da questão não se deve centrar no volume de crescimento, isso é secundário, mas é apenas um sinal de uma realidade que ao contrário do que disse o Gonçalo já extravasou há muito as nossas necessidades de habitação. Hoje o problema é que, em Portugal, há quase mais casas do que pessoas. Hoje o problema é que a grande fatia das receitas das autarquias locais (e nem é preciso cair na lenga-lenga popular do dinheiro ao bolso) vem da construção NOVA. Hoje o problema é que muitos dos equipamentos urbanos de uma cidade só são construídos graças às contrapartidas que as câmaras conseguem negociar com os empreiteiros. É uma nova urbanização que vai possibilitar que uma câmara consiga construir a "baixo custo" alguma rede viária, espaço verde ou de lazer (que na verdade têm uns prazos bastante dilatados no tempo para a sua concretização).

Portugal, apesar do atraso estrutural que tinha há uns anos, consegue ser hoje o país da União Europeia com a maior percentagem do território urbanizada: 17,8%, a par da Bélgica e à frente da Holanda e do Reino Unido. A título de exemplo contrário, a vizinha Espanha tem cerca de 2%. Em números mais claros para notarmos a discrepância, a área urbanizada em Portugal é hoje de 160 ha/1000 hab; número que compete com a França em segundo lugar, com... imaginem... 70 ha/1000 hab (menos de metade dos prédios portugueses por habitante).

"Esta situação pode explicar-se pelo facto da população portuguesa em geral canalizar preferencialmente o seu investimento para o sector imobiliário, criando até situações frequentes de habitação de utilização eventual." Uma realidade acrescida pela construção de edifícios e infra-estruturas de apoio ao sector do turismo, em evolução crescente nos últimos anos no país.

Em ambos os casos é claro que são múltiplas as situações de ausência de planeamento, com graves consequências para o território, em particular para a paisagem construída. Mas surgem bons sinais da parte dos últimos governos: primeiro o sucesso que é o Programa Polis, de requalificação das cidades médias evitando não só o efeito de êxodo, mas transformando-as em pólos de atracção de habitantes das grandes cidades; depois a consolidação, finalmente, dos instrumentos de planeamento territorial, que só no próximo ano se completarão com a aprovação do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (em discussão pública agora mesmo para quem esteja interessado em participar).

Falta ainda aquela situação do financiamento das autarquias. Haverá coragem?

I wonder why ....


Área construída no País cresceu 42% em 15 anos
in Dn 29/05/2006

não é tanto o crescimento que mexe com a minha cabeça, mas sim o Como e o Porquê...

um dia ainda vamos abrir os olhos, espero eu!

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terça-feira, maio 23, 2006

E quem e que se lembra do...

Longe vão esses bons anos...

" Junta-te a nós!! Vamos correr contra o pó na camarata "

Esta é, só uma, das muitas cenas bem idiotas que circulam pela minha cabeça, e que desconfio me irão perseguir para o resto da vida...

segunda-feira, maio 22, 2006

Pela Combate à Fome no Mundo

Mais um corrida ganha! Não pelos tempos atingidos ou pelos kms percorridos, mas pela força que representou. Ontem realizou-se mais uma corrida Walk the World. Esta corrida organizada por uma parceria de empresas e pela ONU têm como objectivo acabar com um dos maiores “crimes” do nosso século. Basta pensares que actualmente existem mais de 300 milhões de crianças que passam fome. É incompreensível que no mundo onde vivemos hoje em dia possam haver milhões de crianças pelo planeta sem o básico para se alimentarem. Se um dos grandes males dos países civilizados é a obesidade, existem outros que o mal é a fome...

Eu fui dar o meu simples contributo porque não me sentiria bem saber que posso ajudar a acabar com este flagelo e passar indiferente. É uma questão de consciência global. E todos nós deviamos fomentar essa visão.

Entretranto se quiserem passem por aqui e deixem o vosso contributo: http://www.fighthunger.org/


quarta-feira, maio 17, 2006

Campo Pequeno diferente!


Ontem à noite o Campo Pequeno voltou a ser palco de um grande espectáculo! Foram touros, cavalos, cavaleiros, forcados, mas também um excelente espectáculo musical, de imagem e cor com novos intervenientes naquele ambiente: actores, dançarinos, cantores, modelos, bandas militares... Uma sala no centro de Lisboa com tanta versatilidade é sempre bem vinda!

