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sexta-feira, janeiro 23, 2004

O timing de um salto (2) com a reflexão de uma viagem...

Acabo de chegar de uma viagem no tempo! De há quatro anos para cá repito esta viagem ocasionalmente, deixo a realidade que considero de todos e entro numa outra que só um grupo, a meu ver de privilegiados, viveu. Do tempo distante que lá vai, oito anos intensos, digo hoje com orgulho, que é um passado que deixa marcas no presente e continuará a faze-lo no futuro. Há no entanto uma diferença entre o dia que vivi ontem e o que vou viver amanha. Hoje, após mais uma Récita do 7º, senti que o espirito ainda lá anda à solta, e que o vento sopra com força. Posso assim continuar em frente, com mais certeza que no futuro alguém continuará a ser visto como diferente (leia-se que não digo melhor ou pior, apenas diferente, todos o somos afinal), tendo em si a marca indelével de uma casa, que será para sempre a “nossa”(vocês sabem quem são).

Após reflectir e abrigar esta certeza em mim, voltei ao meu dia a dia, e reencontrei a convicção com que procuro acordar todos os dias: temos de saborear cada momento desta intensa vida (ás vezes esquecemo-nos e tu que estás a ler sabe-lo, ainda ontem o disseste).

O Tiago diz que andamos presos a um ritmo que nos é imposto: queremos satisfazer os pais; acompanhar os amigos; cumprir objectivos que impomos a nós próprios, ás vezes, sem percebermos porquê; correr, pois parece que hoje não se sabe esperar, ou simplesmente parar. No seio desta intensidade diária, cada um escolhe o seu caminho. Uns escolhem claramente cumprir o estipulado pela sociedade a todo o custo, outros sem saber porque, adicionam novas metas, procuram descobrir-se, percorrendo um caminho diferente. É uma questão de opções, que cada um tem de fazer, sendo certo que a razão acompanha ambos.

As sensações que o Tiago descreveu no último post são me comuns e nascem da vontade de sentir a tal “realização pessoal”, de tentarmos descobrir os tais outros caminhos. Esta crise existencial a que te referes suscita-me uma pergunta: ando a cumprir o prazo e a fazê-lo bem? A escolha acertada que também partilho contigo. Sei que no meio de tanta coisa ando a fazê-lo dentro do prazo, e vou fazendo-o bem, mas sei que o poderia fazer melhor, pelo menos numa parte. É uma questão de opções, as tais que levam à concretização pessoal e que originam essa angustia de saber que podia fazer melhor, mas que ao mesmo tempo te dão a sensação de estares a cumprir, a superar o que deverias cumprir, a concluir que podes fazer melhor, basta optares(não se esqueçam), a viver e a gozar cada instante. Ás vezes não nos apercebemos é deste gozo, tal é a intensidade, e isso sim custa...

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