Todos os dias experimentamos novas sensações! Por vezes são genuínas e traduzem vivências nunca anteriormente sentidas. Por outro lado, existem momentos em que as sensações que classificamos como novas, não o são! Sempre andaram por aí, mas só num determinado momento parámos a pensar numa realidade que é diária, que só nos atingiu, num certo espaço, a um dado tempo, fazendo com que aquilo que é comum, se torne um acto isolado, porque parámos para reflectir. Penso que a morte é uma dessas realidades, que todos os dias bate à porta de alguém, de uma forma violenta, de uma forma suave, avisando com antecedência ou então entrando na nossa vida de rompante sem avisar...
Há cerca de um ano, alguém que partilhou vivências comuns comigo, e que por ventura era muitas vezes um exemplo para todos, partiu, e sei que foi a morte que o levou. Na altura escrevi umas linhas que gostava de partilhar convosco, numa altura em que a morte se deu ao desplante de entrar em nossas casas, em directo pela caixinha, que deixou há muito de ser mágica... Penso que reflectem a fragilidade a que a vida está sujeita!
Marense
A luz nasce! Mais um sol na sua rotina! Mais uma aurora, talvez a última! E surgem perguntas: porquê? Porque a felicidade convive com o inferno? Porque os justos conhecem o fogo mais cedo? Porque não mais um nascer, ou simplesmente um pôr do sol? Porque tem aquele de ser o último e não o de amanha? Porque não foi o de ontem?
Como sabemos que é o último luar? A última aurora? O último sol? Como sabemos que é o último fôlego?
Olho para trás e só vejo perguntas, nunca exclamei tanto! É a morte...a escuridão, o fim a dizer que existem! São perguntas sem resposta! A morte não tem resposta, o fim não se explica! Acontece... Ninguém espera! Surge e diz que está cá, sempre a espreitar. Não olha a rostos, nem a corações, nem a razões, só olha à morte... A Morte! Que coisa estranha, que fim bizarro. Um contraste com a vida. Um fim inesperado...
24-3-2003
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