"Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país “o arrastão", um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal. O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs", terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona. “Era uma vez um arrastão” passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal."
segunda-feira, julho 04, 2005
Filme à Segunda
Podia estar aqui a falar-vos do belo filme "Mr. & Mrs. Smith", que fui ver e que me estupidificou q.b., após uma época intensa de exames. Decidi porém poupar-vos a uma análise profunda de um filme tão intenso como esse e publicitar o vídeo da Diana Andringa sobre o arrastão de Carcavelos: "era uma vez um arrastão". Tenha ela ou o sr. Rodrigues Guedes de Carvalho razão, o facto é que me alertou uma vez mais para a necessidade de duvidarmos, não só de uma certa propaganda política (como até pode ser este caso), como do próprio relativismo do jornalismo português, por tantos tido como: a verdade do país e do mundo.
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