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sexta-feira, abril 09, 2010

Começámos a pedir desculpa - Daniel Oliveira @ Expresso

"Estes apelos inúteis são os últimos cartuchos de uma resistência à igualdade. Sempre assim foi quando ela foi conseguida. Também os houve quando as mulheres ganharam o direito ao voto ou os negros conquistaram, nos Estados Unidos, os direitos cívicos que lhes estavam negados. Também eles prometeram o fim do Mundo e a decadência da civilização. E cá estamos.

Um dia a homofobia será vista com o mesmo desprezo com que a maioria hoje olha para o racismo. E só nesse diapagaremos a dívida de séculos que temos para com os homossexuais. Nenhuma ditadura os poupou, quase nenhuma Igreja os tolerou, poucas democracias lhes fizeram justiça. Foram mortos, perseguidos, desprezados, apontados a dedo. O sofrimento que lhes causámos e que lhes continuamos a causar é de tal forma brutal, quotidiano e, por isso, banal, que demorará gerações a ser esquecido.

Hoje começámos, como sociedade, a pedir-lhes desculpa. Um dia isto será apenas história. E olharemos para estes grupos que se mobilizam para impedir a felicidade alheia como grotescas memórias de um passado indigno. Aí sim, teremos acabado o que só agora começámos."

3 comentários:

Patrono da 2º disse...

Quem te viu e quem te vê, Ricardo Lapão (50/1992).
Viraste um autêntico activista gay!
É uma pena...

Ps: Tenta curar-te.

Tiago Cristóvão disse...

Pelos vistos (ainda) temos leitores. Obrigado pelo teu comentário que merece a quem o leia a devida reflexão. Mesmo sem o saberes, acredito que também tu agora foste um activista gay ao comentares da forma como o fizeste. Como tu (quem quer que sejas), também eu tenho pena. Pena que sejas limitado e pena por não te sentires à vontade para assumir livremente as tuas opiniões. Abraço,

Soba disse...

Eu acho que percebo o patrono da 2ª. E até concordo com ele. Já que os há, eu também gosto mais deles discretos, como quem gosta de café sem açúcar ou do sofá mais para a direita... Nada de serem activistas e falarem do assunto e reclamarem. É tão melhor quando ficam caladinhos lá no canto deles, quando não se queixam de serem discriminados, como, por exemplo, em comments homofóbicos nos próprios blogs, quando não reivindicam coisas que todos têm mas que, pelos vistos, ninguém presta grande importância. Adoro quando as pessoas sabem o seu lugar. Mulher que apanha e não resmunga. E ainda leva com ditado que entre marido e mulher não se mete a colher que é para nem pensar em pedir ajuda. Ou negro que percebe que tem de responder a um bom dia de um branco com um obrigado. Como o mundo podia ser mais fácil... é uma pena! Posso deixar um sentido «Volta Salazar!»?

Olha 50/1992, enquanto procuras cura, muita bom texto. Se encontrares um bom psicólogo - porque todos precisamos, mais não seja porque o mundo está cheio de cretinos - deixa o número que o patrono, pelo comentário, precisa mais do que qualquer um de nós. Disso e de aulas de interpretação de português. O texto, curiosamente, era mesmo para pessoas como ele. A culpa foi dos resumos amarelos dos grandes clássicos durante o secundário. Isso, também, é uma pena! Maior ainda, alias! E, temo, já sem cura!