Passo a contar um breve episódio que vivi há uns dias! Um professor meu com o qual tenho alguma confiança e muito respeito, tinha na lapela do casaco o escudo de Portugal. Após vários meses de aulas com o mesmo era a primeira vez que reparava no pormenor e sendo eu antigo aluno do Colégio Militar, partilho o hábito de austentar um símbolo ao peito, no meu caso a barretina, senti curiosidade e questionei o professor sobre o significado do símbolo. O professor orgulhosamente partilhou que se tinha proposto a um novo objectivo, procurar elevar a auto-estima dos portugueses. Argumentou que os símbolos e o seu uso são algo associdado sempre ao orgulho de pertencer ou ser e que por isso decidiu seguir a cultura do símbolo relativamente a Portugal, procurando diariamente levantar a auto-estima dos portugueses. Disse-o como que anunciando que ele não desiste, que ele acredita! Falou-me inclusivé em procurar uma estrutura ou criar uma que tivesse esse espírito, mas para já limitava-se diariamente a levar consigo um dos valores em que acredita e vive! Fiquei sensibilizado com a ideia e à minha maneira procurarei levantar essa auto-estima, mesmo que apenas sirva para mudar a mentalidade de um português, para já e aqui no mundo da Blogosfera procurarei divulgar os Portugueses que brilham por esse Mundo fora com prémios, com obra feita, ou escreverei apenas sobre aqueles que anonimamente a meu ver são uma mais valia. Não quero com isto dizer que deixarei de fazer as minhas críticas, longe disso, apenas vou fazer aquilo que sempre defendi, valorizar também o positivo e sobretudo o positivo! Tiago e Gonçalo espero que alinhem!
Esperemos que a chama deste objectivo não se apague!
AS
2 comentários:
Meu caro amigo,
como te tinha dito, não iria ficar indiferente a um tão pertinente quanto controverso tema. Tendo tantos pontos sido aqui focados, nada melhor que começar pelo primeiro - a nossa jovem democracia e os nossos valores.
Ainda que não seja apologista da frequente comparação com "nuestros hermanos" acredito ser importante para o caso. A nossa vizinha e eternamente arqui-rival Espanha só constitui uma democracia constitucional a 20 de Novembro de 1975 e ainda assim possui já um nível de vida assinalavelmente superior ao nosso. É claro que tenho plena consciência que a Ditadura Militar em muito contribui para a nossa actual situação social e para esta tão tacanha e irritante mentalidade que incompreensivelmente perpetuamos (são vários os exemplos históricos em que, regimes que literalmente eliminam os seus contestatários, acabam por degenerar devido exactamente à ausência de vozes críticas que os estimulem - irónico, no mínimo), mas permite-me que faça também referência aos agitados anos pós-revolucinários que não foram provavelmente o melhor começo para a nossa, por ti apelidada, "jovem democracia" (talvez neste ponto tenhamos posições discordantes. Aceito que, se tivesse vivido essa conturbada época, talvez a minha percepção fosse diferente. Contudo, e pelo que oiço em diversas entrevistas dos nossos actuais políticos, não foram raras as vezes que roçámos a anarquia). Para além disso (e talvez seja esta a principal razão do nosso atraso), a incapacidade que os nossos actuais políticos têm em colocar o país à frente das suas cores políticas é desesperante. Cada governo, sua política nos escaldantes temas que são a saúde, a educação, a economia e uma lista interminável de outras áreas. Será que são as cores que lhes toldam a visão? Que mais é necessário para que percebam que, nesta fase, não é importante que fulano ou sicrano ostentem o título de primeiro ministro, mas que sejam formuladas políticas consensuais e, sobretudo, duradouras que sobrevivam ao passar dos anos, governos e cores políticas (ofereço-te o exemplo da República da Irlanda no campo da educação - foi formulado um plano para a educação a 20 anos. Actualmente, essa cambada de celtas pagãos tem apenas e somente um dos melhores ensinos europeus). Entedia-me e irrita-me profundamente que se torne hábito os nossos legisladores virem, invariavelmente, acusar os antecessores de incompetência ... Ora estamos de tanga, ora de fio dental... Irra, já sei disso. O que ainda não sei é o que pretendem eles fazer a longo prazo para acabar com isto. É que pensar num plano económico ou de saúde para ser destruido 4 anos depois não leva o país a lado nenhum. Se a mentalidade dos nossos líderes não se destaca, como é que esperas que o comum dos cidadãos mude a sua percepção social? Se a tudo isto juntares uma pitadinha de repressão religiosa (eu sou católico, mas tenho a perfeita noção que a rígida lei clerical ainda hoje tem a desvantagem de encurtar a visão de muitos dos seus mais frequentes praticantes) e mais um cheirinho de negativismo tão português, encontras a fórmula para a maioria das atitudes por ti criticadas.
