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domingo, junho 19, 2005

Semana das Manifestações

1. Não deixa de ser bastante redutor a forma como muitos fixaram e fixam apenas a imagem de um Cunhal-democrático. Álvaro Cunhal chega à primavera de Abril já com 61 anos de idade, já na idade da teimosia não da coerência (se um adulto tiver comportamentos infantis não o chamamos de coerente). Com meio século de resistência, prisão, tortura, exílio, Cunhal temeu a democracia e nunca aprendeu a usá-la como instrumento para a sua utopia, que duvidosamente se pôde chamar democrática. A homenagem é em grande parte para o Cunhal-resistente, o Cunhal-mito, símbolo de esperança e luta contra a ditadura. Luta essa que a muitos pretensos democratas faltou a coragem de a encetar.

2. O Governo de Sócrates foi presenteado com a sua primeira grande manifestação de contestação, pondo-se um ponto final ao seu estado de graça. O problema de qualquer contestação da Função Pública é que lesa mais os utentes contribuintes que o próprio Estado. Sempre nos rimos de piadas e anedotas sobre a inércia do tipo de funcionário público, o Governo procede agora a um "ataque à função pública", em parte legitimado por esta descrença generalizada e noutra apertado pela necessidade de reduzir o sr. monstro-déficit. Maximizar a eficácia e eficiência da Administração Pública é essencial, exige-se é flexibilidade negocial dos dois lados, o que não está a acontecer: cada um é a favor que se reduza privilégios exagerados mas que se comece na casa do vizinho.

3. A semana acabou com a manifestação da estupidez nacional. Embora só tenham sido apenas umas centenas a não ter a vergonha de se manifestar, cada vez mais acredito que este tipo de sentimento sempre esteve generalizado pelo país, podendo aquelas centenas serem multiplicadas por muitas mais. Para "descolonizarem" Portugal como pretendem e como "fizeram com os mouros e com os espanhóis" só lhes basta arranjarem um líder carismático, ignorantes que votem neles temos que sobre.

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