Páginas

quarta-feira, março 03, 2004

1982 - Aborto

Em 1982, quando encontrava-se no poder a coligação PPD/CDS, o aborto discutia-se mais uma vez, como outras tantas outras vezes até aos dias de hoje, sem grandes avanços para aí além.
Encontrando-se inevitávelmente dividido o parlamento nesta matéria de maneira similar à actual, e chumbando o projecto de uma liberalização da matéria, o parlamentar do CDS, João Morgado, católico professo, profere na sua declaração de voto a dogmática afirmação de ser o acto sexual só justificável tendo por objectivo a procriação.
Natália Correia, deputada pelo PSD mas pró-aborto, não se contém com a afirmação e escreve e distribui pelos colegas do hemíciclo o poema que abaixo se transcreve, dedicado pela autora ao seu colega João Morgado.
Para saber...



Dedicado ao deputado João Morgado

Já que o coito - diz o Morgado
Tem como fim cristalino
Preciso e imaculado
Fazer menina e menino,
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca
Temos na procriação
Prova que houve truca-truca.

Sendo pai de um só rebento
Lógica é a conclusão
De que o viril instrumento
Só usou - parca ração! –
Uma vez. E se a função
Faz o órgão - diz o ditado –
Consumada essa operação
Ficou capado o Morgado.

(Natália Correia)

Sem comentários: