Não consegui resistir a este post! Vinha eu a ouvir a TSF a caminho de casa ao fim de mais um dia de estudo, quando oiço a seguinte afirmação do Ministro Correia de Campos: "há muitas mãos que não são lavadas, quando passam de um doente para o outro. Há luvas que protegem o profissional, mas que transferem a infecção de um paciente para o outro. É ou não é verdade?". A declaração do Ministro pretende justificar a elevada taxa de infecções existententes no Hospital de São João do Porto, um número que atinge o dobro da média nacional.
Em 1847, um médico do Hospital de Viena, obrigou todos os profissionais de saúde que trabalhavam no departamento por si chefiado a desinfectar as mãos, o resultado desta regra consistiu num decréscimo das infecções no ano seguinte, 1848, de 13,1% para 1,3%. Esta pequena viagem ao passado é um exemplo que ajuda a fortalacer uma velha afirmação em Saúde Pública: "os 10 principais tranportadores de microrganismos responsáveis por infecções nosocomiais são os seus 10 dedos". A limpeza e higiene das mãos é uma regra básica de qualquer espaço de saúde em pleno secúlo XXI que se queira moderno, seguro, eficaz e que preste um serviço de qualidade ao cidadão comum.
A acusação já é grave, o facto de ser feita publicamente pelo Ministro da Saúde intensifica a gravidade da mesma! A verificarem-se estes factos é urgente que a nova administração do Hospital São João actue, caso contrário os profissionais de saúde deste Hospital têm toda a razão para contestar as afirmações e o Ministro tem de passar a tomar atenção a afirmações como: «Quando nós damos prioridade a investimentos em estádios de futebol em vez de hospitais, quando temos estádios que estão entre os melhores da Europa e não temos nenhum hospital nessas condições, alguma coisa está mal. É uma doença, mas e do país»
4 comentários:
André,
Inauguro o espaço de comentários nas Conversas de Canto para te dizer que também a mim me afligiu a notiícia na TSF. Afligiu tanto que me conduziu à cor das avestruzes modernas, para escerver isto: http://acordasavestruzesmodernas.blogspot.com/2005/06/confesso-que-s-vezes-me-tento-em-ser.html
Epá este Ministro tá a precisar de um correctivozinho....Tem mais tacto um rinoceronte numa loja de cristais que o gajo para política da Saúde...
Tou farto de Portugal e da casmurrice dos Portugueses.Bom texto André, devias era ter sido mais corrosivo.
Cumps
Pedroso
www.teorias-praticas.blogspot.com
Aqui fala-se de mãos e luvas, na Inglaterra a celeuma gerou-se em torno da gravata.
Os médicos gostam de usar gravata sob a bata com ela aberta, como se dentro de um hospital fosse a condição socio-profissional relevante ou sequer importante...
Desta vez não estamos sós e o esforço, a preocupação com o conceito de "Patient Safety" é louvavel. Comentários à parte, concentrem-se nos resultados e podem dizer as barbaridades que quiserem, até pode ser que dê um pouco de ambiente!
Parece inacreditável que até uma simples e básica regra de higiene pessoal não seja cumprida a nível hospitalar... E depois vem-se falar de bactérias ultra-resistentes aos mais variados e potentes antibióticos, potencialmente causadoras de infecções nosocomiais... Só o facto de se levantar sequer a suspeita de que profissionais de saúde de um hospital possam não lavar as mãos é, no mínimo, muito grave! É que até antes de ir para a mesa se lava sempre as mãos!!!
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