A terminar no Campo Pequeno ouviu-se o Hino Nacional! Fiquei admirado, normalmente Portugal ostenta pouco os seus símbolos e no caso do hino, infelizmente, ás vezes só é associado ao futebol!

Deixo uma "lembrança" que encontrei na internet, num blog de um desertor (contínuo com a esperança que passageiro) e faço votos que um dia volte a ver estas imagens no Campo Pequeno! Talvez seja pedir demais...lol!

terça-feira, maio 16, 2006

Pedras no caminho?


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa
PS - mandaram para o meu e-mail e apesar de já conhecer achei que devia partilhar!

quinta-feira, maio 04, 2006

What ?

Em tempos dos mais altos preços do petróleo os EUA decidiram avançar para políticas com medidas ecológicas:

"In March, the Bush administration approved a 1.9 mile-per-gallon increase in the standards for sport utility vehicles, minivans and pickups -- all in the light truck class that includes big gas guzzlers -- to 24.1 mpg between 2008 and 2011. It also rewrote the rules for calculating how far light trucks must go on a gallon of gasoline." In Washingtonpost.com

Fiz as contas... e surpresa 24.1 miles per gallon correspondem a uns surpreendentes 9.8 litros/100Km! Objectivo a atingir até 2011...

Bush é um homem ambicioso...

domingo, janeiro 01, 2006

Parabéns!

2 anos de Conversas de Canto.
E um novo ano certamente mais rico que 2005.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

sexta-feira, dezembro 02, 2005

O Fiel Jardineiro


Um filme a não perder!

Uma visão ficcionada sobre a realidade dos ensaios clínicos em África e o auxílio humanitário das grandes Farmacêuticas, que deixa a questão a quem vê: é só ficção esperamos!?

Em torno destse enredo, um romance muito bem montado, com o jogo dos valores e do sucesso em torno da diplomacia internacional.

Recomendo!

AS

quarta-feira, outubro 19, 2005

Elogio ao amor

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito o que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor,a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso - Expresso

sábado, outubro 01, 2005

Por favor "Evite...os US"

Mas em que século é que vivemos...?

"Os cidadãos do estado da Flórida poderão, a partir de hoje, transportar uma arma consigo e disparar sempre que alguém constitua uma ameaça num local público. A lei foi promulgada em Abril pelo governador Jeb Bush e está a ser mal recebida por um grupo denominado A Campanha Brady, que decidiu contra-atacar com a publicação de frases publicitárias para prevenir os turistas. "Evite qualquer discussão", poderá ler-se, a partir de amanhã, na imprensa norte-americana e britânica, em alguns jornais franceses, alemães e japoneses."

in DN, 1 oct 05

quarta-feira, setembro 28, 2005

22º lugar: bom ou mau?


Portugal ocupa o 22º lugar no Índice Global da Competitividade do Fórum Económico Mundial, tendo subido dois lugares face à posição ocupada no ranking do ano passado, revela o relatório GCR 2005-2006, divulgado esta quarta-feira pelo Fórum Mundial.
A lista deste ano foi alargada para analisar o ambiente económico e institucional de 117 países, contra os 104 analisados no ano anterior. Os três países mais competitivos do Mundo (Finlândia, EUA e Suécia) mantêm a liderança do ranking global.
A posição de Portugal resulta de uma avaliação, segundo a qual, a burocracia e a ineficiência da administração pública aparece como principal factor de bloqueio para a realização de negócios, seguindo-se o carácter restritivo da legislação laboral.
in Diário Digital

quinta-feira, setembro 22, 2005

Prost !


Em jeito de celebração passei um 21 de Setembro na Oktoberfest. Uma(s) das que bebi foi por vocês!

Só vendo é que dá para acreditar! Todas as fotos que poderia tirar jamais mostrariam o que é o Wiesn na realidade... É, de certeza, uma das maiores festas do mundo!
Se passarem por aqui avisem-me, eu pago !