Contudo, e para não cair no mesmo erro de outros, passo agora às soluções. Seria completamente descabido fazer a crítica pela crítica ... talvez este seja o primeiro passo para melhorar a minha também tacanha mentalidade. Concordo plenamente contigo quando dizes que é a dar o exemplo e a inspirar que conseguimos alterar modos de pensar. Afinal de contas, também tu foste inspirado por essa atitude propositadamente nacionalista. Mas, por muita nobreza que emane de tal acção, ambos sabemos que terá apenas efeito à micro-escala da FFUL, sem esquecer os respectivos agregados familiares e amigos. No que concerne a propaganda nacionalista, não consigo vislumbrar melhor exemplo que os estado-unidenses. É fantástico como eles conseguem transformar derrotas históricas (Pearl Harbor e Vietname são os exemplos que visualizo instantaneamente)em vitórias épicas. Imagino que se conseguíssemos mentalizar-nos das nossas próprias vitórias e feitos (esses sim, verdadeiros e inigualáveis sucessos) que os nossos egrégios avós realizaram, seríamos certamente um povo sem complexos de inferioridade, com os quais até as mais brilhantes mentes deste nosso feudo à beira mar plantado pactuam. Se nos lembrássemos diariamente que somos a nação mais antiga da Europa, que D. Afonso Henriques guerreou a sua própria mãe no caminho para a independência, e que ao percorrer o mesmo trilho derrotou cincos reis muçulmanos em terras de Ourique. Continuaríamos com a convicção que o estrangeiro é invarialvelmente melhor se fossemos recordados que oferecemos novos mundos ao mundo, ainda que para isso tenhamos sofrido incomesuráveis privações (as tripas à moda do porto remontam ao século XV, quando todos os géneros alimentares eram consumidos pelo esforço de guerra em África e não havia mais que as vísceras dos animais como forma de nutrição)? Será que olvidamos que o português é o sexto dialecto mais falado em todo o mundo e que as nossas colónias (já excluindo as terras de Vera Cruz) tinham a mesma área de superfície que o continente europeu? Concordo contigo que o primeiro passo será acabar com a pequenez a que a nossa própria sociedade nos habituou. Mas para isso existe ainda um longo e sinuoso caminho a percorrer (Roma e Pavia não foram construidas num dia). Esse trilho passa por atitudes individuais, como a do nosso resistente professor, mas terá obrigatoriamente de ser também percorrido pelos nossos estadistas, os nossos líderes e orientadores. Sempre me disseram que candeia que vai à frente alumia duas vezes. As atitudes inovadoras a que te referes só serão viáveis se tomadas pelos centros de decisão (pensa na natureza, o mais perfeito exemplo de sociedade - uma mutação só é viável se ocorrer nas céulas sexuais).
"A humanidade marcha às arrecuas em direcção ao futuro, de olhos voltados para o passado" Gugliemo Ferrero. O nosso caminho, enquanto povo português, passa exactamente por perspectivar o futuro orgulhando-nos do honroso e singular passado que possuímos. Ainda que distante, ele é a prova que conseguimos atingir patamares de excelência quando a isso nos propomos.
... e quem fala assim não é gago! Felisberto vem vindo ao Conversas de Canto!
AS
Enviar um comentário