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domingo, setembro 11, 2005

Portugueses e Portuguesas

Enganem-se aqueles que ainda consideram os partidos como aqueles movimentos românticos de profusão de ideais e utopias estratégicas. O partido há muito deixou de ser isso, se é que alguma vez foi na história. O cerne de um partido político nunca foi composto por essas substâncias imateriais, mas apenas pelas pessoas que o compõem. O centro do partido é a sua clientela. O seu objectivo é servi-la com a força natural inerente a qualquer associação de homens. E assumir esta sua natureza de gestor de interesses pessoais, é meio caminho andado para se ter uma visão mais clara de todo o sistema político, assim como é fundamental para os próprios portugueses terem consciência do seu papel nesse mesmo sistema de que também fazem parte. Assim, as expulsões que têm existido de militantes que fazem parte de listas de independentes concorrentes com as dos seus partidos, não se efectuam por eles terem ficado menos sociais-democratas, socialistas ou comunistas, mas apenas porque atraiçoaram toda uma cadeia de interesses montados dentro desses aparelhos, porque desrespeitaram uma ordem interna e regras da associação a que pertenciam; a valoração dos seus ideais políticos em nada contou para estas decisões.

Podem muitos lamentar esta natureza interesseira dos partidos e dos seus membros. Podem até culpabilizar esta “máfia” do estado a que chegou a democracia. Mas eu não dou razão a nenhum deles. O estado a que chegámos não é culpa dos partidos, muito menos da sua máquina de interesses e posições. É culpa é do cidadão independente que cada dia que passa se desresponsabiliza perante a sua comunidade. É culpa é do cidadão independente que refugiado numa ideia em que só aos partidos cabe o domínio do político se demitiram das suas responsabilidades. E não é só porque deixaram de votar ou porque deixaram de participar nos vários planos que têm ao seu dispor, é porque se bem que exigem aos políticos pouco exigem a eles próprios. A política não é dos partidos, é de todos. Os partidos sabem disso, parece que os outros é que não. Veja-se a questão das presidenciais, que sendo a única eleição em que o acesso está vedado aos partidos, a maioria resignou-se a que fossem esses que lançassem as candidaturas pouco ou nada independentes. Onde ficaram todos aqueles que não são militantes? Demitiram-se e estão felizes com os seus bodes expiatórios.

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