Abraços e até daqui a umas semanas!

terça-feira, setembro 20, 2005

Meados de Setembro


Acho que o gráfico diz tudo...
Abraço

ps. o que vale e que a Oktoberfest já começou...daqui a uns dias trago mais novidades!

quarta-feira, setembro 14, 2005

Mega-Bandeira

Santana Lopes não saiu da Câmara Municipal de Lisboa sem antes oferecer à cidade uma mega-bandeira nacional (a maior do país), que ficará hasteada no alto do Parque Eduardo VII. A ideia até que é boa, nem que seja para instalar algum sentimento nacional nos lisboetas. Instalou-se há algum tempo na sociedade uma ideia deturpada de que "sentimento nacional" rimava com "ditadura fascista", uma autêntica estupidez. Ideia essa que nos fez renegar um pouco esses símbolos, que embora materialmente insignificantes, nos relembram de que fazemos parte de uma associação de portugueses, com objectivos e características comuns. Que nos fazem lembrar que fazemos parte de um todo. Depois da febre passageira do Euro'2004 as bandeiras voltaram para as gavetas ou ficaram mesmo a ser comidas pelo sol esquecidas numa janela qualquer. Ainda não percebo o porquê de só se hastear as bandeiras nas instituições públicas aos domingos e feriados. As bandeiras deviam estar sempre, todos os dias, hasteadas nesses locais, para nos lembrarem que aquele património e aqueles serviços são de e para todos, uma pertença nossa, não de um "ente" distante chamado Estado, em que os seus próprios membros não se revêm nele. Ficam só estes pequenos reparos.

terça-feira, setembro 13, 2005

Praga: ver e chorar por mais ...

Karlov Most (Charles Bridge), 6h...
Um dos mais bonitos nascer do sol que já assisti !

Onde simplesmente deambular sem destino pela cidade era um prazer.

Não percam...
Abraços

ps. Afinal estar no centro da Europa tem as suas vantagens!

domingo, setembro 11, 2005

Portugueses e Portuguesas

Enganem-se aqueles que ainda consideram os partidos como aqueles movimentos românticos de profusão de ideais e utopias estratégicas. O partido há muito deixou de ser isso, se é que alguma vez foi na história. O cerne de um partido político nunca foi composto por essas substâncias imateriais, mas apenas pelas pessoas que o compõem. O centro do partido é a sua clientela. O seu objectivo é servi-la com a força natural inerente a qualquer associação de homens. E assumir esta sua natureza de gestor de interesses pessoais, é meio caminho andado para se ter uma visão mais clara de todo o sistema político, assim como é fundamental para os próprios portugueses terem consciência do seu papel nesse mesmo sistema de que também fazem parte. Assim, as expulsões que têm existido de militantes que fazem parte de listas de independentes concorrentes com as dos seus partidos, não se efectuam por eles terem ficado menos sociais-democratas, socialistas ou comunistas, mas apenas porque atraiçoaram toda uma cadeia de interesses montados dentro desses aparelhos, porque desrespeitaram uma ordem interna e regras da associação a que pertenciam; a valoração dos seus ideais políticos em nada contou para estas decisões.

Podem muitos lamentar esta natureza interesseira dos partidos e dos seus membros. Podem até culpabilizar esta “máfia” do estado a que chegou a democracia. Mas eu não dou razão a nenhum deles. O estado a que chegámos não é culpa dos partidos, muito menos da sua máquina de interesses e posições. É culpa é do cidadão independente que cada dia que passa se desresponsabiliza perante a sua comunidade. É culpa é do cidadão independente que refugiado numa ideia em que só aos partidos cabe o domínio do político se demitiram das suas responsabilidades. E não é só porque deixaram de votar ou porque deixaram de participar nos vários planos que têm ao seu dispor, é porque se bem que exigem aos políticos pouco exigem a eles próprios. A política não é dos partidos, é de todos. Os partidos sabem disso, parece que os outros é que não. Veja-se a questão das presidenciais, que sendo a única eleição em que o acesso está vedado aos partidos, a maioria resignou-se a que fossem esses que lançassem as candidaturas pouco ou nada independentes. Onde ficaram todos aqueles que não são militantes? Demitiram-se e estão felizes com os seus bodes expiatórios.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Um crime na Ota

Luís Campos e Cunha foi a primeira vítima a tombar em virtude desses crimes em preparação que se chamam aeroporto da Ota e TGV. Não se pode pedir a alguém que vem do mundo civil, sem nenhum passado político e com um currículo profissional e académico prestigiado que arrisque o seu nome e a sua credibilidade em defesa das políticas financeiras impopulares do Governo e que, depois, fique calado a ver os outros a anunciarem a festa e a deitarem os foguetes.

Não se pode esperar que um ministro das Finanças dê a cara pela subida do IVA e do IRS, pelo aumento contínuo dos combustíveis e pelo congelamento de salários e reformas, que defenda em Bruxelas a seriedade da política de combate ao défice do Estado, e que, a seguir, assista em silêncio ao anúncio de uma desbragada política de despesas públicas à medida dos interesses dos caciques eleitorais do PS, da sua clientela e dos seus financiadores.

