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sábado, setembro 11, 2004

Fazer ou aprender

Frequentar o Ensino Superior é uma oportunidade, quer para evoluirmos interiormente enquanto pessoas, quer enquanto cidadãos com um conhecimento acima da média. Hoje é também encarado como mais uma etapa da vida. Temos a infância, a adolescência, se quiserem a primária, o secundário, sendo que posteriormente surge sempre a vontade em entrar no mercado de trabalho. Pelo meio situa-se o ensino superior. Por muitos é visto como uma oportunidade única de ganhar maturidade e conhecimento, por outros é uma etapa à qual “pelos outros” não se pode falhar. Poderemos perguntar agora se é esta a ideia habitual de toda a sociedade portuguesa? Podemos ir mais longe e questionar se estes “hábitos” são positivos? Neste momento não vamos reflectir sobre estas respostas, mas apenas na repercussão que esta mentalidade provoca nos estudantes do Ensino Superior, nomeadamente o Universitário!

O Ensino Universitário tem de ser encarado como uma possibilidade de nos enriquecermos pessoalmente. Um enriquecimento que tem obrigatoriamente de passar pela componente cientifica, mas também pela componente humana e social. Dentro de cada parâmetro, mais que adquirir conhecimentos é necessário interiorizar comportamentos, usufruir experiências que só nos são possíveis de realizar nesta etapa da vida. Frequentar todo o período universitário não é apenas uma simples tarefa avaliada pela negativa ou positiva, mas uma forma de atingir determinados objectivos, onde cada etapa tem uma razão de ser e cada razão deve ser compreendida.

Perante este panorama há que relacionar a visão da sociedade relativamente ao Ensino Universitário, com as exigências do Ensino Universitário face à sociedade. O resultado desta simbiose é a realidade das Universidades Portuguesas. Podemos encontrar alunos aplicados, dedicados, onde a vertente científica se torna uma paixão. Outros há que se valorizam mais na componente humana e pessoal experimentando oportunidades únicas e enriquecedoras. Por último surge sempre a componente social que para muitos é também um factor sempre presente e até primordial. Qual a visão mais correcta, mais sensata? “No meio está a virtude”. Esta expressão tão sábia quanto antiga pode ser aplicada neste caso. Substitua-se o “meio” pelo “equilíbrio”. Esse equilíbrio está pouco presente nas nossas faculdades, e quando está, apresenta-se como uma minoria.

Vejamos, quantos estudantes fazem cadeiras, e acentue-se a expressão fazer, em prol de aprender conteúdos de cadeiras e apreender mentalidades? Quantos estudantes estudam matérias não para aprender, mas sim para passar cadeiras, acabando com a expressão – “está feita!”. Estaremos na faculdade para aprender cadeiras e não para passar cadeiras? A diferença entre um 16 e um 11 traduz-se em conhecimentos diferentes sempre? Quantos estudantes forjam resultados de laboratório ou simplesmente copiam relatórios? Quantos universitários se integram ao mesmo tempo nas actividades extra-curriculares da Universidade? O desenvolvimento de trabalhos sociais é um prazer para os nossos estudantes ou um sacrifício? Se quiserem, quantos estudantes saem das universidades com a cultura do desporto, indo de encontro à velha máxima, mens sana in corpore sano, um principio de uma sociedade evoluída? Passar pela faculdade, pelas salas de aulas, pelos laboratórios, conhecê-los exaustivamente e não viver a faculdade é criar um cidadão equilibrado? Creio que muitas destas questões são partilhadas por muitos Universitários, antigos estudantes ou simples cidadãos.

De todas estas perguntas, acho que podemos concluir que o equilíbrio não existe actualmente em abundância! Assim sendo há que procurar causas! A primeira, e a maior, reside na atitude dos estudantes. É o sujeito responsável pelas suas atitudes. Por outro lado, acredito que as Universidades se habituaram a estas realidades e desresponsabilizaram-se de tentar invertê-las. Acredito que é altura de se pensar não apenas em reformas curriculares, em fazer evoluir as faculdades para os ideais europeus, mas também em repensar o que de mais antigo há: métodos de ensino; abordagem ao aluno; relação professor/aluno; incentivos ao desporto, à sociabilização, à valorização pessoal; humanizar as faculdades; associar o avaliar ao aprender! Outros haverá com toda a certeza. É aqui que acredito que ainda há muito por fazer. No fundo trata-se de tornar as Universidades, o espaço de um ensino superior por excelência.

AS

1 comentário:

Anónimo disse...

Bom post andré...
mas já sinto de falta de um bom post de merda...tipo os meus!
Pedroso