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domingo, janeiro 25, 2004

Recordações

Já estava deitado, no entanto não conseguia dormir.
As recordações do tempo do colégio não paravam de surgir, todos aqueles pormenores, aquele turbilhão de emoções por que passamos, todos os bons e maus momentos. Uma miscelânea de sentimentos demasiados fortes para ficar indiferente no meu sono.
Lembro-me de na 1ª quarta-feira em que saímos de estar radiante a jantar com os meus pais e contar-lhes maravilhas daquela nova "casa", de pensar que iriam haver aulas de surf na costa e que podíamos ir praticando no colégio (não sei bem onde, mas...), de lembrar-me que tinha fazer um requisição de electricidade em pó e um fardo do palha para o cavalo. A inocência de outros tempos.
Todo este rodopio de emoções retomam-me inevitavelmente para a récita e para os momentos de alegria que passamos a construir algo nosso. Dos ensaios com o Rui Luís, das noites a escrever textos e fazer slides, do géiser de cerveja do Zé, das noites em Lagos naqueles animados bares ("sempre" com o intuito de começar a construir algo para a Récita...). Ainda nas camaratas, das conversas a meio da noite entre as camas (e sermos apanhados a fazer barulho), daquele som assustador do cântico do Ó-Spelli e King, das camas ao poço, "Vai uma ou vão todas...". Dos assaltos à copa e das corridas loucas para fugir dos oficiais quando se ia para "cavar", da "mocada", das retiradas estratégicas e fulminantes à frente dos cornos do touro na garraiada, do Brasil e das suas praias paradisíacas, dos chás dançantes e da famosa sala de GD, da nossa sala 53, da queima das cábulas, da Natasha toda "boa", dos rambanços e do tiro ensurdecedor do Gustavo, da maneira que o Cilha nos cumprimentava todos os dias de manhã, do toque de alvorada e das apresentações, das almofadadas em que "atacávamos" de surpresa os nossos adversários ainda a dormir, das cerimónias em que tinhas de esperar uma eternidade à espera das entidades, dos desfiles na avenida...
Se há recordação que guardarei para sempre como das mais intensas da minha vida colegial é ouvir o hino nacional nos claustros daquele colégio. Toda aquela vibração a ecoar por todo o meu ser reunida naqueles pilares seculares é uma sensação única e demasiado intensa para conseguir traduzir por palavras.
Ficaria aqui a noite inteira a escrever-vos sobre estas recordações que me rechearam a vida durante uns intensos 8 anos da minha existência. Os tempos passam e com elas vão indo algumas das recordações e dos pormenores que foram preenchendo a minha vida, mas há algo que fica para uma eternidade. Os amigos.

Diz-se que quando se está às portas da morte toda a nossa vida passa como num flash e recordamos todos os bons e maus momentos da nossa existência. Mas basta tu quereres e esse flash acontece. "Toda" a tua vida passa por ti para poderes recordar e reviver esse momentos.

Termino este post como o Tiago disse, é um mundo todo só a acrescentar!

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