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quarta-feira, janeiro 30, 2008

"Um empreendedor não se faz, mas FAZ-SE"

É óbvio que não há receitas milagrosas, caso contrário já a maioria dos cidadãos seria empreendedor, porque a generalidade dos jovens adoraria sê-lo. E nem todos podem sê-lo por várias razões, sendo que genericamente tenho dito que é preciso PODER SÊ-LO e de seguida assumir QUERER SÊ-LO.

O PODER SÊ-LO tem muito a ver com condições naturais genéticas, quer do ponto de robustez física, herança intelectual e uma propensão para educação permanente e uma atitude filosófica de gostar da surpresa, curiosidade intelectual, propensão para questionar, “engendrar”. É ainda preciso ter fé, atitude desportiva para entender que perder num dia significa continuar a tentar para conseguir sucesso mais adiante.

QUERER SER empreendedor significa fazer opções essenciais no domínio do balanço entre actividades profissionais, desportivas, familiares para evitar ser uma pessoa estranha, isolada na vida. Não pode ser um eremita estranho nos comportamentos, isolado num convento ou laboratório. A diversidade de vivências é um elemento essencial para que de repente, “caia do céu” uma solução ou quase solução. Às vezes é quase um só sinal (a maçã a cair da árvore) para que muitos sacrifícios e estudos anteriores, de repente, façam sentido para encontrar uma lei (teoria da gravidade, ou lei da correlação da massa e energia).

O empreendedor nunca é derrotado para sempre e espera sempre pelo tal “click” que, de repente, junta várias ideias próprias, ou de outros, e é capaz de transformar tais ideias num produto, ou processo, ou novo serviço.

É então que começa uma outra fase normalmente solicitando outros saberes nas áreas organizativas, design, marketing, etc... Só então é que poderá dar-se a passagem do inovador para o empreendedor, e, posteriormente, atingir o objectivo fundamental, de, com risco, se assumir como empresário por conta própria.

Para terminar e comentando o título que me foi dado, direi que um empreendedor não se faz, mas FAZ-SE.

Este meu contributo tem mais a ver com aquilo a que chamo pequenas e médias inovações incrementais, e menos com as chamadas inovações disruptivas em que o uso de estatísticas, poderosos laboratórios, pacientes repetições de ensaios, em ambientes universitários e laboratórios de universidades ou grandes empresas são quase condições indispensáveis.

Sonhar, saber esquecer, gostar de aprender, ter paciência para repetir, ousar, arriscar, partilhar é o caminho para ter sucesso numa vivência equilibrada do uso do tempo e da vida.


Belmiro de Azevedo

Vencedor do Prémio “Ernst & Young Entrepreneur Of The Year 2006”
(Chairman Sonae S.G.P.S. e CEO Sonae Capital)

in Jornal de Negócios

1 comentário:

je disse...

Na minha modestíssima opinião um empreendedor não se faz nem "faz-se", mas É-SE.

Todos somos empreendedores, uns mais outros menos, uns de uma forma outros doutra.

Uma pessoa que trabalha por conta de outrém é menos empreendedora do que alguém que trabalha por conta própria? Porquê?

Para mim empreender é investir na experiência única e contínua que é viver. Aprender a tornar essa experiência mais rica para si próprio para o seu bem estar, a sua paz interior.

Certo, isso é muito giro... Mas o que é isso?

Uma pista http://www.elanvital.pt/videoteca.php