Já estava deitado, no entanto não conseguia dormir.
As recordações do tempo do colégio não paravam de surgir, todos aqueles pormenores, aquele turbilhão de emoções por que passamos, todos os bons e maus momentos. Uma miscelânea de sentimentos demasiados fortes para ficar indiferente no meu sono.
Lembro-me de na 1ª quarta-feira em que saímos de estar radiante a jantar com os meus pais e contar-lhes maravilhas daquela nova "casa", de pensar que iriam haver aulas de surf na costa e que podíamos ir praticando no colégio (não sei bem onde, mas...), de lembrar-me que tinha fazer um requisição de electricidade em pó e um fardo do palha para o cavalo. A inocência de outros tempos.
Todo este rodopio de emoções retomam-me inevitavelmente para a récita e para os momentos de alegria que passamos a construir algo nosso. Dos ensaios com o Rui Luís, das noites a escrever textos e fazer slides, do géiser de cerveja do Zé, das noites em Lagos naqueles animados bares ("sempre" com o intuito de começar a construir algo para a Récita...). Ainda nas camaratas, das conversas a meio da noite entre as camas (e sermos apanhados a fazer barulho), daquele som assustador do cântico do Ó-Spelli e King, das camas ao poço, "Vai uma ou vão todas...". Dos assaltos à copa e das corridas loucas para fugir dos oficiais quando se ia para "cavar", da "mocada", das retiradas estratégicas e fulminantes à frente dos cornos do touro na garraiada, do Brasil e das suas praias paradisíacas, dos chás dançantes e da famosa sala de GD, da nossa sala 53, da queima das cábulas, da Natasha toda "boa", dos rambanços e do tiro ensurdecedor do Gustavo, da maneira que o Cilha nos cumprimentava todos os dias de manhã, do toque de alvorada e das apresentações, das almofadadas em que "atacávamos" de surpresa os nossos adversários ainda a dormir, das cerimónias em que tinhas de esperar uma eternidade à espera das entidades, dos desfiles na avenida...
Se há recordação que guardarei para sempre como das mais intensas da minha vida colegial é ouvir o hino nacional nos claustros daquele colégio. Toda aquela vibração a ecoar por todo o meu ser reunida naqueles pilares seculares é uma sensação única e demasiado intensa para conseguir traduzir por palavras.
Ficaria aqui a noite inteira a escrever-vos sobre estas recordações que me rechearam a vida durante uns intensos 8 anos da minha existência. Os tempos passam e com elas vão indo algumas das recordações e dos pormenores que foram preenchendo a minha vida, mas há algo que fica para uma eternidade. Os amigos.
Diz-se que quando se está às portas da morte toda a nossa vida passa como num flash e recordamos todos os bons e maus momentos da nossa existência. Mas basta tu quereres e esse flash acontece. "Toda" a tua vida passa por ti para poderes recordar e reviver esse momentos.
Termino este post como o Tiago disse, é um mundo todo só a acrescentar!
Sem comentários:
Enviar um comentário