O afastamento do ministro das Finanças e a sua substituição por um homem do aparelho socialista é mais do que um momento de descredibilização deste Governo, de qualquer Governo.

É pior e mais fundo: é um momento de descrença, quase definitiva, na simples viabilidade deste país. É o momento em que nos foi dito, para quem ainda alimentasse ilusões, que não há políticas nacionais nem patrióticas, não há respeito do Estado pelos contribuintes e pelos portugueses que querem trabalhar, criar riqueza e viver fora da mama dos dinheiros públicos; há, simplesmente, um conúbio indecoroso entre os dependentes do partido e os dependentes do Estado.

Quando oiço o actual ministro das Obras Públicas - um dos vencedores deste sujo episódio - abrir a boca e anunciar em tom displicente os milhões que se prepara para gastar, como se o dinheiro fosse dele, dá-me vontade de me transformar em "off-shore", de desaparecer no cadastro fiscal que eles querem agora tornar devassado, de mudar de país, de regras e de gente.

Há anos que vimos assistindo, num crescendo de expectativas e de perplexidade, ao anunciar desses projectos megalómanos que são o TGV e o aeroporto da Ota. O mesmo país que, paulatinamente e desprezando os avisos avulsos de quem se informou, foi desmantelando as linhas-férreas e o futuro do transporte ferroviário, os mesmos socialistas que, anos atrás, gastaram 120 milhões de contos no projecto falhado dos comboios pendulares, dão-nos agora como solução mágica um mapa de Portugal rasgado de TGV de norte a sul.

Mas a prova de que ninguém estudou seriamente o assunto, de que ninguém sabe ao certo que necessidades serão respondidas pelo TGV, é o facto de que, a cada Governo, a cada ministro que muda, muda igualmente o mapa, o número de linhas e as explicações fornecidas.

E, enquanto o único percurso que é economicamente incontestável - Lisboa-Porto - continua pendente de uma solução global, propõe-nos que concordemos com a urgência de ligar Aveiro a Salamanca ou Faro a Huelva por TGV (quantos passageiros diários haverá em média para irem de Faro a Huelva - três, cinco, sete mais o maquinista?).

Quanto ao aeroporto da Ota, eufemisticamente baptizado de Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, trata-se de um autêntico crime de delapidação de património público, um assalto e um insulto aos pagadores de impostos.
Conforme já foi suficientemente explicado e suficientemente entendido por quem esteja de boa-fé, a Ota é inútil, desnecessário e prejudicial aos utentes do aeroporto de Lisboa.

E, como o embuste já estava a ficar demasiadamente exposto e desmascarado, o Governo Sócrates tratou de o anunciar rapidamente e em definitivo, da forma lapidar explicada pelo ministro das Obras Públicas: está tomada a decisão política, agora vamos realizar os estudos.

Mas tudo aquilo que importa saber já se sabe e resulta de simples senso comum:
- basta olhar para o céu e comparar com outros aeroportos para perceber que a Portela não está saturada, nem se vê quando o venha a estar, tanto mais que o futuro passa não por mais aviões, mas por maiores aviões;
- em complemento à Portela, existe o Montijo e, ao lado dela, existe uma outra pista, já construída, perfeitamente operacional e que é uma extensão natural das pistas da Portela, que é o aeroporto militar de Alverca - para onde podem ser desviadas todas as "low cost", que não querem pagar as taxas da Portela e menos ainda quererão pagar as da Ota;
- porque a Portela não está saturada, aí têm sido gastos rios de dinheiro nos últimos anos e, mesmo agora, anuncia-se, com o maior dos desplantes, que serão investidos mais meio bilião de euros, a título de "assistência a um doente terminal", enquanto a Ota não é feita;
- os "prejuízos ambientais", decorrentes do ruído que, segundo o ministro Mário Lino, afectam a Portela são uma completa demagogia, já que pressupõem não prejuízos actuais, mas sim futuros e resultantes de se permitir a urbanização na zona de protecção do aeroporto;
- a deslocação do aeroporto de Lisboa para cerca de 40 quilómetros de distância retirará à cidade uma vantagem comercial decisiva e acrescentará despesas, consumo de combustíveis, problemas de trânsito na A1 e perda de tempo à esmagadora maioria dos utentes do aeroporto, com o correspondente enriquecimento dos especuladores de terrenos na zona da Ota, empreiteiros de obras públicas e a muito especial confraria dos taxistas do aeroporto.

O negócio do aeroporto é tão obviamente escandaloso que não se percebe que os candidatos à Câmara de Lisboa não façam disso a sua bandeira de combate eleitoral e que, à excepção de Carmona Rodrigues, ainda nem sequer se tenham manifestado contra. Carrilho já se sabe que não pode, sob pena de enfrentar o aparelho socialista e os interesses a ele associados, mas os outros têm obrigação de se manifestarem forte e feio contra esta coisa impensável de uma capital se ver roubada do seu aeroporto para facilitar negócios particulares outorgados pelo Estado.

A Ota e o TGV, que fizeram cair o ministro Campos e Cunha, são um exemplo eloquente daquilo que ele denunciou como os investimentos públicos sem os quais o país fica melhor.

Como o Alqueva, à beira de se transformar, como eu sempre previ, num lago para regadio de campos de golfe e urbanizações turísticas, ou os pendulares do ex-ministro João Cravinho, ou os estádios do Euro, esse "desígnio nacional", como lhe chamou Jorge Sampaio, e tão entusiasticamente defendido pelo então ministro José Sócrates. Os piedosos ou os muito bem intencionados dirão que é lamentável que não se aprenda com os erros do passado. Eu, por mim, confesso que já não consigo acreditar nas boas intenções e nos erros de boa-fé. Foi dito, escrito e gritado, que, dos dez estádios do Euro, não mais de três ou quatro teriam ocupação ou justificação futura.

Não quiseram ouvir, chamaram-nos "velhos do Restelo" em luta contra o "progresso". Agora, os mesmos que levaram avante tal "desígnio nacional", olham para os estádios de Braga, Bessa, Aveiro, Coimbra, Leiria e Faro, transformados em desertos de betão e num encargo camarário insustentável, e propõem-nos um TGV de Faro para Huelva e um inútil aeroporto para servir pior os seus utilizadores, e querem que acreditemos que é tudo a bem da nação?

Não, já não dá para acreditar. O pior que vocês imaginam é mesmo aquilo que vêem. Este país não tem saída. Tudo se faz e se repete impunemente, com cada um a tratar de si e dos seus interesses, a defender o seu lobby ou a sua corporação, o seu direito a 60 dias de férias, a reformar-se aos 50 anos ou a sacar do Estado consultorias de milhares de contos ou empreitadas de milhões. E os idiotas que paguem cada vez mais impostos para sustentar tudo
isto.

Chega, é demais!!!


Miguel Sousa Tavares

domingo, setembro 04, 2005

O fogo é a mensagem

As televisões passam e repassam as imagens dos fogos até à exaustão. Se o público dá sinais de cansaço, procuram aumentar a intensidade do drama até à próxima desgraça. Depois do caso Casa Pia, o suposto arrastão, enquanto não vem o terrível fascínio das chamas de Verão. É como alguém que para se fazer ouvir grita cada vez mais alto, até que o ruído torna tudo inaudível.

Tem sido objecto de discussão se devem existir limites à hiperabundância de imagens sobre o fogo nas televisões. Do ponto de vista normativo, a ideia de limites é sempre importante quando se trata do poder. Do ponto de vista conceptual, pode ser afirmado que as televisões exercem um poder, um poder fundado no facto de serem "meios de percepção" da realidade. Como meios de percepção da realidade, devem nortear-se por critérios de responsabilidade. No entanto, a tentação de condicionar estes meios de percepção do real é sempre grande, seja para fins políticos, através da propaganda, seja para fins económicos e comerciais.

Sendo grande a responsabilidade dos meios de percepção da realidade, os critérios que as televisões seguem pouco têm a ver com a responsabilidade. Em primeiro lugar, têm a ver com a sua demasiada dependência das técnicas, em particular das técnicas de captação e manipulação das imagens. A televisão é o universo das imagens técnicas, da tecnoimagem, caracterizando-se por manter uma corrente inflacionária de imagens, como se elas fossem a realidade a correr à nossa frente. As televisões vivem da opulência imagética e as tecnologias garantem essa abundância. Mas o público não precisa de tantas imagens, estas é que precisam de público. Nós somos espectadores das imagens que os aparelhos sofisticados nos fornecem. E por detrás desses dispositivos já não estão apenas os homens, mas a programação dos aparelhos. As imagens que as tecnologias nos fornecem são autónomas das nossas necessidades e até, em parte, do nosso controlo. Em grande medida, já nem é possível apagar as imagens. Elas estão nos autocarros, metros, aviões, aeroportos, ruas, locais públicos, por toda a parte.

