Recentemente, um acontecimento na vida de uma colega minha chocou-me. Foi uma daquelas "situações limite" - a morte inesperada de um ente querido - em que, de repente, tudo passa a ser racional e cada situação vivida com uma atitude puramente determinista. Mas o que é que andamos cá a fazer? Para quê planear? Para quê fazer sacrifícios? Se nem sequer sabemos se o amanhã vai chegar...
Só nestas duas últimas semanas, houve dois acontecimentos a nível internacional que foram marcantes, não só pela sua índole mas também pelas suas repercussões. O primeiro foi o atentado de 11 de Março em Madrid, com a morte de muitas pessoas inocentes, que encontraram o fim das suas vidas através de um acto covarde, e que, de certo modo, as torna algo ignóbeis.
O segundo foi a morte do líder espiritual do Hamas, na madrugada passada. Considerado pelos israelitas como o principal causador dos atentados mártires em Israel e seus vizinhos, foi morto infamemente, atingido por 3 mísseis (deveia ser realmente grande, o senhor) causando também a morte de alguns inocentes que se encontravam nas imediações. A resposta a este acto não se fez esperar e os Palestinianos já ameaçaram "olho por olho".
Tendo em conta os últimos anos, estes factos não aparentam nada de excepcional. Contudo, existe um senão - ESTAMOS NO SÉCULO XXI.
Já lá vão os tempos em que o ser humano se preocupava com 3 coisas: alimentar-se, reproduzir-se e sobreviver até ao dia seguinte. Supostamente, nos dias que correm, as sociedades deveriam ser organizadas, a globalização ser um meio de desenvolvimento e o Homo sapiens sapiens viver em harmonia, tendo cada comunidade a sua especificidade (cultura, crenças, valores, estilos de vida) mas respeitando-se mutuamente.
Que pobre e inocente criança eu saí!!! Afinal está tudo na mesma, desde a pré-história, só mudou a fachada. Afinal, ainda tenho que preocupar-me com o amanhã. Afinal tenho que pensar duas vezes se devo apanhar o comboio, não vá um Português de origem árabe, que vive cá desde que nasceu e que há umas semanas recebeu o sinal que já lhe havia sido comunicado enquanto ainda era um embrião, ter colocado um engenho explosivo nos carris da Fertagus e progamado para explodir na hora de ponta, enquanto atravessa a ponte. Sim, porque nós também apoiámos a invasão do Iraque!
Pessimista perspectiva, esta que apresentei. Talvez até descabida e sem fundamento. Mas se virmos bem, todo este enredo a que chamamos actualidade não passa de uma roleta russa, em que nunca sabemos quando é que a bala nos vai sair. E o pior, é que muitas vezes nem a sentimos aproximar e, num ápice, tudo à volta se desmorona e, mais uma vez, nos perguntamos: Porquê?
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