A televisão serve a televisão, não serve o bem público.Por isso, as televisões passam e repassam as imagens dos fogos até à exaustão. Se o público dá sinais de cansaço, procuram aumentar a intensidade do drama até à próxima desgraça. Depois do caso Casa Pia, o suposto arrastão, enquanto não vem o terrível fascínio das chamas de Verão. É como alguém que para se fazer ouvir grita cada vez mais alto, até que o ruído torna tudo inaudível. É difícil às televisões escaparem a este destino. Estes meios de percepção da realidade condicionam o público, embora este condicionalismo não seja idêntico para todas as pessoas. Há um poder de sugestão que é sempre posto em marcha pelas televisões. Desde finais do século XIX que a imprensa é analisada no âmbito das novas formas de sugestão.

O fenómeno da sugestão é fulcral nos processos da psicologia colectiva. A televisão deixa a sua marca de sugestão no público. Qualquer público pode ser trabalhado por impulsos estranhos, actos excessivos, reacções psíquicas misteriosas.As tecnoimagens não reflectem a realidade, refractam a realidade, quando não a tornam opaca. Desde logo porque nenhuma imagem é a realidade, e depois porque estas podem ocultar as questões principais. Porque é que cada ano há mais fogos? Como é que chegámos a uma situação em que o Estado não consegue impedir que o país arda desta forma? Será hoje Portugal uma comunidade coesa, temos nós algum projecto nacional, capaz de preservar o património biológico, ambiental, histórico, temos nós algum projecto que seja algo mais do que sermos tão consumidores como os cidadãos dos países mais ricos? Em segundo lugar, os critérios das televisões estão subjugados ao mercado, via publicidade. As televisões são não só um negócio, como um poderoso instrumento do mundo comercial e da expansão desse mundo. Quando emitem ao longo da noite e ao fim-de-semana, não o esqueçamos, estão a espalhar o mundo comercial a qualquer hora e dia; o mundo comercial está a penetrar nas nossas casas e na nossa consciência.

O mundo comercial, através das televisões, não nos dá descanso. As televisões estão, portanto, entre os dois ídolos do nosso tempo: a tecnologia e o mercado. Quem ousa questionar o desenvolvimento da tecnologia? Quem tem dúvidas se tal ou tal tecnologias têm consequências nocivas para a comunicação? Se têm consequências nocivas para o ambiente ou para a nossa noção de dignidade humana? A nossa vida é alterada pela tecnologia, o jornalismo é alterado pela tecnologia, e a nós só nos cabe celebrá-la, adaptarmo-nos a ela. A tecnologia aparece como se fosse neutral, dizem-nos que depende de ser bem ou mal usada. Ora, esta é uma noção errada. Até porque hoje a tecnologia e o mercado são interdependentes. Avançam só as tecnologias valorizadas pelo potencial de mercado, com base em expectativas com fundamento ou sem fundamento; ao mesmo tempo o mercado necessita de novas tecnologias para implementar o consumo.

O mercado, hoje, é global e encontra-se desregulado, segundo a doutrina de que a economia de mercado se basta a si própria. Tecnologia e mercado não estão ao serviço das necessidades humanas, as nossas necessidades são ditadas ou muito condicionadas pela tecnologia e pelo mercado. A dificuldade está em limitar poderes que têm estado fora do controlo, fora de um quadro de regulação ético efectivo. O panorama dos media é o de uma informação transformada profundamente pela revolução tecnológica e comercial.

A comunicação social arrisca-se a sair fora da esfera da cultura e do próprio âmbito comunicativo, ao desvincular-se de qualquer valor ético e politicamente relevante. Não é fundamental a concertação entre os três canais. É bom que a RTP avance com esta proposta, mas o essencial é começar a dar o exemplo de contenção, evidentemente com maior imperativo moral no domínio do serviço público. Caso contrário, passa a imperar o esquema imoral de que só seremos éticos se os outros forem. Todavia, é evidente que um acordo entre todos os canais nesta matéria seria uma óptima iniciativa. Tanto mais que os grandes problemas do país, como é o caso, só se enfrentam com posições que pressupõem um projecto de coesão nacional, de desígnio nacional.

José Luís Garcia - Investigador no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa

in Público 03/09/2005